Gasolina
22 Conhecimento Extra
Notas iniciais
Não obstante meus pais estarem se separando e meu ex-namorado cruzar o Pacífico em uma semana e meia, naquela Terça-Feira, além de ter perdido aula por acordar ao meio-dia, fui turbilhada com uma Mebuki caçando suas coisas pela casa e despejando em caixas e mais caixas de papelão, olhando-me receosa e anunciando: “Eu vou sair daqui, Saky”.
Primeiramente, eu não fazia ideia do que eu podia fazer. Impedi-la? Trancá-la em um quarto? Gritar ao mundo inteiro que eu não deixaria fazê-la tal coisa? Não. Eu demonstrei fraqueza, e o sentimento de que o mundo se desmoronava sobre meus ombros se apossava de meu corpo mais uma vez.
E ali, no meio da sala, ajoelhada e de pijama, eu me permiti chorar todas as lágrimas que estavam presas. Pela situação de meus pais ser real, por minha mãe estar saindo de casa e por meu namorado (ou ex) ir embora. Eu queria mais que tudo ser forte, demonstrar que eu me importava, não estava tão abalada, não estava satisfeita! Eu queria que tudo isso terminasse de uma vez por todas!
Na real, eu queria que Sasuke ficasse. Que meus pais reatassem. Que o mundo voltasse a girar rosa e que tudo isso fosse uma tremenda de uma pegadinha.
Todavia, era a realidade sendo jogada em minha cara.
Apesar disso, eu sabia que tudo aquilo era necessário e por mais que doesse eu iria conseguir sair viva. Eu compreendia as razões de minha mãe de sair dali. Que escravo liberto quer continuar na senzala? Compreendia as razões de Sasuke perfeitamente. Compreendia o sentimentos de Kizashi. E os deixaria ir.
Doía? Como o inferno! Só que eu tinha que enfrentar de cabeça erguida.
Assim, enxuguei todas as minhas lágrimas, levantei-me e corri para abraçá-la, sussurrei em seu ouvido o quão orgulhosa e contente estava por toda essa atitude inesperada. De início ela se surpreendeu com minha sucessão de feitos, mas então, abraçou-me e murmurou:
— Eu estou muito orgulhosa de você, meu amor.
Foi como música para meus ouvidos. Aquela foi a consolidação que eu precisava para cair na real; que eu não era mais uma criança imatura e sim uma adulta. No fim daquele dia, ela foi embora, deu-me o endereço e disse que era provisório, apenas para pensar um pouco e encontrar um local fixo.
Meu pai não demonstrou reação alguma, se trancou no escritório e só saiu para me dar dinheiro para comprar alguma coisa para jantarmos, voltando em seguida.
O resto da noite foi azul. O silêncio e mais silêncio, o ar pesado e a tristeza pairando pelos cantos, se não fosse a ligação do Uchiha para perguntar como eu estava — ainda preciso saber onde Sasuke descobre tanta informação — e também me contar, a meu pedido, sobre a viagem.
Seriam seis meses morando na Califórnia, terminando a UK a longa distância, um curso de meio período em Stanford e outro meio período trabalhando em uma empresa no polo tecnológico do Vale do Silício. Questionei-o se conseguiria se virar em todos esses Sasukes e a resposta foi um resmungo para em seguida me mandar ir dormir, graças a aula do dia seguinte, e eu, cansada de todo meu dia perturbador, fui.
Quarta-feira foi um daqueles dias que se dá graças a Deus por estarem ali para te fazer sorrir.
Pra começar legal, minha mãe me acordou me ligando e contou como estava a organização do apartamento provisório, perguntou como eu estava e não questionou nada sobre Kizashi. Disse que já havia conversado com um advogado e não via a hora de assinar o divórcio. Ela estava feliz e não a culpo por compartilhar tal alegria comigo. Mas doía, caramba! São meus pais!
Desliguei a ligação e fui para a cozinha, meu pai me esperava para irmos tomar café e assim foi feito, em silêncio.
Já na escola, eu estava atrasada para minhas obrigações no Grêmio. Corri desesperada pelos corredores e invadi a sala, me deparando com uma cena um tanto estranha: todos estavam ao redor de uma cadeira rindo de algo, Naruto foi o primeiro a se virar e quando o fez ele gargalhou como nunca antes e isso chamou a atenção de todos ali.
— Sakura, você tem que beber mais vezes! — Tenten gritou.
— Quê? — Eu não fazia ideia do que diabos ela falava e não fazia questão de descobrir, mas eu fui batizada com o sangue de Edward Murphy, lembram?
— O vídeo de meu aniversário finalmente ficou pronto, vem ver! — Ino chamou-me rindo.
Sentada naquela cadeira, me olhando de forma maliciosa e pronta para foder meu dia, estava a rainha da sexologia, a moça que não fala sobre sexo, mas sim putaria, aquela que sempre tem uma camisinha de menta e lubrificante que esquenta na bolsa: Akemi Nakamura.
Uma lufada de ar e um passo tímido em sua direção. O que havia naquele computador em sua frente era o que eu me perguntava e ao mesmo tempo não fazia questão alguma de saber.
— O que houve?
— Na festa da Ino, o quanto você estava bêbada?
