Gasolina
21 Rosas
Notas iniciais
— Seus dezoito almoços, senhor. — O garçom terminou de por a pilha de isopor redondos na mesa e saiu, olhando para Sasuke como se ele fosse um maníaco por almoços.
Ergui meu pescoço e vi Sasuke esparramado na cadeira, passando os olhos pelas pilhas de lámen de sabores diversos. Ficar quieta não estava em meus planos naquele momento, então eu gargalhei alto, ao ponto de precisar pôr a mão na barriga por sentir aquela dor familiar.
Já Sasuke me olhava de esguelha, frustrado por toda atenção do restaurante que possuíamos, pelo fato de haver 18 marmitas de macarrão e por um pingo rosa estar rindo alto.
— O que vai fazer com isso?
— Pôr na goela de seu pai. — Murmurou se levantando.
Para a sorte de Sasuke, eu tinha uma ideia do que podíamos fazer com todo aquele exagero de almoços, levantei-me e coloquei minha mochila nas costas, pus as mãos na cintura e como uma verdadeira heroína, anunciei minha ideia.
— Vamos levar para um lar de desabrigados.
Sasuke sorriu e perguntou: — Lar de desabrigados?
Eu juro que eu não vi erro em minha frase, mas aí eu percebi a antítese, corrigindo-me em seguida: — Desamparados.
Ele concordou e tocou em minha testa com dois dedos, virando-se para a mesa e xingando meu pai baixo.
Caso algum dia eu morra de fome, o que não vai acontecer no momento, já que tenho 18 marmitas à minha disposição, vou vender para Hollywood meu filme com Sasuke Uchiha: “O Dia Que Carregamos Dezoito Marmitas De Moto & Na Chuva”, será um sucesso maior que o Sr. e Sra. Smith e Titanic.
Sasuke estacionou em frente ao prédio, desci equilibrando dez caixas pequenas quentes e muito cheirosas e ainda tive mais oito postas em meus finos e fracos braços, e ainda chovendo. O Uchiha ainda ousou tirar uma foto de minha expressão de equilíbrio para, em seguida, ter a digníssima boa vontade de pegar parcela da comida que eu, não faço a mínima ideia de como, carregava.
Entramos feitos doidos e quando vimos um balcão colocamos os pacotes em cima, aliviados.
— Olá...? O que desejam?
— Oi — Tomei a palavra. Sasuke não é o cara mais legal para conversar sem o conhecer —, nós acabamos conseguindo uma mega promoção em um restaurante e resolvemos comprar para doarmos para o instituto.
Os olhos da atendente brilharam em êxtase com a notícia, ela pediu um minuto e chamou o coordenador e os ajudantes.
Eu me senti revigorada com minha boa ação, o coordenador nos agradeceu e quando eu iria me disponibilizar para ajudar na preparação do almoço, Sasuke me puxou e disse “É muito bom ajudar, mas ela precisa ir para a escola”.
O que não é uma total mentira, afinal eu teria que ir para a escola, mas minha manhã tá tão movimentada que a única coisa que quero é me enrolar em um lençol, se possível com Sasuke.
Fomos recebidos novamente pela chuva e com ela me lembrei de meus sentimentos, fui carregada com gotas de realidade sobre tudo e todos. A vida não é um filme da Barbie, as pessoas sofrem, famílias quebram laços, amigos brigam, existem pessoas que moram na rua e passam fome ao redor de todo o mundo. Infelizmente, acontecem vezes que nós nos esquecemos disso e somos egoístas ao ponto de pensar que tudo e todos giram em torno de nós mesmos.
Em questão de segundos eu chorava novamente, contudo, para minha completa sorte, eu havia um porto-seguro o qual me firmar e me refugiar por um tempo de tudo.
A mão de Sasuke repousou em meu rosto, sua respiração foi se aproximando cada vez mais de minha pele e assim demos início a um beijo. No meio da chuva, em frente a um abrigo e o mais sincero possível. Aos nossos lábios se separarem, nossos rostos continuaram unidos pelas testas, nossos olhares mesclados e perdidos um noutro.
Peguei no rosto dele e fechei meus olhos, arrastei minhas palmas pelo torso dele, envolvendo sua cintura e o abraçando. — Obrigada.
Ele me apertou e beijou-me o topo da cabeça. — Vamos, você já está esquentando. — Sasuke afastou-se e tirou o cachecol preto que vestia seu pescoço, enlaçou o meu e se virou caminhando para a moto.
Não pude deixar de sorrir com isso, com pequenos e significativos gestos, ele demonstra que se importa comigo, e isso é...
— Você vem ou não? — Perguntou ele entredentes vestindo o capacete.
Concordei e corri para perto da moto, montei e coloquei o capacete, apertando a cintura dele, já o sentindo arrancar da vaga. Recomendo veemente que não ande de moto quando o tempo estiver nublado e chovendo, os pingos vêm contra o corpo e dói, o vento falta congelar a cara, foi ruim.
— Por que foi de moto?
— Era o mais rápido. — Respondeu caminhando para o hall de elevadores.
Tá vendo como ele é? Não admite, mas se importa. Ri baixo e me aproximei.
Nossa próxima parada foi em seu apartamento. Encharcados, com uma chance maior de contrairmos alguma virose e em silêncio.
A vitória daquela manhã foi me olhar no espelho, já banhada e cheirosinha com o sabão dele másculo demais, e me ver com uma blusa. Primeiro, antes que pensem merda, minha roupa estava encharcada, Sasuke pensando em minha saúde, deu-me uma blusa sua para usar enquanto minha roupa era secada na secadora.
