Gasolina
23 Gasolina
Notas iniciais
Perdida em meu ócio do estudo, contemplando as maravilhas da calmidão e reprimindo a vontade ardente de ligá-lo, mandar mensagem, quem sabe fazer um FaceTime. Já era domingo à tarde e eu me encontrava desesperada por conta do vestibular que cada vez mais se aproximava.
— Sakura, Akemi está aí. — Mebuki me avisou passando pela porta de meu mais novo quarto, carregando uma caixa de papelão.
Cruzei minhas pernas na cadeira e vi a brasileira se encostar no batente:
— Sua mãe arrasou no apê, tá arrasando no restaurante e arrasou no boy. TIA M. QUANDO EU CRESCER QUERO SER IGUAL A SENHORA!
— Obrigada, Kemi! — Respondeu Mebuki de algum lugar de seu novo apartamento.
Com o cenho franzido, perguntei:
— Que boy?
— Um que eu vi no porta-retratos lá na sala, pena que ele estava com uma mulher do lado e várias crianças ao redor e a foto em preto-e-branco.
Nossa, Akemi.
Ela sorriu e então suspirou, entrou no quarto e fechou a porta, se jogou em minha cama e abraçou um travesseiro de coração. Permanecemos em silêncio, uma observando a outra, e graças ao tempo de convivência podíamos ler o que se passava em nossos olhos e a fundo em nossas almas. Aquilo era frustrante, tê-la como uma amiga presente diariamente em minha vida, a fez conhecer cada canto de minha mente.
Ela sentou-se e semicerrou os olhos, bufou e bateu os pés na cama:
— Já faz dois meses, Sakura!
— Três. — Corrigi, virando minha cadeira para a escrivaninha e procurando a concentração que a tanto está perdida.
Ouvi Akemi se jogar na cama e bufar. Uma, duas, três vezes, tentando -e conseguindo- minha atenção.
— O que você quer? — Perguntei, voltando-me a ela.
Bateu na cama duas vezes, chamando-me e fui, sentei ao lado dela e sem ânimo algum repeti a pergunta. Aquela pergunta que todas minhas amigas fazem e nunca há uma resposta concreta de minha parte.
Por quê?
Porque dói lembrar. Não que seja uma lembrança ruim, por outro lado, foi ótima. Foi uma lembrança maravilhosa que está gravada eternamente em meu corpo, alma e mente. Cada minúcia que marcou os últimos dias com ele, antes de partir. Pra mim era pessoal demais, era íntimo demais.
— Por favor, Saky — Choramingou. — Eu sempre te conto tudo, tudinho. Por favor.
Neguei. E deitei na cama, peguei o colarinho da blusa e senti a fragrância dele que ali ainda restava, fechei meus olhos e vi em minha mente a breve a correção, discussão, a reconciliação e a expulsão. Ri sozinha de tudo e suspirei.
— Eu conto.
Ela se sentou animada e pediu um minuto.
— Tia M. TEM PIPOCA?!?!
Depois que ela fez pipoca e se jogou na cama espalhando tudo pela colcha, pude dar início à história, mas antes, Akemi colocou seu lado falador em ação.
— Por que vai contar?
— Cala a boca antes que eu desista. — Ameacei e vi-a enfiar diversas pipocas na boca.
Respirei fundo e cruzei meus braços.
— Você descabaçou?
Senti meu rosto violentamente enrubescer e ao mesmo tempo, um sorriso nostálgico espalhar-se por meu rosto. Apertei o anel preso à corrente de meu colar, que simbolicamente deixou comigo, e simultaneamente senti seu abraço em meu corpo, aquecendo-me, reconfortando-me, protegendo-me.
— Bixa, tu é lacradora mesmo, hein?!?
— Hã? — Saí de meus devaneios com as palavras em português. O modo com que ela me olhava denunciava que havia pensado maliciosidades a respeito de meu cabaço, e destinada a interromper quaisquer perguntas que intrigariam a existência ou não dele, iniciei minhas memórias.
