Eu estava preocupada, Antony não voltou pra cá, nem deu motivo pra sua falta na faculdade. Eu não estava conseguindo dormir, senti que minha cama ganhou um peso novo. Era Antony, ele sabia que eu estava acordada.

– Loira, eu preciso de um abraço.

Ele murmurou, enquanto chorava, eu me desesperei, sem saber o que fazer. Mas fiz o que ele pediu, o abracei, como ele fazia comigo. Ele foi parando de chorar ao poucos, sua respiração foi ganhando um ritmo mais ameno, e então eu lhe encarei. Seus olhos estavam avermelhados e o nariz vermelho.

– O que aconteceu?

Perguntei pacientemente, enquanto acariciava seus cabelos.

– Quinn, eu vou ser pai- ele voltou a chorar compulsivamente- e eu não sei o que fazer, Rachel engravidou de mim... E eu não sei o que fazer.

Eu senti meu corpo ficar tenso, Antony não estava falando da minha Rachel estava? Agora que eu estava pronta pra admitir que amo aquela mulher, mas agora ela deu pro meu melhor amigo, ela está gravida dele. Não podia ser minha Rachel, não minha Rachel não!

– Que Rachel?

A pergunta escapou dos meus lábios.

– Eu a conheci naquele casamento, em Ohio, ela cantou com um cara alto- ele fungou- ela estava tão bonita, ela bebeu, eu bebi também, dançamos- mais uma fungada- e nos beijamos... E agora, agora e-eu vou ser pai.

Será que eu se eu matasse o Antony agora, eles encontrariam o corpo enterrado no gramado do campus? Esse filho da puta, esse filho da puta! Porque ele fez isso comigo?

Ele nem sabia de nada, para de ser mesquinha, Quinn. Algumas lagrimas escaparam do meu rosto.

– Vai ficar tudo bem.

Murmurei pra ele, murmurei pra mim mesma. Vai ficar tudo bem, mas não ia.

Você vai perdê-la, e você nunca a teve. Você vai perde-la, e você nunca a teve. Por que dói tanto? Por que eu sentia que meu coração estava sendo arrancado de dentro de mim? Por que eu estava sentindo minhas forças acabarem? Você perdeu, mas você nunca teve. Eu vou perdê-la, eu nunca a tive. Meu coração estava sendo tomando por uma pessoa que nunca poderia ser minha.

– Eu vou ser pai.

Acho que aquela era a única frase que ele sabia dizer, aquela frase que estava me ferindo, me rasgando, acabando comigo, mas o deixei ficar abraçado a mim, porque acima de qualquer dor que aquilo me causasse, eu amava Rachel Berry, mas também amava o Antony. E com eles eu não poderia ser egoísta, não como fui antes, não como eu fui com todos que gostavam um pouco de mim.

De manhã, Antony já estava arrumado, vestido pra ir assistir as aulas.

– Vamos?

– Espera eu me arrumar.

Eu pedi, tomei um banho e vesti uma roupa confortável. Seguimos um caminho silencioso, não tocamos no assunto Rachel e nem falamos do bebê. Antony parecia meio perdido, desligado do mundo.

Encontramo-nos mais uma vez antes de ir pra New York, levei seu lanche e beijei seu queixo. Ele agradeceu e beijou meu rosto.

– Me perdoa, Quinnie.- ele murmurou- Eu vou dar um jeito de não me envolver mais que o necessário, mas por favor, me perdoa, eu não posso perder sua amizade.

– Como sabe? Como sabe disso? Eu nunca te falei- murmurei entre dentes, deixando minha raiva transparecer. Eu poderia aceitar se ele não soubesse de nada antes, mas se tinha conhecimento de tudo e mesmo assim ele transou com a Rachel, eu vou quebrar a cara dele, eu vou- Como sabe disso?

Aquela conversa subentendida estava me deixando confusa.

– Você disse enquanto dormia, nessa madrugada- sua voz saiu calculada, como se qualquer movimento meu fosse um grande risco, o que de fato poderia vir a ser- Se eu soubesse, eu juro que nada teria acontecido, Quinn, eu iria trair você desse jeito. Você é importante pra mim, sua amizade... É uma das únicas, e verdadeiras amizades que eu tenho.

Eu respirei fundo, analisando suas palavras, encarei seu rosto e levei minhas mãos até a gola da sua camisa.

– Seja um bom namorado pra ela, seja um bom pai, dê pra ela tudo que eu não posso- murmurei entre dentes- eu quero ser madrinha desse pirralho.

Murmurei. Ele me abraçou e me apertou em seus braços.

– Adoro você. Eu não vou te decepcionar, não vou machucar você...

Ele murmurou contra meu ouvido, me arrancando um sorriso forçado, um bolo se formou na minha garganta. Ele já havia me machucado.

– Eu também.

Eu o vi ir, e naquele dia eu ganhei mais uma certeza. O amor dá para as pessoas o poder de te despedaçar. Eu estava despedaçada.

A pior coisa
Que platão já inventou
Foi o amor
Que só traz solidão...

Escutar musica parecia bom agora, me desligar do mundo era a melhor opção, já que me desligar da pessoa que eu sou era impossível.