Eu? Reclamando? Nada... Tô me achando a maior gostosa, diva das galáxias, beijem meus pés quem disse que eu não chegaria aqui.
Agora, é aquilo, né? A vergonha de sair com essa peça de roupa que por mais que fique longa em mim, ainda deixa partes consideráveis de minhas pernas de fora...
Abri a porta e o que vi foi melhor do que eu esperava – ruim para minha vergonha que gritou –, Sasuke estava deitado na cama vestindo apenas uma calça de moletom preta. Olha, eu tô achando isso aqui lindo, sério.
— Por que ta vermelha? — perguntou sem desgrudar os olhos da tela do celular.
— Como sabe que tô? — Bloqueou o aparelho e me olhou.
— Você está vermelha.
Dei de ombros e me aproximei da cama, sentei ao lado dele e subi meus olhos para a janela recebida por pingos caquéticos da chuva torrencial. Aos poucos minha vergonha foi passando, respirei fundo e perguntei:
— Você acha que tem chance deles se reconciliarem?
Aguardei a resposta de Sasuke nitidamente ansiosa, apertava meus lábios com a mão, balançava um pé e parecia ter espasmos nas sobrancelhas para elas se erguerem sem minha autorização.
Sasuke me olhou e sentou-se, respirou fundo para responder em seguida:
— Sakura, sua mãe agüentou muito por muito tempo. O que eu sei, que Mikoto me contou, é que ela já engoliu muito de seu pai, se ela tomou essa decisão agora, eu acho um pouco difícil voltar atrás.
Dessa vez, eu que respirei fundo, mantendo a calma, relaxando meus 1001 pensamentos e toda turbulência que me rondava.
Como eu não vi tudo isso? Qual o meu problema? Esse é um de meus inúmeros defeitos, é isso? Enxergar a escuridão para a realidade? Pensar que a desgraça desse mundo, é um local pacífico, sem guerras no Oriente Médio por motivos territoriais e religiosos? Que o preconceito racial, de gênero e religioso não existe? É isso?!
Perguntei a Sasuke de forma sucinta e o que recebi foi um de seus charmosos sorrisos simples e sinceros, um acariciar de meu rosto e a resposta.
— Sakura, seu defeito é apenas ver o bom das pessoas. — Franzi o cenho e tombei a cabeça para o lado de sua mão. — Você é tão boa que apenas vê a bondade nos outros.
Comprimi meus lábios e neguei. — Eu acho que não...
— Qual meu defeito?
Ri e cruzei minhas pernas na cama, peguei um travesseiro e pus em meu colo, inclinei-me apoiando meus antebraços no fofo e repliquei.
— Você é calado demais.
— Isso não é defeito.
— Pra mim, é. Às vezes quero conversar com você e o que você faz, Sasuke? — Ri de mim mesma e das ações que realizei, imitando-o. Franzi o cenho, cruzei os braços, ergui uma sobrancelha.
— É como eu sou, Saky. Quer saber um defeito mesmo? — Concordei. — Às vezes, eu sou egoísta demais.
— Você não aparenta ser egoísta.
— O que eu falei quando te dei o anel?
Não lembrava. Sim, ocorreu há menos de 24 horas e eu não faço ideia do que ele disse. Olhei para meu dedo, girei o anel em seu eixo, entortei a boca e procurei em qualquer lugar do quarto alguma pista que refrescasse minha memória.
— Ah, dá um tempo! Aconteceu tanta coisa que eu nem lembro se tomei café hoje.
— Você tomou café hoje?
— Acho que sim. — Respondi duvidosa.
— “Não quero aquele Lee achando que tá solteira”. — Então foi isso que ele falou, foi? Minha boca se abriu quando joguei meu pescoço para trás, fitando o teto.
— Não parei pra pensar assim.
— Eu sei que não.
Olhei para ele, fazendo bico e com minha melhor cara de quem vai mandá-lo tomar no cu e tem a breve certeza de que ele vai gostar, mas o pior de tudo, é que lá no fundo, bem fundo mesmo, eu sei que ele está certo. Entortei a boca e peguei na mão dele largada sobre o travesseiro em meu colo.
— Isso é muito ruim?
Ele franziu e desviou os olhos dos meus, uma atitude nova que pelo seu silêncio posterior pude deduzir como um sim. Bufei e ouvi-o.
— Não, você tem um coração bom, Sakura. — Continuei a ouvi-lo perdida nos pontos da chuva, tentando montar algum desenho abstrato ali. — Só que o mundo sabe passar a perna em uma pessoa assim.
Deitei ao lado de Sasuke e abracei um travesseiro entre nós, encontrei os ônix dele e sussurrei. — E o que faço pra mudar?
— Não mude, só tome cuidado com aqueles que, possivelmente, querem te fazer algum mal.
Dei de ombros e bocejei. Só consigo ver o lado bom das pessoas... eu acho que isso explica muita coisa. A grade que minha mãe vivia e eu nunca percebi, meu pai fazendo-a de capacho e nunca reparei, o que mais eu passei despercebido sob meus olhos e considerei como algo legal ou bom?
Desgraça, eu sou uma trouxa! Quantas coisas eu já fiz pelas pessoas e não me importei? Com Ino, por exemplo, ela organizou por uma semana a campanha e todo o trabalho árduo, quem faz, atualmente, sou eu! Em alguns trabalhos que EU fiz, minhas duplas levavam apenas o nome!
Parece que tudo foi se clareando em minha mente, uma dose de realidade tomou minhas vistas e parte de ocorridas recentes, passaram a ser um filme de terror onde a Sakura Flamingo Haruno era a protagonista. Eu poderia estrear algum filme do tipo... O Diário de Uma Banana Sentimental. Seria um sucesso.
