Gekiha (Esmagador)

16 Neji X Rock Lee: round 16 - Os underdogs


Notas iniciais
Yoo mina-san! Pensaram que eu deixaria a FIC entrar em hiatus, não é? Huahuahuahua, não foi dessa vez, people. Esse capítulo de hoje é dedicado à lindíssima Jes que fez essa nova capa para a FIC! Ficou muito linda, não ficou?

Rock Lee foi levado ao hospital. Sua situação era crítica, ainda estava desacordado. Além do pescoço quebrado havia engolido muito sangue que foi parar no pulmão, fora as costelas quebradas, uma delas havia perfurado um dos pulmões e o sangramento interno impedia o rapaz de respirar. Seu maxilar estava deslocado e o olho esquerdo estava comprometido. Precisava de várias cirurgias com urgência. Naruto, Gai, Shikamaru, Asuma e Kakashi foram com ele para o hospital. Logo depois Neji chegou com Sakura, Tenten, as primas e os outros amigos. Todos estavam muito preocupados, mas não poderiam fazer nada.

Neji se ofereceu para custear todas as despesas médicas de Rock Lee. De início Gai recusou, mas quando viu o parecer do médico e sabendo que a família do aluno era pobre e provavelmente não conseguiria pagar por todas as despesas médicas e remédios que ele precisaria, Gai acabou aceitando, mesmo que aquela não fosse uma decisão sua, mas sim dos pais do rapaz. Acontece que Lee havia vindo de uma cidade pequena do interior, os pais não estavam presentes para decidir por ele, e Gai, sentindo-se culpado e responsável moral pelo menino, resolveu aceitar, porém se comprometeu ele mesmo a pagar tudo de volta. Neji recusou veementemente, disse que fazia pela amizade. Gai estranhou, pois nunca soube de Neji e Rock Lee serem tão amigos assim, mas acabou aceitando, porque o tempo se esvaía, assim como a vida de Lee. Ele culpava-se por ter aceitado aquela luta, por mais que Rock Lee fosse bom ele ainda era inexperiente e Gaara já estava há vários anos no mundo do boxe. Além de ser sujo e desonesto, ele tinha experiência, sabia cansar um oponente e quebrar o seu ritmo.

Naruto ainda estava abalado pelas palavras de Gaara, o boxe não era esporte para ele, ele realmente usava seus punhos para matar pessoas e ouvir isso claramente da sua boca era realmente assustador. Sakura o encontrou sentado no chão, o olhar inexpressivo, foi abraçá-lo. Quando Naruto sentiu o contato dela quis chorar. Sakura percebeu o estado de espírito abatido do irmão e avisou que o levaria embora. Neji ofereceu uma carona, ela recusou. Kakashi acabou os levando. Todos, exceto Gai, resolveram ir embora, não havia o que fazer, exceto esperar e rezar pela recuperação do amigo.

***

No ginásio Akatsuki, os rapazes assistiam a reprise da luta.

— É, pelo visto o merdinha melhorou um pouco — Kisame disse — Moeu aquele cabeça de bolha como um gatinho.

Todos gargalharam. Exceto Sasuke, que sentia uma ira crescendo no peito. Agora Gaara entraria para a Liga dos Profissionais e ele estava cada vez mais ficando para trás. Ele ainda queria a sua revanche, mas desse jeito não teria a chance de subir num ringue contra ele de igual para igual.

— Hei você, putinha do Gaara — Deidara chamava Sasuke pelo apelido que ele odiava — Ficou excitado vendo seu namoradinho bater no outro? Aposto que você queria estar lá no lugar dele.

— Cale a boca, seu viado — Sasuke retrucou.

Itachi desligou a TV e anunciou o fim da bagunça.

— Nós vamos sair, e você vá pra casa descansar. Amanhã você acorda cedo para o treino — ele disse para Sasuke.

Sasuke pegou suas coisas e foi embora. Itachi não o incluía nos seus momentos de lazer e ele preferia assim. Tolerar aqueles dementes da Akatsuki durante o dia todo e mais à noite? Ele dispensava.

