Geração $
2 Capítulo 2
Os pais de Salvatore fizeram questão de fazer um coquetel de despedida para o filho que iria para a faculdade, não era qualquer universidade, mas sim a conceituada Havard. Também não mediram gastos, ostentavam o luxo, queriam mostrar para todos do que eram capaz. Garçons desfilavam de um lado para o outro da mansão com bandejas cheias do champanhe mais caro e a o mais fino canapé de caviar, dentro outras gostosuras. Lua, que nessa época tinha por volta dos dezessete anos, já se encontrava bêbada encostada em um canto do salão, havia desistidos das taças e entornava seu champanhe diretamente do gargalo da garrafa.
Com exceção do que mais devia festejar, Salvatore, todos pareciam felizes, forjavam risos ao ouvirem as piadas sem graças dos anfitriões só para agradá-los, o que o dinheiro não faz. O garoto estava distante, fugia de conversas, seus sorrisos eram calculados, não espontâneos, estava cansando de ceder a vontade dos outros. Ele fora o filho perfeito esses anos todos, notas altas na escola e méritos por atividades extra curriculares, nunca se envolveu em um único escândalo, ao contrário de sua irmã. E foi para fazer jus a sua reputação que decidiu abdicar de seus sonhos e cursar direito, gostava de exatas, queria mudar o mundo com suas descobertas, todavia, não havia lugar para um engenheiro naquele mundo, ninguém se importava com isso, e ele não suportava a ideia de desapontar os pais, não Salvatore...
Assim que o pai terminou seu discurso de despedida e as palmas de todos cessaram, Lua prosseguiu, mal conseguiu se equilibrar sobre seus pés quando alcançou os pais e o irmão.
– Quando vai acabar essa encenação de pais do ano? Vocês não se importam com Sal, vocês sequer tem a coragem de olhar na minha cara, eu tenho nojo de ser filha de vocês! – gritou a garota arremessando a garrafa em sua mão na direção do três errando a cabeça de Salvatore por pouco, ele era o único que ela não queria machucar, mas estava bêbada demais.
– Tirem ela daqui antes que ela dê mais algum vexame – ordenou a mãe aos empregados – Perdoem a nossa filha, ela exagerou um pouco na bebida! – desculpou-se a mulher em seguida cordialmente.
– Não precisam se preocupar, eu cuido dela! – Sal dispensou a ação dos empregados e envolveu o braço esquerdo em torno da irmã guiando-a em seguida para cozinha.
– Perdão... Sal...eu não queria estragar a sua despedida – disse ela pausadamente em meio ao seu choro já na cozinha, não conseguia lutar contra lágrimas que escorriam por sua face como duas cachoeira – Você sabe que eu te amo, mas eles... – completou ela tentando se recompor.
– Lua, eles nos amam da forma torta deles, mas amam, e com as mesmas proporções, acontece que você as vezes você passa dos limites, eles só querem te domar... Confesso que estou feliz pelo seu showzinho, tenho que te agradecer por ter me tirado de lá, não estava mais aguentando fazer a social com aqueles amigos insuportáveis do papai, você sabe que hoje é um dia de luto pra mim! – o rapaz consolou a irmã que estava sentada sobre o balcão ao lado do cooktop.
– Você não pode desistir dos seus sonhos assim, Sal, não sem ao menos lutar, extravasa ao menos uma vez e para de pensar no que os outros querem de você!
– Eu não posso... eu queria muito ser como você, ter um pouquinho dessa sua coragem, acontece que nem todos conseguem, paciência se o juízo da família veio todo para mim – lamentou ele com uma pitada de humor no final de sua sentença, então abraçou a irmã fortemente como não fazia a tempos.
– Consegue sim, só não descobriu ainda – retrucou ela ainda nos braços do irmão.
– Quem vai cuidar da minha irmãzinha caçula preferida agora que estou indo embora, ein? Vou sentir tanto a sua falta... promete para mim que não vai se meter em nenhuma grande confusão? – pediu ele encarando-a nos olhos, Sal era do tipo machão, odiava demonstrar fraqueza, mas nesse instante foi impossível, uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Ambos desfrutaram daquele momento irmã-irmão por mais alguns minutos até que a realidade bateu a porta, era hora de Salvatore ir se não perderia o vôo. Então ele partiu com o coração nas mãos, não queria cursar direito e muito menos deixar a irmã.
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