Gatos Guerreiros - Ameaças da Floresta [1]
3 O primeiro dia do treinamento
Notas iniciais
Pata de Tubarão foi até Estrela Noturna e agradeceu-a.
– Não há de quê, Pata de Tubarão. — ela sorriu.
– Alma de Outono, heey, Alma de Outono! — Pata de Tubarão chamou a atenção da mentora. — Estou dispensado por hoje?
– Sim, amanhã começamos. — ela sorriu, voltando a conversar com o gato branco como a lua que estava do seu lado.
Pata de Tubarão desceu da Grande Árvore Caída e cumprimentou os gatos que se juntaram a ele, seguindo em direção aonde Pedaço de Granizo havia o dito que os aprendizes descansavam. Ao longe, escutou Estrela Noturna dispensando os gatos que ali estavam.
Alma de Outono correu até ele.
– Bons sonhos com o Clã das Estrelas. — Ela sorriu.
– Você também — Pata de Tubarão disse, balançando a cauda.
Alma de Outono foi para seu dormitório no rochedo, enquanto Pata de Tubarão entrou no seu. Haviam outros 3 gatos lá dentro. Parou e escutou a conversa deles.
– Então meu pai pegou aquele gato do Clã do Salgueiro e torceu seu pescoço, hahahah, ele disse que espirrou sangue na cara dele e ele teve que ir no lago limpar o rosto. — uma voz feminina disse.
– Minha mãe já me contou que um gato do Clã do Orvalho já tinha feito uma emboscada pra ela, mas ela se safou facilmente. — dessa vez, uma voz masculina respondeu.
– Clã do Orvalho?? — a dona da primeira voz disse espantada.
– Sim sim — o gato da segunda respondeu.
Pata de Tubarão resolveu entrar. Percebeu um gato excluído na conversa dos outros dois.
– Olá? — Pata de Tubarão disse.
– O novato chegou, então? — A gata disse
– Claro né, óbvio que não é o espírito dele — o gato que estava conversando com ela disse, dando um tapinha na sua testa.
– Oi — o solitário respondeu.
– Qual o nome de vocês? — Pata de Tubarão disse, olhando para todos, animado.
– Pata Escura — respondeu a gata preta com o peito até a ponta da cauda da cor de café. Tinha um pelo denso dentre as orelhas meio pro lado que tinha as pontas marrom claro. Seus olhos eram verde-esmeralda.
– Pata Malhada. — respondeu o gato branco acinzentado com várias manchas marrom claro e escuro no corpo. Seus olhos eram amarelos cor de âmbar, assim como os de Pata de Tubarão.
– Pata de Águia — o gato disse lá no fundo. Seu pelo era um brilhante amarelo, um pouco arrepiado, e que de longe pareciam penas, fazendo seu nome ter mais sentido ainda. Seus olhos eram um tom entre marrom e preto.
– Vocês já devem saber o meu... sou Pata de Tubarão.
– Esse nome realmente não fez muito sentido — Pata Escura disse.
– Provavelmente Estrela Noturna tem algo em mente. — Pata de Tubarão disse, indo em direção a Pata de Águia.
– Será que ela te nomeou pensando em seu nome de guerreiro? — Pata Malhada disse
– Provavelmente. — Pata de Tubarão respondeu.
Pata de Tubarão passou seu focinho delicadamente no pelo do torso de Pata de Águia em sinal de afeto, que olhou assustado e curioso.
– Ninguém, sem ser meu mentor e Estrela Noturna demonstrou algum gesto de afeto antes... — Pata de Águia disse.
– Agora outro aprendiz demonstrou — Pata de Tubarão sorriu — Gostaria de ser meu amigo?
Pata de Águia ficou sem palavras. Por ser solitário, nunca havia tido um amigo real na curta vida.
– C-claro — ele sorriu de orelha a orelha.
– Hey vocês dois — Pata de Tubarão se referiu a Pata Malhada e Pata Escura — Vou dormir... Sonhem com o Clã das Estrelas.
– Você também — os dois disseram juntos.
Pata de Tubarão deitou em um dos lugares aonde tinha a grama.
– Sonhe com o Clã das Estrelas, Pata de Águia. — ele disse baixo.
– Você também — Pata de Águia deitou do lado de Pata de Tubarão.
Pata de Tubarão acordou com Pata de Águia o sacudindo.
– Estamos atrasados pro treino!! Levanta, seu dorminhoco!
Pata de Tubarão se levantou.
– Vamos então, onde é?
– Do lado de fora do acampamento, siga-me.
Pata de Águia saiu correndo e Pata de Tubarão atrás, tentando acompanhar seu ritmo.
Os dois chegaram ofegantes aonde estavam Pata Malhada e Pata Escura. Apenas o mentor de Pata Escura estava lá.
– Onde estão nossos mentores? — Pata de Águia perguntou.
– Ainda não chegaram, vão ter que esperar. — o mentor de Pata Escura disse.
