A fantasia relatada nessas páginas se difere das terras ficcionais da literatura moderna, por aqui não existem faunos ou sátiros. As mansões, quase castelos, não são escolas, mas sim moradia de uma meia dúzia. Os elfos são humanos, livres, mesmo assim escravos. Eles levam uma vida de deuses, ditam suas regras, mas não passam de meros mortais. Dinheiro é o que faz da realidade desse jovens utópica para a maioria dos que lêem essas palavras.

A madrugada nem havia chegado ao fim e Lua Rabelo já estava desmaiada em um quarto de hospital na Zona Sul de São Paulo recebendo significativa doses de glicose em sua veia através de um cateter. Em pensar que horas atrás ela estava curtindo sua juventude em um camarote de uma boate de luxo.

– O dinheiro dos meus pais me permite viver sem o falso moralismo da classe média, você deveria me agradecer por isso, pois se não fosse pelo meu modo de aproveitar a vida seu salário não entraria na sua conta todo começo de mês — disse ela ao paparazzi antes de entrar no estabelecimento., o homem fatura um bom dinheiro vendendo as fotos comprometedoras da garota aos seus pais ao invés de vendê-las a mídia.

Alguns personagens mudam, mas a noitada desses jovens é sempre a mesma, eles vivem suas vidas ao extremo, e isso implica em drogas em demasia, doses de bebidas importadas e sexo ocasional.

– Eles nunca vão sentir o gostinho do que é viver intensamente. Ao dinheiro!! — brindou ela com uma taça de champanhe na mão em sua roda de amigos.

As horas que se sucederam foram normais aos padrões que julga essa juventude. Lua acordou em seu aposento sem lembrar dos cigarros de maconha que fumara, os dois comprimidos de ecstasy que consumira, a miscelânea de destilados que ingerira e do swing que fizera com desconhecidos, sua única recordação era o vômito que cobria suas roupas de grife.

– Foi uma noite e tanto — comentou ela sorridente com o motorista engravatado, ele estava em pé ao lado de sua cama, havia passado a madrugada ali, imóvel, aguardando-a se recuperar.

– Você extrapolou os limites dessa vez! — disse ele em um tom sereno e sedutor.

– E você não é paga para me dar sermões — rebateu ela se desfazendo da expressão de feliz e assumindo um tom de mau humor. Ele era bem remunerado por todos os serviços que prestava, inclusive sexo, a menina mimada não escolhera um motorista tão belo e esguio sem segundas intenções.

– Apenas repeti as palavras de sua mãe, ela não ficou satisfeita quando soube dos escândalos da noite passada, também ordenou-me que a levasse para almoçar com ela, mas já passa da hora e como a senhorita não havia acordado, acredito que esteja livre da bronca temporariamente — revelou ele formalmente ao tempo que conferia a hora em seu relógio rollex cujo corpo era todo trabalhado em ouro branco e pulseira em couro preto.

– Você não me chama de senhorita enquanto me fode — retrucou ela um tanto impaciente enquanto se sentava na cama — Já estou acostumada com essas conversinhas, é sempre a mesma lorota, meus pais só se importam com Sal e compensam a falta de atenção comigo com presentes, o fim é sempre o mesmo e você sabe que é assim!

– A senhorita já foi dispensada, podemos ir se quiser — disse ele sem tomar posicionamento enquanto a garota alisava o colarinho de sua camisa impecavelmente branca.

– Está esperando o que para me carregar até o carro?

– Sim, senhorita! — obedeceu ele agarrando-a imediatamente em seus braços firmes, extremamente definidos, mas ocultados por seu paletó. Enquanto cortava os corredores do hospital rumo a saída dos fundos, não queria fazer alarde quanto a saída da patroa, Lua se aproveitou para tirar uma casquinha de seu empregado, arranhava o peitoral do homem com certa voracidade, não se importava com o fato de ter platéia, não se importava com o que estavam pensando ou se era errado, apenas fez. Assim que saíram lá estava o Bentley pérola conversível da garota a espera.