Geração Pamerval - A história do início ao fim
176 Capítulo 176
Por Pamela:
— Of course, Kate! Você sabe que pode contar com a minha ajuda para o que precisar! – A aflição que seus olhos claros refletiam logo se dispersou. Ela respirou realmente aliviada e veio me abraçar. – Anne pode ficar no quarto de hóspedes por quanto tempo precisar sem problema algum, okay?
— M-muito obrigada, Pamela, e-e-eu não sei como te agradecer...
— E se precisar de jatinho para busca-la in Manhattan, é só falar!
— Ah não, aí já seria abusar da sua boa vontade... eu agradeço, mas, a gente se vira! M-m-muito obrigada...!
— You’re welcome! — Sorri gentilmente e fui para o quarto descansar. Joaquim já estava dormindo, Branca também, Dorothy, eu não fazia ideia de onde poderia estar e especialmente nesse dia Herval tinha avisado que ficaria na Plugar até mais tarde.
Isso me incomodava quando éramos casados, mas como estávamos naquela vibe “sem cobranças”, não me importei. Entrando no quarto e jogando as roupas para o ar, olhei no relógio e ele contava 21h45min. O tempo voa quando se está ocupada! O quarto estava vazio, um silêncio absoluto tomou conta dos meus ouvidos. Era hora de descansar... respirei profundamente e parti para o banheiro esperando tomar ali o banho mais demorado e relaxante da minha vida, mas por volta de 15min depois de eu ter iniciado o banho, eu dei as costas para o outro lado do banheiro num segundo, quando voltei a me virar tomei um susto. Encontrando do outro lado do box, Herval de braços cruzados, encostado no balcão e com um sorriso no canto da boca.
— Hey! Don’t look at me!
— Tarde demais para não olhar. – E então começou a tirar a própria roupa. – A primeira vez foi há uns 9 anos atrás, quando a gente namorou pela primeira vez, e daí em diante, eu não consegui mais tirar os olhos de você... – Entrou no box também, segurou meu rosto entre suas mãos e com um sorriso que era meio sexy e meio fofo, me deu um beijo. – Eu te amo.
— I love you too. Como foi o trabalho hoje? – Perguntei enquanto ele me encostava na parede e a água do chuveiro começava a molhá-lo por inteiro.
— Eu não quero falar da Plugar agora... – Sussurrou me beijando o canto da boca, a bochecha, o queixo, o pescoço...
— Então... como vai a Rita?
— Também não quero falar da Rita... – Elevou uma das minhas pernas até a altura da sua cintura.
— Sobre o que você quer falar então? – Meus braços envolveram seu pescoço e nós nos beijamos com suavidade antes d’ele me deixar uma mordida sensual no queixo.
— Sobre como você consegue ficar a cada dia mais linda... sobre como consegue me fazer te amar cada vez mais... e sobre o quanto você me faz feliz. – Eu estava olhando fixamente em seus olhos e quando Herval terminou de falar, ele sorriu cheio de doçura e me soltou. – Não pense que eu não tenho prestado atenção em você, ok? Eu sei exatamente o que você tem pensado. – Disse passando o dedo por meu nariz infantilmente. Eu saí de baixo do chuveiro e me enrolei num roupão enquanto Herval seguia com o banho.
— O que você quer dizer com isso? – Questionei-o encostada ao balcão. Ele se virou para mim e tirando os cabelos molhados que caíam sobre o seu rosto, respondeu:
— Nada! – Ele sorriu, desligou o chuveiro, enrolou uma toalha na cintura e veio até mim. – Só quero dizer que eu te conheço e sei quando alguma coisa está te afetando... e que te amo. Muito. – Segurou meu queixo me beijando rapidamente e foi se trocar. Well, o papo era estranho, mas eu não iria rendê-lo. Apenas me troquei também e quando estava me deitando na cama, Herval me perguntou se eu queria uma massagem.
— Você que trabalhou o dia inteiro e eu que ganho massagem? – Ele deu de ombros.
— Você cuidou da Branca o dia inteiro. Também é uma espécie de trabalho. – Eu estava deitada de bruços e Herval sentava em cima de mim para começar a tal massagem.
— No, cuidar dela é um prazer... eu amo fazer isso e Kate and Dorothy me ajudam muito! Não é um trabalho.
— Ok, mas mesmo assim você ganha massagem. – Respirei fundo tentando relaxar.
— Nós receberemos uma hóspede...
— É? Quem?
— A filha de Kate.
— Ela tem filha?