Bufei e ouvi-o mudar de assunto.
— Por que medicina?
— Por que eu?
Nos olhamos e lancei a proposta: uma resposta por uma pergunta. Animada com aquele jogo, sentei-me e coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, sorri e contei.
— Quando eu era pequena, lembro que fui à casa de uns amigos de meus pais e um dos filhos deles se machucou e eu arrumei o curativo do coitado, aí ele perguntou...
— “Você quer ser médica?” — Concordei e olhei para Sasuke que estava pasmo.
— Como você...?
Aí, a ficha caiu.
Enquanto Sasuke, pela primeira vez nessa vida, eu penso, gargalhava, eu ficava tentando me lembrar da cara daquele moleque desengonçado e do nome da família.
— Era você?
— Você não lembra? — perguntou já mais calmo.
— Só me lembro do joelho ralado e inspiração para a Medicina.
Sasuke me olhou e balançou a cabeça, negando.
Já pode surtar. COMO ASSIM EU CONHEÇO SASUKE DESDE MEUS, SEI LÁ, QUATRO ANOS!? Isso não tá certo. Não tá certo, não! Ele deve ter deduzido o que houve e falado. Não, não creio. É muita informação para minha cabeça pequena.
— Sasuke, era você?
— O garoto que tentou dar uma de macaco e caiu do galho da árvore e depois foi ajudado pela menininha que limpou o arranhão e passou um remédio?
Eu bati no ombro de Sasuke inconformada. — Como sabe disso?! Não era você!
— Era sim! — Admitiu rindo um pouco. Não estou reconhecendo Sasuke Uchiha de jeito nenhum, o que aconteceu com ele?! Ele ta rindo! — Não lembra que naquele mesmo dia, você abraçou Itachi e disse que ia casar com ele?
Lembro de minha mãe ou meu pai, não sei qual, ter dito algo do tipo no sábado, quando Sasuke almoçou lá em casa e me deu as aulas particulares. Se bem que agora faz sentido meu pai ter saído da mesa murmurando que eu ainda era a menininha dele e os risinhos de Mebuki, ambos já sabiam que estávamos juntos. Meus pais são uns safados.
Será que isso também foi obra de Murphy e do Tio Ohm? Essa sucessão de fatos que levaram onde estou hoje, com quem e com todo esse abalo emocional estampado em minha face?
Será que o Destino não está mostrando as cartas e me dando uma lição? Desgraça, faz sentido.
— Vocês se mudaram? — Não lembro da casa de ontem ser a do garoto que caiu.
— A casa passou por algumas mudanças.
Meus olhos subiram para o teto, almejando ver o céu e qualquer força que estivesse comandando aquela situação. Uau, parece que tudo está se encaixando em minha vida.
— Sua vez. — Sasuke dobrou as pernas e franziu o cenho, pensando. Já estava desistindo de esperar sua resposta quando ele respondeu:
— Na primeira aula você já se destacou com toda a história do grêmio.
Alguém se esqueceu do bafafá que Ino fez para que nos candidatássemos de novo? Me maquiar e arrumar meu cabelo, falar sobre meu curso e todo aquele rolo que envolveu aquela fatídica segunda-feira.
“Depois na festa de Yahiko, você estava adorável perdida naquele sofá, minha única intenção era conversar com você, mas...”
Aquele momento que se percebe que precisa urgentemente de um psiquiatra porque é neurada demais, como eu pensei que Sasuke fosse me estuprar?
— Você meio que deu uma brecha para que eu tentasse algo.
— Iria acontecer?
— Não.
— Ahh. — A pena e o desgosto em minha entonação, além de minha expressão totalmente desconsolada causaram um sorriso de canto surgir em Sasuke antes de me recompor.
— Naquela semana percebi que me evitava, achei graça de seu medo que me aproximasse e depois mandei uma ou duas indiretas, nada demais.
— O cupcake rosa? — Concordou e sorriu. — Eu não sou cu doce.
— Não, só um pouco nectarina.
É sério, eu vou mandar Sasuke tomar na culatra dele, do nada ele resolveu ser comediante, já vou mandar fazer stand-up. Revirei meus olhos e ouvi-o.
— Aí aconteceu.
— Como diria Hazel Grace “Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra.”
Augustus Waters, para sempre vivo em meu coração. Nossa, chorei horrores no final daquele livro, meu Deus, no filme então? Caramba, o “okay” final abalou meus nervos mesmo.
Sasuke ficou me olhando e então revirou os olhos. — Você já leu ou assistiu a Culpa é Das Estrelas, né?
— Sempre dormi pela metade, muito chato.
Olhei para o lado e sorri maliciosa. Sasuke entregou o ouro para o ladrão, e como uma boa tirana eu vou comprar muitas jóias com isso:
— Eu assisti com Sasori e ele adorou.
O bufar dele e o remexer do corpo foram o grito de um homem com ciúmes, olhei para Sasuke e vi-o respirar pela boca e com o cenho franzido, perguntar:
— Por que ficou com ele?
— Fácil, porque na época eu acho que não estava certa de meu juízo. — Continuou com a cara de mal que só Sasuke Uchiha tem, mas eu vi o peito dele expirando e seus ombros relaxarem. — Ele é muito chato, era meloso demais, não me dava espaço pra nada e o pior: tentou arrancar minha calcinha de ursinhos com os dentes!
Essa história da calcinha já é de praxe, mas relembrar é sempre bom.