Três meses antes
A festa de Akemi foi cancelada. No sábado que aconteceria, enquanto boa parte de Konoha euforizava a parte of The year, no Facebook da digníssima anfitriã uma mensagem era fixada: festa cancelada. Não é preciso dizer que a revolta foi emblemática na timeline, aquela foi a primeira vez que presenciei uma revolta tão grande em meu Facebook e confesso, estará gravada para sempre em meu coração.
O fim de semana se passou e a semana de provas passou voando. Algumas foram fáceis, já meu mal eterno, Japonês, me fez ser uma das últimas a sair da sala.
Com as Provas e a correria no Grêmio, nasceu uma Sakura completamente esquecida de que o melhor professor de Física e de Como Namorar Professores Escondido é Gostoso iria embora. E tarde demais, já era quinta-feira.
Eu respondia às últimas questões da prova de Química sob o olhar analítico dele, precisava tomar cuidado ao passar o papelzinho com parte das respostas à Kiba e ainda puxar de segundo em segundo minha maldita saia que insistia em subir por minhas coxas, isso por ela ser curta demais, sim, aquela que usei quando pus em prática o plano “Seduzir Sasuke Uchiha” por causa da lei da rola.
Bufei e abaixei o tecido preto, olhei para o professor imaginando onde estariam as bagas negras dele cobertas pelos óculos de sol. Acredite, ele colocou óculos de sol. E isso dificultava nossa percepção de onde poderiam estar os olhos dele no momento. Maldito seja Sasuke Uchiha.
O pior, era que ele conseguia transpirar testosterona e me deixar cheia de tesão.
Sakura, foco!
Balancei meu rosto e voltei às questões. Tudo estava em grego naquele momento. Olhei ao redor da sala, todos estavam na mesma situação que eu. Alunos sortidos, do primeiro, segundo e terceiro ano. Todos em busca de uma luz e resposta. Alguns alunos do primeiro ano tentavam se comunicar por meio de olhares desesperados, outros, esses do segundo, ousavam sussurrar os nomes de outros colegas, chamando-os, o lado ruim era o sorriso sacana que Sasuke, o professor-monitor, alargava.
O sorriso dele se abria cada vez mais que tais alunos tentavam buscar respostas. Nunca o vi sorrir tanto e, céus, como ele fica maravilhoso sorrindo desse jeito e esse óculos também que não ajudam…
Suspirei e tentei me concentrar nas questões.
Um pigarrear tirou-me do foco.
— Em minha época a cola era mais estratégica.
— Como? — Alguém do segundo ano perguntou, logo atrás de mim.
Sasuke sorriu de canto e escorregou pela cadeira, esticou as pernas e cruzou os braços. A posição que ele estava dava a entender que ele queria dormir e por todos estarem atentos a isso e sorrindo maliciosamente uns para os outros, era perceptível que o pensamento foi unânime.
Cruzei minhas pernas, coloquei uma mão na bochecha e abaixei meus olhos para o teste. Minha luz apareceu e em poucos minutos terminei boa parte da prova e estava pronta para jogar para meu colega desesperado. O que eu não esperava era que meu professor adorasse pegar no meu pé, um ônus por ter dado uns beijos nele e atiçado sua parte mais dura enes e enes vezes.
— Sakura Haruno. — Chamou-me e todos da sala olharam em minha direção. Soltei meu lápis e respirei fundo, levantei meus olhos e sorri.
— Sim? — Ele tombou a cabeça para o lado e levantou a mão, movimentou-a duas vezes para a direita, me mandando afastar para o lado e quando eu o fiz, ele respirou fundo e se levantou.
Sasuke caminhou com as mãos no bolso da calça pela fileira do meio, passou ao meu lado e se encostou em minha cadeira, olhando para alguém atrás de mim. Enquanto ele repreendia Ayumi por ter quase passado cola para algum colega do primeiro ano, um suspiro escapou por meus lábios e acabei por encostar-me em Sasuke.
O que eu poderia fazer se meu lado desesperado se acolheu nele? “Acolheu”, eu me encostei na lateral do corpo de Sasuke até que eu me recuperasse do susto de quase ter sido pega bolando meu papelzinho.
Afastei minha cabeça do corpo dele e balancei meu rosto, murmurando para mim mesma:
— Calma, Sakura.
