Geração Potter e o Torneio Dos Cinco
3 (Cap. 03) - Surpresas e Reencontros
Notas iniciais
— E foi quando eu dei o prêmio aos seus tios, Fred e George. Poderia ter ganhado um Torneio ao olhar de todos, mas além de perder um amigo meu pesadelo acabava de dar início.
Concluiu Harry, mirando sua caneca de café expresso. Era uma manhã tranquila de verão, o sol matinal não estava tão quente, o clima não estava nada abafado, o céu estava livre de qualquer tormenta, a brisa suave agitava as cortinas de seda da cozinha. Nela estava Gina, desfrutando de seu suco de frutas, a frente do casal estava seus filhos, incluindo Teddy Lupin, que tinha em uma das pernas a eufórica Lily Luna.
— E essa foi a minha participação no Torneio Tribruxo – ele tomou um gole de café e olhou para o rosto de cada filho, inclusive o de Teddy, que assistia tudo com uma expressão curiosa e enigmática, era a primeira vez que ouvira por completo a história de Harry Potter e seu desfecho com o Cálice de Fogo.
— Por Merlin... – suspirou James Sirius, ele mal respirava enquanto ouvia a história, não queria perder nenhum detalhe. Assim como Teddy, seu pai o censurava de vários pontos.
— É, eu sei – concordou o pai. – primeiram-
— Que foda! – o primogênito finalizou.
— Que? – Harry se perguntou na mesma hora, alarmado. – foda? Não, escute JP, só estão fazendo Torneio este ano por uma tradição no mundo bruxo.
— Não fariam novamente se não tivesse motivos mais importantes que uma tradição de um evento velho – argumentou Albus, ele mal afrontava as palavras do pai. – pai, você estará lá montando segurança!
— Isso não significa que eu posso impedir coisas ruins acontecerem. Albus Severus, eu sou um auror, não Deus!
— Pra mim você é o melhor – falou Lily Luna, tão doce quanto um anjo.
Harry emitiu um barulho semelhante a “awwwn”, o que era bastante estranho vindo de um homem tão maduro quanto ele.
— Aprecio isso, mas não irei deixar ou inclui-la no Torneio. Já disse que apenas os quartanistas em diante têm direito.
A caçula desfez sua carinha no mesmo momento, saiu do colo de Teddy Lupin e recolheu Oun-Oun (que estava mordiscando o donuts de Albus) de cima da mesa e o colocou na cabeça, fazendo a pequena criaturinha agarrar-se em seus cabelos, exasperado por segurança.
— Droga papai, sério isso?
— Lily, você precisa entender que não sou eu, é o evento, só os alunos que prestaram um tipo de teste conseguirão se inscrever – defendeu-se. Era complicado demais tirar um ideal da cabeça de Lily quando a mesma insistia em lutar por ele, o que a igualava muito a sua madrinha Luna Lovegood.
— Urgh! – ela bufou, cerrando os dentes. Enfiou um bolinho de chocolate crocante na boca e saiu marchando. – estou indo pegar as minhas coisas.
— Lily... Hey Lily! – chamou Harry, mas era tarde, a garota já estava nas escadas –... Gina? – recorreu o marido.
— Não me envolva nisso – respondeu dando os ombros. Ela recolheu sua bolsa e tomou o caminho do hall de entrada. – vou ver se a Mione e as crianças estão prontas.
— Teddy? – Harry solicitou pelo afilhado.
— Beleza, vou tentar... – comentou, levantando-se da cadeira pesadamente. – mas graças a isso você terá uma surpresa na plataforma.
O metamorfomago esboçou uma expressão de tensão, logo se rendendo a uma risada, aquela que te dava gosto de ouvir de tão melodiosa e ao mesmo tempo suave. Ele correu para o segundo andar, deixando Harry um tanto confuso.
— Surpresa?... Enfim. James, Albus – ele voltou à atenção aos rapazes, naquela típica expressão séria. – posso confiar que vocês irão tomar cuidado?
— Sim, pai – garantiu Albus em concordância.
— Mas é claro – James Sirius respondeu balançando a cabeça positivamente.
— Irão prometer, que se selecionados, irão afrontar as tarefas com cautela, enfrentarão seus inimigos com lealdade e darão tudo de si?
Novamente ambos afirmaram.
— Ok... Ah, só mais uma coisa.
Harry levantou-se da cadeira, finalizando seu café. Agora tinha certeza que de nada podia fazer, a não ser apoiar os filhos.
— Tragam a vitória aos Potter.
Aquele sorriso generoso formou-se em seu rosto, seus olhos brilharam de orgulho que parecia transmitir uma confiança possante. Albus e James trocaram olhares, entusiasmados, na sequencia compartilharam de um toque de punho.
