Notas iniciais
É, eu fiquei um tempinho sem postar, mas tamo de volta o/

Pata de Tubarão levantou-se, sentiu o cheiro do ar, que já estava frio, o Outono logo logo chegaria. Virou-se e observou seu pelo, era pouco comparado ao dos gatos do clã, questionou-se se sentiria frio quando o Inverno chegasse.

Apagou isso da mente e foi até a frente do acampamento, subiu em uma árvore e deitou-se lá. Fazia tempo desde que entrara no clã, o minúsculo gatinho de gente indefeso. Provavelmente nesse ponto já tinha habilidade suficiente para encarar de igual para igual Chama Sombria... ou não.

Sentiu cheiro de cadáver, empinou as orelhas, desceu, em busca do cheiro. Ele estava tão forte a certo ponto que o fazia lacrimejar. Olhou para o lado e dentro de um arbusto, estava um corpo de uma gata. Um corpo castanho escuro, listrado de branco. Seu queixo caiu, era Cauda Listrada, uma das rainhas, a que vigiava o berçário.

O que eu faço? O que eu faço?, pensou ele, olhando em volta.

Então, correu pra dentro do acampamento, aflito, subiu até o alto do rochedo dos guerreiros, onde jazia a caverna de Estrela Noturna e parou na porta, uma inquietação o incomodava, sua cauda agitava de um lado para o outro.

– Estrela Noturna? — sussurrou um pouco alto, se empinando ao ponto de quase cair dentro da caverna escura.

Os olhos esmeralda da gata se abriram, sonolentos. Ela gelou ao vê-lo, lembrando-se provavelmente do assunto do dia anterior. Percebendo isso, ele se pôs a falar:

– Vem comigo, rápido, por favor.

A gata o seguiu, parecia acanhada, como se esperasse o pior.

Chegaram no corpo de Cauda Listrada e a líder observou-o de perto por um tempo.

– Isso foi feito por um guerreiro. Aparentemente, prensaram-na contra a árvore e a sufocaram até a morte. — ela disse, enquanto Pata de Tubarão abrira novamente a boca — Essa é uma prática comum de morte para Estrela de Quartzo.

A gata ficou de olhos fechados por um instante, até ter um sobressalto. Correu para o acampamento e Pata de Tubarão a seguiu.

Estrela Noturna estava parada na frente do berçário.

– Seja o gato inimigo que for, ele levou consigo os filhotes de Aurora, que estavam sido guardados por Cauda Listrada. — Pata de Tubarão sentiu, pela primeira vez, um calor de vingança dentro dele. — Vou acordar os gatos, fique no lugar de Pelo de Brasas até ele chegar.

– Todo gato que consiga caçar sua própria presa, compareça à Grande Árvore Caída.

Logo, vários gatos estavam com as cabeças para fora das tocas e se dirigiam até à Árvore. Pata de Águia estava no meio dos gatos e cumprimentou Pata de Tubarão com um aceno de cauda e um sorriso.

Estrela Noturna pigarreou e os gatos se viraram para ela.

– Bem, Pata de Tubarão encontrou uma das rainhas mortas, na frente do acampamento.

Os gatos se entreolharam, observando todos em volta, Casca de Pinheiro olhou para Pata de Tubarão, como se acreditasse que ele tinha a matado.

– Era Cauda Listrada. — a líder continuou, enquanto alguns soltavam gritinhos de surpresa — Não quero aflição, mas seja o gato que for, levou consigo os filhotes que ela estava em guarda, os quais eram de Aurora.

A gata branca e alaranjada soltou um guincho, enquanto todos se viraram para ela. Pedaço de Granizo também parecia mais abalado do que o geral, seus olhos estavam nublados e tristes.

Estrela Noturna pigarreou novamente, fazendo os gatos se virarem para ela, com exceção de Aurora e Pedaço de Granizo, que permaneciam de cabeças baixas.

– Não se preocupem, iremos conseguir os filhotes de volta. Mesmo que precisemos derramar sangue para isso. — alguns olharam assustados para a líder, outros com satisfação. — Além disso, hoje irei fazer a nomeação de três aprendizes. — a gata sorriu, olhando para Pata de Tubarão.

Pata de Tubarão olhou para Pata de Águia e Pata Escura, ambos pareciam animados.

– Eu gostaria que Pata de Águia e Pata Escura subissem na Grande Árvore.

Os dois, em um salto, subiram na árvore, ficando um de cada lado de Pata de Tubarão, pareciam totalmente radiantes, mal parecia que ouviram uma notícia triste daquela um minuto atrás.

A gata olhou para o céu, que ainda permanecia com a aurora, o sol mal acabara de sair.

– Eu, Estrela Noturna, conclamo meus ancestrais para que contemplem esses aprendizes. Os três treinaram arduamente para compreender seu nobre código e agora, vos entrego como guerreiros. — a gata virou- se para os três. — Pata Escura, Pata de Tubarão, Pata de Águia, vocês prometem cumprir e respeitar o código e defender o clã, mesmo que isso valha suas vidas?

Pata de Tubarão agitou-se, sua cauda arrastava-se na casca da árvore de um lado para o outro. Suspirou e, em uníssono, os três aprendizes responderam:

– Prometo.

Estrela Noturna sorriu. Virou-se para Pata Escura e aproximou-se dela.

– A partir de hoje, você será conhecida como Flor Escura, o Clã das Estrelas agradece sua bravura e nós lhe damos boas-vindas como guerreira.

