Notas iniciais
A fic devia acabar oficialmente hj, já que eu tinha planejado terminá-la no dia em que ela fizesse dois anos. Mas acontece que eu tô passando por um bloqueio criativo esse plano vai ter que esperar. Esse não é exatamente um capítulo digno de 2 anos, mas eu precisava postar pra poder partir logo pra outro, então... é isso Obrigada por dois anos de companhia! ♥

Por Herval:

Pamela sempre foi uma estrela; famosa desde criança e sempre elogiada por todos! As críticas que recebia eram mínimas comparadas aos elogios, então eu imagino como ela deve ter se sentido ao ler todos aqueles comentários. Confesso: fiquei com o coração na mão... isso devia ter ferido gravemente seu ego de diva adorada pelo mundo, mesmo que ela estivesse andando longe desse meio há algum tempo.

Não que Pamela fosse fútil, mas, como você se sentiria se os que antes te amavam, agora te criticassem? Isso não poderia ter acontecido... especialmente naquele período em que ela estava abrindo mão de tudo o que sempre fez, pela família. Era óbvio, no brilho dos seus olhos quando brincava com as crianças, que ela estava feliz, mas também era óbvio que ela não estava 100% preenchida. Pamela Parker não era Pamela Parker se não fosse mulher, mãe, empresária e atriz; tudo ao mesmo tempo.

— Nós recebemos uma proposta irrecusável pra você! – Disse Moreira bem expressivo.

— Que tipo de proposta?

— Um personagem. Especialmente pra você. Numa novela.

What? Eu não vou trabalhar pelos próximos meses, Moreira. Pode recusar. Além de que eu estou há anos sem atuar. Isso é loucura, não sou mais atriz.

— Pamela, você não está entendendo. Querem te contratar para uma novela! Da maior emissora aberta do país! E é óbvio que você não é uma atriz, você é uma diva!

Okay, já entendi, mas eu não posso aceitar, tenho uma família para cuidar!

— Pode sim. – Me pronunciei e ela me olhou surpresa.

Talvez aquela fosse a chance de ela estar 100% preenchida novamente! Eu pensei bem, e, talvez em todos aqueles anos fosse isso a única coisa que lhe faltava. Pamela era uma atriz excepcional e respirava drama! Havia reprimido esse lado por anos à fio! Talvez... ela devesse liberá-lo para se sentir leve de novo. Ter onde descarregar suas cargas emocionais excessivas seria ótimo!

What you talking about? Herval, I can’t! Branca ainda é muito pequena!

— Mas não é para agora. As gravações começam daqui uns 5 meses! Eles só estão reservando elenco.

— Moreira, sem chance, okay?

— Pamela, é a sua chance de atuar novamente! A sua chance de voltar a fazer o que sempre amou! Você não acha que já sacrificou demais sua carreira de atriz?

— As coisas mudaram, Moreira, minha vida hoje não permite certas coisas. A Pamela atriz não existe mais. Eu tenho que fazer escolhas difíceis, então, please, não torne isso ainda pior. – Ela me lançou um olhar rapidamente e voltou para o quarto sem mais uma palavra. Lá se foi a minha trabalheira para tirá-la do mal humor... Moreira suspirou e ia embora quando eu o parei.

— Moreira, espera! Não fala nada ainda para o pessoal da emissora. A Pam não acordou muito bem hoje e não tá pensando antes de falar. Eu vou conversar com ela; eu sei que ela quer esse papel, só precisa de alguém que mostre isso a ela!

— Ok, nós ainda tempos um tempo para dar a resposta. Espero que você consiga convencê-la. – Nos despedimos com um aperto de mão, eu e Dorothy nos entreolhamos e com um sinal com a mão ela mandou eu ir falar com a Pamela que ela cuidava das crianças.

Quando eu entrei no quarto, Pamela estava sentada na cama, de costas para a porta. Ela nem se mexeu, sequer notou a minha presença. Eu me aproximei, subi na cama, fiquei de joelhos atrás dela e toquei seu ombro. Pamela teve um leve espasmo pelo susto, mas lhe deixei um beijo no ombro, pedindo desculpa.

— Tá tudo bem?

Yeah.

— Tem certeza?

— Eu estou bem, Herval; don’t worry. – Ia levantando, mas eu segurei sua mão.

— Você sabe que pode fazer isso, não sabe? E sabe também que quer!

No, I can’t. Como eu disse: a Pamela atriz não existe mais. E eu estou bem assim. Sou uma empresária agora. Uma empresária que tirou férias para cuidar da filha, mas ainda sim, uma empresária. E só. – E saiu do quarto sem dizer mais nada. Parecia estar fugindo de mim.

Talvez ela precisasse de um tempo a mais para se dar conta de que queria aceitar aquele convite e para se dar conta de que ela não podia se anular daquela maneira para ser uma mãe exemplar. Sua vida tinha mudado e ela estava com medo de que mais uma mudança pudesse não funcionar, eu entendia isso, mas, não quer dizer que eu devia aceitar.

Certo dia, eu cheguei mais cedo do trabalho, a noite estava começando a cair e eu já cheguei chamando por ela. Só que a única pessoa que eu encontrei foi a Anne sentada na sala folheando uma revista. Ela me deu a notícia de que Pamela e a Dorothy tinham saído para dar uma volta com o Quim e com a Branca e que a Kate estava ocupada em algum lugar daquela casa.