— Conte conosco! – exclamaram em coro.
• • •
Mais tarde naquele dia a família Potter estava acompanhada dos Weasley partindo para a Plataforma 9 ¾ , as longas e prazerosas férias de verão chegaram ao seu fim e Hogwarts novamente estava de portas abertas ao regresso de seus alunos. Assim que atravessaram o paredão ladrilhado na King’s Cross, eles deram de cara com outra dimensão, uma estação repleta de bruxos trajando longas capas e elegantes túnicas, vários dos alunos já estavam trajados com as vestes da Escola de Magia e Bruxaria, para todo lado que se olhava era possível encontrar malas e bolsas, logo na frente, nos trilhos, aguardava uma gigantesca locomotiva vermelha, o Expresso Hogwarts.
Em uma aula de História da Magia, Albus ficara sabendo que Rowena Ravenclaw fora a responsável pela criação do trem que levava e trazia os alunos nascidos trouxas e mestiços a Hogwarts, já que a maioria dos puros sangues na época morava nas redondezas do castelo. Para livrar-se de todos os rótulos de que as mulheres eram o sexo frágil ela engenhou a obra completamente sozinha, basicamente a única ajuda que teve foi de seus parentes, os Ravenclaw das Ravinas, e de Godric Gryffindor, que no fim teve uma homenagem: o trem é vermelho em sua causa. A fundadora da Ravenclaw desde sempre quis quebrar preconceitos que envolviam as mulheres, desde quem possui beleza não tem inteligência a elas serem incapacitadas de criar uma rota segura e um transporte mágico rumo à Escócia. A partir desse dia ela foi vista como outra mulher, uma mulher mais poderosa do que já era, independente, engenhosa e acima de tudo feminina.
Lá eles foram encarados como o de costume, afinal eram os grandiosos Potter e os magníficos Weasley. Buscando algo mais reservado, James despediu-se de sua família e rapidamente foi ao encontro de Fred e Dominique, ambos os artilheiros estavam com faces ansiosas e a excitação dava pra ser transmitida com uma simples troca de olhares e sorrisos travessos. Mais tarde quando Louis chegava com o resto dos Weasley/Delacour, Lily Luna partira com o rapaz junto de Hugo para outro canto.
— Rose! – Albus praticamente gritou pela prima, que só chegava agora por ter faltado comprar um livro no Beco Diagonal que se recusava pisar na Plataforma sem estar completa.
Era sempre surpreendente a mudança que Rose passava nas férias de verão. A garota estava bem maior que o ano anterior; seu corpo aos poucos estavam ganhado curvas que a puberdade reservava; os cabelos estavam maiores e naquele mesmo tom alaranjado de um por do sol, soltos e cheios, caindo em ondas além do busto; aquele rosto levemente arredondado, com as bochechas avermelhadas, pele lúrida salpicada por sardas; olhos azuis como o céu matinal banhado pelos primeiros raios de sol; e aquela personalidade de uma garota intelectual, invulgar, correta, carismática e de fato admirável.
— Albus! – ela largou o malão ali mesmo e correu para abraçar o primo. Aquele abraço fora saudoso, apertado e caloroso, estavam tão íntimos que algumas semanas (que ela passara na casa dos avós Granger) sem o outro causava um grande vazio na vida do outro. – ah, como é bom estar aqui todo ano... E o bom é que esse tem novidade!
— Estou sabendo e esperando ansioso por ela, aliás, irei participar dela.
— Você conseguiu? Droga... Estou em processo ainda.
— O que aconteceu?
— Hermione aconteceu – revelou, dando uma risadinha. – mas o que é a vida sem alguns dragões?
— Você está totalmente correta – concordou, acompanhando o riso.
— All, Rosie! – uma voz os chamou de longe. Não precisavam fazer muito esforço para saber quem os chamava, aquele timbre tímido e atraente pertencia apenas a uma pessoa em toda a Hogwarts.
Quando viraram na direção de onde vinha a voz eles foram agarrados com cumpridos braços e deitados em um peitoral largo e acolhedor. Era nova a sensação, não parecia ser o Scorpius de antes. Albus só veio reparar na altura do melhor amigo agora, que crescia em alguns meses o que ele levava anos. O Malfoy estava vestido por um longo sobretudo negro e um terno de grife por baixo. Sua pele estava tão pálida quanto raios lunares, o que fez o Potter recordar-se de Conde Morgado, o vampiro no qual Scorpius se metera em um contrato para arranjá-lo sangue de unicórnio para uma solução muito pura, porém nada inocente – ele geralmente cobrava a quantidade de sangue na semana de retorno, já que após isso é quase impossível se alimentar do mestre, tudo isso fazia parte de um contrato muito complexo, no qual apenas Mestre e Servente tinham acesso. Os cabelos louro-prateados estavam maiores e incrivelmente perdendo o tom dourado e ficando mais acinzentado, maiores e presos em por um laço na nuca. Aqueles olhos cinza como uma nuvem de tormenta transmitia uma inocente, que poucos sabem, estava se convertendo em outras coisas.