Olhei para Kiba, que esperava branco pelo papel, virei meu rosto para Tenten que mordia a tampa da caneta olhando para o papel e com um v nas sobrancelhas e assim por parte de mais colegas, todos divididos em ambos os sentimentos: Confusão e desespero.
Sasuke se desencostou de minha cadeira e sumiu de minha vista. Voltei a minha prova e terminei-a. Passei todas as respostas para o pequeno papel e enrolei-o. Prendi em meu anel e levantei a outra mão:
— Hm?
— Posso ir ao banheiro? — Perguntei, ouvindo os passos sutis dele se aproximando de mim.
— Fazer o que? — Virei meu rosto para Sasuke e dei de cara com seu quadril, ele estava de novo encostado em minha cadeira.
— Coisas de mulher. — Respondi olhando em seus óculos.
Ele murmurou novamente e concordou. Levantei-me, juntei minhas mãos e caminhei pela frente da sala, sentindo o olhar quente e analítico de Sasuke queimar cada poro de meu corpo.
Já do lado de fora, pude respirar um pouco. Deixei o papelzinho na fresta do mural, ao lado da sala do segundo ano “C”, como combinado, enrolei um pouco do lado de fora e voltei à sala de aula. Espreguicei-me entrando na sala, sendo este o sinal que estava tudo certo, e quando levantei os olhos para minha cadeira, vi o folgado de meu ex/professor sentado, folheando meu teste.
Ele se levantou e se encostou na parede do fundo, com as mãos no bolso, tão sexy quanto nunca. Ele fica tremendamente sexy quando está assumindo a pose de professor, deveria ser altamente proibido ele estagiar aqui. Fode a libido até da mais pura aluna.
Sentei-me e esperei até o tempo mínimo para a entrega da prova. Neste tempo, Kiba pegou as respostas, conseguiu ninjamente passar para outros de meus colegas e quando soube, já no final, parte de meus colegas, espalhadas por todas as salas para as provas, haviam conseguido.
— Cara, eu sou muito foda. Na sala do Naruto era a Kurenai, e ela é lerdinha né?, aí eu mandei uma foto pra ele e ele copiou e passou pro Shikamaru que corrigiu e bateu com as respostas dele e depois o Neji pegou algumas. Eu sou foda. — Kiba vangloriava-se na mesa do refeitório — onde aguardávamos o início da próxima prova —, era engraçada sua animação por ter feito tal ato corruptivo.
— Velho, aquela foto estava trêmula pra caralho — Naruto disse sacando o telefone do bolso e mostrando a foto —, ainda mais com sua letra de animal Kiba.
— Muito obrigado. — Sorri e murmurei.
— Você deveria apagar essa evidência e você — voltei-me ao “letra Animal” — parar de falar disso aqui dentro.
Eles concordaram.
— Quem foi na sala de vocês?
— O Uchiha. Ele colocou os óculos de sol todo boçal, pegou umas três pessoas no flagra, mas não viu o cara mais foda nas colas.
Enquanto Kiba continuava a se vangloriar, todos que estávamos do lado contrário a ele, tentávamos alertar que Sasuke se aproximava e ouvia tudo que ele dizia.
— Ele pode ser foda, mas eu sou…
— Kiba, eu vi você tirando três fotos, jogando o papel pra Karin e ainda entrando com o papel na mão. Eu sinto muito, mas quando a Sakura colocou no dedo ou quando Karin escondeu nos seios foi mais inteligente.
— Eu. Sou. Foda. — Karin disse e bateu na mesa, levantou-se e saiu mandando áudio.
Kiba ficou gelado e todos que restaram ali ficaram paralisados, esperando a hora que ele fosse nos dedurar para a diretoria e para o professor de Química, Orochimaru.
— Sakura, preciso falar com você.
Concordei e saí da cantina rapidamente com ele. A bronca vem pra cima de mim, é claro. A presidente do Grêmio não dando o devido exemplo. Que tipo de imagem eu vou ter no final disso? Peguei gostoso um professor, passei cola a rodo, o que mais eu fiz de tão grave hein? Ah, claro. Criei o hábito de me tocar no banheiro. Há maneiras de como piorar?
Segui Sasuke para a sala do Grêmio e então fechei a porta.