Tirando o fato de que eu não me lembro de NADA depois que a boate foi acionada, eu acho que muito deve estar nesse vídeo e alguma coisa está gritando em minha cabeça que a situação, agora, vai ser o ápice de minha vergonha.
A brasileira deu play no tal vídeo.
Eu dancei a coreana do Olá, Vadias? Eu abracei Sasori? Eu fui até o chão com HINATA? Eu rebolei ao som de Shakira?
Uma mistura de arrependimento, compartilhado com muitas gargalhadas, somada a uma porção de vergonha: era assim que eu estava. Ainda no vídeo, via-se os casais no labirinto malicioso de Ino, os professores conversando no bar, Kakashi acenando para a câmera, Sasuke com os amigos, Karin e Suigetsu, e o discurso de Ino posto em integra.
— Diz aí, Saky, quem fez aquilo em seu pescoço?
Minha mão foi para lá no mesmo instante, me lembrando das mordidas, dos beijos, de como ele abusava de minha líbido e toda luxúria. Daqueles momentos pecaminosos e delirantes, na segunda. Com os olhos ainda fixos na tela do computador, mordi meu lábio e imaginei como seria fazer sexo com ele e, wow, o que eu pensei foi suficiente para formigar tudo.
— Olha, eu acho que aquele labirinto de Ino deu em coisa, viu.
— Foi ninguém… — Não, eu não iria dizer que havia sido o Sasuke. — Como foram esses dois dias?
Ino, a vice-presidente, surtou. Reclamou que eu havia a abandonado e deixado-a fazer todo o trabalho, Karin perguntou se havia alguma coisa na limpeza, Naruto falou dos jogos que até o momento eu não havia ido em nenhum dos três e Neji comunicou que essa semana mais um estudante iria vir, dessa vez de Economia. E assim foram os comunicados, até que eu surtei.
— CALEM A BOCA! — Todos me olharam esperando-me dizer algo e ao dizer, foi um grito de alívio. — Fala sério, Ino! Você é a vice-presidente, esperava fazer o quê? Posar de bonitona e acabou? Saiba que a partir de agora nossas tarefas serão divididas. Karin, eu não faço ideia! É seu trabalho checar todas as dependências do colégio e procurar sujeira e tals. Naruto, eu tô abarrotada de problemas, tentarei ir no próximo jogo. Neji, você poderia, por favor, falar à Tsunade primeiro e depois à mim? — Bufei. — Mais alguma coisa?
Todos negaram, surpresos por meu ato. Confesso que eu também estaria se estivesse no lugar deles, afinal, quem era eu? A mocinha de cabelos róseos, presidente do Grêmio e que acata a vontade de todos de cabeça baixa.
Ri e coloquei meu cabelo para trás, satisfeita com tudo. Eu estava crescendo. Eu havia acordado. Essa era a novidade e eu não iria fazer de tudo para que aquela Sakura sem sal, quieta e submissa acordasse.
— Aconteceu alguma coisa? — Akemi perguntou encostada à minha mesa. Ela cruzou os braços, sorriu de canto e ergueu uma sobrancelha. Safada. Ela sabia.
— Não. — Garanti.
— Certeza, Saky? Você não parece estar muito bem. — Ino, preocupada, perguntou.
O silêncio na sala e a expressão de todos em cima de mim era o grito perturbador de preocupação. Hinata, de instantes em instantes, cutucava Naruto. Ela devia pensar que era algo relacionado a minha relação proibida com o professor. Karin estava de olhos espantados, ao falar de Karin é algo completamente imprevisível, então ela deve estar com algum plano mirabolante em mente, e pensando em Suigetsu. Temari apertava os coques e não demorou muito para gritar:
— PORRA, SAKURA, ACONTECEU ALGUMA COISA?
— Por que acham que aconteceu?
— Cinismo. — Tenten disse e trinquei os dentes.
— É… ela não vai contar. — Ino lamentou.
— Então aconteceu? — Neji perguntou.
— Claro! — Naruto respondeu.
— Meus pais vão se separar.
— Eu falei que tinha algo. — Ino vibrou, mas então olhou para mim, boquiaberta. — Céus, Saky! O que houve?
Informação demais não é necessário. Neguei e recebi um abraço apertado de Naruto, totalmente desprevenida. O pior disso é que Naruto tem a capacidade de me fazer falar qualquer coisa, desabafar com ele, chorar em seu ombro e aceitar seu abraço de boa vontade, então foi isso que eu fiz, o pior é que ele não precisa dizer nada.
— Minha família se desmoronava diante de meus olhos e eu não percebia, Naruto. — Sussurrei para ele, somente para ele. — Eu não posso fazer mais nada, minha mãe saiu de casa ontem, meu pai está arrependido, mas não age. — Ele me apertou e me deu um beijo na testa.
— Eles são adultos, sabem o que é melhor para eles e para você, Sakura. — Ele respirou fundo e franziu, mas então riu e se afastou. — RELAXA, SAKURA! NÓS VAMOS DEIXAR SEU DIA SUPER LEGAL, NÉ, GENTE?
— Super legal? — Shikamaru perguntou com sua força habitual que nos contagia.
Naruto coçou a nuca e franziu. — É… pode usar mais melhor… legal?
Rimos e ele também riu sendo abraçado por Hina que o respondia e apoiava o emprego do super. O indício de que teríamos uma manhã super legal de aulas foi dado pelo sinal.