— Nossa... – Rose não foi nada discreta em olhar o amigo dos pés a cabeça. – você está bem... Na verdade ótimo...
— Obrigado, Rosie – sua voz estava num tom mais grave, que até então Albus não havia reparado. – devo dizer o mesmo de você.
A Weasley sorriu de uma forma doce, seus olhos caminharam por toda a Plataforma, a fim de evitar os de Scorpius.
— Scorpius! Por Merlin homem, pare de crescer! – ele desferiu um soco no ombro do rapaz e comparou suas alturas. Uma diferença notável. O Malfoy tinha quase oito centímetros de diferença, talvez dez. Acredite, isso é o bastante para deixar qualquer um indignado.
Scorpius deu uma gargalhada, até a risada havia mudado. Mas que diabos?
— Que nada, All, você cresceu bastante desde o primeiro ano.
— Ah, você está brincando, não é?
Então ele tomou a esquerda do Malfoy e fez gestos apontando dele a si mesmo, pedindo para ser analisados por Rose. De fato Albus havia mudado. Sua altura evoluíra bastante, mas graças a Harry ele ainda fazia o tipo mediano, talvez ao passar do tempo ele fique alto, como Ron, já que é um Weasley também. Seus cabelos castanho-escuros foram os únicos mesclados na família (os de James eram iguais aos de Harry, os de Lily eram ruivos como os de Gina) que na luz dava para perceber aquele brilho avinhado, sempre muito parecidos com os cortes que Harry usou na infância. Sua pele era clara, mas dava lugares a pequenos sinais que pontilhavam sua pele como cascatas em uma neve, assim como as sardas, que eram centralizadas no nariz e nas bochechas. Os olhos tão verdes que pareciam artificiais, a única herança e prova de que os Evans permaneciam na geração, sempre brilhantes e penetrantes. Ao todo era um rapaz bonito, dificilmente os descendentes dos Potter e Weasley eram feios, o único defeito era ser baixo, um mal que James Sirius se livrou, que aos quinze anos tinha 1,77 de altura.
— Ah, que nada, você está um gato – consolou Rose, numa afirmativa com a cabeça. E ela não estava sendo totalmente sarcástica. – principalmente de costas, vou te contar...
— Aham, está – continuou Scorpius – afetou até a minha heterossexualidade. Se cuide no dormitório, Potter – ele piscou um dos olhos emitindo um barulho com a bochecha, tão sério e cômico que o rubor tomou conta do Potter.
— Ah, calem a boca...
Era impossível evitar a gargalhada ao ver Albus embaraçado. Eles atualizaram os assuntos de férias enquanto voltavam as suas famílias para levar as malas e bolsas aos ajudantes do trem, também organizando as mochilas que ficariam no bagageiro. Albus deu um forte abraço em Gina e outro em Harry. Rose fez o mesmo com Hermione e Ron. Chegou à vez de Scorpius, ele foi despedir-se de seu pai (que procurava manter distância, por educação, afinal ele tinha consciência de seu passado com o verdadeiro Trio de Ouro).
— Nossa papai, custava ter respondido o “Bom dia” que o Scorpius deu ao invés de rosnar? – censurou Rose, vendo o Malfoy distante, conversando com os pais.
— Por Merlin Ron, um “olá” não irá matar você – insistiu Hermione.
O Sr. Weasley bufou infantilmente, como fazia quando eram um terceiranista e rolou os olhos.
— Não, nunca, jamais irei abrir a guarda aos Malfoy. Um “olá” não mata, mas as varinhas deles são bem perigosas. Eu sei quais são as intenções do Loirinho Conquistador, euuuwoooahhhh! – sua frase converteu-se em um grito de surpresa, deixando Rose e Hermione assustadas, ainda boquiaberto ele correu até Harry e cutucou seu ombro, apontando o dedo numa direção. – o-olhe aquilo!
Ninguém compreendeu de primeiro, mas quando olharam para onde Ron indicava, todos ficaram boquiabertos, uns de aprovo, outros de horror – Harry e Ron.
