Get Mad, Ear.
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Aizawa estava tendo um pouco de trabalho em contornar o efeito que as rajadas de Midoriya estavam causando. É verdade que ele ordenou que o garoto usasse seu poder ao máximo, a fim de fortalecê-lo, contudo, o deslocamento de ar que o garoto causava acaba atrapalhando um pouco alguns alunos. Como Uraraka, por exemplo, que precisou ser ancorada no chão para não flutuar para longe.
O treino de Uraraka envolvia ativar e desativar sua individualidade. A garota estava aprendendo a mover seu corpo em gravidade zero, assim ela poderia se deslocar muito mais facilmente, além de desenvolver ataques rápidos e mais perigosos, se ela usasse a gravidade para aumentar a força.
Todoroki foi o escolhido do dia para treinar com Midoriya. Com a velocidade do garoto de cabelos verdes, Shoto não conseguia manter suas chamas acesas por muito tempo e isso o fez aprimorá-las para que pudessem queimar mais forte e mais rápido.
Todos estavam melhorando a cada dia. Iida agora consegue aumentar sua velocidade ao ponto de conseguir escalar um prédio de até seis andares com as pernas. Asui consegue se camuflar completamente a ponto de esconder até mesmo seus sons de Jirou se a garota punk não estiver procurando especificamente por ela. Kouda consegue alguns animais como informantes em qualquer lugar e qualquer ambiente, desde que os bichinhos tenham uma memória decente (como cães, gatos e corvos) eles podem dizer à Kouda o que ouviram mesmo que não entendam o que significa.
E Momo? Depois de duas semanas enfiada no laboratório, analisando a composição química do gás sonífero de Midnight sensei, finalmente conseguiu reproduzi-lo perfeitamente. E quando digo perfeitamente, quero dizer que ele funciona melhor ainda do que o original, pois a garota conseguiu criar uma versão tão eficiente em homens quanto em mulheres. Infelizmente, dispende uma enorme quantidade de lipídios, para fazer uma pequena quantidade. Então é uma criação que só deve ser usada em situações bem calculadas.
Kaminari estava comemorando com Sero ao final do treinamento. Esse era o décimo segundo dia em que ele treinava a céu aberto para conseguir canalizar a energia dos elétrons do ambiente sem entrar no modo Whey. Jirou estava orgulhosa dos amigos, mas ela não pode evitar se sentir com um pouco de inveja. Todos haviam evoluído tanto e ela continuava aprendendo a usar sua individualidade como se fosse um bebê de quatro anos. Ela se sentia uma tartaruga atrasando 19 lebres.
— Ei, Jirou! O treino acabou – Kaminari a chamou correndo em sua direção.
— Só mais um pouco, Jamming Whey, eu já vou – Ela respondeu ainda vibrando e tentando manter sua postura firme com todo esse som percorrendo seu corpo pela segunda hora seguida.
— Dá uma pausa, Jirou – O loiro jogou-se sobre ela, obrigando a garota a desativar sua individualidade com pressa ou poderia machucar seu amigo idiota.
— Kaminari! Você ficou doido?! — Kyouka perguntou assustada. Se ela não tivesse desativado a tempo, Kaminari seria lançado a pelo menos dois metros (Esse era o seu limite mais baixo).
— Nah, eu sabia que você não faria isso comigo – Kaminari meneou a mão com um falso drama.
— Idiota – Ela cutucou-o com seus fones e lhe deu uma leve batida, só para afastá-lo.
— Ai! Não seja tão má, Jirou — Ele choramingou – Você precisa pegar mais leve.
— Eu estou atrasada quase dois meses, Kaminari, a última coisa que eu não posso fazer é pegar leve – Jirou retrucou séria empurrando o amigo para o lado e reativando sua vibração.
— Mas não foi culpa sua! – Ele argumentou do chão.
— Não muda o fato de eu ter ficado para trás – Ela bufou erguendo os braços para uma rocha e apontando com as mãos da forma que Bakugou a ensinou no dia anterior.
O loiro estava-a ajudando com algumas nuances das explosões. Ela tinha tanta coisa para aprender! Fazia menos de um mês que ela havia voltado para o treinamento da turma, e ela estava se excedendo tanto com os treinos extras com Bakugou e Shinsou que Aizawa-sensei a proibiu de treinar com Hitoshi fora dos dias em que ele os supervisionava. Ou seja, ela ficou ainda mais atrasada.
— Você tá brincando, certo? – Kaminari ergueu uma sobrancelha — Você ganhou o supermovimento supremo mais legal de todos! – Ele exclamou com um sorriso radiante, novamente a obrigando a desativar sua explosão para não machuca-lo – Então você meio que saiu na frente de todo mundo.
Ok, Jirou não tinha olhado por esse lado. Ela só imaginou que o fato dela estar aprendendo a usar esse novo lado de sua individualidade a fazia igual a uma criança idiota que não consegue controlar seu poder. Kyouka realmente não pensou que isso era na verdade uma enorme vantagem recém-adquirida, por isso ela arregalou os olhos em surpresa.
— Espera aí um pouquinho – Kaminari a encarou com os olhos estreitos – você está me dizendo que essas suas explosões te deixaram para trás? – O loiro perguntou quase ofendido.
Kyouka se encolheu corando um pouco. Pensando por esse lado, era realmente muito estúpido da parte dela.
— Talvez? – Ela tentou juntando as pontas dos fones. Kaminari colocou a mão no peito e a encarou ultrajado – Não me olhe desse jeito! – Ela resmungou cruzando os braços – Você não pode esperar que eu olhasse como uma coisa boa algo que me deixou quase um mês sem treinar.
