Pata de Tubarão sentou na entrada da Toca, observando as estrelas quando de repente, sentiu um cheiro diferente. Levantou as orelhas para tentar escutar algo e escutou os passos quebrando as folhas secas do chão. Se abaixou e esperou.

Um gato siamês apareceu na entrada do acampamento farejando o chão. Pata de Tubarão andou devagar até o gato, se espreitando. Parecia que o gato não tinha bom olfato.

O gato estava chegando perto da pilha de presas quando Pata de Tubarão pulou em seu lombo, o prendendo no chão.

– O que você faz no Clã da Neve? — rosnou, mostrando os dentes.

– Clã da Neve? Isso é o que? Um clã de floquinhos de neve perambulantes? — o gato se contorceu sob Pata de tubarão, tentando se soltar.

– Quieto! Você queria comida, não queria?

– Claro, não quero morrer de fome!

– Procure longe daqui, se eu te ver aqui no Clã novamente, eu faço tripas de gatinho de gente para afiar as garras. — Pata de Tubarão disse, mordendo a coleira do gato e a puxando.

O gato estremeceu enquanto ficava sem ar. Olhou para a coleira de Pata de Tubarão e tentou levantar a cabeça para puxá-la também.

Pata de Tubarão percebeu o movimento e deu uma patada na boca do gato, que grunhiu, com a boca sangrando.

Então sua coleira azul marinho arrebentou, fazendo com que batesse a cabeça fortemente no chão.

Pata de Tubarão saiu de cima do gato, cuspindo a coleira de volta na sua cara.

– Vá e leve essa coisa imunda com gosto de Duas-Pernas com você.

O gato se levantou, tremendo e ofegante, fitando Pata de Tubarão com os olhos azuis que queimavam de raiva.

Pata de Tubarão arrepiou os pelos mostrando as garras, ameaçando pular novamente.

O gato pegou a coleira com a boca e saiu andando para fora do acampamento com as orelhas baixas. Pata de Tubarão o acompanhava com o olhar, até sair do acampamento.

– E é melhor que quando eu acordar, não tenha nem um rastro seu aqui no clã.

Pata de Tubarão se virou e começou a limpar sua pata com a língua, até que escutou algo e se virou. Era Pata de Guaxinim vindo em sua direção.

– Pata de Tubarão, você é demais! Você botou aquele gato pra correr! — ele disse, admirado.

– Ah, é só trabalho de um gato de Clã... — Pata de tubarão corou.

– Não é verdade que vocês três já são quase guerreiros?

– Nós três quem?

– Você, Pata Escura e Pata de Águia.

– Sim sim, já estamos quase.

– Então vai ser só eu e minha irmã de aprendizes. — ele miou, meio triste.

Nesse momento, o gato siamês entrou no clã, parecendo que desafiava Pata de Tubarão.

– Eu falei que iria fazer tripa de gatinho se você entrasse de novo.

– Eu não tenho medo de você.

Pata de Tubarão farejou o ar e sentiu o cheiro de medo do gato.

– Não é o que parece

Pata de Guaxinim recuou alguns passos, enquanto Pata de Tubarão arrepiou a cauda, observando o adversário.

– E-eu na-não tenho medo de você! Você é só mais um gato estúpido desse clã de merda.

A raiva queimou dentro dele. Observou o gato, falando rudemente:

– Quem é você pra falar do meu Clã? Um gato importante do Clã das Estrelas? Um gato de outro Clã? Nem isso. É só um gatinho de gente mimado que se acha o rei da selva. Saiba que você nadou tanto para morrer na praia, seu gatinho ignorante.

Falando isso, Pata de Tubarão pulou no gato, o mordendo em um dos ombros, fazendo o gato rugir de dor. O gato mordeu a pata de Pata de Tubarão, que recuou.