Pata de Tubarão deitou no chão, ainda com a respiração ofegante. Pata de Águia, ao ver o amigo, fez o mesmo.
– Isso já deu pra cansar. — Pata de Tubarão disse.
– Então espere o que virá daqui a pouco. — Pata de Águia disse.
O gato que estava com Alma de Outono na noite anterior, havia chegado e sentado.
Algum tempo depois, Alma de Outono chegou e o cumprimentou com um gesto de cabeça. Então, o mentor de Pata Malhada chegou.
Alma de Outono chegou perto de Pata de Tubarão.
– Já sabe o nome dos mentores dos seus amigos? — ela perguntou.
– Não, ainda não.
– Aquele ali é Redemoinho de Fúria, mentor de Pata Escura, ele é muito pontual. — Ela apontou com a cauda para o gato cinza bem claro com uma cicatriz em um dos olhos e patas cinzas escuro.
– Entendi, e os outros?
– Aquele branco como a lua, é Brilho Lunar. Mentor de Pata de Águia. Um dos meus melhores amigos por aqui. — Pata de Tubarão o observou. Seu pelo era totalmente branco, mas um branco bem forte e seus olhos azuis como cristais. Admitiu para si mesmo que o gato era bonito, mesmo sendo macho. Se questionou se Alma de Outono gostava dele.
– E o de Pata Malhada?
– Aquele é o Orelha Congelada, recebeu esse nome porque em uma briga ele perdeu os pelos da orelha, e sempre que é época de frio, a orelha dele fica muito fria, as vezes a ponto de ficar com pequenos cristais de gelo. — Pata de Tubarão olhou para o gato, ele era marrom claro com o torso e metade das patas dianteiras brancas, seus olhos eram amarelos. — Vamos começar o treinamento então. Vou te mostrar todo o território do Clã da Neve.
Alma de Outono se despediu deles com um sinal de cauda, e Pata de Tubarão tentou imitar o mesmo movimento.
– Não tem necessidade de ir tão rápido, vamos andando — Alma de Outono disse.
Ela mostrou a ele as zonas de caça, o lago do meio do território, os limites para cada clã, a trilha do relâmpago e obviamente, os 4 pinheiros.
Quando voltaram, Pata de Tubarão estava exausto e se jogou na areia em frente ao acampamento.
– Está dispensado. — Alma de Outono disse, tocando a cauda em seu focinho.
– Obrigado Alma de Outono — ele ficou em pé e tocou a pata em sua cabeça.
Pata de Tubarão olhou em volta e viu as duas cavernas gêmeas, a de Focinho de Carvão e a do Berçário. Resolveu visitar as duas. Primeiro, decidiu ir no berçário ver os filhotes.
Entrou lá e observou os pequenos filhotes, alguns miando desesperadamente e outros insinuando brigas. Eles eram maiores do que um filhote comum que Pata de Tubarão já havia visto.
– Vai querer alguma coisa? — Uma gata atartarugada marrom escuro listrada de branco falou.
– Não não, só estou observando.
– Você é o novo aprendiz que vivia com os Duas-Pernas, não é?
– Sim...
– Aqui no berçário é onde ficam as Rainhas... antes que me pergunte, Rainhas são as gatas que estão prenhas ou amamentando seus filhotes. Eu sou Cauda Listrada, só fico de segurança aqui, para que ninguém roube ou faça algum mal aos filhotes...
– Prazer, o meu já deve saber, então nem preciso me apresentar. Vou indo, até mais Cauda Listrada — ele saiu andando.
Pata de Tubarão foi até a caverna de Focinho de Carvão. Entrou lá e o forte cheiro das plantas encheu suas narinas.
– Hahah, então você está tão bem quanto antes, huh? — Focinho de Carvão sorriu ao vê-lo.
– Melhor impossível, devo minha vida a você e à Alma de Outono.
– Não fiz mais que meu trabalho. Mas mudando de assunto, ouvi que recebeu seu novo nome, Pata de Tubarão, não é? Achei esse nome meio sem sentido, mas que se dane, Estrela Noturna deve ter algum plano em mente. Veio pedir algo?
– Não não, só fazer uma visitinha.
– Isso é algo caridoso da sua parte, pequeno.
– Então, porque você trabalha diferente dos outros, tipo, você não é um guerreiro, você cuida de plantas — ele olhou as paredes — Você trabalha com o que? Qual o nome disso? Herbolária, agricultura?
– Agricultura? Você foi longe demais — Focinho de Carvão deu uma breve risada — São essas plantas que ajudam a curar todos do clã de resfriados, machucados, qualquer tipo de doença ou ferimento. E eu sou o Curandeiro do clã, todo clã tem um...
– Aaah, entendi. Vou indo, falei para Pata de Águia que eu ia esperá-lo, então irei.
– Até mais, Pata de Tubarão.
Pata de Tubarão saiu da caverna e ficou esperando Brilho Lunar e Pata de Águia na frente do acampamento.
Espero que eles venham logo, ele pensou, impaciente.
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