Em fila indiana, saímos da sala e caminhamos para a sala de aula.
No meio do caminho, um braço cruzou meus ombros e Akemi ficou ao meu lado.
— Ele tá muito feliz. — Murmurou.
— Eu sei. — Disse sorrindo.
Eu confesso com todas as minhas forças que esperei Akemi sair da sala assim que entramos. Esperei ela falar com a gente uma última vez e então pegar o caminho da roça. Eu escolhi esperar! E quando eu o fiz… senti tudo tremer dentro de mim. Porque é como dizem: há uma linha tênue entre a voz de Akemi e a de Murphy e Ohm.
— Bom dia, turma! Eu fui chamada para dar uma aulinha básica de sexologia.
A turma gritou, e gritou muito. E em meio a essas vibrações, vieram junto propostas para serem abordadas nessa aparente aula. E sobre essas propostas… eu prefiro ficar calada.
Primeiro: Até onde eu sei, Akemi está se formando em Design, o que ela quer dando aula de sexologia? Pervertir esses pobres coitados?
— Isso é sério? — Perguntei a Karin que já digitava freneticamente no celular.
— Por que não? — Perguntou retoricamente.
— Karin? — Tornei a repetir, ela deu de ombros e se jogou na mesa para ouvir um áudio que o boca de peixe havia mandado.
A “aula” de Akemi começou com ela alertando sobre o uso do preservativo. E eu não faço ideia de que porra ta acontecendo aqui, se uma cabra entrasse na sala eu ficaria mais feliz, ao menos assim saberia que isso não passa de um sonho desgracento. Sério.
Dez minutos alertando-nos sobre o uso do preservativo e então a putaria começou, mas antes, atualizando meu e-mail descobri que havia um e-mail de Neji me informando que uma aluna do PRIMEIRO ANOS havia engravidado de um aluno do terceiro ano; já se viu o bafafá que isso deu, né? Na mensagem ele me informava que Tsunade havia requerido, urgentemente, algum instrutor que pudesse passar algumas informações importantes às turmas, e como Neji tem muito juízo, e Akemi se ofereceu for free, a digníssima diretora da escola aceitou a brasileira.
Segundo: Tsunade me deixa ficar com um professor, depois ela chama uma louca maníaca por seifukus rápida para agarrar os irmãos dos ex’s e que tem algum pacto com um físico e um engenheiro pra dar aula de SEXOLOGIA. Ah, o nome dela também tem poder. Em resumo, Tsunade deve estar namorando muito. Hm, Jiraya. Sempre soube que você colocava seus livros +18 em prática.
— Quem come quem? — Quem perguntou isso? Shino. Ninguém esperava, eu sei, nem eu.
Akemi franziu e viajou legal. — Olha, eu acho que a mulher que come o homem, porque meio que… — Ela levantou as mãos, fez um gesto para definir o órgão masculino e o feminino. — A mulher que vai — Sim, ela estava nervosa. Hoje chove! —, assim a v… Sei não, tio.
— Acho que entendi. — As pessoas estão se soltando nessa desgraça de aula, só pode. Hinata continuou. — Ao cara penetrar a mulher pode ser comparado quando você tá comendo. Você põe a comida na boca e come… — Ela ficou vermelha e se encolheu. — Eu nunca falei isso.
— É! Assim mesmo, Hina. Ta comendo direitinho, certíssima a senhora. — Akemi entrou em ação.
— Akemi! — Reclamou a Hyūga.
— O quê? — Colocou a mão no peito igual a inocente que ela se diz ser. — Você quer passar fome? Eu como pra não passar fome, sacio minhas vontades.
Malícia quem quiser, eu não tô aqui pra opinar.
Kiba gargalhou alto e se levantou indo pra frente da sala. — Mulher, eu te adoro. Continua.
— Continuo, mas o que você quer aqui?
— Ser assistente, sei lá. — Petulante é esse. Akemi sorriu e juntou as palmas, entrelaçou os dedos e os estralou em frente ao corpo, sorrindo maliciosamente.
Pra começar, a doutrina Akeminiana estabeleceu sigilo total a respeito desta aula. Alegando que é uma fã de minha turma, Akemi disse que não daria apenas aulas de prevenção à gravidez, mas como obter um sexo gostoso mexe cama e geme pela garganta— palavras dela -, disse também que, no final, daria dez minutos para fazermos perguntas. E assim começou.
Iniciou falando sobre a perda da virgindade.
“Não pensem que será o ápice da vida de vocês, o momento mais gostoso, orgasmos múltiplos e altos gemidos de satisfação, porque é horrível.” — morrer cabaçada passou a ser uma ideia maravilhosa, mas Akemi rapidamente tirou isso de minha cabeça. — “Na segunda vai melhorando, mais ou menos, na terceira mais, quarta também, aí chega na décima e PUTA QUE PARIU! Ó, arrepiei todinha.”
Não preciso dizer que minha vontade de morrer com o hímen intacto se foi tão rápido quanto o susto que levei de Akemi gritando.
A “aula” se seguiu. E enquanto isso acontecia, eu acabei por descobrir existe um líquido pré-ejaculatório, expelido pelos homens quando há muita excitação sexual.
— Eu não tenho. — Naruto gritou interrompendo Akemi.
Olha, eu nunca pensei fosse dizer isso, mas eu tô gostando das aulas da tia Akemi.
