Gatos Guerreiros - Ameaças da Floresta [1]
4 Uma briga no território do Clã da Neve
Notas iniciais
Enquanto isso em outra parte do território do Clã da Neve
– Brilho Lunar, você acha que ainda estão atrás de nós? — Pata de Águia disse, ainda correndo ofegante.
– Acalme-se, de todo jeito já estamos no nosso território e acho que os despistamos. — Brilho Lunar respondeu com um pouco de preocupação em seus olhos celestes.
Os dois ouviram passos e se esconderam em um dos arbustos.
– Onde eles foram? — um gato miou, deixando claro o tom do Clã da Morte em seu miado.
– Fareje o ar, seu retardado, você acha que tem esse nariz só de enfeite? — outro gato grunhiu
Pata de Águia sentiu um calafrio subir pelo seu corpo e teve o instinto felino de fugir, porém olhou para Brilho Lunar que estava preparando um ataque e pensou sobre não deixá-lo sozinho.
Nesse momento, Brilho Lunar o cutucou com a cauda e fez um sinal de cabeça pro acampamento.
Pata de Águia entendeu o sinal, mas se recusou a ir. Sabia que os guerreiros do Clã da Morte são impiedosos, por isso não quis deixar Brilho Lunar sozinho, não queria perder o mentor, mal sabia quais eram suas intenções. O tempo estava ficando curto, então decidiu seguir as instruções dele e correu em disparada em direção ao rio que corria no meio do território do Clã da Neve.
Os gatos do Clã da Morte perceberam e logo saíram correndo em sua direção, dando tempo para Brilho Lunar atacar e foi o que ele fez.
Pulou em cima de um dos gatos, o prendendo no chão, logo o mordendo na testa e puxando para baixo, arrancando sua pele té a ponta do focinho. O gato miou desesperadamente chamando o companheiro que ao ouvi-lo, parou a perseguição com Pata de Águia e correu para cima de Brilho Lunar. Pata de Águia hesitou entre correr pro acampamento ou ajudar seu mentor. Decidiu opinar pela segunda opção.
Mordeu a cauda do gato que estava o perseguindo alguns segundos antes, fazendo com que o gato voltasse sua atenção para Pata de Águia.
Pata de Águia firmou o olhar no adversário, tentando não demonstrar sua vontade de fugir, e o oponente retribuiu com o mesmo olhar, seguido de um rosnado. Nenhum dos dois iria fugir. Nesse momento era matar ou morrer. Pata de Águia apenas sabia que estava pronto para proteger seu clã.
No acampamento
Pata de Tubarão ainda estava em espera do amigo na porta do acampamento, a esse ponto já estava preocupado. Olhou para o céu e percebeu que a lua já estava a uma cauda de distancia desde quando ele havia começado a esperar, no início da noite. Olhou o acampamento e viu Pata Malhada vindo correndo em sua direção.
– O que você está fazendo aí? — ele disse.
– Estava esperando Pata de Águia e Brilho Lunar chegarem... Eles não são de atrasar, e já estou aqui faz muito tempo. — Pata de Tubarão disse — Eu iria procurá-los, mas se eles caíram numa emboscada de outro clã, dependendo dos guerreiros, apenas nós três não conseguiríamos detê-los...
– Se é isso — Pata Malhada disse — vou chamar a Pata Escura, e nós três juntos vamos fazer cabeças rolar — ele sorriu.
– Ok, eu espero aqui.
Pata Malhada se foi correndo lá para dentro novamente.
– O que você faz aqui, pequeno? — Alguém disse trás dele.
Pata de Tubarão se virou e viu Focinho de Carvão sentado alguns metros atrás dele.
– Só aproveitando o silêncio da floresta. — Pata de Tubarão respondeu.
– Então não irei atrapalhar. — Focinho de Carvão disse, deixando claro um tom de descrença em seu miado, logo depois se levantou e foi em direção a sua caverna.
Alguns minutos se passaram e Pata Malhada voltou com Pata Escura o seguindo.
– Vamos quebrar crânios, heheh — Pata Escura disse.
– Vamos então... Pata Malhada, você assume a liderança, pois conhece mais a floresta, eu fico na retaguarda prestando atenção aos sons e cheiros. Pata Escura pode ficar na liderança também, no meio ou na ponta, adquirindo uma visão melhor ao grupo.
– Você é bom com planos, Pata de Tubarão... — Pata Escura admitiu.
– Obrigado, mas de todo jeito, vamos logo, vidas podem estar em jogo. — Pata de Tubarão miou.
Pata Malhada saiu correndo na frente, Pata escura foi acompanhando seu ritmo, porém bastante elevada à sua direita, Pata de Tubarão fez seu trabalho, ficando na Retaguarda.
– Hey Pata de Tubarão — Pata Escura disse.
– Sim?
– Você sabe para onde Brilho Lunar e Pata de Águia foram?
– Bem, antes de eu e Alma de Outono sairmos, ele me contou que eles iam fazer uma ronda na Trilha do Relâmpago, pois Pelo de Brasas tinha visto algumas pegadas recentes de gatos do Clã do Salgueiro naquela região, porém quando nós passamos por lá, eu não vi nenhum dos dois...
– Pata Malhada, vamos em direção ao caminho mais curto para a Trilha do Relâmpago — Pata Escura sugeriu.