Molhei meus lábios e mordi o canto pensando em alguma coisa para perguntá-lo, sem nada em mente de suma importância, lembrei de um fato que eu precisava me redimir e nada melhor do que o oportuno momento, e tendo conhecimento de algumas coisas graças a Sasori, eu preciso agradecê-lo!, me aventurei a fazer aquilo.
Aproximei-me de Sasuke e o beijei. Deitei-me ao seu lado e juntei um pouco nossos corpos, apertei os cabelos de sua nuca e escorreguei a mão por suas costas, sentindo todos seus pêlos, sua pele quente e seus poucos, mas presentes, músculos.
Minha carta de alforria pelo peso do arrependimento em minhas costas, por aquele sábado, naquela banheira e naquela ligação.
Subi minha palma para o rosto dele e passei meus dedos sentindo sua mandíbula quadrada, seus olhos fechados, sua sobrancelha. Dei-lhe beijos pelas partes que minha mão antes passava e voltei ao beijo, após retomar meu fôlego. Escorreguei minha mão pela lateral de seu corpo. Ombros, bíceps, cotovelo, mãos. Dedilhei meus dedos por seu tórax e percorri o cós de sua calça.
Seu corpo se moveu em reprovação. Parte de mim entendia seus motivos para negar algo desse nível entre nós, era cedo e ele queria que eu me sentisse pronta para tal ato; e a outra queria ignorar os pensamentos nervosos que ele não me queria.
Desloquei-me para a sua mão que queria me afastar, entrelacei nossos dedos e afastei nossos lábios, sussurrando um “fica quieto” sôfrego e sem ar. Olhei-o, Sasuke percorria meu rosto com seus ônix e aparentava inquietação, sorri e acariciei seu rosto. Relaxa. Murmurei inaudível. Sasuke sorriu de canto e dessa vez, me beijou.
Aproveitei sua trégua para fazer o que eu queria. Acariciei seu torto e desci para sua calça, passei meus dedos por sua região íntima e senti alguma tensão ali. Coloquei-me dentro de sua peça de roupa e passei minhas pontas por cima de sua cueca, arrastei minhas unhas e ouvi-o murmurar contra minha boca.
Nos afastamos de novo. Desci meus beijos por seu pescoço alvo, escorregando meus dedos para seu cós e usando ambas as mãos para descer a calça o suficiente. Tirei todas suas peças de uma vez. Meu corpo parecia ter pressa.
Beijei-o enquanto envolvia-o em minha mão, estimulando-o.
Descolei nossos lábios vendo-o fitar-me curioso, empolgado e rumado sua satisfação.
Sasuke não me deixou em branco, afundou-se em meu pescoço deixando rastros de beijos e mordidas, caminhando até meu ombro enquanto eu ainda o tocava. Ele desabotoou agilmente um botão da blusa, o suficiente para se aproximar da polpa de um de meus seios, beijando ali, tendo seus sons abafados por meu corpo.
Sua mão apertou meu bumbum e essa mesma desceu para minha perna, jogando-a por cima de seu quadril.
Pressionei um pouco minha mão que o envolvia, ocasionando em um urro em minha garganta o qual foi música para meus ouvidos. Fechei meus olhos e acelerei os movimentos de minha mão, levando Sasuke ao seu nirvana aos poucos.
O que eu não esperava, ou sim, era que ele fosse tomar-se de mim na mesma proporção que eu o fazia.
Sua mão invadiu minha calcinha e senti-a percorrer toda minha extensão, conhecendo cada parte e regozijando de meus arrepios. Um ruído escapuliu de meus lábios assim que ele pressionou e movimentou-se sobre meu clitóris.
Meus olhos reviraram e meu corpo foi entregue ao deleite que ele me dava conforme eu o retribuía.
Ele aumentava, eu também. Ele dava um passo mais ousado, eu me atrevia.
Senti um de seus dedos escorregarem para dentro de mim, eu não queria só um dedo eu queria aquilo que eu segurava! Usando minha outra mão, esquecida até o momento e em posição desconfortável embaixo de meu corpo, acariciei suas bolas e então a glande de seu órgão.
Ele me xingou e eu sorri.
Meu corpo delirava em êxtase pelo que ele me fazia, era uma vingança, uma vingança doce e prazerosa. Meu quadril se inclinou um pouco, eu estava quase lá e pela sua pulsação mais acelerada, ele também.
Tomei-me seus lábios em um grito íntimo de que era quase, chamei seu nome e recebi o meu de volta.
Seus dedos movimentaram-se mais, circundando por meu íntimo e explorando aquela área em um último desejo, seu polegar pressionava meu botão, impulsionando-me a meu ápice. Minha mão trabalhava arduamente em si e os ruídos discretos de seu pescoço eram a prova que fazia certo.
Segundos depois de ele se derramar em minha mão, fiz-me nele.
Meu corpo relaxou no mesmo momento e o bel-prazer, era maravilhoso.
Olhei para Sasuke e o vi de olhos fechados respirando pesadamente. Satisfeita com meu feito, fui para o banheiro matar a vontade de fazer xixi, lavei minhas mãos e me encostei à bancada.
Sorri para meu reflexo e vi a imagem inédita de uma garota radiante e que estava disposta a mudar, a crescer.
Voltei para o quarto e deitei-me ao lado dele, abri o cobertor e nos cobri, resguardando-me em seus braços.
— Você tem que parar de me surpreender.
— Eu tenho meus surtos. — Respondi desenhando um coração imaginário em seu tórax.
— Tenha mais vezes. — Ri e lhe dei um beijo na bochecha.
— Obrigada.
Sasuke se virou para meu lado e me abraçou melhor, aquecendo-me.
Fechei meus olhos e lembrei: quem precisa ir para a aula quando já se está com o professor, certo?