— Ah! Tudo bem então. Obrigado por me informar... – Falei sem dar muita bola e ia a caminho do quarto, mas a garota saltou do sofá e me parou.

— Hey! Ouvi dizer que você é dono de uma ONG... é verdade?

— É... mais ou menos isso...

— Onde que ela fica?

— Há uns 10min daqui.

— Eu gostaria de conhecer um dia desses... – Se aproximou passando a mão no meu braço. – Sabia que isso te faz um wonderful man?

— Ter uma ONG? – Ela acenou que sim. – Não, não. Há muita gente nesse barco... eu não cuido da Plugar sozinho e além do mais, fazer parte de organizações não-governamentais não é coisa de pessoas maravilhosas. É coisa de humanos! Humanos com verdadeiros sentimento humanos.

— Wow... a Pamela tem muita sorte, sabia...? – Respondeu me olhando de cima à baixo e mexendo no cabelo.

— Por que você está falando isso?

— Ué! Não bastava ela ser linda, rica e famosa. Tinha que ter um cara inteligente, humanitário, além de so hot ao lado dela.

Thank you, pelo “linda, rica e famosa” e concordo com você, Anne. – Me virei subitamente, apenas para encontrar Pamela entregando Branca dormindo para Dorothy leva-la ao quarto e Joaquim correndo para me abraçar antes de ir com a Dorothy também. Pamela caminhou até nós com uma cara não muito amigável e disse: – Eu tenho mesmo. Muita sorte! — A garota sorriu de nervoso, Pamela me olhou esquisito que eu cheguei a achar que levaria um tapa e sem me dirigir a palavra, foi para o quarto. A garota ainda tentou me alugar, mas quando eu pude ir para o quarto, Pamela estava tirando as roupas para tomar um banho.

— Como foi o passeio?

Good.

— A Branca se divertiu?

A lot.

— Você tá legal?

Yes, I am.

— Então por que só está falando em inglês?

Because I want. — Ela nem olhava na minha cara.

— Pamela... – Ela caminhava para o banheiro apressada. – Pamela, olha pra mim, vem aqui! – Ela se virou, bufando e cruzando os braços.

— What?

— O que é que você tem?

Nothing.

— Pamela, eu te conheço. Qual foi dessa vez?

— Absolutamente nada, cara inteligente, humanitário e so hot. – Ela ia se virar para entrar no banheiro, mas segurei seu braço.

— É mentira por acaso? – Ela cerrou os olhos como que se controlando e falou:

— Infelizmente não.

— Ciúmes... eu achei que você não tivesse dessas coisas.

— Ela está dando em cima de você descaradamente, Herval!

— É uma criança, Pamela!

— É uma mulher! Que sabe o que quer, e ela quer você, Mr. Inteligente, humanitário e so hot...

— Para com isso... não importa o que ela quer, eu quero você. Porque pra combinar com esse inteligente, humanitário e so hot, eu preciso e uma mulher linda, rica e famosa. Aliás... eu acho que ela te reduziu muito... – Ela só tentou entrar no banheiro, mas eu voltei a não deixar. – Você também é inteligente, humanitária, é engraçada, forte, doce, às vezes uma fera... mas o amor da minha vida. E com certeza muito, mais muito mais hot que eu.— Ela comprimiu os lábios um no outro para se manter forte e não rir e permaneceu irredutível quanto a sua birra. – Você tá achando que eu vou cair nas investidas dela, caso esteja mesmo dando em cima de mim?

No. I trust you.

— Então o que é?

— Eu não confio é nela!

— É muito simples. Só mandar ela ir embora.

— Eu não posso... Is Kate’s daughter. E Kate fez muito por mim todo o tempo em que estive in Califórnia. Ela merece que eu a ajude... mesmo com uma filha atirada como essa.

— Então para de pirar.

— Eu não tô pirando. Estou lidando muito bem com isso. – Fiz cara de incredulidade. – Você, por um acaso, viu eu me atirar em cima dela e arrancar fio por fio do cabelo daquela... criança? – Ela bufou. – Não, né? Agora pode me soltar e me deixar tomar meu banho? Please?

— Eu vou com você.

No. I’m going alone.

— Não, você vai comigo. – Tirei a camisa e ela revirou os olhos. – E se você não parar de birra, eu vou ter que te amarrar naquela cama e te mostrar o quão inútil é esse seu ciúme. – Então ela olhou nos meus olhos e se manteve séria por mais 4 segundos. Depois disso, foi inevitável rir. – Você tá imaginando eu fazendo isso, não tá...?

Shut up! — E tentou forçar sua entrada no banheiro, mas eu a agarrei por trás.

— Você tá...

No, I’m not!

— Tá sim... gostou da ideia de ser amarrada, né? Quer que eu faça isso agora...? – Sussurrei em seu ouvido tentando puxá-la pra fora do banheiro.

— Vai pro inferno! – Conseguiu entrar e eu a segui.

— Você tá um amor de pessoa hoje, sabia?

— Não me provoca senão eu...

— Senão o quê? O quê que cê vai fazer? – Ela sorriu de canto, abaixou a cabeça e passou a mão pelo pescoço.

— Você realmente gosta de brincar com fogo, né?

— Eu não costumo me queimar, sabe? Então... – No instante seguinte eu senti minhas costas irem de encontro a parede. Estávamos dentro do box e eu nem tinha tirado a calça ainda.

— Pois resolveu brincar na hora errada e vai se queimar feio!