— Você vai comigo hoje?
— Se eu terminar a prova de Artes mais cedo vou ver se passo na casa de meu pai.
Engoli em seco ao dizer isso, demoraria a me acostumar que meus pais estão se separando e que moram em cantos distintos. Cruzei meus braços e fechei a persiana da sala, que liga ao corredor.
— Depois eu apareço lá.
— Acha que vai demorar? — Dei de ombros. — Adiantei algumas coisas e queria… Sei lá…
A frase morreu em sua garganta e isso atiçou minha curiosidade e todo meu lado “rosa”, além do pervertido.
Sasuke não me olhava, mas eu via suas bochechas rubras e achei aquilo fofo. Aproximei-me dele e virei seu rosto para meu lado sorrindo, concordei e lhe dei um beijo terno e sincero, apaixonado.
Ele iria embora em dois dias e meio, e eu já sentia sua falta desde quando recebi a notícia.
Sasuke me apertou em um abraço e encaixou seu rosto em meu pescoço, aspirando meu cheiro e me dando o prazer de sua companhia, eventualmente limitada.
Apertei-o contra meu corpo e deitei minha cabeça em seu ombro. Infortunadamente, bateram na porta e antes que entrassem, utilizei de meu jeito ninja arrecadado com o tempo para me afastar.
— Sakura, oi, pode me ajudar? — Era um garoto do primeiro ano, concordei e virei para Sasuke.
— Obrigada, professor, até daqui a pouco. — Fingi.
— Até, senhorita Haruno. — Acompanhou-me.
Ele saiu da sala e antes de fechar a porta, longe das vistas do garoto, lançou-me uma piscadela.
—- Quero a ação! — Reclamou Akemi.
— Pra tudo há um princípio. — Murmurei para Akemi abraçando o travesseiro que peguei há pouco da casa dele e ainda há seu cheiro.
— Vocês brigaram? Transaram? Beijaram?
— Sim. — Seus olhos arregalaram-se e os meus reviraram. — Não necessariamente. — Bufou, jogando-se na cama, já com o balde de pipoca vazio.
— Pula pra parte boa.
— Não.
Quando cheguei à casa de meu pai, encontrei um caos. Ele estava jogado no sofá, uma garrafa de cerveja na mão e outras mais soltas pelo chão. Balbuciava algo enquanto chorava e levava o bocal da longneck à boca.
Aquela imagem vinha se repetindo há alguns dias, quando a realidade bateu em sua porta e a futura ex-esposa havia contatado advogados, juízes e o caralho à quatro. Dois dias atrás, Kizashi recebeu a papelada do divórcio com toda repartição de bens e até mesmo com meu nome no meio, afinal é preciso saber pra que lado eu vou.
Soltei minha bolsa no chão e me aproximei dele.
— Pai, você não pode ficar preso aqui pra sempre.
— Sakura — Chorou, sentando-se e me olhando choroso. —, como eu deixei sua mãe se afastar de mim. Que desgraça eu fiz com nossa família?
Fechei meus olhos e me afastei dele, catei as garrafas do chão e murmurei:
— Já assinou os papéis?
— Não, Sakura eu também não quero te perder, meu amor. — Choramingou.
Doía vê-lo daquela forma. A última vez que o vi chorar, lamentar-se, xingar-se e mergulha-se no álcool, foi nunca. Aquela cena era nova para mim, era algo diferente, eu não sabia o que fazer e se soubesse não tinha noção de como e nem por onde começar. Sentei no chão, as mãos em minha cabeça e as pernas jogadas embaixo da mesa de centro.
Não muito distante do limite de minhas mãos, estava a papelada do divórcio. Puxei-a. Li-a. Suspirei e joguei na mesa.
— Sakura… — Sussurrou, causando minha revolta.
— Pai, não há argumento! Você se afastou dela nesses 18 anos de casado. Foi frio por todo este tempo e até mesmo depois do “ultimato”! Quantas vezes você foi atrás dela? Tentou conversar com ela?
— Sakura…
— HEIN, PAI?! — Suspirei e dei-lhe uma chance. — Qual foi a última vez que você a beijou? — Vi seu pomo-de-adão subir e descer, entregando sua apreensão na resposta negativa.
