Geração Potter e o Torneio Dos Cinco

19 (Cap. 19) - O impulsivo, o babaca e a desiludida.


Notas iniciais
Hey bruxões! que frio tá fazendo... Minha estação favorita acabou e deixou apenas o frio :c filhos de Apolo não approves. Gosto do frio de outono, quando tem sol junto, é divino. Mas enfim, vou parar de divagar. Não postei semana passada porque eu estava entrando de férias e finalizando a vida acadêmica pra relaxar, espero que entendam. To sem planos pras minhas, só marcando rolês cozamigos e encontros com a namorada, nada mais... Espero que vocês viagem e passeiem bastante!
Boa leitura que esse cap tá muto fofinho, até as notas finais! ~

O ultimo mês do ano chegava acompanhando de chuvas e neve até que todos os campos e áreas de Hogwarts estivessem tão brancos quanto o céu nublado. O Lago estava cristalizado, o navio da Durmstrang preso às águas congeladas. Lasil, o dragão da Forccinari, constantemente soprava fogo em si mesmo para aquecer-se. Os corvos de Salém e os cavalos alados de Beauxbatons, quando não pastando ou voando, acumulavam-se em bando para se esquentarem.


Em meados de uma semana particularmente fria de dezembro, o trio encontrava-se numa aula de Transfiguração com McGonagall, que após mostra-los uma lista de feitiços de fusão de objetos e conversão, ela separava um tempo extra para uma explicação, que mesmo óbvia, foi recebida com surpresa:

— Baile de Inverno? – repetiu Valentine, numa entonação tão suave que as pessoas ao seu lado conferiram se ela estava dormindo.

— Isso mesmo, Srta. Longbottom. É uma tradição do Torneio Tribruxo, no qual sua função é nos deixar mais próximos de nossos hospedes estrangeiros, além de ser uma cerimônia que antecede a segunda tarefa do Torneio, o auge do evento. Ocorrerá na noite de natal. Apenas o quarto ano em diante terá a oportunidade de desfrutar da festa, porém está permitido convidar como acompanhantes alunos do terceiro ano, no máximo.

Algumas garotas deram risadinhas agudas. Os rapazes pigarreavam e coçavam o cabelo, olhando em volta. Albus, no entanto, estava tranquilo. Mesmo baile sendo sinônimo de dança, ele sabia fazer muito bem era curtir o momento. Ele olhou para Scorpius ao seu lado e viu o rapaz responder a notícia com um nervosismo visível. Ele olhava para frente, cuja carteira estava ocupada por Rose e Ling Yao. As duas amigas sussurravam e riam.

— E aí, ansioso, Scorpius? – Albus cochichou para o amigo.

A pena tremulava na mão do Malfoy.

— N-Não... É, é só um Baile bobo, n-nada demais...

— Relaxa – pediu Albus. Seria estranho estar acompanhando de alguém que estava prestes a entrar em convulsão –, porém teremos de nos apressar.

— Para o que? – Scorpius não entendia o que o amigo queria dizer.

— Pares.

— Pares? – repetiu.

— Sim, acredite, convidar alguém antes da notícia se espalhar. Fica mais difícil depois que todos sabem – McGonagall escrevia algo no quadro negro, Albus acompanhava riscando seu pergaminho.

— Convidar... C-Claro...

De canto, Albus percebeu que o loiro encarava uma pessoa em particular. Ele balançou a cabeça e sorriu de forma vaga. Gostaria de saber no que aquela história iria dar.


Naquela tarde, eles estavam no Salão Comunal. A lareira crepitava na frente de vários grupos de grifinos, que mesmo acobertados por um feitiço climático, preferiam estar envoltos pelo calor que as chamas transmitiam. Outro grupo anotava os nomes numa lista no mural de avisos, que se não fosse encantada, daria mais de três páginas.



— Rose, anota meu nome? – pediu Albus, retirando a varinha do bolso.


— Beleza – concordou. – o que você vai fazer?

— Convidar a Pan, o que mais? – um sorriso significativo formou-se em seus lábios. – Expecto Patronum!

Seu objetivo inicial seria mandar uma MP (Mensagem por Patrono), porém foi tomado por uma surpresa das grandes. A poeira de seu feitiço se expandiu maior do que devia. E não planou, como de costume, mas procurou apoio no chão. Demorou mais tempo do que devia, e em meio de um show de luzes e poeira prateada, surgiu um ser quadrupede, de pescoço longo e pernas finas. Aquilo não era uma fênix.