Ao chegar em casa ainda re-assistiu a luta diversas vezes, eles a reprisaram a noite toda. De tudo, o que mais o irritava, não era mais uma vitória de Gaara, ou ele entrando para os Profissionais, mas sim a atenção especial que este dava à Naruto. Diversas vezes a câmera focava ele olhando para Naruto e no final da luta, mesmo com aquela confusão, ele viu Gaara se aproximar de Naruto e dizer algumas coisas incompreensíveis enquanto ria com as luvas sujas de sangue na cara do amigo. Gaara ainda tinha Naruto como foco, Sasuke sequer fazia parte da equação. Não ser considerado como um oponente à altura por nenhum dos dois era o pior de tudo.

***

Quando chegou em casa, Naruto desabou. Aquilo que Gaara havia falado para ele o assustou de verdade, e sabendo que Rock corria mesmo risco de morrer, ele não conseguia parar de lembrar daquela risada diabólica de Gaara dizendo: "Eu matei seu amigo, eu matei seu amigo!". O rapaz era doente, agora ele entendia as palavras que Kakashi disse meses atrás.

— Gaara entra no ringue para matar...

Sakura, percebendo a aflição do irmão, o abraçou. Naruto estava estático. O olhar perdido, como se revesse a cena ali diante dele.

— Ele vai sair dessa, nii-san.

— Ele vai, eu sei que vai... mas foi o que o Gaara disse... o jeito que ele disse — ele finalmente saiu do transe.

— Esquece isso nii-san... aquele cara é doente, não leve as palavras dele em consideração.

Naruto a abraçou com força. Queria não levar em consideração, mas agora que conhecia as verdadeiras intenções de Gaara seria difícil não pensar que ele era provavelmente o pior oponente que já havia enfrentado. Pensou que Gaara continuaria machucando todos os seus amigos até chegar nele de novo. Pensou nele fazendo mal para Sakura.

— Não posso deixar... — ele a apertou com mais força.

— Naruto, fique calmo — ela pediu enquanto tentava se soltar dele — amanhã vamos ao hospital ver como o Rock Lee está. Até lá tente se acalmar, não tem mais o que fazer a não rezar e esperar.

— Eu não vou ficar rezando...

— Não precisa rezar então, mas vai ter que esperar. Todos nós vamos ter que esperar.

Ele deitou a cabeça no colo dela. Sakura ficou acariciando seus cabelos, aos poucos ele foi se acalmando, ficando em paz de novo. Ele sentou ao lado dela e pegando suas mãos a beijou.

— Obrigado, Sakura-chan... só você mesmo pra me ajudar a enfrentar essa merda de vida.

— Não fale assim, vai dar tudo certo no final, você vai ver.

— Mas até esse final chegar pelo visto eu vou me foder bastante, não acha?

Sakura riu.

— Seu bobão. Vá dormir, você está exausto.

Naruto foi tomar um banho, ainda havia resquícios do sangue seco de Lee que Gaara passou no seu rosto com as luvas e sua camisa estava toda respingada. Sakura estava vendo as redes sociais, todo mundo comentando sobre a luta. O nome de Gaara já listava no ranking dos profissionais e havia rumores de que várias empresas haviam contactado ele para oferecer patrocínio. Isso tudo apenas poucas horas depois da luta. O mundo do boxe era mais agitado do que ela pensava. Ela foi tomar um longo banho depois que Naruto saiu. Assim que terminou, foi até ao quarto, ele descansava, mas ainda estava acordado.

— Eu acho que eu vou dormir na sala — ela disse.

— Não! Por que isso?

— Você precisa descansar direito, ficou muito abalado com essa luta.

— Já estou ótimo — ele mentiu — Vem aqui.

Ela andou até ele, então ele a puxou pelos quadris para deitar-se com ele, em poucos minutos girou o corpo sobre o dela, a imobilizou completamente ficando por cima.

— Para com isso — ela pediu.

— Só fica boazinha, pelo menos hoje...

— Eu sempre sou boazinha, seu palhaço — ela riu.

— Você boazinha? Parece uma onça com voz de arara: "não me toque!", "não me reles!", "não isso, não aquilo!" — ele forçava uma voz esganiçada.

