– OLHAR DE ÁGUIA! — Gritou Presa de tubarão em meio a confusão dos carros, o coração gelando e a respiração presa. Não perderia o amigo agora, quando acabaram de se tornar guerreiros, e não naquele lugar.

O caminhão não havia parado, mas o fluxo contínuo de veículos apenas do lado frontal no qual queriam atravessar, ainda impedia que os dois vessem o que estava ocorrendo. Então, com um último carro, cessou.

Olhar de Águia estava do outro lado da pista encolhido, de olhos arregalados, pelos arrepiados e tremendo. A roda não passou por cima dele, ele se encolheu e o caminhão simplesmente passou.

– O m-m-monst-tro po-po-poupou minha v-vida... — ele disse, de voz rouca, parecia abalado, afinal, acabara de escapar das garras da morte de raspão.

– Vem Olhar de Águia, vamos sair daqui antes que outro venha... — Flor Escura falou, olhando pros lados.

Olhar de Águia se levantou, as pernas bambas de tanto que tremia. Soltou a respiração quando chegou do outro lado, como se tivesse a prendido desde que o caminhão vinha em sua direção. Ofegou por um minuto e depois se virou pros dois, apontando com o focinho pra frente e então saiu andando.

Presa de Tubarão e Flor Escura se entreolharam, depois andando para alcançar o amigo.

Ficaram calados por vários quilômetros, até chegarem no local onde seria a Assembléia mais tarde: Os Quatro Pinheiros.

Como o nome já diz, é um lugar onde quatro pinheiros ficam, um em cada território dos clãs, lá é onde ocorre a Assembleia, onde os gatos decidem fazer paz por um dia e conversarem, passarem recados, se interagirem, etc. Há uma enorme pedra, na qual os líderes ficam e falam para todos os gatos.

Presa de Tubarão passou pelo local, cheirando-o. Sentiu um cheiro de gato recente e recuou, eriçando os pelos para avisar os amigos, que instantaneamente olharam em volta, acanhados.

Uma gata pequena, aparentemente uma aprendiz bem novata saiu de um arbusto perto, olhando em volta, com medo. Ela era preta manchada de laranja e a parte de seu corpo até o rosto era totalmente branca. Seus olhos azuis fitaram os três guerreiros e ela correu até eles balançando a cauda.

– Eu sabia que Estrela Dourada mandaria alguém me procurar! — ela miou, feliz, os encarando com um sorriso no rosto.

– Err... Nós... Não somos do seu clã... — Flor Escura miou.

– Vocês não são do Clã do Orvalho? — ela olhou em volta, preparando as patas traseiras para fugir.

– Negativo. Somos do Clã da Neve. Mas se você realmente está perdida, deveria ficar no território do seu clã, pois se você ir em outros territórios pode dar ruim. — Presa de Tubarão advertiu-a

– Ainda mais no Clã da Morte — Olhar de Águia completou, sussurrando.

A gata abaixou as orelhas e olhou em volta, como se essa palavra fosse atrair os guerreiros do Clã da Morte.

Um gato branco e prateado saiu de um arbusto próximo, olhando instantaneamente para os três guerreiros e se aproximando agachado. A aprendiz virou-se para trás.

– Pata de Magma, fiquei preocupado. — E então o gato virou-se para os três guerreiros, rosnando — Foram esses três que te trouxeram para tão longe?

– Negativo, Pelo de Espuma. Eu me perdi do Acampamento. — ela disse, envergonhada.

Pelo de Espuma observou os guerreiros.

– O que vocês fazem por essas bandas tão cedo? Erraram a hora da Assembleia? — zombou

– Negativo. — Olhar de Águia aprumou-se, respondendo.

– Então eu poderia saber o porquê? Não acho que seja pura coincidência vocês encontrarem Pata de Magma assim.

– Isso não é da sua conta, é assunto do Clã da Neve.

Pelo de Espuma rosnou baixo e virou-se, fazendo um sinal de cauda para Pata de Magma segui-lo.

– Até mais tarde, eu acho. — Pata de Magma sussurrou, enquanto adentrava para o território do Clã do Orvalho.