Era uma corça.

— Mas o que é isso? – Albus arquejou encarando seu protetor de olhos arregalados. O animal também respondeu com a mesma curiosidade, inclinando sua cabeça de lado e estalando os cascos no soalho do Salão.

Scorpius congelou no lugar, suas mãos estavam levantadas e o queixo caído. Rose apresentava o mesmo espanto.

— Albus, o que houve com o seu patrono? – perguntou incrédula. A sombra de um riso entonou em sua voz.

— Virou um veado? – a voz de Scorpius tinha o mesmo tom cômico de Rose.

— E-Eu sei lá! – Albus resmungou. Pôs-se de pé e andou em volta do animal. A criatura rodou junto com ele, levantando o focinho para mirar seu mestre – e é uma corça, não um veado, porra!

Scorpius levantou as mãos dando gargalhadas, simbolizando que se rendia. Mais discreta, Rose cobria a boca com mão e ria de forma abafada.

— Só tem uma resposta para isso – a ruiva falou admirando a corça com afeto. Queria que fosse possível acariciar, mas apenas o seu conjurador pode fazer isso, ou o espírito te tocar, o que não parecia possível, pois mesmo sendo obra de um feitiço, o espirito agia como a sua criatura, e corças são animais extremamente tímidos e desconfiados.

As mãos de Albus estavam pousadas na cintura, ele bufava incomodo. As pessoas a sua volta começaram a encarar a mesa deles, atraídos pelos surtos do garoto.

— É? – sua voz transmitia sarcasmo – então me diz, Nerd-Rose.

Ela resolveu ignorar. Mas gostaria de flechar o primo.

— Você admitiu a si mesmo que está apaixonado por alguém.

Ele parou de andar e mirar em volta. Os grifinos encaravam a corça, que agora passeava entre eles, empurrando pernas ou metendo o focinho no trabalho de Astrologia dos outros. Mesmo com vários patronos por ali – um papagaio, um javali, um camundongo, e até mesmo um canguru, era a corça que ganhava a atenção de todos. A visão de Albus acompanhava aquela corça como se fosse à coisa mais preciosa que ele tinha, sentia uma espécie de ciúmes? Ou algum tipo de desejo de proteção. A expressão carrancuda foi se desfazendo até tornar-se lívida. Suas mãos caíram da cintura e pararam ao lado do corpo, as mãos aqueceram-se instantaneamente, talvez estivessem umedecendo. As batidas cardíacas aumentaram e ganharam um ritmo mais acelerado. Sua barriga o incomodou. Até mesmo as pernas pareciam bambas. A visão tornou-se turva. O que estava havendo? Albus sabia responder para si mesmo.

— Eu realmente estou apaixonado por Pandora...

Rose deixou escapar um “Awnnn”. Scorpius parou de rir e fitou o amigo com aquela expressão boba e feliz.

— Eu... – o Potter começou dizer, mas não sabia como continuar.

— Vai lá! – incentivou Rose.

Ele aquiesceu.

Em disparada, Albus saiu aos tropeços pelo Salão Comunal, e não se deu o luxo de demorar com pedidos de desculpa, as pessoas o conheciam. Atravessou a passagem com seu patrono galopando atrás dele. Desviou de outra armadilha feita por Pirraça e correu pelo corredor. Ele praticamente voou pelas escadas com a corça trotando próximo a seus calcanhares. Quando chegou ao piso que abria caminho para as Masmorras, ele andou firme, imaginando o que estava fazendo. Um defeito dos Potter: agir por impulso sem pensar antes.

— Potter, desliga o Patrono ou tirarei pontos da Grifinória! – rugiu Senford, que carregava debaixo dos braços enormes duas árvores para decorar o Salão Principal no natal.

— Pontos de que se esse ano não tem Taça das Casas? – retrucou com um sorriso largo. A corça continuou saltitando atrás dele, parecia se divertir, ofuscando um brilho capaz de cegar qualquer um que mirasse por muito tempo.