— Minha voz não é assim... — ela riu com a imitação ridícula dele.

— É sim, sua SakuRARA!

— Que palavra horrível é essa? — ela gargalhou.

— É uma mistura de Sakura com Arara. Não gostou?

— Não, seu imbecil... agora sai de cima de mim — ela tentou o empurrar para o lado, ele a impediu.

— Sakura... eu quero um beijo. Você é minha namorada, lembra?

Sakura não havia se esquecido disso, não se esqueceria nunca. Ele se inclinou e começou a beijá-la. Ela permitiu que ele deslizasse as mãos pelos ombros dela e depois as repousasse nos seus seios. Aquilo era estranho. Mas ela não conseguiu afastar as mãos dele, principalmente porque ele se pressionou mais contra ela, não dando chance de ela se movimentar livremente. Então, a mão que repousava sobre o seio começou a buscar o mamilo. Sakura sentiu um choque quando a suave pressão dos dedos comprimindo-o. Isso fez crescer um calor intenso no meio das pernas. Naruto estava ofegante enquanto a beijava, ela meramente correspondia aos beijos e deixava-se ser conduzida. Sentiu o volume na pélvis crescendo entre as pernas dela, aquilo estava ficando complicado. Haviam se comprometido a ir devagar, aquela era a primeira semana de namoro e já estavam daquele jeito, se continuassem assim, em poucos dias fariam muito mais coisas.

— Naruto... pare. Eu não quero mais — ela sussurrou.

Naruto parou imediatamente, sabia que estava se excedendo. Havia decidido não colocar sua luxúria acima das vontades de Sakura, mesmo em momentos de intenso estresse como aquele, quando precisava de um alívio. A soltou com delicadeza, saiu de cima dela.

— Desculpe, Sakura-chan.

— Não precisa pedir desculpas... só vai com calma.

— Tá bom — ele sorriu enquanto pousava um beijo suave na testa dela.

Adormeceram abraçados.

***

De madrugada, Naruto teve um pesadelo. Nele Gaara aparecia coberto de sangue, ele sabia que era uma mistura do sangue de Rock Lee e de Sasuke. O rapaz estava sem as luvas de boxe, trazia um punhado na mão, conforme ele foi se aproximando, Naruto viu o que era. Gaara abriu a mão e mostrou um punhado do cabelo rosado da sua irmã, todo sujo de sangue. Ele olhou para o rosto do rapaz e este ria com o seu sorriso negro, mas agora não era o protetor bucal e sim os dentes podres de onde surgia sangue e carne humana.

— Eu matei ela — Gaara dizia com uma voz demoníaca.

Naruto gritou assustado, isso acordou Sakura.

— O que foi nii-san?

— Eu tive um sonho... um pesadelo — ele disse sentando-se na cama enquanto passava as mãos nos cabelos.

— Esquece isso, vamos dormir — ela o puxou para se deitar de novo.

Ele deitou com a cabeça no colo dela e ela o ficou acariciando. O medo agora voltava com força total, só de imaginar Gaara fazendo alguma coisa para Sakura ele ficava louco. A agarrou com força, enquanto subia em cima dela de novo.

— Promete que vai tomar cuidado?

— Eu sempre tomo cuidado.

— Dessa vez é sério... esse cara, ele não é brincadeira...

— Você também não é nenhum fraco, Naruto. Por que está tão desesperado com isso?

— É diferente, eu sou um esportista, ele é um assassino.

— Não vai acontecer nada comigo, nem com você e nem com ninguém... agora vamos dormir.

Ele ficaram se olhando, Naruto tinha o azul profundo como em todas as noites, Sakura tinha o verde escuro pela ausência de luz. Então ele se inclinou e aproximou mais o rosto. Ela passou as mãos pelo cabelo dele. Ele encostou os lábios superficialmente sobre os dela. O beijo de início foi só um roçar de lábios, como um selinho. Depois aos poucos Naruto começou a entrar com a língua muito suavemente. Sakura ofereceu somente a resistência que a decência pedia, mas logo estava correspondendo ao beijo, enterrou as mãos nos cabelos dele e o puxou. Naruto empolgado com a recepção dela intensificou o beijo enquanto a apertava contra o corpo, logo as mãos estavam percorrendo a pele dela causando arrepios, arrancando suspiros da moça. Ele queria tudo, mas ainda não haviam conversado direito sobre aquilo. Ainda imperava a regra inicial de ir com calma, então ele não sabia como ela reagiria se tentasse. Continuou beijando, faria o que ela quisesse, aos poucos a conquistaria, já estava conquistando, já eram namorados. Estava envolvido nesses pensamentos e sensações deliciosas que aquele beijo proporcionava, quando ouviu.

