Gefährliches Dreieck
14 Por Antony:
Hoje eu fui escalado pro Pronto Atendimento, nosso famoso PA, estava quase indo embora, quando vi a nova paciente chegar. Era Rachel, a mesma Rachel de Ohio, ela estava acompanhada de uma loira com cara de manguaceira. Eu me aproximei e perguntei o que tinha ocorrido.
– Ela desmaiou durante a aula, não sabemos o motivo.
Foi o que ela informou, eu me aproximei de Rachel e fui medir sua pressão. Fazia três meses desde que nos vimos pela primeira vez, ela estava um pouco mais "gordinha" e com a pele “brilhante”. Medi sua pressão, pedi exames de sangue e todo o lance rotineiro e solicitei que lhe dessem soro.
O resultado do exame de sangue saiu em vinte minutos, eu fui conferir e quando vi o diagnostico, quase tive um taquicardíaco. O resultado mostrava que ela estava gravida, eu comecei a chorar compulsivamente, me escondi no banheiro e fiquei por ali até ser solicitado. Eu fui liberado, então agora estava lá como visitante e não como medico.
Entrei onde Rachel estava, e me ajoelhei ao lado da maca, enquanto acariciava sua barriga, havia um pequeno volume ali. Ele passaria despercebido por qualquer pessoa, mas pra mim, que sabia, parecia a coisa mais estranha do mundo. Meu estômago estava tão embrulhado, uma sensação de desconforto se instalou em mim.
– Eu vou cuidar de vocês.
Murmurei, era uma promessa pra Rachel, uma promessa pra criança e uma promessa pra mim mesmo, eu nunca iria deixa-la desamparada, eu nunca seria como meus pais. Senti uma mão gelada em contato com a minha mão, um arrepio tomou conta do meu corpo, enquanto um sorriso nervoso tentava brotar em meus lábios.
– Antony?
Ela perguntou, sua voz saiu baixinha e rouca. Eu levei minhas mãos até seus cabelos escuros e lhe ofereci minha melhor expressão facial. Ela estava tão pálida.
– Rachel, eu to aqui agora, tudo bem?- perguntei- Como está se sentindo?
As perguntas escaparam dos meus lábios, enquanto ela parecia confusa demais.
– Eu não sei, eu me senti tonta e agora to aqui... O que eu tenho?
Ela perguntou, sua língua passava pelos lábios ressecados. Apertava minha mão, com força, mas ainda assim havia carinho.
– Você precisa ser forte, uhm.- eu procurei as palavras- Agora você tem que se alimentar direitinho, não pode beber, tem que tomar vitaminas e tem que se cuidar muito, porque tem uma vida crescendo aqui dentro. — Apontei pra sua barriga.- Eu marquei uns exames pra você, amanhã mesmo você fará sua primeira ultra e...
Ela começou a chorar fortemente, antes que eu completasse a frase. Suas unhas cravaram na pele de minha mão.
– Oh, meu Deus, oh meu Deus!- ela falou um pouco mais alto, enquanto um soluço escapava da sua garganta- Antony, e-eu, você deve estar achando que eu sou uma vagabunda, e-eu, meus pais, como vou criar essa criança?!
As sentenças disparavam de sua boca, ela estava cheia de duvidas. Eu também estou, porque com ela seria diferente? Eu tenho que ser forte, ela não merece que eu seja um fraco, eu não posso falhar. Não.
– Rachel, eu vou te ajudar-respondi sério- Nós vamos dar um jeito, você não é uma vagabunda, jamais pense isso, você nunca será. Eu vou cuidar de você e do nosso bebê.
Murmurei, enquanto alisava sua barriga.
– Você acredita em mim, acredita que é o pai?
Seus olhos aumentaram de tamanho, e as lagrimas dela diminuíam.
– Eu sou, não é? Nós transamos, sem camisinha... E bem, tudo indica que esse bebê é meu, não é? Porque eu faria diferente, uhn? Eu vou chamar um médico pra assinar sua alta, vou levar você é nosso menino pra casa.
Eu murmurei, diante do desespero de Rachel, eu fui obrigado à ser forte. Mas no fundo eu estava surtando, como fui esquecer da porra da camisinha, aquele plástico imbecil e idiota.
