Geração dos Milagres
6 Uma semana
Este definitivamente não era um dia comum, afinal qual a ultima vez que uma garota me convidou para acompanhá-la até sua casa.... bons tempos aqueles (nunca aconteceu). Enquanto saíamos da escola, era impossível não notar que as pessoas ao redor focavam sua atenção na gente. Imaginei que alguém nos levaria, mas estávamos caminhando tranquilamente como um casal.
— Não está muito feliz em ter que se movimentar sem necessidade, certo? Afinal está sempre isolado, especialmente nos últimos anos. — disse enquanto seguíamos lado a lado de mãos dadas. Ei... por que ainda estávamos de mãos dadas? Isso estava se tornando muito constrangedor, por que continuaria segurando até ali? Bom, não é como se eu não gostasse ou coisa do tipo.
— Como sabe sobre isso? — tentei não expressar surpresa ao perguntar, justamente por que não era algo irreal de se pensar, observando o jeito com que me comporto em sala de aula, alguém poderia sim deduzir os motivos de ser solitário, especialmente nessa escola.
— A forma como seu rosto está fora do normal ao estar junto de uma garota deixa isso bem claro, mas além disso, no site da escola contém as informações pessoais de todos os alunos, mesmo que possamos visualizar apenas os pertencentes á nossa classe. — disse como se não concordasse com este sistema. Mas com que finalidade pretendem expor os alunos aos colegas de classe? Isso realmente poderia ser um problema dependendo do passado de cada um. Imagino por que todos aceitavam a invasão pessoal.
— Então na realidade todos se conhecem perfeitamente? Impressionante que tenha guardado as características da nossa turma. — tentei parecer impressionado. Sério que apenas eu não dei importância pros requerimentos?
— Não, na verdade prestei mais atenção em você.
— Por que? — perguntei sem reação.
— Seus olhos lembram os do meu irmão, azuis, mas não um azul qualquer, é forte e bonito, acredito que isso tenha me atraído. Mas não fique se achando, não estou interessada em você ou qualquer coisa do tipo. — enquanto dizia suas palavras iam se tornando mais fracas e seu rosto aparentava estar vermelho.
— Sério? Mas ainda está segurando minha mão, Alice. — disse tentando me aproveitar da situação.
— Isso... isso foi só coincidência! Nunca se esqueceu de nada na vida?! — respondeu soltando minha mão, aparentemente um pouco (muito) incomodada com meu argumento. Mas "esquecer" de soltar minha mão não era algo aceitável, então é assim que uma garota age quando está envergonhada? Parece que nem as garotas geniais escapam desse padrão.
Chegamos em sua casa, e... sinceramente, como é possível? Sua casa era ao lado da minha, isso era coincidência demais. Entramos, e aparentemente não havia ninguém, assim como minha casa, a dela era consideravelmente grande, um ambiente agradável de certa forma. Seguimos até seu quarto, mas ela parou de repente.
— Fique aqui esperando, vou me trocar, e não tente nada estranho.
— Claro, não vou... — fui interrompido pelo barulho da porta se fechando, sequer deixou que terminasse a frase.
Desci as escadas novamente até a sala, não encontrava ninguém, realmente cuidava da casa sozinha? Por alguns momentos observei os quadros que haviam ali, parece que estava certa quanto a semelhança dos olhos. Preferia que fosse uma desculpa, assim talvez pudesse acreditar que alguém se interessou apenas pela minha aparência.
— Ei, o que está fazendo? Achei que havia dito para que me esperasse em frente ao quarto. — disse enquanto descia as escadas.
— Ah sim, me desculpe por isso. Mas onde iremos treinar? — disse olhando-a fixamente nos olhos, aquilo poderia se tornar um motivo para que eu a elogiasse. Se agisse conforme estava pensando, realmente poderia ter dito que ela estava linda, normalmente é o que se deve dizer quando uma garota troca de roupa para fazer alguma atividade com um garoto. Se fôssemos próximos, talvez fosse mais fácil.
— Há um grande campo no terceiro andar, mas se estiver se perguntando o por que de escolher aqui ao invés de algum campo pertencente á escola, apenas me sinto melhor em casa, afinal na escola geralmente se encontra vários garotos por perto, seria um problema se distrair durante o aprimoramento. — soou como se realmente não desejasse haver um mal entendido. Não precisava ter explicado tudo apenas para que não pudesse criar uma esperança de que ela queria estar a sós comigo. Uma explicação longa como essa, teria surtido um efeito oposto ao desejado por ela, isso em circunstancias normais, porém me recusava a acreditar que algo estaria a meu favor quando se trata de um relacionamento.
Seguimos até a cobertura, era impressionante o espaço disponível, coloquei minha mochila encostada na beirada do campo e me dirigi ao centro. Não que fosse fácil ter que dizer o que uma garota precisa fazer, mas era uma condição pra finalizar meu objetivo.
— Precisamos que seu ataque seja mais forte e mais rápido, pra isso pensei em algo simples. Você terá que me acertar a uma certa distância até que eu perceba que está chegando com velocidade. Iremos começar com uma distância mediana, por hora não vou me movimentar, não se preocupe em se conter na força, afinal é exatamente esse ponto que será avaliado. Fique a vontade para dizer quando...
— Já entendi. — disse me interrompendo novamente.
Nas primeiras 2 horas de lançamento, não houve um aumento significativo na velocidade com que a bola me atingia, me arrisco a dizer que teria melhorado cerca de 9%. Ainda assim, era impressionante o jeito com que se adaptava a um nível superior de força exigida, devido a isso, cada arremesso era mais forte que o anterior.
— Acho que por hoje está bom. Talvez queira decidir o próximo dia para...
— Amanhã. — já era a terceira vez que me interrompia, parece que não importa o nível de conhecimento alcançado, nunca se pode dizer ao certo como as garotas pensam.
Decidimos usar uma semana de treino, afinal era o tempo que restava até nosso primeiro confronto. Isso se tornou favorável para mim também, visto que meu ponto fraco seriam as brechas na defesa, e minha função era exatamente isso ao ajudá-la. Não sei ao certo o quão extraordinária seria cada classe a ser enfrentada, isso me faz lembrar que o primeiro jogo de Mayu seria em quatro dias, e prometi assisti-lo. Claramente pode se destacar em seu time, sendo que nunca a venci em um esporte jogado a sério. Subestimar o inimigo é um problema sério, o fato é que esse seria o ponto negativo de Mayu, se bem que em uma escola como essa, talvez ela esteja ciente... só me resta acreditar em sua habilidade incrível.
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