O zelador resmungou com raiva e deu as costas zangado. Albus deu uma risada tão gostosa que os sonserinos ao seu lado abriram um sorriso sem querer de tão contagiante. As Masmorras nunca eram agradáveis, no inverno isso piorava. Os muros negros, acompanhados por archotes de chamas verdes, iluminavam toscamente o corredor. As armaduras rangiam suas juntas e ecoavam um barulho metálico de seu interior, como se quisesse expulsar a presença do grifino por via do medo – o que não seria possível, já que Albus era uma mistura de ousadia e coragem. Bancos de ferro negro eram dispostos ao longo do corredor. E foi num deles que Albus achou quem queria.

Lá estava ela, exuberante como sempre, acompanhada e rindo com algumas poucas e verdadeiras amigas. Ela dava risadas altas, sem se importar com o que ou quem estava ao seu redor. Os olhos, roxos pela pouca iluminação, estavam marejados de tanto rir. A barrigada de Albus novamente denunciou aquele sentimento, e seu peito inflou de felicidade. Ele correu como um lampejo escarlate e dourado em sua direção – os sonserinos não gostaram nada daquela visão em suas Masmorras verdes e chumbo.

Albus ajoelhou-se defronte a Pandora Astaroth. Ela engoliu um susto quando ele pousou suas mãos cálidas em seus joelhos nus – ela gostava tanto de frio que apenas vestia meia-calça.

— Pan! – falou quase sem fôlego.

Suas amigas encararam Albus de olhos arregalados e sobrancelhas erguidas. O rapaz encontrou o olhar delas e elas entenderam o recado, deram piscadinhas e trocaram sorrisos com o garoto. Saíram e deixaram os dois a sós... Ou quase, metades dos Sonserinos se tumultuaram em volta dos dois. Curiosos como sempre.

— Por Merlin, você está vermelho! – Albus não soube se Pandora estava fazendo um trocadilho por ele ser grifino ou por estar quase morrendo sem ar. Ela tocou seu rosto meio hesitante. Seus dedos gelados não o incomodavam, parecia ser exatamente precisos para ele, que era naturalmente quente. Os olhos dela pararam sobre a corça, que o ladeava. – e esse patrono, de quem é?

Albus ainda buscava por ar.

— Escute... Eu... Tenho... Algo... Para... Para te dizer...

— Sim, estou ouvindo – ela começou a estranhar a ação do garoto, mas de nada desconfiava.

— Conjure seu patrono.

— O que?

— Por favor – Albus agitou a mão perto do rosto como se não conseguisse explicar – apenas faz...

Bom, agora ele foi explícito. Ela tirou a varinha devagar demais. Era quase possível sentir a expectativa dos olhares que pousavam sobre eles. Ela girou apenas a ponta e de lá os fios de prata começaram a formar o seu protetor. Assim como o de Albus, o dela demorou a se formar como se esquecesse o que era, mas de fato era enorme. Albus conhecia que a antiga forma era um panda, grande, fofo e felpudo. Mas esta forma era mais potente, quadrupede e elegante. O mesmo pescoço longo e pernas finas. A ultima coisa a se formar foram suas galhas, que a cada agitada derramava uma espécie de brilho semelhante ao esvoaçar de asas de fadas.

Um cervo.

Os olhos de Albus e de Pandora encararam o animal surpresos. Ou no mínimo surpresa chegava mais perto do que parecia ser aquele sentimento. As maçãs do rosto de Pandora tingiram-se de vermelho, como se alguém retocasse um blush. Albus colheu suas mãos nas deles.

— A decisão do Chapéu nos separou, mas nossos patronos são a prova de que estamos unidos. E bom, eu sou um Potter, o perigo me persegue. Está a fim de se envolver com um garoto tão impulsivo?

Ela sorriu de forma meio embargada. Os olhos já marejados começaram a lacrimar de felicidade. Pandora desfez o contato dos dois e assentiu com a cabeça.

— Vale a pena correr o risco.

E o puxou para um beijo. Ambos emocionados, as lágrimas desceram como gotas de fogo pelos rostos congelados de frio. O cheiro, o sabor, o contato. Tudo em Pandora acordava e vibrava cada célula do corpo de Albus, fazendo-o se sentir invencível, poderoso, sortudo. Tudo isso ao mesmo tempo. O som de palmas alcançou o ouvido dos dois. Eles se separaram e encontraram uma multidão de sonserinos os aplaudindo. Várias garotas acompanhavam com um choro – sonserinos são assim, sentimentais reprimidos –, os rapazes assobiavam. Os olhares dos dois voltaram a se cruzar, uma colisão de verde e lilás. Os sorrisos se abriram e mais um beijo foi compartilhado.

