Genshi Bakudan
1 Ghosts
Notas iniciais
Bom dia pessoas, mais uma one para o mês Sasusaku ahahahahaha
Essa aqui não ficou como eu queria, mas uma amiga minha me pediu para postá-la, entom está aí :v
Sem mais delongas, boa leitura.
Primeiro alarme
“Sakura, eu vou me alistar.”
Não, ela não acreditou naquilo. Seu amor, o pai de sua filha iria deixá-la. No momento em que ele disse que iria se juntar aos Tokkotai, Sakura não compreendeu.
Era muito difícil para ela saber que a pessoa que amou por toda a sua vida iria morrer. Mas... Era algo para proteger a nação, sua família, a honra. Ela deveria estar feliz, mas não estava.
Egoísmo é o nome que davam para isso. Ela estava sendo egoísta em menosprezar aquele ato honroso e altruísta que seu marido fazia por todos e principalmente por elas.
Apesar de tentar ficar feliz com isso, a rosada não conseguia.
A dor por saber que logo ele não estaria entre elas, que ele não acompanharia Sarada em sua vida, que não veria a menina crescer, que não passaria o resto de seus dias com ela.. Aquilo a matava por dentro.
Somente as palavras “vou me alistar” a fizeram se desfazer em lágrimas.
É errado, ele dissera. Mas quem não choraria ao estar se encontrando pela última vez com a pessoa que amava? Quem não ficaria triste por... por aquilo? Ela ficava.
No momento em que ele arrumou sua mochila e foi para a base militar, Sakura viu seu mundo se despedaçar. A dor que sentira só aumentava quando ela repassava aquele dia em sua mente.
Semanas depois, o sentimento continuava o mesmo.
Segundo alarme
“Oka-san, otou-san não vem mais?”
Como explicar para sua filha que ele iria morrer?
A pequena sofria com a situação também. Ainda era uma criança, mas ouvia os mais velhos conversando sobre a guerra e a situação do país, só não entendia muita coisa. Uma dessas coisas que ela não entendera era o fato de seu querido pai ter que se afastar dela.
Ao ver os olhinhos negros brilhando pelas lágrimas que se derramavam por sua face, a rosada a abraçou. Aqueles orbes escuros eram os mesmos do pai... Quanta saudade Sakura carregava no peito em somente algumas semanas.
Como ela iria explicar algo que nem ela sabia como ocorrera?
Com a dor rasgando em seu peito, a rosada se pôs a falar.
“Sarada, seu otou-san voa com os passarinhos no céu, ele não pode voltar.”
Ele não vai voltar. Somente algo muito fora do comum o faria retornar para casa. E a cada palavra dita, a tristeza aumentava na mesma proporção do orgulho que tentava colocar ao lado daquele sentimento.
“Ele está lá para nos proteger, para cuidar da nação.”
Abraçada à pequena, ela a apertava com todas as suas forças, como se seus braços pudessem suprimir toda a dor ou tristeza que pudesse se apossar do corpo da garotinha.
“Sasuke-kun está honrando nossa família e para fazer isso, não pode ficar aqui conosco.”
Apesar de tudo aquilo que sentia, a mulher tentava mostrar para a filha que a distância entre ele e sua família era algo benéfico. Ela ainda mantinha a ideia de que ele pudesse retornar... Mas como lidar com seus amigos e vizinhos? Eles iriam trata-los como lixo por seu marido ter falhado em sua missão...
“Quando... Quando na escola perguntarem a você sobre seu pai, diga-lhes que ele foi um herói... Um herói.”
Sua voz começava a ficar embargada. Torcia para que a filha não notasse aquilo, ela não queria que a pequenina ficasse como ela por conta de algo tão nobre.
“S-seu otou-san irá nos proteger. Ele vai... Ele, ele é... Eu amo vocês dois.”
A rosada não conseguiu completar a frase corretamente.