— Jirou, sua explosão é incrível! – Ele sorriu para ela com o polegar para cima – Talvez não tenha sido legal no começo, mas você ficou tão forte depois disso! Cara, você explodiu o Bakugou!
— Cala a boca – Ela ordenou com um sorriso tímido.
Era bom perceber que ela realmente não estava tão para trás assim. Contudo, elogios ainda eram um pouco desconcertantes.
— É sério! E você ainda é ótima para missões de reconhecimento, isso é tão maneiro.
— Eu disse cala a boca, Jamming Whey – Ela apontou os fones para ele, o fazendo engolir em seco – Vamos andando, eu quero tomar banho antes do jantar.
Kyouka começou a andar e Kaminari veio saltitando atrás dela. O loiro não disse mais nada, depois de tanto tempo como amigos, ele sabia de alguns limites da garota. Então ele ficou cantarolando até se separarem.
Quando eles chegaram até o dormitório. Jirou e Momo se encontraram na cozinha. Kyouka sabia que a amiga estaria provavelmente preparando um chá para tomar depois do jantar. Elas sentaram juntas, esperando a água ferver e conversaram um pouco sobre o dia até Katsuki entrar na cozinha, parar na porta ao ver as duas e caminhar rapidamente para a pia, lavando seu prato em uma velocidade impressionante e saindo mais rápido ainda.
As duas garotas se entreolharam com as sobrancelhas levantadas.
— Ele anda tão estranho – Jirou afirmou com desconforto.
— Ele É estranho – Momo argumentou com um careta – Por que você gosta dele?
—Momo! – Jirou repreendeu com um gritinho olhando por todos os lados.
— Oh, por favor, não tem ninguém aqui para ouvir – Momo desfez com um aceno.
— Só... não fale tão alto – Jirou balbuciou juntando as pontas dos fones e desviando o rosto corado com um beicinho.
A chaleira apitou e Momo levantou-se com um burburinho alegre, servindo-se com uma xícara e oferecendo uma para Kyouka. As duas voltaram para o salão comum, com quase toda a turma A. Ainda era cedo, então todos estavam se distraindo um pouco antes de dormir. Momo sentou-se elegantemente no sofá, segurando sua xícara com delicadeza, enquanto Jirou aninhou-se ao seu lado com as pernas cruzadas e a xícara enroscada em seus dedos para conservar o calor.
O Bakusquad estava todo lá. Bakugou estava sentado em uma poltrona, enquanto Kirishima e Kaminari assistiam a um vídeo no celular do loiro. Sero e Ashido estavam conversando sobre a notícia de um deslizamento pela manhã. Momo e Jirou entraram na conversa até que Kaminari interrompeu.
— Vamos parar de falar de tristeza – Ele jogou-se no sofá entre Ashido e Jirou.
— Nós só estávamos discutindo sobre o que fazer se nós estivéssemos por perto – Disse Momo – É sempre bom aprender com o que já aconteceu.
— Sim, sim, mas já aprendemos muito hoje – Ele desfez passando um braço em Ashido e outro em Jirou – É nosso momento de descanso. Ai! – Jirou havia cutucado seu braço com seus fones e o fez recuar com o formigamento.
— É por isso que você ficou em último de novo, Jamming Whey – Kyouka repreendeu-o monotonamente antes de tomar outro gole do chá.
— Não seja tão má, Jirou – Denki chorou com um beicinho – Nem todo mundo nasce com uma individualidade tão maneira.
Lá vem ele. Kyouka suspirou, ela sabia que seu amigo a tentaria animar depois da conversa que tiveram mais cedo. Denki era irritantemente animador, não havia como impedi-lo de ser amigável e radiante.
— Calado – Ela cortou com o rosto inexpressivo.
— Qual é, Jirou – Ele sorriu de lado e inclinou a cabeça para ela – É tão injusto! Você pode fazer reconhecimento, tem ataques de longa distância, de curta distância e até uma armadura de som! – Ele deitou a cabeça sobre as pernas cruzadas dela e fingiu um desmaio dramático. Jirou quase engasgou com o chá tentando não rir – Você pegou o pacote completo das individualidades.
— Ei, Pikachu! Levanta essa bunda daí – Bakugou ordenou erguendo-se ameaçadoramente lento da poltrona.
Kaminari engoliu em seco e obedeceu. Ele não sabia exatamente o que tinha feito, mas quando você vê aquele sorriso trincado e aquele olhar psicopata nos olhos de Bakugou, você obedece, a menos que tenha perdido o amor pela vida.
Katsuki percebeu que não tinha nenhum bom motivo para querer matar aquele idiota do Pikachu. Bem, ele tinha. Só não queria que os outros soubessem qual era esse motivo. Então ele estalou o pescoço para aliviar a raiva e colocou a mão no ombro de Kaminari.
— Vamos terminar aquela partida de Call of Duty que você amarelou ontem.
Deus abençoe sua memória e pensamento rápido. Bakugou estava tentando ignorar um pensamento irritantemente recorrente aqui e ele não queria nem pensar em ter que explicar para Kirishima que ele quis matar Kaminari por simplesmente ter ficado perto demais de Jirou. Não que ele devesse alguma explicação, é só que o Cabelo de Merda às vezes consegue fazê-lo responder algumas perguntas sem que Katsuki nem sequer perceba. Aquele tubarãozinho era esguio como uma cobra quando queria ser.
Com um suspiro de alívio, Kaminari concordou e correu para o quarto de Bakugou. Os demais ficaram na sala por mais um tempo antes de se recolherem. Ainda era o meio da semana, não era um bom momento para desperdiçar o sono, especialmente com tantas provas se aproximando.
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