Entre dentes, lágrimas e dor, murmurei:
— Se você queria dar um tempo a ela, o que acha de dar o resto da paz que ela tá procurando?
Sei que fui dura, sei que ele ainda é meu pai e não tenho o direito de falar com ele assim, mas ele precisa parar com essa ladainha que não quer perder minha mãe, que sente muito, que blá-blá.
— Poxa pai, você ta parecendo eu uma semana atrás. — Resmunguei cruzando os braços.
Kizashi sentou-se no sofá e escorregou para o chão, colocou a garrafa meio acabada na mesa e pegou uma caneta na pasta ao chão. Limpou as lágrimas, passou a mão no rosto, depois no cabelo e em silêncio começou a assinar o contrato.
Foi irracional, tudo que eu pensei, falei, discursei e executei foi por água abaixo naquele instante, o instante em que puxei toda a papelada e abracei contra meu corpo. O momento que chorei abraçada a arma o assassinato de um casamento.
De olhos fechados e soluçando, senti meu pai me abraçar. Ele me apertou contra seu corpo e beijou o topo de minha cabeça.
— Me diz que vai ficar tudo bem. — Supliquei apertando sua blusa.
— Vai ficar tudo bem, meu amor. Eu prometo. — Ele afagou meu braço e respirou fundo. — Uma vez um cara me disse que se eu a amo mesmo, eu devo deixá-la ir e eu odeio admitir isso, mas ele estava certo. — Afastei-me e olhei para meu pai, tentando lê-lo. — E eu amo sua mãe o suficiente para saber que o que vai a deixar feliz, é a liberdade.
Suspirou e sorriu terno, viajando em pensamentos.
“Ela sempre foi bem independente, Sakura. Eu lembro de quando nós éramos mais novos, ela e Mikoto com um pequeno restaurante à todo vapor. Mebuki preparava as coisas com tanta graça e destreza, ela lutava por seus ideais e bateu o pé para os funcionários mais enxeridos. Viajou para Quioto e Tóquio para pequenos cursos… Uau, ela era incrível, Sakura. A mulher mais incrível que eu já conheci.”
Parou um pouco e sorriu, perdido em lembranças.
“Eu me apaixonei por ela após todas as reclamações que levei, pondo em risco meu trabalho apenas para poder olhá-la me xingando por algum erro bobo, mas proposital. Sabe aquela mania que ela tem de bater a panela no fogão?” Concordei “Ela sempre faz aquilo quando a refeição não sai do jeito que ela quer. Já percebeu que ela não sabe preparar panquecas?” Concordei de novo “Mebuki considera aquilo seu calcanhar de Aquiles, teve uma vez que ela e Mikoto brigaram no meio da cozinha. Mikoto usou como argumento ela não saber preparar panquecas... “
Kizashi riu para si mesmo e pegou em meu rosto.
— Você me lembra tanto ela, Sakura.
Enxugou minhas lágrimas e me deu um beijo na testa, puxando-me novamente para um abraço.
De repente, afastou-se, levantou-se e bufou.
— Vamos almoçar?
— Ta sóbrio pra dirigir? — Perguntei me levantando.
O v em sua testa gritava sua auto-confusão, ele ficou um tempo parecendo medir seu grau de embriaguez:
— Eu vou tomar banho e você pede uma parmegiana. — Murmurou caminhando para as escadas.
— Parmegiana? — Perguntei erguendo as sobrancelhas.
— É, não quer?
— QUERO SIM! — Ele sorriu de canto e subiu as escadas.
Akemi estava franzida, raciocinava alguma coisa e parecia estar presa em uma questão de Física Quântica mental, totalmente confusa com a hora e o tempo. Ela abraçou um travesseiro e mordeu o fofo. Sua testa franzida e seus olhos circulando inquietos pela cama.
Parei a história e cruzei meus braços, esperando-a retornar da prova.
A morena continuou parada daquele jeito por um tempo, até que murmurou:
— Você acha que se seu pai tivesse pensado desse jeito antes, eles poderiam estar hoje juntos?