Akemi explicou que variava de homem para homem e que quando ele tinha, acontecia que era só com muito esforço.
— Muito. — Diretamente para mim. Na mira de meus olhos verdes. Assim, ó, feito um tiro bem certeiro! Sniper Akemiano. E por minha parte, apenas houve um master rubor do rosto, uma tremedeira nas pernas, as mãos suando, coração acelerado, lábios secos, sangue parecendo que iria estourar minhas veias e um sorriso amarelo seguido da conclusão de que ela me mandou uma direta camuflada de indireta. — Meu atual tem, agora o ex não… eu acho.
DESGRAÇA! Por um momento bem fracionário, eu pensei em levar como missão de minha vida descobrir isso. Imagina, eu de professora dando umas boas lições em Sasuke sobre o líquido pré-ejaculátorio dele, sensualizando recitando a Lei de Ohm e fazendo cálculos com a rola. Inspirador. Será que daria certo?
— Acorda, Sakura. — Pisquei e saí de meu devaneio. — Pensando em quê, moça?
— Nada. — Respondi. — Prossiga, por favor.
Na continuação daquela aula, também aprendi que esse tal líquido é transmissor de DST’s. Akemi resolveu dar a dica que eu acho que será útil pra um certo ser-humano dessa sala:
— Rapazes, pelo amor de Jesus, não, NÃO usem camisinhas fosforescentes.
— É tão legal…
— Não faça a piada do sabre de luz. — Hinata interrompeu Sai.
— Tá sabendo, hein, Hina? — Eu me senti na obrigatoriedade de me virar para olhar a Hyuuga se encolher dentro do casaco de Naruto, roxa de vergonha.
Karin, atrás de mim, bufou e falou: — Nada contra. Eu acho o máximo ver aquele negócio rosa ou verde saindo e entrando, parece até boate.
Vergonha alheia. Eu não queria, mas eu fiquei. Karin? Karin estourou a bolha de chiclete e voltou ao telefone. Olha, eu queria ser que nem ela, é sério. Deve ser tão legal falar essas coisas na cara dura sem ter vergonha, mandar nude pouco se lixando.
Falando em mandar nude, quando Sasuke estiver lá eu vou ter que mandar nude pra ele? Olha, porque eu não acho que tenho muita comissão de frente pra isso, prefiro minha saidera. Umas fotos no espelho meio que… parei. Não sou capaz disso.
Será que vai rolar sexo no telefone? Aquela vez foi legal.
— Você tá bem? — Akemi perguntou, estalando o dedo em minha frente.
— Na primeira relação, o hímen saí todo?
— Não. — Respondeu-ME. Sim, eu que perguntei. — Não. Só nas posteriores. Mas isso depende, porque algumas mulheres tem o hímem mais grossinho o que ocasiona em uma dor maiorzinha, outras mais fino e pode acontecer de que saia até mesmo na menstruação. Varia muito.
Adivinha quem ia perguntar como se sabe se é grosso ou fino? Sim! A otária aqui, mas não perguntei, não iria falar disso na frente de toda a turma, se bem que não acho que tenha como saber, na verdade tenho quase certeza.
E por uns minutos, enquanto a ouvia falar sobre pintos, pensei em como poderia ser minha primeira vez. Dolorida? Nem tanto? Prazerosa? 50 tons de cinza? Sasuke Grey? Sakura Steele? Bom, de acordo com o que Akemi disse acho que não… não vou gritar o nome de Sasuke aos cinco ventos, eu acho.
Estou cheia dos achismos, não gosto disso. Tô pensando seriamente em parar com isso e tomar atitudes, já estou farta de achar das coisas.
— Isso! — Foi sem querer essa vibração em alto.
— Gostou dos tipo parafuso, Sakura? — Olhei para Akemi tentando entender do que ela falava, e, infelizmente, isso só veio acontecer depois da seguinte oração dela. — Isso explica muita coisa, danadinha.
Mamãe mandou eu escolher esse daqui, mas como eu sou teimosa eu escolho esse daqui. Abacaxi, xi, xi. Maracujá, já, já. É isso, vou pular da ponte e testar a potência do impacto e a velocidade em que caiu. Morrendo em nome da Física, mereço ser honrada em meu leito de morte.
Terceiro: não suficiente em Akemi estar dando essa aula, que até o momento foi muito eficiente, sejamos sinceras, ela está me dando dicas, na cara dura, sobre o ex dela, meu ex também, meu atual professor. Que lindo.
Informação importante: — Como é um parafuso?
Ela riu e explicou que é um pênis que da cabeça ao “pé” tem a mesma espessura, é ótimo para todas posições e…
— Olha é dez.
— Yes! — Eu vi Lee de meu lado vibrando com isso, ele reparou que eu havia visto seu momento festeiro, nem um pouco envergonhado por ter me aberto sobre seu pênis, falou. — Funciona bem. — E eu jamais esperaria algo do tipo vindo de Rock Lee. Cada vez mais me surpreendo com o que está acontecendo com esse povo nessa aula.
Akemi falou de mais alguns dois tipos, não muito agradáveis, e então deu pra cochichar sobre posições.
Sua introdução iniciou-se com uma breve explanação sobre as posições que dão mais prazer ao casal, disse umas cinco e então começou a pontuá-las, começando por “De quatro”.