Naquela direção uma jovem ruiva estava trocando beijos um rapaz muito belo. Vestes elegantes, pele tão branca quanto a de Scorpius, cabelos eram escuros como as asas de um corvo, seus olhos estavam fechados, mas Albus sabia que eles eram lilases, sua beleza era digna de uma entidade celeste. Lily Luna estava beijando Hypnos Astaroth de uma forma apaixonante, intensa e envolvente, para a pouca idade ela sabia fazer muito bem o que muitos não entendiam, seus braços estava jogados por cima dos ombros do rapaz enquanto as mãos dele agarravam sua cintura num aperto firme.
— Mas que porr-
As palavras se perderam na boca de Harry.
— Surpresa – Teddy Lupin suspirou, num sorriso de desaponto.
Ele morria de ciúmes de todas as Weasley, sem exceção. Mas sua atenção era especial com Lily Luna, pois era a mais jovem, e desde pequena fora sua protegida, agora estava lá, entrelaçada com um galã. O silencio foi sufocante, Lily cessou o beijo e reparou que estava sendo observada, ela deslizou o polegar sobre o lábio inferior de uma forma sensual e madura, caminharam até Harry de mãos dadas. Hypnos sorria de uma forma cortês, aos olhares dos outros suas bochechas coraram – que o deixou mais encantador ainda.
— Ah sim, papai, lembra-se de Hypnos Astaroth?
— Astaroth? – repetiu.
— Aham, meu namorado!
A jovem cerrou os olhos e um sorriso carregado de vingança dançou em seus lábios. Neste momento um apito ecoante ressoou por toda a plataforma, era o aviso de partida.
— Ah, então esse é o famoso Hyp – Gina comentou aproximando-se bem, analisando a natureza do Astaroth – bom, prazer, sou Gina Potter. Este é meu marido Harry Potter – ela indicou com um simples aceno para um homem que estava prestes à erupção. – estamos felizes pelo seu relacionamento com Lily, ela comenta muito bem de você e o quão é feliz com a sua companhia.
Ele sorriu, um sorriso branco e deslumbrante. De longe Albus pensava como eles conseguiam seduzir tanto assim – ele e sua irmã, Pandora.
— Já ouvi muito sobre os Potter, de fato é uma família incrível. – disse, simplesmente. – aproposito, belo corte de cabelo, são lindos.
Gina ficou sem ação, ela realmente havia dado um trato no cabelo, coisa que Harry de tão ocupado e distraído ainda não tinha notado. Ela agradeceu com um sorriso e um olhar de canto fulminante ao marido – que se limitou apenas a tossir discretamente.
— Bom, vão indo, caso contrário perderão o trem... Ah, claro, no vagão seis há cabines com apenas dois acentos, divirtam-se.
A caçula deu um sorriso e recebeu um aceno de aprovo da mãe. O auror parecia ter sido atingindo por um soco certeiro no estomago. O novo genro recolheu as malas de Lily e caminhou com ela rumo ao sexto caro do trem.
— Até mais mamãe – despediu-se, indicando Hypnos com uma expressão de “Ele não é o cara mais doce do mundo?” – até a volta papai – ela mandou um beijo por cima do ombro e balançou os dedos em um aceno, jogou os cabelos e embarcou no trem.
— Gina – Harry pronunciou.
— Que?
— Me segura que eu vou matar aquele garoto.
— Harry – reprendeu, revirando os olhos. – não! Ele é muito generoso, educado, atencioso e bonito demais pra morrer.
Ela tratou de ressaltar a palavra atencioso com uma jogada de cabelos. Lily não teve a quem mais puxar.
— Ok, amor – ele obedeceu, relutante. Nunca recusava uma ordem direta.
— O mesme vale prra você, Têddy – sentenciou Victoire Weasley.
— Ok, amor – ele disse da mesma forma que Harry, da mesma forma que nunca recusava uma ordem direta.
— Enfim – Albus quebrou o clima tenso, já rumando para a locomotiva junto dos amigos. – vamos nessa também, pai.
— Certo, certo. Até logo – essa pronuncia fez Albus juntar as sobrancelhas, como assim Até Logo? – cuide se sua irmã... Sabe... A caçula, a pequena Lily, a indefesa Lily – a cada palavra ele arregalava os olhos, tentando fazer a mensagem mais explicita do que já estava.
— E a sua prima! – gritou Ron, no embalo.
Notas finais
_ E... Não... Se... esqueçam... Harry... completa pra mim...
_ De... Não se... esqueçam...
_ Por Merlin, deixa que eu continuo - interpôs Teddy, com seu sorriso caráter e beleza estonteante - não se esqueçam de comentar, criticar, elogiar e todas aquelas coisas que autores adoram nos review. Nos vemos na próxima segunda... Caso ele não se atrase - por um instante pareceu cogitar sobre a provável opção. - e é isso. Até mais, caras!
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