— Yeah! Eu também não sabia... e olha que Kate trabalha pra mim há anos! Anne é o nome da filha dela... ela brigou com o pai com quem morava, fugiu de casa e agora não tem para onde ir.
— E você, com o coração enorme que tem, decidiu dar abrigo à moça?
— Kate estava muito preocupada... eu não podia negar. O que você acha?
— Eu acho que não tem problema nenhum ajudar elas, a Anne será muito bem-vinda. – E me deu um beijo nas costas, continuando com a massagem.
— Uh você é bom nisso, hein... – Me referi a massagem e Herval sorriu.
— Sou bom em outras coisas também.
— Yeah, I know! Denifily I know... — Minhas pálpebras começavam a pesar, o sono tentava me vencer. A voz de Herval começou a ficar distante e embora eu ainda estivesse de olhos abertos, não estava enxergando mais nada.
— Hey! Cê tá escutando o que eu tô dizendo? – Rolou para o meu lado ficando apoiado sobre o cotovelo.
— What? — Passei as mãos no rosto para despertar. – I’m sorry, baby, estou tão cansada que estou dormindo de olhos abertos. – Ele sorriu fraco, olhou pra baixo e voltou a me mirar. – O que você estava dizendo?
— Que seria legal se a gente fosse a um restaurante amanhã à noite. Só nós dois... um jantar romântico, que tal?
— Mas... e Branca?
— É só uma hora! Ela vai ficar bem com a Kate e com a Dorothy.
— Mas eu preciso amamenta-la.
— Você faz isso antes de sair. Eu sei que só é pra ela mamar a cada 3 horas, então dá tempo da gente voltar.
— Really?
— Com certeza. Você precisa se distrair um pouco, meu amor... passar o dia inteiro trancada em casa não é saudável.
— Bobagem...
— Não é não. Amanhã, no L’Etoile e não aceito um “não” como resposta. Durante o dia eu vou ver se consigo uma reserva para as 20h, ok? – Com os olhos já fechando, acenei positivamente. – Tá, agora eu vou deixar você dormir... – Sussurrou passando a mão sobre meu rosto.
— Thank you... — E depois de desligar a luz, voltou a deitar, me abraçando por trás e nós dormimos assim, juntinhos.
...
No dia seguinte, às 19h30min estávamos os dois prontos para sair de casa.
— Deixa eu dar uma última olhada nela... – Estávamos quase saindo quando eu dei meia volta. Herval segurou me braço e disse:
— Pam, ela vai ficar bem... você já deixou a Kate e a Dorothy preparadas. Além do mais, elas ainda contam com a ajuda do Quim pra distrair a Branca! Ela adora o irmão...
— But... ela é tão pequena, tão frágil... e-e-eu só me sinto segura quando eu estou cuidando dela.
— Ok, eu entendo, mas você precisa cuidar de você também. É só uma hora, meu bem, eu prometo. Vamos tentar nos divertir juntos! – Respirei fundo e concordei. Ele estava certo. Nós saímos finalmente e antes que eu entrasse no carro, ele disse: – A propósito, você tá linda! – Sure! Um vestido preto no qual a única coisa que chama a atenção é o fato de ter uma fenda que ia até a metade da coxa e um make-up o mais leve possível porque não tive tempo para algo maior, me deixaram linda?
— Você também não está nada mal. – Respondi com um sorriso de canto. Ele sim estava lindo! Continuou mantendo a barba feita e estava vestido casualmente, porém, fino. Ambos entramos no carro e partimos para o L’Etoile.
A noite foi maravilhosa. Nós conversamos como não fazíamos há muito tempo! Digo, muito tempo mesmo, até mesmo antes de Branca. Fazia tempo que a gente não se permitia simplesmente conversar, sem um propósito, you know? Fazia tempo que a gente não vivia só por viver. As declarações não podiam ficar de fora e Herval ainda conseguiu me surpreender com um lindo anel de esmeralda.
— Herval... v-você é inacreditável! – Ele colocava o anel no meu dedo.
— Sou um homem apaixonado, o que eu posso fazer? – Olhei por um instante o anel e em seguida repousei a mão sobre seu rosto.
— Eu adorei... thank you... — Ele sorriu docemente, beijando minha mão. – I love you.
...