Os três gatos esperaram eles se distanciarem e entraram no território do Clã da Morte, se esgueirando e atentos. Já estava à tardinha, o sol se punha no horizonte, teriam que tomar cuidado para não toparem com as tropas nem com os gatos indo para a Assembleia um pouco mais tarde. Desviaram o caminho, indo para o lado em que dariam mais voltas, mas não topariam com os guerreiros.

Passaram-se horas, eles olharam para baixo, aparentemente os gatos já estavam na Assembleia uma hora dessas.

De longe, observaram o acampamento, o qual era rodeado por várias urtigas. Como fariam para entrar sem se coçarem todos?

Viu o líder cinza e preto pastorear os gatos em direção à Assembleia na retaguarda.

Presa de Tubarão esperou eles se distanciarem e se esfregou nas urtigas para tirar o cheiro. Com um comando silencioso, pediu para os amigos fazerem o mesmo.

Fitaram o acampamento e de longe observaram uma pequena falha nas urtigas e entraram sorrateiramente por lá.

O acampamento estava vazio, Pata de Tubarão se encolheu diante uma pedra, ficando quase invisível. Aparentemente lá estavam apenas as rainhas, que estavam no berçário e alguns aprendizes, que brigavam de luta fora do acampamento.

Presa de Tubarão se voluntariou secretamente para ir buscar os filhotes dentro do berçário. Estrela Noturna havia dado comandos que os filhotes eram laranja e branco, branco e marrom e um totalmente branco.

O gato cinza entrou suavemente no berçário. Uma rainha estava dormindo amamentando os filhotes, enquanto outra estava deitada, aparentemente dormindo também. Presa de Tubarão localizou os filhotes bem no fundo do berçário e foi seguindo de passo em passo até lá. Flor Escura estava na porta do berçário, no caso de qualquer coisa.

Pegou um filhote e voltou até a porta, o entregando para Flor Escura, que o deixou no chão. Fez a mesma coisa com o segundo. Quando foi pegar o terceiro, o pegou de mal jeito e ele soltou um miado alto e agudo.

Presa de Tubarão agarrou-o com os dentes e ao perceber que as rainhas acordaram, colocou-se a correr. Flor Escura também percebeu e abocanhou os dois de mal jeito (Eles ficaram totalmente pendurados) e correu para o buraco das urtigas, passando de mau jeito por causa do seu tamanho. Olhar de Águia estava na vigia e correu junto, pegando um dos filhotes na metade do caminho.

Presa de Tubarão olhou para trás, dois aprendizes os seguiam, de garras atentas. Na corrida desajeitada, os gatinhos balançavam de um lado pro outro, batendo contra o peito dos gatos, os dando desconforto e falta de fôlego para correr.

Olhar de Águia chutou uma pedra do tamanho de um rosto de gato em direção a um dos aprendizes, o acertando no peito, o fazendo cair no chão, sem fôlego e tossindo sangue.

O outro aprendiz continuou a corrida, parecendo dominado por uma energia de fonte desconhecida. Estava cada vez mais perto da cauda de Flor escura, que perdia velocidade. Olhar de Águia jogou o filhote em cima de Presa de Tubarão e pulou em cima do aprendiz, o jogando no chão e rolando até baterem numa árvore. Olhar de Águia unhou o gato em um dos flancos e o mordeu no pescoço, depois em um pulo pra trás, distanciou-se e voltou a correr, apanhando o filhote do lombo de Presa de Tubarão.

Já estavam próximos da Assembleia quando, no alto de uma pedra, um guerreiro branco e amarelo com uma cicatriz em seu lombo estava, de pé, pronto para atacar, suas garras de tamanho anormal arranhavam a pedra impacientes.

– Um passo e eu acabo com vocês. — rosnou, mostrando os dentes igualmente afiados.

Os três guerreiros pararam, olhando em volta e preparando as patas traseiras.

– Prazer, eu sou Garra Retaliadora. — o gato amarelo rosnou, balançando a cauda em modo desafiante e preparando para um pulo.

Notas finais
Ei pessoinhas do meu coração! :3 Eu fiz algumas referências dos gatos (Está no meu facebook, se quiserem podem mandar solicitação - avise que você é daqui, eu não aceito qualquer um) Podem ver aí (Alguns aí ainda não apareceram na história, sabe?) https://www.facebook.com/LenaraAvelar/media_set?set=a.826299817483710.1073741842.100003110974987&type=3