— É aquela básica que todo mundo sabe. A mulher fica de quatro e o homem tem controle sobre as estocadas e todo o ato. Eu, particularmente, adoro essa porque eu me sinto glamurosa ali, sabe? Desejada.
— E também o cara dá uns tapa, né? — Karin se juntou, agora deu.
— Sim! Meninas, por favor, empinem a bunda de vocês! Popô na lua! — Akemi completou.
Útil. Eu tenho a bunda meio grandinha, né? Já dá pra fazer algo bom com ela, gostei. Ahh, e as mãos de Sasuke, aquelas mãozonas, apertando meu quadril, pegando em minhas costas… olha, que legal.
Essa aula tá me fazendo ir pra lua. Só se for à de Sasuke. Também.
Akemi continuou contando. A posição “Papai e Mamãe”, a mulher embaixo e o homem em cima, é melhor para quem tá caindo de preguiça, para a primeira vez, já que o cara — se for mais experiente — poderá ajudar melhor a garota e é, de acordo com ela, ótima para sentir prazer sem fazer esforço.
— Também tem a “União Suspensa”, a qual a garota vai estar contra a parede e o cara, suspensa, com as pernas abertas. Acabou. Supimpa. Só revira os olhos. — E deu um gritinho “wow”.
— Essa é legal, os peito fica bem na cara… — Naruto falou e recebeu uma cadernada na cabeça que voou do outro lado da sala.
— É o que, filho da puta? — Neji resolveu aparecer e junto à ele um caderno de 300 folhas e uns bufares, mais a defesa pela prima.
— Eu não sei de nada, primo! Eu escolhi esperar! — Alguém da Oscar pra Hinata, por favor.
— Você tá traindo minha prima? — Pobre Neji… ainda pensa que Hinata é pura. Será que ele não vê que essa aí só é pura de fluídos corporais trocados com o namorado?
— Chega, gente! Ninguém tá traindo ninguém. — Tia Akemi mostrando que sabe comandar uma sala de aula.
— Ó, Sakura, você também resolveu esperar, né?
Se é pra falar merda que falemos hoje, agora e sem arrependimentos.
— Eu não resolvi esperar não, mas a vida quer que eu espere. — Akemi me olhou sorrindo, a turma me olhava, eu sentia aqueles olhares em minha direção, ouvia os cochichos das recalcadas no fundo e Karin rindo baixo atrás de mim.
— Eu te amo, Saky. — Ela disse e sorri cruzando os braços. Eu não vou me arrepender disso amanhã, muito pelo contrário, ficaria se tivesse ficado calada.
— Podemos ir para a próxima? — O silêncio foi a resposta.
“A Bomba”, aquela posição em uma cadeira, no carro, que eu sei na teoria e tô curiosa pela prática. Eu não estou me reconhecendo, acho que tô virando mulher graças à essa aula. Meu Deus, tá formigando, que desgraça.
Cruzei minhas pernas e meus braços, movendo meus lábios no meu xingamento predileto.
— No banco da praça… — TenTen sussurrou e eu só vi minha expressão indo de agoniada para horrorizada.
— É o que? — Neji também merece um Oscar, a cara dele de cínico e chocado é melhor do que a performance de Leonardo Di Caprio em O Regresso.
Quarto: Por causa desta aula, eu descobri muitas coisas que jamais pensei sobre meus colegas. Uma delas? Quem diria que o Diretor Social do Grêmio e a de “Imprensa” seriam esses pervertidos do parque. E eu sento naqueles bancos de vez em quando…
— Okay. Perguntas?! — Já estava acabando? Como assim? Foi muito rápido! Pega a aula de Química, tia.
— Por que dar a bunda dói tanto?
Meu corpo todo se virou para olhar para a criatura que isso perguntava, no caso, Sai. Agora eu fiquei com vergonha mesmo.
— Foi o que contaram.
— Culpada. — Ino levantou a mão e eu fiquei mesmo com vergonha.
Me julguem, por um momento eu pensei que Sai estivesse abrindo as portas de um closet.
— O que vai fazer com que valha à pena, é se a pessoa estiver confortável. Ah, um bom lubrificante também conta.
— Todas as mulheres têm lubrificante natural? — Boa pergunta, Tayuya.
Variava. Algumas mulheres possuem, outras não, por isso o uso de lubrificantes é ótimo. Segundo a voz da experiência, além de facilitar a entrada do cara, a mulher fica mais confortável e sente mais prazer.
— Mais alguma?
Eu tinha uma, mas não pra agora.
O sinal tocou. Dignamente aplaudimos a professora pela, acredite, excelente aula e então observamos-a sair esperando calminhos a próxima aula. No caso, Química.
— Velho, eu amo essa mulher! Porra, tô apaixonado. — Kiba disse colocando as mãos na cabeça e se sentando na mesa em minha frente. — Velho, eu tô apaixonado. Velho… O que eu faço, Sakura?
Vendo Orochimaru cruzar a porta e caminhar para sua mesa, dei-lhe a resposta.
— Senta em sua cadeira, o professor chegou.
Ele resmungou e saiu.
∞
Bateu o intervalo e ao invés de ir para o refeitório matar quem me matava, eu fui para a sala do Grêmio pegar algumas coisas para levar para Tsunade.