Cruzei meus braços e entortei minha boca, eu não havia parado para pensar nessa lógica, mas me dói admitir que é um fato. Se meu pai tivesse deixado minha mãe ir naquela época à Paris, é possível que eles estivessem mesmo juntos hoje.
— Mas, e eu? — Questionei em um murmuro.
Ela parou e soltou o travesseiro.
— Ambos eram ambiciosos. Se seu pai tivesse aberto mão dos sonhos dele pela Mebuki, você teria nascido na França, sua mãe seria uma renomada chefe e seu pai, talvez, mas só talvez, não seria o juiz grande que ele é hoje.
Suspirei e ouvi-a. — Parece até aquele filme, La La Land. Já viu? — Neguei e ela sorriu. — Assista, é bom pra pensar nas variáveis dessa vida, um balde de água fria que nem tudo é como nós, meros telespectadores, queremos que aconteça. A vida dá voltas e quando nós menos imaginamos, nossos pais se separam e nossos namorados cruzam oceanos.
Sorri e concordei, sendo abraçada por ela.
— E o que fazemos para mantermos vivos? — Perguntei ainda em seu abraço.
— Ahh, Saky, precisamos de um balde de gasolina para manter a chama de nossa vida acesa.
— Se não…
— Se não a gente desiste de tudo por causa de variáveis.
Sorri e afastei-me dela. Talvez todos esses fatos sejam meu balde de gasolina, namorar um professor em uma sala do colégio, sair de meu mundo rosa e perfeito, encarar de cabeça erguida à quebra de um casamento, a despedida de um amor e o empenho por um curso na faculdade. Tais propósitos me mantém viva e forte a cada dia.
Respirei fundo e sorri.
— Continua!! Quero o sexo!
Terminei de lavar os pratos e coloquei no escorregador. Virei meu corpo e encostei-me no balcão.
— Seca direito. — Mandei sorrindo e ele me olhou feio enquanto pegava os pratos secados e guardava no armário.
Meu telefone tocou no bolso de minha saia, peguei-o e sentei-me na banqueta da ilha da cozinha. Era Sasuke. Sorri e antes de atender, vi meu pai olhar-me curioso:
— Quem é?
— Sasuke. — Respondi, deslizando o dedo pela tela para atender a chama.
Alguns segundo conversando com ele, ouvindo-o murmurar seus “hms” infinitos e cheios de significados, acobertados por perguntas mudas de se eu vou ou não para seu apartamento e com um leve tom de preocupação.
Ergui meus olhos para o relógio e dei minha resposta final, enfim desligando a chamada.
— Vai pra onde?
— No Sasuke, ele precisa de ajuda pra terminar a correção das provas de Física e passar todas as notas para um programa do colégio. — Respondi amarrando meu cabelo em um coque e puxando um porta-guardanapo para ver meu reflexo.
— Hm… — Murmurou. Droga.
— É sério. — Reforcei.
O modo com que Kizashi me olhava, o denunciava. Naquele instante, eu tive medo por Sasuke. Se eu fosse ele, eu odiaria ter aquele olhar tão metralhador, diabólico e anticristo em cima de mim. Eu iria preferir ser um espermatozoide perdedor, sem dúvida alguma.
E acredite, houveram poucos momentos que me fizeram sentir medo de meu pai.
— Cuidado e volte cedo. — Disse e sorriu.
Franzi e concordei, virei-me e caminhei para a sala lentamente, sentindo seu olhar quente em minhas costas, equivalente a 1000 tiros. Peguei minha mochila e pus no ombro.
— Entregue um recado a ele por mim, por favor.
Virei meu corpo de supetão, assustada. Ele se abaixou na mesa de centro, pegou a caneta e no verso de um papel avulso, escreveu alguma coisa, dobrou diversas vezes e me entregou.
— Se você abrir, eu vou saber. — Ameaçou e concordei.
Guardei na bolsa e vi-o voltar a louça para secar. Saí de casa enquanto me restava costas a serem dilaceradas visualmente.
Metrô, ônibus e caminhada depois eu me perguntava por que diabos ele não foi fazer a linha bom namorado, sendo ex, e ir me buscar. Toquei a campainha diversas vezes, fazendo birra e quando ele abriu a porta perguntei:
— Custava me buscar?