Ambos ficaram observando um ao outro, como se fossem se matar a qualquer momento. Num instante, Pata de Tubarão correu até ele, de garras à mostra, arranhando toda sua cara de uma forma diagonal, ficando com marcas de garras em todo seu rosto, que sangrava e seus olhos ardiam de dor. De repente, quando Pata de tubarão julgou a briga terminada, o gato correu até um de seus flancos ágil até demais para um gatinho de gente, o derrubando de lado e logo após, mordeu sua coleira também, a puxando com a força que conseguia.

Pata de Tubarão sentiu o pescoço doer e seus pulmões imploravam por ar. Ele se remexeu em busca de ar, porém cada vez mais, a coleira o enforcava. Pata de Tubarão já estava vendo tudo um pouco embaçado quando um longo estalo foi ouvido e a coleira se soltou do pescoço de Pata de Tubarão, fazendo o gato siamês ir com um forte impacto para trás.

Pata de Tubarão mesmo com os pulmões queimando, pulou em cima do gato, o imobilizando contra uma parede de pedras com as patas.

– Últimas palavras?

– Estamos kits.

Pata de Tubarão olhou para o gato com olhos ardendo em fúria. Nesse momento Estrela Noturna correu até ele, o fazendo virar a cabeça em sua direção.

– Não o mate. — a líder miou, desesperada.

– Por que não?

– Porque eu o conheço.

– O quê? — Pata de Tubarão miou, surpreso e confuso.

O gato olhou bem para a Líder.

– Nira!?

– Sim. Quanto tempo, hein Veloz?

Pata de Tubarão soltou o gato, confuso. Veloz olhou para ele com uma cara de desgosto.

v Conhece esse gato selvagem asqueroso?

Pata de Tubarão não sabia se ficava mais confuso com Estrela Noturna conhecer o gato, sobre ele chamá-la de Nira ou ele falar que ele é selvagem e ela não.

– Sabe, Veloz... Meu tempo passou, sou líder de um clã agora. Volte para sua casa junto dos Duas-Pernas rápido, antes que alguém acorde. E não volte aqui novamente! Desculpe pelos ferimentos, Pata de Tubarão estava apenas defendendo o clã.

O gato abaixou as orelhas.

– Rápido, rápido!

O gato saiu correndo para fora do clã e Estrela Noturna se virou para os dois.

– Venham até minha toca comigo e sem nenhuma palavra até chegarmos lá.

A gata pulou subindo o rochedo e esperou os dois, que chegaram depois. Muitas perguntas perambulavam na mente de Pata de Tubarão, que estava emaranhada de tão confusa.

Estrela Noturna correu até lá dentro.

– Antes de contar, vocês tem que prometer que tudo o que for falado aqui, só fica aqui.

– Eu prometo. — Pata de Tubarão disse curioso.

– Eu também. — Pata de Guaxinim miou.

– Então, então, posso começar. Eu tenho origem de gatinha de gente. Mestiça, na verdade. Ninguém do clã sabe disso, mas aonde meu pai morava, que era junto dos Duas-Pernas, se espalhou que um filhote foi levado para viver na floresta. Desde então, muitos gatos de gente vieram "conferir se eu estou viva". Meu pai tinha me chamado de Nira, mas como minha mãe era do Clã, negou esse nome, mas como não sabia meu nome, espalhou que eu me chamava Nira. Veloz é meu primo.

Pata de Tubarão estava sem palavras. Nunca imaginaria que a líder tinha sangue de gatinho de gente.

– Agora, nada disso aconteceu, apenas que você brigou com um intruso. Eu posso confiar em vocês para guardar esse segredo?

– Claro que pode. — Pata de Tubarão ronronou.

– Agora vão dormir o restante da noite. Amanhã será um dia longo.

Pata de Tubarão se despediu da gata com um aceno de cabeça e Pata de Guaxinim o seguiu.

Eles se entreolharam surpresos, como se estivessem lendo a mente um do outro.

Pata de Tubarão entrou e se pôs do lado de Pata de Águia, seus pulmões ainda ardiam e toda vez que fechava os olhos, sua respiração ficava pesada.

Depois de um longo tempo, conseguiu dormir.

Notas finais
Capítulo de treta, eu curti :v