Na manhã seguinte, fomos despertados por um falatório vindo da sala. Quando acordamos, nos ajeitamos e fomos ver do que se tratava, nos deparamos com uma linda garota de cabelos tão escuros quanto os de Kate e olhos ainda mais claros que os seus. Kate abraçava sem parar a filha e as duas falavam um monte de coisa ao mesmo tempo enquanto Dorothy tinha Branca nos braços e Joaquim tomava café da manhã sozinho, o que era uma droga.
— O que está acontecendo aqui?
— Pamela! Essa é a minha filha, Anne. – Apresentou-me a moça. – Anne, esses são meus patrões: Pamela e Herval.
— Yeah! I know! Eu vi uma foto deles na internet, enquanto estava vindo para cá. By the way, você tá fazendo sucesso na rede, Sr. Herval... – Disse, lançando-lhe um olhar dos pés à cabeça.
— Como? Do que você tá falando? – Ele questionou.
— Disso aqui! – Pegou o celular no bolso e depois de mexer um pouco, talvez procurando a matéria, nos mostrou.
— Mas por que eu tô fazendo sucesso? São só fotos! Isso é comum quando se namora uma estrela como a Pamela! Devia ter algum paparazzi próximo ao restaurante em que estávamos ontem.
— Embaixo, olha! Tem alguns comentários. – Ela correu a página até o final.
Well, a partir daí os olhos da garota começaram a me estudar como se eu tivesse alguma doença. Bom, tinham vários comentários falando o quanto as pessoas achavam que eu tinha mudado para pior, o quanto eu andava apagada, completamente outra Pamela e não aquela “diva perfeita” que o mundo conhecia. Em compensação, Herval era bem elogiado, tinha se tornado a estrela no meu lugar, – não que isso me importe, – adoraram seu novo visual e as garotas anônimas da rede estavam enlouquecidas!
— Isso é ridículo. – Ele murmurou.
— Não é não... elas têm toda razão. – Anne voltou a observá-lo dos pés à cabeça.
— Excuse me... — Deixei a sala apressada, ouvindo Herval me chamar, mas sem lhe dar ouvidos, tentei fechar a porta, mas como ele havia me seguido, não deixou.
— O que é isso?
— Isso o que?
— O que tá dando em você?
— Nada! Só e-e-esqueci algo no quarto.
— O que?
— Não sei, agora eu esqueci!
— Mentira, fala, qual é o problema?
— Nada, okay? I’m fine!
— É por causa dos comentários? – Suspirei revirando os olhos. – Você sabe que se não me contar, eu descubro sozinho, né?
— É pelo fato de eu ter perdido meu brilho, okay? Eu não sou mais a estrela que todos admiravam... e também... pelo fato de eu não ser mais young and beautiful e ter que aguentar a mocinha lá te secando.
— A filha da Kate? Cê tá doida? Ela acabou de chegar e só tava...
— Forget!
— V-você tá com ciúme? – Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu.
— Estou é sem humor hoje, okay? Não gosto de ser acordada com burburinho, isso me tira do sério.
— Tá com ciúme! – Ele riu mais.
— Herval, stopped!
— Eu não posso acreditar que você tá com ciúmes daquela garota...
— No! I’m not! Só não estou muito feliz hoje, okay? Posso ter o direito de estar um pouco irritada?
— Não tem não, sabe por quê? – Herval me envolveu e passou a deslizar a mão sobre meu rosto delicadamente. – Porque você tá viva e saudável, é a mulher mais linda que eu já vi na vida, sempre foi e sempre vai ser, é jovem sim, porque idade e ruguinhas não dizem nada sobre ninguém, você tem o meu inteiro amor só pra você e tem dois filhos que estão esperando por você lá fora pra te darem mais um dos melhores dias da sua vida, so... don’t, você não pode estar irritada. – Sorriu, me beijou e disse: – Vamos voltar pra sala comigo.
— Não...
— Prefere que eu te carregue?
— Você não tá louco...
— Quer apostar? – Cruzei os braços duvidando, e no instante seguinte eu estava nos braços de Herval.
— Me põe no chão!
— Não.
— Herval, me solta ou eu vou te bater! – Ele me carregava para a sala.
— Vai nada... você adora quando eu faço isso... principalmente quando... – Ouvimos alguém pigarrear e só então eu percebi que estávamos na sala novamente. Kate e Anne estavam indo levar as malas para o quarto e em nossa frente estava Joaquim brincando com a irmã e Dorothy fazendo sala para Moreira. Herval me pôs no chão imediatamente e enquanto eu me recompunha, questionei:
— M-Moreira? O que você tá fazendo aqui a essa hora?
— Nós recebemos uma proposta irrecusável pra você, Pamela.
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