— Isso fortaleceria nossos laços e aquele beijo de mais cedo, já foi demais.
— Sem beijo? — Deduzi e ele concordou me dando passagem para entrar, mas me recusei. — Vou embora, pensei que a cada acerto nas questões corrigidas era um beijo, tchau.
Dei um passo e ouvi-o.
— Eu não vou te beijar, Sakura.
Parei e me virei sorrindo. — Eu vou.
— Eu não vou impedir. — Murmurou entrando no apartamento.
— Sabe que vai ser uma tortura pra mim, né?
— Eu não beijo mal. — Ele disse voltando para minha visão na porta.
— Não, idiota, eu vou sentir sua falta. Vai fortalecer nossos laços, no caso.
— E quem disse que eu vou te deixar me beijar? — Cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.
— Agorinha disse que não iria me impedir. — Retruquei.
Entrei e fechei a porta, tirei meu sapato e cruzei meus braços, reparando em uma coisa nele:
— Você ta falando demais, ta nervoso com o que?
Ele bufou e saiu de minha frente. Fui atrás dele e caminhei rumo a seu quarto. Um pandemônio de provas, trabalhos, pastas, canetas e um robô cachorro descontrolado de um lado para o outro. Se eu conhecia um Sasuke organizado, acho que estou prestes a descobrir a cara desse desorganizado.
Deixei minha mochila de lado, peguei meu estojo e sentei-me ao lado dele. Peguei a garrafa rosa de água e cutuquei-o:
— Isso é preguiça de ir à cozinha?
— Não, isso é economia de tempo. — Pegou a garrafa de água e deu um gole. — E é de minha mãe.
Concordei e peguei uma pilha de provas. Já havia todas as equações corretas em cima em uma folha, dobrei minhas pernas e encostei-me na cabeceira.
Ele passava as notas dos testes para a planilha do computador e eu corrigia. Depois, trocamos as posições. Dessa vez eu passava para o computador e ele corrigia as do terceiro ano. E assim ficamos por toda à tarde. Nenhuma conversa, nenhum contato direto, nada. Ainda me pergunto o que ele adiantou e o significado daquele “sei lá”.
De acordo com algum site: “Expressão que significa o mesmo que ‘não sei’, simplesmente, mas que dependendo da ‘entonação’ usada, seja na fala ou na escrita, pode querer dizer simplesmente ‘não sei’ ou ter algo de reticências, de evasiva, de preguiça de pensar ou então de desaforo.”
Como ele falou? Não acho que com preguiça e muito menos desaforo. Minto. Preguiça pode ser, ele parece estar muito cansado. Quem sabe preguiça de dizer “passar uma emocionante tarde apenas corrigindo provas e abusando do Excel”?
Oh, Sasuke Uchiha, por que tu me causas tanta frustração sem ao menos abrir a boca?
— Clemência! — Pedi me jogando na cama e deixando os trabalhos que eu passava as notas para a planilha.
— Já está tarde, se quiser ir… — Murmurou continuando os trabalhos.
Sentei-me e peguei meu celular. Seis e meia. Bufei e levantei-me, caminhei para a janela e abri as cortinas.
— Você parece um vampiro aqui preso.
A luz da cidade a noite invadiu o quarto. As cores variadas dos letreiros luminosos, dos prédios, dos carros e da lua. Pelo reflexo no vidro, vi que Sasuke continuava empenhado em terminar seu trabalho, virei-me e aproximei-me dele, peguei em seu ombro e lhe abracei. Ele parou e encostou a cabeça em mim. E ficou por um tempo ali, em minha barriga. Em uma espécie de nirvana sem todo seu fundamento.
Acariciei seus cabelos negros, desci para seu rosto e passei a mão por sua face.
Sentei ao seu lado, na beirada da cama e lhe dei um beijo na bochecha.
— Quer conversar? — Perguntei.
Ele fechou os olhos e expirou, sorriu torto e olhou-me.
— Eu tô nervoso. — Esbocei um sorriso. Eu não era a pessoa exata para lhe dar uma dose de autoconfiança, sejamos sinceros, mas era eu quem estava ali para apoiá-lo e dar a ele todos os adjetivos necessários para deixá-lo seguro.