— Nii-san, vamos parar... isso está errado... você prometeu.

— É só um beijo, Sakura.

— Não... nós estamos loucos.

— Não estamos, é só um beijo, não tem nada demais.

— Tem sim.

Ele ignorou o que ela pedia e recomeçou a beijá-la, dessa vez com mais intensidade, tocando o seu corpo todo, explorando novos lugares. Sakura viu que Naruto iria mais longe se ela não fizesse nada, mas agindo como estava, era o maior dos incentivos.

— Pare agora, por favor. Eu não quero mais.

Ele parou e ficou a olhando diretamente nos olhos.

— Sakura...

— Acabou isso... você havia prometido.

— Eu não consigo com você tão perto.

— Ótimo, então eu vou resolver isso agora! — ela o empurrou e pulou da cama. Levou o travesseiro e o cobertor — Vou dormir na sala, e "ai" de você se vier atrás. Eu vou gritar! O prédio inteiro vai ouvir!

Ele permaneceu sentado na cama, passou as mãos nos cabelos. Estava perdido.

***

Do outro lado da cidade, Ino estava amarrada pelas mãos e pés na frente do corpo, sentada em uma banheira com água quente, coberta de pétalas de rosas vermelhas. O seu belo captor massageava o corpo dela com uma esponja macia, já não havia uma parte da pele da moça que não estivesse machucada, ele tomava cuidado nessas partes, deixando somente a água cair por cima. Ela estava amordaçada e seus olhos já muito vermelhos e doloridos de tanto chorar.

— Você precisa ficar quietinha e tomar cuidado para não se machucar mais — ele dizia.

Ino o fuzilava com o olhar, nas últimas semanas estava sendo drogada contra a sua vontade, estuprada e espancada diversas vezes por dia. Já não achava ele bonito, ou elegante, ou sexy. Só tinha nojo daquela pessoa e a cada momento queria fugir dali. Mas cada vez que tentava reagir ou lutar contra ele, era espancada. Ele dizia com a voz mais suave do mundo:

— Cuidado para não se machucar, querida — enquanto a batia com toda a força.

Ino havia caído nas mãos de um doente, louco e sádico. Só pensava em fugir antes que morresse.

Ele a tirou da banheira, a secou e colocou nela uma lingerie sexy. Ino odiava aquilo, então ele a levou para o sofá e ligou a TV. Estavam exibindo a reprise da luta. Ino, com as mãos e pés algemados, chorava ao ver o excelente amigo ser destroçado por aquele desprezível Gaara, ela não sabia que na luta contra Sasuke ele havia feito o mesmo pois já estava cativa há varias semanas. Ao seu lado o homem assistia a luta com os olhos brilhando. Aquele era o sucessor natural que ele estava esperando, aquele era o boxeador que merecia ser treinado por ele para continuar a sua sequência de vitórias ininterruptas e glórias. Pegou o telefone e se afastou para a varanda. Ino ouviu algumas palavras perdidas.

— Patrocinar... contrato... Akatsuki...

Ele voltou e sentou-se ao lado dela, instintivamente ela recuou, a presença dele além de medo, causava nojo, o odiava com toda a alma. Ele começou a beijá-la a despeito das suas recusas. As coisas estavam indo muito bem para Yahiko Pain. Agora tinha uma namorada que o amava e logo teria um novo pupilo sob sua tutela, sua vida estava ótima.

— Melhor impossível — ele disse ao entrar no corpo de Ino, enquanto ela chorava.