Cruzei minhas pernas na bancada e tirei a tampa de uma das panelas, vendo o molho de tomates com ervas que ele fazia para almoçarmos, Sasuke abriu uma gaveta, pegou uma colher de chá e pegou um pouco do molho, assoprou e pôs em minha boca.
Estava bom, ele sabe cozinhar mesmo, não era mentira.
— Um pouco mais de sal.
Ele virou a colher e colocou o cabo no molho, assoprou e abocanhou a outra parte, franziu o cenho e negou, pegou o pimenteiro e moeu mais, acho que muito.
— Agora ta com muita pimenta. — Palpitei, tendo meu palpite jogado por água abaixo junto a colher na pia.
Fato sobre Sasuke Uchiha: ele é tão chato quanto minha mãe na cozinha e possui hábitos muito ocidentais de alimentação, pelo que vi de sua geladeira. Nuggets de frango, hambúrgueres e muito, muito tomate, macarrões, pães e queijos. Ele é estranho.
— Você vai ficar enorme com essa alimentação. — Murmurei pegando um macarrão que escorria próximo a mim e comi.
Sasuke estalou a língua no céu da boca e se aproximou de mim, encostando-se no balcão que estava sentada:
— Cínica.
Gargalhei e dei de ombros. Ele voltou a concentração para o tão precioso molho e eu juro que vi suas orbes brilhando pela quantidade absurda de tomates que ele cortou e cozeu. Desci da bancada e abracei-o pela cintura, encostando minha cabeça em suas costas.
Assim que eu acordei, depois daqueles momentos maravilhosos de êxtase, recordei-me de que ainda precisava convencer Mebuki a jantar comigo e com meu pai, conversei com Sasuke sobre como fazer isso enquanto vasculhava seus armários procurando o tal macarrão que ele pedia. E agora, depois de juntar o útil ao agradável, penso que encontrei a solução para fazê-la vir conosco sem pestanejar.
— Você vai junto. — Disse com o rosto ainda em suas costas.
— Hm?
Fiquei ao lado dele e iniciei minhas apelações: — Isso tem cara de estar muito bom, mas sim, você vai com a gente, já vamos comer?
— Disserte, Sakura.
Pensei que ele fosse professor de Física e eu não precisava dissertar em nada, cocei minha garganta e andei pela cozinha fazendo um coque em meus cabelos.
— É, por favor. Se você for, Mebuki vai entender que é apenas uma tentativa de meu ciumento pai para conhecer meu namorado melhor.
Virei meu corpo para ele e dei de ombros mordendo meu lábio. Desgraça, eu só falto tirar a roupa. Sasuke, aceite e não pergunte.
— Eu já falei com seu pai.
— Hoje não conta.
— Na reunião mesmo, pedi para ele não te dizer porque queria que você contasse a ele e sua mãe. — E deu de ombros.
Eu vou mandar Sasuke tomar no meio da rabiola dele, tô brincando não. Cruzei meus braços e bati meu pé no chão, eu estou parecendo aquelas garotas metidas que exigem explicações do namorado e por um lado eu SOU uma que exige explicações!
— É sério, qual o seu problema?
Ele me olhou rindo e ergueu uma sobrancelha. — Tá começando a ver os defeitos das pessoas, Sakura?
— Vai tomar no cu.
— No seu?
Sasuke Uchiha está irreconhecível, seja lá o que eu tiver feito à ele que o deixou com esse fogo todo eu me arrependo amargamente. Cínica. Mãos e libido, seus vagabundos descontroladores de corpos e sanidade.
Revirei meus olhos e vi o sorriso sacana que surgiu em seu rosto. Desgraçado.
— Responde, Uchiha, se você for, pode ser um às na manga caso Mebuki recuse.
— Onde será?
— Não sei, talvez ao “375”, eles adoram a comida de lá.
375 é um restaurante freqüentado basicamente pela elite de Konoha. Situado no 40° andar de um prédio executivo, o 375 possuí vista panorâmica para toda cidade de Konoha, além de um ambiente bem íntimo e descontraído, cartela de vinhos privilegiada – todos do Porto – e seus chef’s são “abençoados” pelo Michelin. É um restaurante caro demais e com comidas maravilhosas.
Sasuke se virou e concordou.
ISSO!!!!!!!! Agora nada pode dar errado! Mebuki vai com a gente sim! Na hora que eu falar que é um jantar que Kizashi pediu para que conversassem com meu namorado, ela vai se apiedar de Sasuke, porque sabe como meu pai é chato com essas histórias de interrogar os pobres coitados que se aventuram em se relacionar comigo, e então nós vamos para o restaurante. Lá, eu e Sasuke vamos ficar por pouco tempo e então vamos embora, deixando os pombinhos se acertarem.
— Você tá conspirando de novo.
— Claro que tô! — Vibrei dando pulinhos, passei meu plano infalível e o que recebi foi um franzir.
— Quer saber as probabilidades de dar errado? Levando em consideração nós estarmos lá, seu pai querer me quebrar ainda mais, sua mãe estar puta e você conspirando?
— Não.
— Ótimo.
— Ajuda, Sasuke! — Choraminguei, me aproximando dele. — Ah, o que falou com meu pai?
— Tsunade me chamou para conversar com ele, contei tudo que acontecia, ele me perguntou se era mesmo sério e meio que concordei e fim.
— Você tá estranho hoje.
Estalou a língua no céu da boca, de novo. Ele tá estranho. Decidi não permanecer no assunto e dei-me por vencida.
— Vai de smoking.