Chamei um medico pra assinar a alta de Rachel e liguei pra Quinn, avisando que iria me atrasar e que talvez eu não fosse pra “casa”.
Rachel já estava pronta pra ir, antes de irmos de fato pra casa dela, eu passei no mercado pra comprar algo pra comermos.
– Eu moro com dois amigos, não sei se eles estão em casa, mas não comente nada com eles ainda. Ok?
Sua voz saiu baixa, ela parecia estar com vergonha...
– Tudo bem, tudo em seu tempo, marquei uma consulta pra gente... Vamos ver esse meninão e ver se está tudo bem, com essa linda mamãe.
Murmurei, enquanto apertava as mãos dela contra as minhas. Ela corou fortemente e depois seus olhos encheram de lágrimas.
– Se for uma menina você vai querer assumir mesmo assim?
– Claro, claro que sim, Rae.- eu respondi- Assim você até me ofende.
Entramos no apartamento dela, era tudo arrumado e com uma decoração legal, estava silencioso. Então eu fui direto pro local onde eu identifiquei como a cozinha, enquanto tirava as coisas das sacolas.
– Rachel, eu sei que você é vegan, mas durante a gravidez eu acho que é primordial que você coma carne, pra complementar sua alimentação.
Eu tirei a lata de ervilhas da sacola e abri, jogando em um pote, coloquei a beterraba pra cozinhar e cortei o palmito. Temperei o filé de frango e depois coloquei pra fritar.
– Está com o cheiro bom.
– Claro que está, sou eu que estou fazendo.
Tirei a beterraba do fogo, esperei esfriar e cortei em pequenos pedaços, colocando na mesma tigela onde estava o palmito e as ervilhas. O frango terminou de fritar e eu chamei por Rachel.
– O que temos?
– Salada de ervilha e frango.- respondi- Então, vamos comer.
Ela fez careta enquanto comia o frango, mas mesmo assim fez. Eu repeti umas três vezes, e fiz com que Rachel comesse junto comigo.
– Você é incrível, vai ser um grande exemplo... Você sabe.
– Vou tentar meu máximo pra ser um bom pai.
Murmurei sem graça, enquanto olhei o relógio.
– Tenho que ir, tá?- murmurei- Amanhã eu passo aqui pra te buscar.
– Não, não vai.- ela gritou- E-eu, fica comigo, por favor.
Fomos pro quarto e ela deitou na cama, eu segui seu movimento e deitei ao seu lado, enquanto passava as minhas mãos por sua barriga.
– Eu acho que vai ser uma menina de olhos verdes.
Ela murmurou.
– Eu acho que vai ser um garoto com olhos castanhos, com seu nariz e com seu jeito de sorrir.- retruquei- Ele vai ser bonito, falante e vai ser muito esperto e muito alegre.
Rachel sorriu e beijou meu queixo, quando ela dormiu e meu permiti chorar por algumas horas. O relógio marcou duas da manhã e eu comecei a ouvir a movimentação pelo local, vozes e esbarrões e tudo mais. Provavelmente os amigos de Rachel, eu não sai do quarto, fiquei com ela. Até que cai no sono.
Pela manhã eu acordei com um peso em minhas costas e uma respiração fraquinha no meu pescoço, lembrei de tudo que ocorreu, da noticia, da gravidez e de Rachel. Cara, eu estava tão ferrado!
Movimentei-me na cama e consegui sair sem fazer com que Rachel acordasse. Tirei minha camisa social e fiquei só com a camisa que eu usava por baixo, e fui até o banheiro onde escovei os dentes e tomei um banho rápido, usando o chuveiro e uma toalha que estava por ali.
Quando sai do banheiro esbarrei com um rapaz alto, branco e de olhos azuis.
– Desculpe, mas quem é você?
Ele me encarou, enquanto colocava as mãos na cintura.
– Antony, sou amigo de Rachel, aliás tenho que acorda-la.
Passei por ele e fui acordar a pequena morena, ela estava ronronando e dizendo baixinho meu nome e o nome de Quinn, achei esquisito, resolvi acorda-la.
– Rachel, está na hora, temos algumas horas pra ir...- eu murmurei, pedindo sua atenção- Rae, levanta...
Ela abriu os olhos e colocou as mãos na barriga e depois me encarou.