Li tudo rapidamente, assinei, dei glória por Ino já ter assinado e então levei a pilha para a secretaria. Aproximei-me da porta e vi que não conseguiria abrir porque se eu fosse inventar de segurar os papéis só com uma mão, daria merda.
— Eu te ajudo, Sakura. — Kakashi ofereceu-se assim que me viu plantada procurando uma solução.
— Obrigada, professor Hatake. — Ele sorriu e abriu a porta.
Saudei os professores com um bom-dia simpático e sorri para Tsunade, que colocou as mãos na cintura desencostando da parede.
— O que aconteceu, Sakura? Você faltou dois dias!
Respirei fundo e olhei para a mesa de professores almoçando, conversando com um em especial comendo uma maçã e me olhando. Céus, como eu pequei com aquele maçã na boca dele.
— Problemas familiares. Trouxe alguns papéis atrasados.
Apenas eu, de todos os alunos, sintam a moral, tenho permissão para entrar na Sala dos Professores. Há quem ache isso a coisa mais foda do mundo, mas, acredite, ver diversos arquivos de aço, um sofá, quatro poltronas, um tapete laranja, uma TV, uma máquina de refrigerantes e outra de salgadinhos, uma mesa grande e diversos professores comendo, dormindo ou corrigindo provas, não é nada interessante e “foda”.
Tsunade se sentou em uma cadeira e pegou os papéis, folheando-os.
— Como foi a aula da senhorita Nakamura?
— Ótima! Tsunade, o que aconteceu? Foi tudo tão rápido.
— Uma estudante do Primeiro Ano descobriu que estava grávida, aparentemente de um aluno do Terceiro — É porque eu vou descobrir quem foi esse aluno mesmo. — O pai dela veio desesperado, foi o maior bafafá na segunda-feira.
Eu preferiria ter presenciado esse rolo todo do que o que aconteceu com meus pais. Respirei fundo e soltei meus ombros lembrando daquilo, a manhã de aulas foi tão boa que tinha até me esquecido disso. Espero que o turno da tarde seja melhor, quero tirar esse peso de mim por um tempo e somente relaxar.
— E… onde arranjou Akemi?
— Por algum acaso ela estava aqui na escola — Ainda bem que eu não estava aqui pra saber o que era, tenho certeza que foi uma desgraça. —, ouviu minhas preces e se ofereceu. Diga, ela se saiu bem mesmo?
Concordei sorrindo e juntei minhas mãos em frente a meu corpo, esperando-a me liberar.
— Ah, você tem o contato de algum professor de Física? — E tem mais essa, meu longo suspiro e negar foram tão depressivos que eu vi por alguns segundos os professores, que olhavam-nos conversem, fecharem a cara.
— Não, por quê?
— Não soube? — Murmurou e neguei, super egípcia eu.
— O Professor Uchiha conseguiu uma bolsa na Universidade de Stanford, vai nos deixar semana que vem.
Infelizmente eu não sei fazer uma expressão de surpresa como o Neji e o que veio em minha cara foi algo melancólico que de certo deixou nítido minha repressão com isso.
— Ah, parabéns, professor. — Sorri para ele. Sasuke ficou me observando com o cenho franzido, mastigando a maçã do mal.
— Obrigado, Sakura.
Olhei para Tsunade e como um grito do além, vindo de meu estômago, fui liberada para meu almoço, contudo, contra os gritos de minha barriga fui para a sala de aula pegar meu celular e ligar pra tia Akemi.
— Hey, Saky.
— Oi, Kemi. Ta ocupada?
— Você tem cinco minutos. — Pelo silêncio do outro lado da linha e pelo fato dela cochichar desconfiei que estivesse na faculdade.
— Eu ligo depois.
— De jeito algum, o que houve?
— Eu queria fazer uma pergunta, mas depois faço.
— Eita, tô na biblioteca, mas sou geminiana, diz logo. — Eu só descobri o que tinha a ver o signo dela com o contexto quando ela me explicou, dias depois, que geminianos são curiosos.
— Okay, você acha que o… — Olhei ao redor da sala procurando qualquer alma que pudesse abrir o bico sobre nossa conversa. Não havendo ninguém, continuei. — Sasuke faria… comigo?
— O que? Sexo? — Murmurei um sim, envergonhada. Eu deveria ter mandado mensagem, não fico com vergonha quando mando mensagem. — Ah, Sakura, assim… Espera aí.
E desligou. Eu odeio quando desligam em minha cara! Odeio! Com todas as minhas forças, sério! Eu penso que a pessoa deve se achar a dona da ligação, da vontade de gritar “QUERIDA, EU QUE LIGUEI! SÓ EU QUE POSSO DESLIGAR!”. Cara, se eu que fiz a ligação apenas eu tenho o direito de desligar, tem isso não!
Bufando, de cara fechada e com o celular na cintura terminei de fazer meu prato, já no refeitório. Aproximei-me da mesa de meus amigos e me sentei.
— Sakura… — Hinata chamou, mas eu pedi um minuto para controlar a raiva que eu estava. Eu acho que tô de TPM, não é possível.
Não suficiente, o dono de minha fúria, atravessou o arco e caminhou digitando no celular e comprou um copo de suco. Super fitness, Sasuke. Enquanto isso, eu na coca. TOMO MESMO!
Meu celular tocou e atendi. — Por que desligou?!