***

Os dias se passaram depressa, todos estavam preocupados com Rock Lee. Ele ainda estava inconsciente, mesmo após as cirurgias terem sido concluídas. Os pais dele vieram do interior para ficar perto do filho. Estavam assustados, Rock sempre foi saudável e ativo, não entendiam porque ele não acordava logo e acabava aquele sofrimento de uma vez.

A resposta veio após uma semana, quando Rock Lee finalmente acordou. Os médicos fizeram exames e testes diversos, mas o que temiam realmente havia acontecido. Rock nunca mais poderia lutar. Ele nunca mais poderia pisar em um ringue de boxe.

***

A notícia sobre a situação de Lee pegou todos em cheio. Ninguém acreditava que o sonho tinha acabado para ele, não para ele que era o mais dedicado e sério em relação ao esporte. Rock não demonstrou sua dor para ninguém, exceto Gai que viu o menino chorar uma única vez antes de dizer.

— Eu vou voltar a lutar, Gai-sensei. Custe o que custar, eu vou conquistar o ringue novamente.

Gai admirou-se da coragem do pupilo, mas não queria destruir os sonhos dele. Os músculos dos braços estavam rompidos, mesmo após a recuperação, ele não teria mais a força física de antes. Os pulmões estavam muito danificados, ele nunca mais teria o mesmo fôlego. Se voltasse a lutar seria só para acelerar sua morte. Gai decidiu que se dependesse dele, Rock nunca mais pisaria em um ringue. Preferia ele vivo.

Quando finalmente teve alta, Rock Lee deparou-se com Neji o esperando. Ele agradeceu ao Gai-sensei e disse que queria conversar com Neji. Sabia que ele havia pagos as despesas médicas, queria agradecer. Neji ofereceu uma carona, mas não levou Rock para a casa.

— Para onde está me levando? — Rock quis saber.

— Você já vai saber.

O local era um prédio abandonado, mas havia vários carros estacionados ali perto. Rock estranhou que Neji conhecesse um lugar daqueles, era um bairro muito afastado e perigoso, não sabia que o Hyuuga frequentava aquele tipo de lugar, sendo rico como era, aquilo não fazia sentido.

Neji usou um elevador velho para descer três andares abaixo do nível da rua. Quando a porta do elevador abriu, Rock viu um grande número de pessoas. Na sua maioria homens, mal encarados e de aspecto violento. Eles gritavam e agitavam notas de dinheiro nas mãos. Neji foi passando, abrindo caminho entre eles, a aparência refinada dele destoava completamente daquele lugar insalubre. Rock Lee o acompanhava de perto, se esquivando dos empurrões, pedindo várias desculpas e tentando ao máximo ignorar aos insultos que gratuitamente recebia. Então Neji parou. Lee conseguiu se esgueirar e postou-se ao lado dele. Os olhos do Hyuuga brilhavam. Rock Lee estava horrorizado. Em um ringue improvisado ali mesmo ao nível deles, dois lutadores se enfrentavam. Um deles já estava com um ombro deslocado, o outro tinha o rosto completamente banhado em sangue. Seus golpes eram selvagens e desmedidos.

— O que é isso? Quem são esses caras? — Rock Lee perguntou assustado.

— São os underdogs. Aqui ninguém manda neles, lutam por prazer... e para matar.

***

Lee olhava espantado o embate dos dois rapazes no ringue. Apesar do rosto coberto de sangue, ele reconheceu Inuzuka Kiba como um dos oponentes. Aquilo era um vale tudo, qualquer um que tivesse disposto poderia entrar para lutar. Em dias especiais, luvas eram dadas aos oponentes, essas luvas continham cacos de vidro, ou pregos, ou lâminas, ou qualquer outra coisa que o organizador do evento achasse interessante para aumentar o nível da sanguinolência. Esse era um desses dias especiais.

— Neji... essas lutas são ilegais — Rock disse.

— Sim, são. Mas são ótimas, não são? — Neji respondeu com um sorriso.

Kiba parecia estar em desvantagem, mas começou a socar o rosto do oponente com a luva repleta de lâminas, em pouco tempo, o rosto do seu oponente estava completamente banhado em sangue, as lâminas rasgavam a pele, até mesmo os ossos da face estavam expostos. O oponente de Kiba ficou inconsciente, mas o juiz não parou a luta.

