Gefährliches Dreieck
21 Por Quinn:
Eu sai do apartamento de Rachel, ainda meio fora de mim, nem me toquei que estava de mãos dadas com Santana, estava imaginando várias coisas.
E seu eu tivesse lutado um pouco mais? E se eu fosse um pouco mais corajosa? E se no dia do casamento eu tivesse me declarado? Será que tudo seria diferente?
– Quinn?- Santana me beliscou- Você ainda está pensando na Berry, ela está namorando com seu amiguinho... Você demorou demais.
Eu respirei fundo.
– Eu sei Santana, eu só fico chateada por não ter me declarado antes, sabe?- murmurei- Eu acho que eu poderia ter uma chance, pelo menos...
Entramos em um café, e nos sentamos perto da vidraça.
– O que você e ela tem pra conversar? Você sabe o que a Berry tá escondendo?
Dei de ombros, e levantei o braço pra chamar a garçonete.
– Assuntos do dia-a-dia, nada demais, ela anda estranha é...?
– Você sabe que anda.
Eu dei um sorriso e balancei a cabeça em forma de negação, enquanto via a garçonete se aproximar.
– O que vão querer?
Eu arqueei a sobrancelha e ofereci um sorriso.
– O que acha do seu numero de telefone?- Santana se meteu, flertando descaradamente com a mulher, eu abri um sorriso e esperei para ver até onde ia- e quem sabe um chocolate quente, docinho...
A mulher olhou pra mim.
– Apenas um chá.
Ela sorriu e depois que saiu cheia de vergonha, eu e Santana começamos a rir.
Tomamos nossas bebidas e conversamos sobre coisas banais.
– Então, e agora que a Berry está com o nerd, o que cê vai fazer?
Santana perguntou, eu olhei para o lado de fora do estabelecimento e dei um sorriso.
– Dar a volta por cima, é o que faço de melhor- murmurei- to até saindo com uma garota...
Menti descaradamente, apesar da garota que eu mentalizei ser Jessica Ohen. Ela era muito bonita e simpática, e trocamos boas conversas durante o final de semana, ela era bem inteligente, apesar de alguns assuntos me serem muito incômodos.
– Sair de foder, ou sair de sair.
Beberiquei meu chá e ergui a sobrancelha.
– E tem alguma diferença entre isso?
Perguntei sarcástica, a latina começou a rir e fez alguns comentários desnecessários.
Finalmente saímos dali, andamos por algumas ruas e depois eu deixei Santana no apartamento, trocamos um selinho, pratica que se tornou meio que comum.
– Tenho que voltar à Yale, tenho um encontro...
Outra mentira, eu apenas tinha marcado de ir ver o treino de Mike, junto de Jess.
– Boa sorte, com a garota...
– Valeu, até mais.
– Irei te visitar.- ela disse- Me chame quando houver uma festa boa.
Eu não estava inteiramente feliz, meus pensamentos constantemente voltavam a Rachel, devo ter soltado uns trezentos suspiros tristes, além de que quase afundei meu rosto no vidro gélido do trem. Será que ninguém notava aquele volume na barriga de Rachel? Será que o bebê seria parecido com ela? Com seu jeito de sorrir e de se mover, com seu jeito insanamente impossível de me fazer ver brilho onde não tem.
Será que eu estava ficando louca? Será que sou masoquista?
Eu iria viajar com eles daqui alguns dias, mas estava desejando insanamente ter a namorada do meu melhor amigo pra mim.
Cheguei ainda meio chateada ao campus, passei direto por algumas pessoas conhecidas e rumei pro quarto. Tomei banho, e vesti o jeans e camisa xadrez desbotada que estava no meu guarda-roupa, estava frio naquela começo de noite, peguei um casaco com capuz, pra poder me aquecer melhor. Rumei até o ponto combinado, lá estava Jess usando vestido azul escuro, meias-calças pretas e um all-star azul de cano médio, tão bonita...
Ela me cumprimentou com um beijinho na bochecha.
– Onde está Mike?
– Foi se aquecer com os meninos, podemos esperar mais um pouco aqui, se você quiser...
– Por mim, tudo bem.
Ela sorriu, enquanto me encarava. Sentamos na porta de entrada do ginásio. O treino seria apenas físico, e como já estava bem frio, seria ali dentro.
– Te procurei hoje à tarde.
Ela murmurou, enquanto seus dedos passavam entre seus cabelos.
– Eu fui à New York, minha amiga estava de folga e tiramos um tempo pra conversar.
– Rachel?
Ela meio que sabia por alto da história, conversamos sobre isso, quando ela viu meu aparente desconforto ao jantar com Antony no domingo.
– Não, Santana. Ela é minha melhor amiga, desde que entramos no colegial.
– Eu nunca tive uma melhor amiga, sempre estive tão ocupada na minha antiga escola. Quando não era estudando, era com a prática das líderes de torcida. Minha mãe era a treinadora, ela me cobrava muito...
Sua voz saiu entrecortada.
– Mamãe também me exigia muito, meu pai era muito pior. Eles viam em minha uma cópia menor da minha irmã- murmurei- Durante a infância eu sofri demais, eu não tinha um corpo legal, e era diferente da minha família. Eram todos loiros e magros, enquanto eu era ruiva e gorda, chegaram a perguntar se eu fui adotada. Papai tinha tanta vergonha, que ele me mandou passar alguns meses junto de minha avó, lá eu emagreci uns bons quilos, minhas espinhas diminuíram bastante e eu resolvi ficar mais parecida com a família, pintei meu cabelo de loiro...
Ela me encarou de esguelha.
– Você foi muito corajosa.
– Não, Jess, eu só me escondi atrás de uma mascara- resmunguei- Eu voltei à Lima, me apresentando como Quinn, pois a Lucy, a gorda ruiva, foi eliminada. Eu maltratei pessoas, eu fiz coisas ruins, e humilhei muita gente, fiz marca na vida delas e eu era tão insegura! Eu vivia pra realizar o sonho dos meus pais, não os meus. Eu namorei com um jogador de futebol imbecil, eu o traí, eu fiquei gravida- ela me olhou espantada- E sabe o que eles fizerem? Eles me expulsaram de casa.
– A culpa não foi sua!
– Claro que foi, de mais quem seria?
Ouvimos alguns barulhos no ginásio. O treino havia começado. Entramos no local, que estava bem aquecido.
– A dor nos faz tomar decisões erradas, Quinn.
Ela sussurrou e me abraçou.
...
Depois do treino Big Mike, Jess e alguns outros rapazes e eu fomos ao fliperama do Jake.
Os meninos ficaram comendo pizza, enquanto Jessica e eu jogávamos PacMan.
Ela não era muito coordenada, então eu estava lhe ajudando.
– Mais um pouco, mais um pouco...
Ela perdeu. Sorri de sua cara de frustração.
– Eu pego mais fichas pra você, não fique triste.
– Não, é sua vez. Não quero mais jogar esse jogo.
...
Naquela noite, quando cheguei ao quarto. Antony já estava dormindo. Me livrei do jeans e do casaco, e me joguei na cama.
De repente eu não sentia mais nada. Não conseguia chorar, e mais uma vez, não conseguia dormir.
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