– Isso é mesmo real?
– Uhun.
Então mais uma rodada de choro compulsivo, depois disso ela tomou banho e eu me enchi de desodorante. Nós fomos tomar café e eu encontrei com Santana.
– O que você está fazendo aqui, Cubano?
Ela disse debochada, murmurando aquele apelido ridículo.
– Santana?- a latina me deu um tapinha no braço- Quando tempo... Tudo bem?
– Pergunte para Quinn, ela vai te responder direitinho.
– Uhn- e as duas continuavam se encontrando, porque segundo Quinn, elas estavam se usando para esquecer as pessoas amadas- Me lembrarei de perguntar...
– Claro que vai.
O clima no café ficou tenso, Rachel estava alheia e Kurt me encarava. Olhei meu relógio de pulso e vi que estava na hora.
– Vamos, Rachel? Não podemos nos atrasar, eu te encachei no horário da manhã.
...
A consulta foi boa, o bebê estava forte e saudável, mas ainda não dava pra ver o sexo.
– Você tem sido ótimo, mas Antony, eu tenho que contar pros meus pais que eu... Você sabe.
– Certo, eu posso ir com você, ou você pode chama-los aqui.
Eu sugeri, mas na verdade eu estava morrendo de medo. Ela apenas balançou a cabeça, isso até ela ficar pálida como papel, virar para o lado oposto que o meu e começar a vomitar. Eu respirei fundo e segurei sua bolsa e seus cabelos.
– Rachel, tudo bem?
– Uhun, eu, droga... Não era pra você ver isso- ela murmurou opressa- Desculpe, eu estou tão envergonhada.
– Para Rachel, isso é normal, eu tenho enxague bucal na mochila, você pode ir ao banheiro e dar um gargarejo. Uhn, vou te esperar aqui e nós vamos lá comer alguma coisa e passear, temos que nos conhecer melhor, não?
Ela sorriu pra mim e foi ao banheiro, passamos a manhã andando por New York, estávamos numa loja de artigos infantis, quando eu vi um ursinho pequeno e com a cor caramelo e comprei pra Rachel, ela merecia. Ela estava passando por pressão demais, e isso era o mínimo que eu poderia fazer.
Ela recebeu o presente e meu ofereceu um sorriso tão bonito. Eu sempre gostei de sorrisos, mas nunca, nunca mesmo nenhum se comparou com aquele. Por que eu senti como se na minha barriga houvesse uma dezena de soldadinhos, todos marchando no ritmo do dia 4 de julho.
– Seria estranho eu te beijar agora?
Perguntei. Aquelas palavras escaparam como se ganhassem vida própria. Rachel me olhou com o cenho franzido, me encarando de baixo pra cima (como sempre, devido a nossa notável diferença de altura), seu nariz estava franzidinho e ali nasceu um novo sorriso, ainda mais bonito que outro. Parecia um sol. Meu sol particular.
Era possível uma pessoa brilhar? Porque Rachel parecia brilhar tanto, brilhar mais que sol. Tão bonita, tão bonita.
– Acho que não, já passamos por algumas fases, beijar não tem problema.
– Não?
Ela fez que não, então eu me curvei pra beija-la nos lábios, ela me mordeu e depois me encheu de selinhos.
– Tenho que ir trabalhar, vou te deixar em casa, te ligo, ok?
Eu disse, mas minha vontade era ficar. Ficar pra sempre.
– Dorme comigo.
– Não posso- eu respirei fundo- Quinn está me esperando, tenho aulas pra assistir e trabalhos pra concluir, além de que sou interno no hospital, sou muito explorado.
Murmurei desanimado, enquanto pegávamos o metrô.
– Você vai contar à alguém que estou gravida?
– Quinn, ela é minha melhor amiga, vou falar com ela e meus tios- cocei a cabeça- meu tio vai estar em New York nesse fim de semana, eu falo com ele.
Murmurei, enquanto puxava ela pra um abraço e um beijo. Lhe deixei em casa e segui caminho pro hospital, trabalhei pra caramba e depois fui pra New Haven.
Então a força que me deixava com medo se apoderou do meu corpo, porque longe de Rachel eu sou fraco, sem ela eu não posso encarar essa nova realidade. Sem ela tudo parece tão mais assustador.
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