Murmurei dobrando os pés no chão e sorrindo fechado, Sasuke passou as mãos no rosto e balançou a cabeça, tá legal, ele ta estranho. — O que houve, meu amor? — Perguntei pegando em seu ombro, uma hora ele tá o rei da comédia e na outra a depressão bate. Até parece uma moça de TPM. — Do nada você ficou estranho, meio nervoso, sei lá.
Seus ombros estavam tensos, ele estava nervoso e, como uma pessoa preocupada, eu queria saber o que havia acontecido.
— Nada. Vamos almoçar.
Almoçamos duas da tarde, no mais completo silêncio e em minha inquietação com mais um ponto para tirar meu sono.
— Onde estava? — Perguntou Mebuki passando os olhos por meu corpo assim que fechei a porta de casa, tirei meu sobretudo e deixei no cabide, tirei minhas galochas e respondi-a.
— Com o Sasuke.
— Fazendo o quê?
Ela não precisa saber então resumi ao momento menos entusiasmado de meu dia: — Conversando.
A loira concordou e cruzou os braços, encostou-se no arco de entrada para a sala de TV e entortou a boca, franziu o cenho e não teve coragem de perguntar o que eu já sabia.
— Ele tá arrependido, mãe. — Mebuki fechou os olhos, respirando fundo. — Ele está mesmo arrependido, eu vi nos olhos dele e é verdade.
Ela se aproximou e acariciou meu rosto, deu-me um beijo na testa e me abraçou, afagando meus róseos.
Isso é algum tipo de pedido de desculpas? Que ela sente muito, mas vai fazê-lo?!
Não! Não! Não!
Afastei Mebuki e sorri: — Ele nos chamou para jantar hoje.
— E foi, foi? — Perguntou rindo.
— Sim, vamos?
— Não, Saky, já tenho planos para minha noite.
— Que planos? — Franzi, ela sorriu e deu de ombros. — Não, mãe! Sasuke também vai! Ele descobriu que nós estamos juntos, digo, ele já sabia, mas agora quer fazer aquele interrogatório, sabe?
Respirou fundo e retrucou:
— Sei sim.
— Vai?!
— Vou, ao menos agora não tenho medo de interromper seu pai.
E se virou caminhando para as escadas.
Sabe o que é uma criança feliz? Sou eu. Vai dar tudo certo! Eu tenho fé que vai! Sei que tudo vai melhorar e não será preciso uma separação! Eu sei que sim!
Sorri e fui para meu quarto vasculhando minha mochila em busca de meu celular, quando o encontrei liguei para Sasuke. Seu silêncio foi a resposta que me ouvia, fechei a porta e dei um gritinho baixo pulando para minha cama.
— Ela aceitou! Vou me arrumar, quero estar linda, vai ser nosso primeiro encontro, né?
Não, mas sim, talvez, sim e não, eu acho. Será com meus pais, mas não por tanto tempo, então acho que dá pra deduzir como um sim.
Enfim, só sei que tô ansiosa.
Deixei um tufinho no alto de minha cabeça, amarrando duas mechas atrás e deixando meus cabelos soltos. Estava bonita. Um vestido preto rente ao meu corpo sem mangas e gola alta, saltos medianos estilo Valentino, pulseiras prateadas e ajustáveis ao meu pulso e brincos delicados e pequenos.
Ouvi a campainha tocar e meu celular vibrar na penteadeira, era Sasuke e eu o ignorei legal.
Voltei a minha maquiagem e depois de fazer o trabalhoso contorno, esfumei meus olhos com a maquiagem preta a qual destacava meus verdes.
Bateram na porta e então entraram. Vi-o pelo reflexo, Sasuke fechou a porta e encostou-se nela, pôs uma mão no bolso e sorriu de canto, observando-me.
— Melhor?
Ele resmungou e sorri, estava sim.
Não passei o batom, levantei-me e abri meus braços:
— Tô gata?
Seus olhos analíticos vagaram por todo meu corpo, dos pés a cabeça, e um sorriso surgiu em seus lábios e foi aquele que me fez sorrir de volta e me aproximar para beijá-lo.
MAS AÍ, NÉ?! Eu tô em casa, com meus pais e resolvo de beijar meu namorado, é claro que não ia dar certo. Nossa, que estúpida eu sou! Concordo, você ainda é você e Sasuke ainda é Sasuke.
— Vamos? —Kizashi forçou a porta, mas como Sasuke estava encostada nela, não abriu de primeira. — Por que a porta ta trancada?
E Sakura Flamingo Haruno entrou em ação! Corri para a penteadeira e fiz minha melhor pose de “nunca saí daqui, não sei o que tá havendo e nem toquei em Sasuke”.
— Estava encostado a porta, senhor Haruno.
— Por que fechou? — Questionou a Sasuke.
— Força do hábito.
— De fechar a porta do quarto de uma garota?
— Chega, Kizashi!
OLHA ELA!!!!!!!!!!!!!! Mebuki invadiu a cena divando, sério, minha mãe nunca esteve tão deslumbrante, muito provavelmente ela quer, como diria a brasileira, sambar na cara de meu pai.
Usava uma saia midi branca de renda, uma blusa azul lisa com um maxi colar prateado com pedras ônix, diversos anéis e um salto baixo preto com branco, uma bolsa de ombro preta, maquiagem leve com os olhos escuros delineados em uma sombra marrom com rosa.
Meu pai ficou calado no instante que a viu, passou os olhos pelo corpo da esposa e ergueu as sobrancelhas. Só faltava alguém colocar um papel nas costas dele escrito em negrito e em caps lock: TROUXA , combinaria com meu pai.
— Vamos?