Um risco que valia a pena os dois correrem.

• • •

— E aí? – perguntou Scorpius com aquela ansiedade que só o seu melhor amigo tem.

O Trio estava reunido naquela noite – Albus passara o resto da tarde com Pandora, nas Masmorras. Albus e Scorpius estavam lado a lado, Rose estava deitada no carpete do Salão Comunal coma cabeça pousada no colo do Malfoy, enquanto Albus brincava com suas ondas de cabelos flamejantes. Na frente a lareira aquecia a eles e outros amigos de casa. Em volta, uma multidão de almofadas avermelhadas fazia um trono para os três deitarem. Lá fora a neve caia tão lenta e branca quando flocos de algodão pingando do céu. As rajadas de vento frio fustigavam as vidraças das janelas. O frio persistia forte e agudo, mas Hogwarts era naturalmente imune.

— E aí que ela não disse nada, mas acho que está acontecendo – Albus concluiu com o olhar distante. Os olhos verde-esmeralda refletiam as línguas de fogo a sua frente – e ainda irá comigo ao baile!

Awnnn – Rose repetiu com aquela mesma afeição. Ela abraçou a almofada com mais força e suspirou – eu deveria ter perseguido você, droga.

Albus olhou pra Scorpius de testa enrugada. O Malfoy deu os ombros.

— Enfim... E vocês, sabem com quem vão?

Mesmo sem estar olhando pra ele, Albus pode sentir o incomodo de Rose. Ela pigarreou e se ajeitou no chão.

Não – sua voz saiu miada. Ele sabia que ela mentia toda vez quando soltava uma dessas – quero dizer, ninguém me convidou ainda...

— Sei – Albus intensificou a palavra – e você, Scorpius?

Era agora ou nunca. Mas claro, ele ferrou tudo.

— Ah, eu? Nada ainda... E nem estou preocupado com isso.

Albus soltou um palavrão mental. Rose virou a cabeça para cima.

— Hey! – protestou o Potter. Ele tentava fazer uma trança. Sem sucesso, mas Rose estragou os poucos nós que ele conseguiu embaraçar em seu cabelo – você estragou meu penteado supermaneiro!

Rose o ignorou. Estava ficando boa nisso.

— Como assim? – questionou.

— Em convidar alguém – ele esclareceu, caso ela não tivesse entendido o tema da conversa. Albus imaginava se ele estava tentando se fazer de difícil ou ser bundão. – estou sendo convidado por várias garotas, só estou esperando o número aumentar para eu escolher uma delas.

Outro pensamento vindo de Albus, similar a “Se fodeu”.

— Aceitar? – Rose virou-se de bruços e encarava Scorpius de olhos cerrados.

— Aceitar – repetiu e bufou com desdém – eu sou um Malfoy, não estou em posição de perguntar uma a uma. E sim escolher.

Na cabeça de Albus tambores rufaram, E o prêmio de bundão vai para...

Rose levantou-se sem acreditar no que ouvira. Ela atirou a almofada no colo de Scorpius com tanta força que se fosse uma bala de canhão teria causado o resultado que ela queria.

— Eu vou dormir – retorquiu em um tom seco e baixo.

Sua passada foi rápida e as mãos foram ao rosto. Albus sabia o significado daquilo. Na verdade qualquer um que a conhecia sabia. Scorpius vacilou e entendeu que estragara tudo, mas preferiu não admitir a si mesmo. O orgulho às vezes fala alto demais, até mesmo mais alto do que você quer realmente dizer.

Notas finais
Patrono da Pandora é um panda porque além de ser considerado um dos animais mais belos do mundo (fazendo menção a Pandora da mitologia, que foi agraciada pela benção de Afrodite, considerada então a primeira e mais bela), faz um trocadilho com o começo de seu nome; Pand.

Awwwwwwn, Pandalbus is real ♥ e Scorose tá fodido ausdkjas *troll on*

É isso meus queridos, boa semana pra vocês e ótimas férias! nos vemos no próximo capitulo, tchaus!