Acordei já sentindo um enjoo matinal, corri pro banheiro e vomitei tudo o que tinha na minha barriga, escovei os dentes pra me livrar daquela sensação horrorosa e tomei banho, pra me livrar do suor que se acumulou no meu corpo.

Passei o creme de pele, vesti um jeans mais soltinho e uma camisa branca, não estava afim de saias e coisas parecidas, calcei uma sapatilhas e busquei minha bolsa.

Seria minha primeira consulta sozinha e com a médica nova.

Fiquei na sala de espera por muito tempo, queria que Antony estivesse aqui, ele iria ficar tão animado, mas ele tinha que estudar, eu também tinha, mas uma falta ou outra não me mataria e minhas matérias são muito mais fáceis de repor.

A medica me chamou, assim que ia começar a responder sua pergunta inicial, a porta foi aberta.

– Antony, o que faz aqui à essa hora?

A doutora perguntou, demostrando raiva por ter sido interrompida.

– Mil perdões, mas vim acompanhar minha namorada.

Ele disse, se aproximando e beijando meus lábios.

– Oh, me desculpe, não sabia...

A doutora fez algumas perguntas, e Antony acrescentou alguns comentários. O que me fazia revirar os olhos.

– Vou chamar minha nova assistente pra me auxiliar, sim?

Concordamos, Antony me deu um beijinho no rosto, enquanto eu fui trocar minhas roupas por aquela camisola de hospital.

Quando cheguei à salinha de ultra, havia uma morena conversando com Antony, os dois falavam baixo e havia uma expressão seria.

– Eu sou a doutora Gelbvaks.

Eu lembrei da lista de meninas com quem Antony transou e o nome dela piscou, eu não podia imaginar que a garota era alta, com porte de modelo e com olhos azuis brilhantes.

– A assistente?

Perguntei, enquanto deitava na maca, ela apenas afirmou. Antony ficou ao meu lado, enquanto a mulher passava aquele gel na minha barriga.

Ouvi uma coisa esquisita, que batia rápido um barulho estranho. Antony sorriu e buscou meus olhos. Na minha primeira consulta eu ainda estava com tanto medo que nem prestei muita atenção, mas agora era extremamente diferente.

– É o coração, Rae.- ele inclinou pra me beijar- olha ali no monitor.

Eu olhei, pra aquilo tudo era um grande borrão, não conseguia identificar nada, mas mesmo assim uma emoção surgiu, lagrimas grossas saiam de meus olhos. Era meu bebê. Meu pequeno superstar.

– Acho que na próxima ultra, já podemos saber o sexo. – A mulher de olhos azuis, vulgo Doutora Gelbvaks, falou enquanto nos observava- o bebê está ótimo e saudável.

Antony apenas balançou a cabeça e eu depois me ajudou a tirar aquele gel da barriga e esperou que fosse trocar de roupa.

– Eu senti uma emoção tão grande.- murmurei, enquanto abraçava o corpo dele, apoiar a cabeça na minha- Você está feliz?

– Mais que feliz, senti uma coisa nova aqui dentro de mim. Quero ver o rosto do nosso bebê.- ele murmurou animado, enquanto se afastava e se ajoelhava no meio do corredor- Eu gosto tanto de vocês dois.

Ele murmurou, enquanto depositava um beijinho na minha barriga. Naquele dia passeamos juntos pela cidade, ele sempre perguntava se eu estava bem, se eu queria continuar e tudo mais.

– Podemos passar na minha faculdade?- perguntei, quando vi o relógio marcar dez e dez da manhã- Quero pegar logo as matérias, e avisar aos professores dos próximos períodos que vou faltar.

Murmurei, Antony me encarou e segurou minhas mãos.

– Vamos lá, enquanto eu pego suas matérias, você assiste o resto das aulas- ele sorriu, buscando meus lábios pra um beijo casto- Agora me guie, não tenho a mínima ideia de onde NYADA fica...

Ela sorriu, enquanto pegava minha bolsa e segurava minha mão. Pegamos o metrô, e andamos um quarteirão até chegar as portas principais da universidade. Havia um fluxo de alunos andando, então ele me parou no corredor e perguntou de cenho franzido e um rosto confuso.

– Certo, eu preciso dos nomes de seus professores, o horário da sua turma e se possível uma dica de em que andar fica.

– Pra sua sorte, foram só duas aulas, professor Mirabol e professora Brandon, terceiro andar.- eu murmurei- Agora me dê a bolsa, preciso de papel e caneta pra tomar notas.

Antony tirou da mochila um caderno e caneta, disse pra eu ir logo e que me encontrava no almoço, perto da porta de saída.

Separamo-nos ali, apenas com um beijo no rosto.

Entrei na sala de aula e rumei pra um lugar neutro, percebi alguns olhares para cima de mim, mas não disse nada, apenas abri o caderno em busca de folhas limpas pra começar a tomar notas, era um caderno de poucas folhas, com alguns rabiscos e desenhos, eram traços fortes e escuros, havia aviões desenhados, além de muitos olhos, olhos de todos os jeitos. E sorri, Antony era talentoso, comecei a escrever. O professor explicava algumas coisas e perguntava se estava no alcance de nossa compreensão.

Passei dois períodos vendo-o falar, quando finalmente fomos liberados minha barriga roncara de fome.

Depois que passamos em NYADA, eu assisti as aulas e ele pegou minhas matérias fomos pro meu apartamento, Antony estava cansando e eu também por isso pedimos uma pizza e fomos até o quarto, nos deitar um pouco. Eu deitei e ele deitou com o ouvido encostando em minha barriga, enquanto entrelaçava nossos dedos. Ficamos naquela posição confortável, até que a campainha tocou, ele levantou, apenas de cueca e foi atender a porta.

Pra minha surpresa, não era a pizza, pois Antony voltou carregando uma palidez que não tinha tamanho.

Ele vestiu a calça e uma camisa e me encarou.

– Tem dois senhores lá na sala, acho que são seus pais.

Eu também fiquei pálida, levantei da cama correndo e fui ver. Realmente eram eles.

– Estrelinha, quem era aquele rapaz que veio atender a porta?

– Meu namorado, Antony, tínhamos acabado de chegar da faculdade- murmurei- ele estava trocando de roupa.

Menti, meu namorado apareceu na sala, agora vestido e com as bochechas coradas, quando ele ia sentar a campainha tocou, nossa pizza.

– Rae, nossa pizza chegou- ele murmurou, enquanto levava a pizza até a cozinha e abria a geladeira.- Os senhores vão querer beber o que? Tem suco, refrigerante e eu posso ir comprar algumas cervejas...

Meus pais o encararam, meu pai Leroy foi o primeiro a dizer algo.

– Suco, por favor.

Eu senti o cheirinho da pizza, e me deu vontade de comê-la com bastante maionese.

– Antony, trás maionese pra mim...

Ele trouxe as coisas, eu comi bastante pedaços de pizza, enquanto Antony se satisfazia apenas com dois.

– Então, vocês estão mesmo juntos?

Meu pai Hiram perguntou.