Mebuki saiu na frente e foi seguida pelo marido, que fixou os olhos no quadril avantajado da esposa e eu? Quando os perdi de vista eu gargalhei cantando vitória.
—Viu?! Se ela não se importasse não teria feito tudo isso! Ela gosta dele! Só quer dar um susto para fazê-lo melhorar.
Sasuke deu de ombros e passou pelo batente, peguei um batom matte claro, já que meus olhos estavam escuros e preciso balancear minha roupa, meu celular e desci ao lado dele.
— Eu vou com Sasuke.
Acenei para meus pais sorrindo e puxei o moreno pela mão quintal a fora, atravessamos o jardim e parei na porta de seu carro. Só faltava eu ter quebrado meu salto, aí sim eu me consideraria uma pessoa azarada, batizada no sangue de Murphy e Ohm.
Sasuke abriu minha porta e entrei, cruzei minhas pernas e observei-o dar a volta no carro e entrar no motorista:
— Vai dar certo?
— Não sei.
— Sasuke, eu não quero que meus pais se separem. — Garanti e determinada, continuei. — E eu vou fazer o possível essa noite, entendeu?
Ele respirou fundo e me olhou como quem gritava que tenho problema, mas caramba! Eu tô loca hoje! Já chorei, já ri, já gozei, já dancei no chuveiro, já conspirei, já bolei plano mirabolante e a meta da noite é: reconciliar meus pais!
Sasuke ligou o carro e me olhou, atravessou meu corpo e puxou a faixa do cinto de segurança, prendeu na trave e me olhou com uma sobrancelha arqueada.
— Falta de costume? — Argumentei.
O carro que meus pais estavam saiu da garagem e o seguimos. No meio do caminho o telefone de Sasuke começou a tocar, conectado ao telefone do carro acabei por ouvir toda a conversa.
— Boa noite, Sasuke, já resolveu se vai aceitar ou não?
Os olhos dele caíram para mim e então voltaram para a pista. — Não, professor, eu não quero.
Meu instinto de conspirar entrou em ação, como de praxe, será que ele havia recebido uma proposta de trabalho pós-faculdade? Ou se destacou tanto que vai realizar algum projeto em nome da Konoha University? Sasuke é bem inteligente, é capaz de que seja a segunda opção, todavia, contra minha curiosidade permaneci calada naquele termino de conversa e nos momentos seguintes.
Reparei que Sasuke havia ficado mais agitado, como à tarde, logo após termos dado mais um passo, o resto do caminho ele suspirava, xingava o trânsito, estalava a língua na boca e passava uma das mãos no cabelo. Em circunstancia daquilo, eu me vi preocupada, muito preocupada.
— Sasuke... — Chamei-o, murmurou acalmando-se, virei meu rosto em sua direção e perguntei. — Tá tudo bem?
Ele nada me respondeu por um tempo e o silêncio voltou a estabelecer no carro. Depois o bonitão vem dizer que não é defeito e sim mais uma parte de seu modo de viver, isso é muito frustrante! Vou fazer uma greve de minhas palavras também e ver o que ele acha disso, provavelmente vai adorar o silêncio.
Girou o carro na entrada do prédio e parou em frente ao valet, Sasuke me impediu de sair e me virou, roubando-me um beijo. — Não é nada. — E desceu do carro, jogou a chave para o manobrista e abriu a porta para mim. Ele não queria continuar no assunto e eu não iria forçá-lo a me falar algo, só que aquele sentimento de inutilidade e insegurança me tomou de novo.
Parecendo ler minha mente, ou algo relacionado, Sasuke me abraçou e cochichou:
— Fica tranqüila.
Eu não iria ficar tranqüila, mas concordei.
Encontramos meus pais, fomos para o restaurante no último andar, sentamos e fomos atendidos.
Foca no plano, Sakura.
Eu estava disposta a focar meu corpo e alma em minhas táticas infalíveis de juntar meus pais, mas... Akemi e Itachi resolveram aparecer e sentar-se à mesa atrás de meus pais. ATRÁS!
Cutuquei Sasuke e ele me cutucou de volta.
Akemi e Itachi estavam entretidos conversando, afundei-me na cadeira e rezei para que meus cabelos exóticos não chamassem a atenção deles.
Meu pai começou a falar e Sasuke responder, quando meu pai abusava, Mebuki intervinha, Sakura se desesperava e tornou-se um ciclo vicioso.
Olhei para Akemi e Itachi, procurando algum lugar mais interessante do que a conversa sobre a faculdade de meu namorado, e arrependi-me amargamente ao fitá-la me olhando maliciosa e levando um pobre dango a boca e comendo... coitado do dango.
Olhei para Sasuke e o vi franzido olhando para meu pai, ou melhor, para Akemi chupando uma bola doce logo atrás dele com um Itachi retardado rindo igual demente.
Eu mereço.
O jantar foi só isso, meu plano foi por água abaixo quando minha mãe se restringiu a conversar apenas comigo e Sasuke, trocando poucas palavras com meu pai, e não, eu pensei que ela fosse ser mais simpática, minha mãe é simpática, mas não tive capacidade de lembrar que no momento ela está PUTA com meu pai.
— Vocês lembram que ele é meu professor, né? — Ambos me olharam com raiva e sim, eu apelei para a briga conjunta com apenas um alvo em comum. Deu certo? Deu.
Reclamaram, completaram as frases um do outro, disseram que fomos – sim, Sasuke também ouviu – imprudentes, se decepcionaram com meu feito, que jamais pensariam que eu faria algo assim e ainda ouvi minha mãe, já alterada pelo álcool, exclamar.