— Porra, Sakura, agorinha você estava cabisbaixa. — Respirei fundo. — Eu vou fazer seu mapa astral, tenho certeza que tem ascendente em Gêmeos, pra ser bipolar assim…
— O que foi fazer? — Perguntei mexendo o arroz.
— Você é de Áries, né? Sasuke é Leão, super compatíveis vocês. Na boa, eu veria vocês fazendo sexo, nossa, deve ser bem excitante.
Chegou nesse momento da conversa, eu fiquei parada tentando entender o que estava acontecendo.
— Enfim, perguntei a Sasuke e a resposta dele foi bem legal. — Já estava me tremendo todinha. Eu amo Akemi, mas ela bem que poderia ter avisado que daria uma de amiga que faz ponte, é a melhor raça.
Bati as unhas na mesa e ouvi o som irritante de quem está tomando alguma coisa com canudo e já está vazio. — Akemi. — Chamei e ela arrotou na ligação.
— Foi mal. — Revirei os olhos, batendo os pés no chão. — Eu te mando o print, vou pra aula. Beijo.
Filha da puta.
Larguei meu telefone na mesa e suspirei olhando para a comida. Eu só queria uma resposta tipo: sim ou então não, mas Akemi não coopera.
A mesa estava em silêncio, todos me olhavam e conversavam por olhares.
— Sakura — Ino pegou em minhas costas, ela estava de meu lado. —, o que houve? Pode nos dizer?
Qual parte? A que meus pais se separaram, meu ex vai atravessar o Pacífico, minha amiga da onça tá querendo me fazer roer as unhas ao demorar meio milênio pra mandar uma foto, eu tive uma aula muito proveitosa de sexologia… tem muita coisa.
— Hm? — Vou me mudar pro Egito, tô muito egípcia.
— Seus pais, pode falar? — Tenten pediu.
Respirei fundo e vi meu celular acender na mesa. Agora que ela esperasse.
— Gente, é um assunto delicado, eu prefiro não falar.
— É, galera, vamo falar do jogo que teve semana passada e o bonitão aqui fez quatro cestas de três pontos. — Por incrível que pareça, ou não, Neji estava se gabando e jogando seu cabelo para trás.
— Tomar no cu, Neji, ‘cê roubou minhas bolas. — Sorri e ouvi Naruto iniciar a discussão com o Hyuuga sobre as bolas que um tomou do outro.
Desbloqueei meu celular e abri na mensagem de Akemi.
A primeira coisa que eu reparei foi no nome do contato que Sasuke está salvo no telefone dela: “Irmão do Tesudo, tbm Tesudo”. Akemi, melhor pessoa.
A segunda coisa que reparei foi como eles se chamavam. Akemi: “Ei, fdp”. Cinco minutos depois vindo a resposta: “Que é, doente?”. Cada vez mais eu adoro a relação deles.
A terceira coisa que reparei foi meu coração batendo descontroladamente e minha circulação causando uma convulsão em meu pescoço e no meu pé. Isso por causa da pergunta, sucedida pela resposta.
Akemi: Tu vai embora e deixar a Sakura cabaçada?
“Irmão do Tesudo, tbm Tesudo”: O que?
Akemi: Sasuke, você quer transar com ela?
“Irmão do Tesudo, tbm Tesudo”: Pra caralho, por que a pergunta?
Akemi: E VAI EMBORA E DEIXAR ELA CABAÇADA?
“Irmão do Tesudo, tbm Tesudo”: Vai toma no cu.
Akemi: Itachi não tá aqui.
E assim acabou o print. Bom, já sei que ele quer “pra caralho” fazer comigo, mas fico em dúvida sobre esse detalhe tão importante que está me fazendo arrancar os cabelos, literalmente, tire suas conclusões.
Bloqueei meu celular e almocei ouvindo a discussão sobre o show da Victoria’s Secret e o jogo dos meninos.
∞
Sasuke entrou na sala, as mãos no bolso da calça, a bolsa para trás, a blusa azul marinho deliciosa nele, a calça preta alfaiataria maravilhosa, o cinto preto próximo àquela área... PORRA, A AULA DE TIA AKEMI FODEU COM MINHA MALICIOSIDADE!
— Eu acho que tô pervertida demais.
— Foi a aula. Você não tava preparada para toda aquela carga de putaria. — Concordei me virando para Sasuke e vendo-o sentar-se na mesa em minha frente, com aquelas pernas abertas e me fazendo viajar no entre eles.
Voltei-me a Karin e fechei meus olhos. — Troca de lugar comigo.
— Não mesmo.
— Por favor. — Supliquei juntando minhas mãos, a ruiva respirou fundo e resmungou se levantando.
Trocar de lugar com Karin não melhorou em nada, minha cura é sentar atrás de Naruto ou Shikamaru que são dois gigantes e serão capaz de esconder toda minha vergonha e afobação.
— Tayuya! — Chamei-a. Ela se senta atrás de Naruto, então vai ser nela que eu vou mesmo.
— Ah, então troca. — Voltei a meu lugar na frente de Sasuke e enquanto o professor conversava com Shikamaru sobre alguma questão do módulo, eu fiz todo o processo de troca com a ruiva número dois.