Abraçada à filha, ela tentava se recompor. Lágrimas escorriam por sua face. Chorar a envergonhava, ao fazer isso ela desonrava o sacrifício que o Uchiha fazia por elas.
“Eu sei oka-san, ele vai voltar para nós e tudo vai ficar bem.”
Aquelas palavras tão simples se cravaram profundamente no coração da rosada. Sua filha via seu sofrimento e a compreendia. Após a fala de Sarada, ela não conseguiu segurar o choro.
Soluçava descontroladamente no ombro da menina.
Naquele mesmo dia chegara uma carta de Sasuke, Sarada a vira e por isso estava tendo aquela conversa com a mãe. As palavras do moreno diziam que ele fora chamado para uma missão.
Ela ainda mantinha esperanças.
Mas elas foram mortas quando a carta foi lida.
Era a sentença de morte dele.
Naquele momento, ela não se importava com o que os outros falassem a respeito de sua família se ele voltasse. Ela só queria poder abraça-lo, sentir seu cheiro, tocar sua pele, seu cabelo, olhar em seus olhos e declarar seu amor...
Ela só queria que ele estivesse ali.
Com os braços ao redor de sua filha, ela viu um clarão atravessar o céu de leste a oeste. Rapidamente, sentiu seu corpo ser lançado para o lado. Ouviu Sarada chamá-la e tudo se tornou escuro.
Terceiro alarme
À minha família, 04/08/45
Sakura, hoje me foi dada uma missão.
Por meio desta carta, peço-lhe algumas coisas e lhe digo outras que em todos esses anos de casamento não consegui falar. Sinto-me culpado por todas as vezes em que a fiz chorar e meu coração sofre por saber que não poderei mais vê-la.
Desejaria ter nascido sete vezes e em todas elas ter vivido ao seu lado até sacrificar-me para o bem da nação. Não me arrependo, de forma alguma poderia deixar meus companheiros e amigos irem sozinhos nesta missão.
Diga a Sarada que a amo, que ela não deve se sentir só, pois você está aí para ampará-la. Agora sou um rippana otoko, vocês devem se alegrar e celebrar em meu nome essa conquista.
Sakura, minha flor de cerejeira, saiba que eu meus últimos instantes pensarei somente em seus olhos verdes e no quanto eles me fizeram feliz em minha curta e maravilhosa vida.
Agora estou arrumando meu uniforme, a bandana que você me deu irá em minha cabeça e a masukotto ningyo de Sarada estará amarrada a mim.
Não derrame lágrimas por isso.
Cuide do túmulo de meus pais e viva, faço isso por vocês.
Eu te amo,
Sasuke Uchiha
No dia 6 de Agosto de 1945, exatamente às 8h15min, uma bomba lançada por um B-29 destruiu a cidade Hiroshima. A bomba atômica tirou vidas e destruiu lares, matou milhares de pessoas tirando-lhes a possibilidade de envelhecer, ter filhos e ver seus conhecidos. Todos os envolvidos nessa catástrofe sofreram, e até mesmo os sobreviventes (hibakusha) passam por um tipo de discriminação na sociedade japonesa.
Nesse fatídico dia, o alarme que avisava os habitantes de um possível ataque foi tocado por três vezes. No momento em que a bomba foi lançada, nenhum alarme tocou.
Instantaneamente, as pessoas que viviam em Hiroshima e que estavam perto do centro da cidade, desintegraram. Os milhares de feridos que sobreviveram a esse primeiro instante, sofreram com terríveis queimaduras e com os efeitos acelerados do câncer.
A radiação térmica decorrente de uma explosão nuclear caminha em linha reta, quando encontra algo, ela faz uma sombra daquilo que está em seu caminho.
Sakura e Sarada se desintegraram, deixando as sombras de sua existência... Os fantasmas daquele momento de claridade intensa e sofrimento inexplicável.
Notas finais
Hahahaha vai ter uma continuação no dia "Wait for me" que vai ser narrada pelo Sasuke :3
É só isso e se errei em algum lugar, peço desculpas ^^
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