— Caralho, Sakura! Você vai ter histórias pra contar pra seus filhos, eu queria ter namorado algum professor.
— Mebuki, isso é uma intervenção.
— Ahh Kizashi, você é muito chato.
Por um mundo onde pais bêbados ficam legais, amém.
— Além disso — Continuou, olhando-o, sim, pela primeira vez, uma vitória! —, ele vai embora, deixe eles aproveitarem.
— O quê? — Os dois me olharam com os olhos arregalados, voltaram-se à Sasuke e desviaram o olhar. Se não estivesse tão nervosa e com medo do que aquilo significaria, eu até comentaria algo sobre a sincronia estar relacionada ao amor, mas eu só processava “ele vai embora”.
Sasuke respirou fundo e cochichou: — Podemos conversar em outro...
Não deixei-o terminar, me levantei e saí vendo pelo reflexo das janelas que ele me seguia, subi algumas escadas e fui para o terraço do restaurante, onde haviam algumas cadeiras e mesas vazias para horário de almoço ou os desventurados por um vento na cara.
Cruzei meus braços e olhei para ele, esperando-o explicar.
— No começo do semestre, um professor me inscreveu em um programa na Faculdade de Stanford, com experiência no Silicon Valley, eu consegui.
A história se repetia. Sasuke e eu namorando, ele consegue uma oportunidade no exterior, isso não lembra nada?
— Uau. — Exclamei, nitidamente chocada.
Como não pensei nisso? Ele é muito inteligente, aparenta se destacar nas aulas, apesar do estágio totalmente nada a ver, é claro que uma oportunidade assim iria aparecer! Além de que é fluente no inglês e no japa, a língua materna.
Então, ele vai terminar a graduação com um extra de uma faculdade renomada americana, vai trabalhar para a Apple e ser o próximo Steve Jobs e ter vários filmes e um ator gostoso o interpretando... será que eu vou aparecer?
— Para de conspirar.
Sai de meus sonhos e vi que ele estava perto de mim, tirou seu blazer e colocou em meus ombros, aquecendo-me.
— Eu não vou.
— Por quê?
Ele olhou ao redor e deu de ombros, negou e colocou as mãos no bolso da calça, observando a vista de Konoha por aquele ângulo.
— Há quanto tempo sabe?
— Sexta.
Levantei meu rosto para Sasuke e vi seus ônix escorregarem para os meus verdes. Ele me pediu em namoro sabendo que poderia ir embora? Isso não é tortura pra mim?
— Por que me pediu? — Olhei para o anel discreto em minha mão e observei a de Sasuke envolve-la para em seguida, responder.
— Porque eu sei que se eu fosse, sua insegurança iria gritar que eu apenas te usei e eu não quero que pense isso, Sakura.
—Você vai. — Afirmei. Ele bufou e disse:
— Se eu fosse.
— Não, Sasuke, você vai! — Voltei a dizer. — Você precisa ir! Não tem nada aqui que te prenda, uma chance dessa não caí do céu quando se quer. Sasuke, você tem talento, muito, não perca isso.
— Sakura...
— Não! — Lágrimas caiam por meus olhos, mas não eram de tristeza: eram de orgulho. Orgulho dele conseguir isso, orgulho de mim por pisotear meu medo e insegurança, orgulho de superar esses demônios que imergiam minha família. — Você vai, sim!
Ele abriu a boca para dizer algo, mas o empurrei, tirei meu anel rindo e coloquei na mão dele: — Nada te impede! E sim, eu tô terminando com você.
Sasuke sorriu largamente e me abraçou. — Obrigado, Sakura.
Apertei-o contra meu corpo e sorri.
— Agora me diz, como eles sabiam?
— Meus pais devem ter dito. — Supôs.
Concordei e apalpei os bolsos do blazer dele, encontrei seu celular e entreguei-o. — Apesar de aparentar certeza quando negou, no carro, eu vi que ainda estava nervoso, anda Sasuke, liga e aceita, dá tempo.
Agora fez sentido todo o estranhamento dele, o nervosismo repentino depois que tomei aquela atitude e todo o resto, ele estava confuso quanto à proposta. Observei-o caminhar falando ao celular e então rir, agradecendo se aproximando de mim.
— Isso explica muita coisa, né? — Seu franzir foi o sinal que precisava. — De manhã e a tarde, você estava estranho.
— Eu não sabia como te dizer isso e depois você piorou minha situação. Caralho, Sakura, eu me importo com você.
Concordei, o abraçando de novo. — Você vai arrebentar em Palo Alto, Uchiha.
Haviam muitas dúvidas sobre essa viagem que eu queria saber, mas em outro momento eu as tirava, agora eu só queria ficar com ele.
— Quando vai mesmo?
— Semana que vem.
— Depois das provas? — Assentiu e eu só pensei nas provas, tomando a forma de Presidente responsável do Grêmio. — Como vai corrigir tudo a tempo?
Ele me olhou e soltei meus ombros olhando para o céu. Eu sou muito boa mesmo.
Sasuke enlaçou minha cintura e apoiou a cabeça na minha. — Vai voltar, não vai?
— Sakura, aqui é meu lar, tudo que eu aprender eu vou trazer para cá, meu pai tem uma empresa disso, lembra?
Sorri e apertei-o já sentindo falta dele, mas aí me lembrei de como gosto de nos designar: fogo e gasolina. Eu a gasolina, quando jogada não causo efeito algum, mas ao juntar-me com o fogo alastra-se por todo lugar, derrubando muros e paradigmas, perdurando a flamejar.
Porque eu era como a gasolina, bastou um pouco de seu fogo para me incendiar por completo e causar uma combustão total.
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