Ambos deram uma volta brusca e Pata de Tubarão os seguiu, confuso. Estava atento em tudo a sua volta, cada som, cada cheiro, na casa dos Duas-Pernas nunca havia deixado seus sentidos no máximo, e nunca deixaria.
De repente, quando julgou ter ouvido algo, o barulho da cachoeira interrompeu sua interpretação. Estavam perto do Rio. Viu uma pata na lama e correu até lá, tentando sentir seu cheiro. Era recente e familiar, mas não era de Pata Malhada nem de Pata Escura, muito menos de Alma de Outono. Era de Pata de Águia. O gato acinzentado levantou a cabeça e fechou os olhos, tentando focar nos outros sons e não no som ensurdecedor da cachoeira, que estava a alguns metros de distância. Nunca tinha feito isso, e não estava se saindo bem. Pulou em uma das pedras, mas o musgo o fez escorregar, caindo na água e se molhando, depois da tentativa falhada, saiu da água rosnando com si mesmo.
– Eu assumo a liderança — ele apenas disse aos dois
Pata Escura e Pata Malhada deram de ombros e correram atrás dele.
Pata de Tubarão pisou em algo molhado — não era a água que pingava de seu próprio corpo — e olhou para baixo. Havia uma mini poça de sangue no chão. Pata de Tubarão olhou espantado e saiu correndo na direção de onde as gotas de sangue pingaram. Havia achado o campo de batalha.
Pata de Águia estava preso debaixo das patas de um enorme gato bege que sorria, lambendo os beiços. Por instinto, Pata de Tubarão pulou no pescoço do gato, mordendo o mais forte que conseguia. O gato saiu de cima de Pata de Águia, se revirando no chão, tentando tirar Pata de Tubarão de seu pescoço. Pata de Tubarão pulou, deixando-o rolar na grama inutilmente.
– Como vocês... sabiam? — Pata de Águia disse ofegante. Podia se perceber um ferimento em sua cauda e em seu torso.
– Explicamos depois, mas temos dois gatos para cuidar agora. — Pata Escura disse, em posição de ataque.
Pata de Tubarão observou a sua volta, onde estava Pata de Águia a sua direita e Pata Malhada a sua esquerda. Não parecia o gatinho de gente que havia se juntado ao clã apenas 3 noites atrás. Não era aquele gatinho mimado que recebia comida e abrigo quentinho. Era um gato da floresta. Era um gato do Clã da Neve! E estava pronto para defender seu clã com sua vida caso precisasse.
O gato bege se levantou, chamando o parceiro marrom quase negro que estava sem a pele do focinho a testa, em carne viva. Brilho Lunar havia subido em cima de uma árvore e se notava um arranhão em seu pescoço. Brilho Lunar andou agilmente entre os galhos e pulou, ficando em frente aos aprendizes.
O gato bege os ameaçou com o olhar e seu sorriso, que mostrava seus dentes afiados. O gato marrom ficava atrás dele, arranhando o chão, tentando afiar as unhas.
O gato bege logo pulou em cima de Brilho Lunar, e Pata Malhada correu até ele, arranhando seu torso.
Pata de Águia e Pata de Tubarão se entreolharam. Pata de Tubarão cutucou Pata Escura com a cauda e olhou para o gato marrom, que também os observavam com cautela. Seus olhos amarelo-esverdeados brilhavam.
Pata Escura pulou em cima de seu torso o arranhando, fazendo o gato se remexer, Pata de Tubarão correu e mordeu seu pescoço, enquanto pata de Águia corria em sua volta arranhando tudo o que podia. O gato se desnorteou e não sabia qual dos três atacar, e cada segundo era precioso. Ele rolou no chão tentando se livrar dos aprendizes, balançando as patas fortemente, acertando Pata Escura, que recuou alguns passos com alguns ferimentos no peito e flancos. Essa escolha do gato foi péssima, pois deixou a barriga exposta demais. Nesse tempo, Pata de Tubarão pulou em cima de sua barriga, a arranhando com as garras e mordendo para abrir o ferimento cada vez mais. O gato o jogou longe com uma das patas e Pata de Tubarão bateu contra uma árvore, ficando tonto. Tudo ao seu redor girava, apenas viu Pata Escura correndo em sua direção. Fechou os olhos ao ver que estava "seguro" e esperou a tontura passar. Abriu os olhos e viu o gato marrom deitado em volta de uma poça de sangue.
Eu... Eu... o matei? - ele pensou espantado com si mesmo.
Sentiu uma patada fraca na testa e pulou, se agarrando na árvore, com umas das patas preparadas para arranhar o suposto agressor.
– Calma, sou só eu. Você matou aquele gato ali... — Pata Escura disse, soluçando e com voz de choro, olhando para o gato amarronzado de antes. — E Brilho Lunar espantou o outro, aquele bege... mas... mas... — Lágrimas se formaram nos seus olhos esmeralda e ela caiu em choro.
Pata de Tubarão olhou para ela confuso e com medo. Logo após viu Brilho Lunar e Pata de Águia um pouco distantes, com cabeças baixas olhando para algo. Encostou a cauda no focinho dela e seguiu com passos lentos até onde os dois estavam. Viu sangue no chão, sujando suas patas e manchando a grama de vinho. Chegou e viu um corpo de gato branco no chão, que estava manchando de vermelho...
Era o corpo sem vida de Pata Malhada.
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