— Mate ele! — Neji gritou.

Então Kiba deu um soco na região do pescoço do seu oponente, o sangue jorrou como um jato e lavou o rosto e o peito de Kiba. O juiz esperou o rapaz sangrar mais um pouco, enquanto Kiba continuava o golpeando, sempre no mesmo lugar, aumentando muito a gravidade do ferimento e a quantidade de sangue que jorrava. Rock Lee estava horrorizado. Aquilo não era esporte, era matança.

— Ninguém vai pará-lo?

— Ainda não — Neji respondeu com um brilho no olhar.

Então o juiz afastou Kiba de cima do rapaz inconsciente, checou o pulso e fez um sinal de finalização com as mãos. Kiba foi declarado vencedor e dois ajudantes levaram o corpo do rapaz morto em uma maca.

***

Rock Lee estava vomitando encostado em um muro do lado de fora do prédio. Neji o observava impassível. Retirou um lenço do bolso e ofereceu ao menino.

— Isso é... ele o matou! O Kiba matou aquele cara!

— Se ele não tivesse feito isso, o outro cara o teria matado.

— Isso é horrível... por que me trouxe aqui?

— Eu fiquei sabendo que você não vai mais poder lutar.

— É, mas só por enquanto, os médicos estão enganados, eu vou voltar sim.

— Bem, até lá o que acha de se juntar à nós? Você não pode ficar sem treinar, e duvido que Gai vai permitir que você continue no antigo ritmo.

— Me juntar a quem? À esses caras? Nem pensar!

— Tem certeza? Você seria pago. Muito bem pago.

Lee ponderou essas palavras. Já devia o dinheiro das despesas médicas ao Neji, fora isso a família era pobre, essa poderia ser a solução para esse problema também.

— Mas eu teria que matar em todas as lutas?

— Sim, essa é a única regra.

— Mas isso é terrível... e como fica depois? E a família do outro cara?

— Bem, eu não sei dessas coisas, até agora todos os meus sempre ganharam.

— Quem está envolvido nisso?

— No momento só tenho dois comigo, Kiba e Shino. Mas Kiba quer parar e Shino já não aguenta mais, temo que ele mesmo possa morrer em uma próxima luta. Eu gostaria de aposentá-lo antes disso.

— E se eu não aceitar?

— Não vai acontecer nada, eu não vou mandar matar você e nem nada do tipo.

— Eu não quis dizer isso — Rock disse envergonhado.

— Bom, estou te tranquilizando então. Essa é uma excelente oportunidade, eu só chamo os melhores.

— Eu não sei... eu quero ser o melhor, mas não às custas da vida de outra pessoa.

— Pense então, você não precisa me responder agora. O campeão não ganha só dinheiro, ganha prestígio entre os patrocinadores e experiência, uma que você nunca poderia conseguir em Konoha. E depois quando voltar para o ringue poderia enfrentar Gaara novamente e ter a sua revanche.

Isso pareceu seduzir Rock Lee. Com certeza queria poder voltar ao ringue contra Gaara e mostrar que ele era melhor.

— Como é que funciona isso? — Rock perguntou.

Neji sorriu. Na maioria das vezes, oferecer dinheiro resolvia, mas Lee era o tipo de lutador que queria muito mais do que isso, esse era o tipo favorito dele, normalmente eram também os mais lucrativos.

— Recupere-se totalmente e mantenha-se em forma, eu mando te chamar quando tudo estiver certo.

Rock Lee ficou em silêncio, não se orgulhava da sua decisão, mas havia decidido que voltaria para o ringue a qualquer custo. Se esse fosse o preço a pagar, então ele aceitaria.

— Neji... só... bem, não diga nada a ninguém certo? Eu aceito, mas não quero que ninguém saiba. Principalmente Gai-sensei.

— Eu nunca revelaria algo assim para ninguém. Para todos os efeitos a minha riqueza vem do lucrativo e extraordinário ginásio Hyuuga — Neji disse irônico.

Lee sorriu tristemente, no fundo sabia que aquele era um caminho sem volta.

Notas finais
Deixem comentários, abraços!