Eu me arrependi assim que pus os pés no fundão. Eu realmente sou da frente, seres do fundo são anormais. Pra começar por Naruto que parece uma muralha, a grande muralha do Japão. Depois Temari que, eu acabei de descobrir, passa a aula lendo um mangá. E Chouji que dorme e baba.
Que festa é essa aqui no fundo? Ah, não, eu vou tomar atitude sobre essa feira.
— Boa tarde, Turma. — Mas depois, agora é aula e eu não vou pecar. — Cadê a Sakura?
É… eu vou pecar.
Levantei minha mão e tombei minha cabeça para o corredor de carteiras, dando visão a Sasuke para minha pessoa. Ele franziu e se levantou, encostando-se no quadro.
— Por que trocou de lugar com Tayuya?
— Ela quis dar uma visão do paraíso para as amigas. — A própria ruiva quem respondeu isso.
Eu juro que não é da minha índole iniciar uma briga, todo mundo sabe que eu sou calada, bem na minha, mas… eu não deixei aquilo em silêncio. Foi automático. E eu acho que sou ciumenta.
— Tayuya, querida, você não tem farpas na língua, não? O professor está aqui pra nos ensinar Física, não receber cantadas baratas de uma aluna meia-boca.
Sabe quando todo mundo olha pra você e fica “o que ta acontecendo com ela”? Foi isso que me ocorreu, todos os alunos, professores, formigas, besouros, fantasmas e entidades olharam para mim, impressionados.
— Ah, Sakura, deixa de inveja. Só porque um cara como Sasuke não olharia pra você não precisa tentar me deixar pra baixo, tá?
— Professor, vai parar com isso…
— Silêncio, Ino. — Hinata ajudando a manter a discórdia. Obrigada, amo todas vocês.
Meu corpo gritava por uma resposta, eu já sabia o que iria lhe falar, mas não iria mesmo. Quem beijava, abraçava e etc. era eu, foda-se ela e sua esperança. Já tá se achando. Contra fatos não há argumentos.
Sorri e ergui as mãos, rendendo-me. — Certo. — Ela sorriu cínica e quando iria se virar, completei.
— Ele beija bem.
Eu quis rir com a expressão de todos, quis mesmo. Até mesmo a de Sasuke foi repreensiva, nossa ele gritava com o olhar que iria me punir. Céus, eu queria uma punição. — Foi o que a ex me disse. — Dei de ombros e cruzei minhas pernas.
Sasuke sorriu de canto. Tayuya revirou os olhos. Hinata colocou a mão na boca abafando a risada. Karin mostrou o dedo do meio às costas da ruiva vilã. Naruto foi o único que continuou me olhando: — Eu te amo.
— Eu também. — Ele riu baixo e se virou.
A aula, enfim, começou e seguiu-se normalmente.
Durante toda a revisão não houveram mais gracinhas. Apesar de ele ter falo sobre a Lei de Ohm, atração e repulsão e tudo que causava a turma euforia, todos comportaram-se bem e não foram lançadas indiretas.
A única coisa que aconteceu foi com meu interior em chamas. Vasculhando cada área do corpo dele. Lembrando de cada toque. Lembrando de cada beijo. Lembrando de nosso momento, o ápice de nossa intimidade, na cama dele e tudo que rolou.
— Professor — Interrompi a aula. ‘’Primeira vez pra tudo’’, não é o que dizem? —, posso ir ao banheiro?
— Claro.
Levantei e sai da sala correndo. Entrei no banheiro, aproximei-me de uma das pias e molhei meu rosto.
O que aquela aula de Akemi fez comigo? Eu não consigo parar de pensar naquelas posições, em sentir Sasuke, beijá-lo. Porra!!! Abanei meu pescoço e respirei fundo, olhando para meu reflexo. Naquele reflexo eu vi a porta do paraíso, virei-me e caminhei para uma das cabines.
Sim, eu fiz o que vocês estão pensando e eu não sei como não fiz isso antes. Quando ouvia alguém entrando? Há, eu repressava aquilo apertava a barra de minha saia. O que me excitava? Tudo em meu professor. Nosso romance proibido. Nossos beijos proibidos. Mensagens. Ligações. Pensamentos. Céus.
Eu me acariciava e pensava nele, no quanto eu o quero e no quanto me arrependo por ter evitado que ocorresse naquelas vezes. Pensei em seus movimentos contra minha pélvis, pensei em sua voz em meu ouvido, pensei em sua boca contra a minha. Isso.
— Tava cagando, Haruno? — Recebi assim que entrei na sala.
— Não. — Sorri para Idate que tentava, inutilmente, me envergonhar.
No fim do dia, minha mãe veio me buscar. Contou que os planos de reabrir o negócio com Mebuki estavam à 1000, o advogado estava providenciando a papelada o mais rápido possível e ela não via a hora de comprar um carro, trabalhar, arrumar o apartamento como sonha e aproveitar sua vida.
Enquanto caminhávamos conversando, eu não me permiti ficar triste. Não seria egoísta e pensar apenas na minha felicidade, mas também na dela. Sorri para Mebuki e a abracei.
— Agora conta, como foram as aulas?
— Mãe, descobri cada coisa.
— Boas?
— Mãe, eu estava na escola. Grande parte das coisas que aprendemos lá, são muito boas.
Ela sorriu e eu sorri de volta. Afinal, é verdade e hoje o dia foi muito proveitoso.
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