Flor Escura foi em direção à líder e lambeu respeitosamente sua bochecha, ronronando. Depois desceu da Árvore e os esperou aos pés dela.

Vários gatos miavam em aprovação e Redemoinho de Fúria parecia finalmente ter posto um sorriso em seu rosto.

Estrela Noturna agora virara-se para Pata de Tubarão.

– A partir de hoje, você será conhecido como Presa de Tubarão, o Clã das Estrelas agradece sua bravura e nós lhe damos boas-vindas como guerreiro.

O gato se aproximou, tremendo, e lambeu a bochecha da líder, que sussurrou, sorrindo:

– Eu disse que seu nome diferente não era em vão.

Presa de Tubarão sorriu, desceu da árvore para ficar do lado de Flor Escura. Observou os gatos, poucos sorriam para ele. Dentre os que sorriam, podiam se destacar Alma de Outono, que aparentava que ia explodir de felicidade a qualquer momento e Pedaço de Granizo, que mesmo abalado pela notícia anterior e com lágrimas no rosto, ainda sorria para ele.

Estrela Noturna virou-se então para Pata de Águia.

– A partir de hoje, você será conhecido como Olhar de Águia, o Clã das Estrelas agradece sua bravura e nós lhe damos boas-vindas como guerreiro.

Olhar de Águia parecia estar tremendo mais do que ele quando foi até à líder.

Lambeu a bochecha da líder ronronando e desceu para próximo dos dois.

– Eu sei que os três deveriam fazer o ritual da vigília silenciosa mais tarde, mas creio que não há tempo. — virou-se para os recém-guerreiros — Quero que os três saiam em uma Missão.

Miados de desagrado e indignação percorreram a multidão de gatos.

– Mas eles mal acabaram de se tornar guerreiros — rosnou Casca de Pinheiro — Creio que você deveria deixar algum guerreiro mais experiente para essa missão.

– Eu tenho um pouco de senso e sei pensar, Casca de Pinheiro, eu sei muito bem o que estou fazendo sem algumas opiniões desagradáveis sobre o meu jeito de liderar um clã.

Casca de Pinheiro apenas resmungou, desviando o olhar. A líder o observou por um tempo e voltou sua atenção aos três.

– Como eu ia dizendo, os três irão sair em uma Missão, na qual se consiste em resgatar os filhotes de Aurora. Gostaria também que saíssem o mais rápido possível.

Os três assentiram. A líder voltou seu olhar para os gatos do clã.

– Estão dispensados.

Alma de Outono correu até Presa de Tubarão e ronronou, lambendo sua testa.

– Bom trabalho, Pat... Presa de Tubarão.

– Não teria feito sem você.

– Boa sorte na Missão. Espero que o Clã das Estrelas estejam convosco.

Presa de Tubarão sorriu em resposta, indo em direção à toca de Focinho de Carvão, que esperava com algumas folhas na boca. Ele sorriu ao ver os três chegando.

– Bem, Estrela Noturna pediu para que eu lhes desse as instruções. Ela crê que os filhotes estejam no Clã da Morte. — Focinho de Carvão disse e Presa de Tubarão sentiu um frio na espinha — vocês vao invadir lá sorrateiramente. Se forem vistos, fujam. Não tentem bancar os corajosos e lutar, pois serão muitos. E vocês sabem muito bem o que eles fazem com intrusos. Hoje à noite, terá uma Assembleia, momento ótimo para vocês resgatarem os filhotes, caso estejam no Acampamento. Se recuperarem, voltem para a Assembleia. Se eles não estiverem lá, voltem para cá e avise os que estarão aqui, caso seja durante a Assembleia. Entenderam?

Os três confirmaram com a cabeça.

– Alguma pergunta?

– E se acharmos os filhotes mortos? — Flor Escura perguntou.

– Tragam mesmo assim. Mais alguma?

Todos negaram com a cabeça.

– Ótimo. Agora cada um coma duas dessas folhas, elas farão com que vocês não fiquem com fome, para que não cacem em território inimigo. Já vou avisando: elas tem um gosto terrível.

Presa de Tubarão colocou uma na boca e quase cuspiu tudo fora, mas sabia que era necessário. A engoliu e pegou a outra.

– Aconselho que bebam água no caminho, vocês não vão querer um gosto desses na sua boca até voltarem.

– Agradeço por nós três, Focinho de Carvão. — Flor Escura disse, abaixando a cabeça.

– Boa sorte, que o Clã das Estrelas reja por vocês.

Os três saíram do acampamento, seguindo em direção ao pequeno açude que existia perto da Trilha do Relâmpago, na qual carros — ou monstros, como os gatos de clã chamavam — andavam de cá para lá, soltando uma fumaça e fazendo um barulho estrondoso.

– Alguém sabe por que Pedaço de Granizo estava tão triste quando Estrela Noturna falou sobre Cauda Listrada? — Presa de Tubarão comentou

– Ele era companheiro dela — Olhar de Águia respondeu.

– Oh... — Presa de Tubarão sentiu a vontade de voltar e falar que sentia muito por ele, mas sabia que estavam com pouco tempo.

Após beberem água no açude, esperavam para atravessar a Trilha do Relâmpago, que estava movimentada.

– Eu vou primeiro, a barra ficou limpa.

Olhar de Águia atravessou a primeira parte, ficou lá no meio da faixa, esperando a outra ficar limpa novamente. De repente, um caminhão fugiu do rumo e Presa de Tubarão só o viu indo pra cima de Olhar de Águia antes que um carro atrapalhasse sua visão.

Notas finais
Hohoho, segurem seus forninhos