Por que todos estão pedindo ajuda à humana mais perturbada dessa cidade?
— Olha, você sabe que eu não sou benzida de autoconfiança, mas… apesar de pouco saber sobre você, moço, sei que você é organizado, responsável e atencioso em seus trabalhos. Mega inteligente e não ganhou essa chance à toa, além disso, Sasuke, você cumpre seus deveres e se vira nos 30 para realizá-los. Em suma, o senhor tem todas as qualificações para se sair excelente nessa nova empreitada.
Ele respirou fundo e se afastou de mim, pegou os papeis de novo e voltou ao trabalho.
Nitidamente irritada por todo sentimento de responsabilidade dele e essa maldita frieza, dei a volta na cama, me joguei e rezinguei:
— Preciso descobrir o que significa o seu “sei lá”.
Ele ficou calado, como o normal, e eu iniciei longos minutos entediantes olhando para o teto, até que me lembrei do aviso de meu pai. Pulei da cama e peguei minha mochila, tirei o papel de um dos bolsos e entreguei a ele:
— Meu pai mandou.
O olhar dele subiu junto a uma sobrancelha, curioso pegou o papel e desdobrou. Sentei em sua frente e vi sua reação à leitura de tal bilhete, aos poucos um sorrisinho surgiu e um riso baixo soou dentre seus lábios, ele se levantou e rasgou o papel rumando o banheiro.
— O que diz? — Questionei-o.
Silêncio.
— Hein, Sasuke? — Pressionei.
Mais silêncio. Ele voltou e sentou-se de novo em minha fronte.
— Passa essas notas, por favor. — Disse, só.
Bufei e me levantei, peguei minha mochila e me virei pra ele. Sasuke me olhava com um sorriso cínico estampado naquela cara linda e de um cavalo sem sentimentos que não percebe que eu tô sofrendo sabendo que ele, o dono de toda minha libido, vai pra porra de um curso no “vale do silicone”!
— Já vou. — Saí do quarto e sentei-me no degrau para calçar meus sapatos.
— Sakura! — Chamou-me, ouvi passos próximos a mim e vi sua sombra em minha frente.
— Quê? — Levantei-me e olhei para ele.
— Eu preciso terminar as coisas, é tão difícil entender isso?
— Você vai embora em dois dias e eu vou sentir pra caralho sua falta, é tão difícil entender que só quero ficar um tempo com você?
— VOCÊS BRIGARAM POR ISSO?! — A brasileira gritou.
Akemi pulou da poltrona, que agora estava sentada, e começou a andar de um lado para o outro falando algo em português. Eu, totalmente alheia a língua, puxei uma lixa de unha da gaveta e consertei meu dedo indicador.
Certo, concordo com ela que foi uma coisa bem besta, mas o que eu podia fazer se estava sentimentalmente quebrado e tentando a todo custo me manter forte e convincente que estava ótima? Meus pais firmaram a separação naquele mesmo dia e eu só queria passar um tempo feliz, apaixonado e relaxada com o cara que eu estou perdidamente apaixonada!
Ele iria passar seis meses longe, eu estava gritando por socorro!
— Sakura, minhas brigas com Itachi são mais maduras.
Respirei fundo e soltei a lixa, cruzei meus braços.
— Mas… Ahh não, o que houve depois?
— Eu fui embora. — Respondi sorrindo. Akemi jogou-se no chão, ajoelhada e juntou as palmas.
— Oh, Deus das Coisas Desnecessárias, vulgo Zayn Malik, abençoe essa criatura. — Ri e tentei voltar a minha história, mas ela não deixou e começou a cantarolar Pillow Talk pegando um travesseiro.
— SO WE’LL PISS OF THE NEIGHBOURS! IN THE PLACE THAT FEELS… parei, continua. — Ela deitou no chão com o travesseiro na cabeça e então continuou. — Se bem que “é nosso paraíso e nossa zona de guerra” combinou com vocês agora, APESAR DA COISA DESNECESSÁRIA!
Revirei meus olhos e tentei.
— Pule a parte que você passou a noite estudando para as provas do dia seguinte.
— Eu não estudei. — Ela sentou-se, repentinamente. Eu compreendo a surpresa dela. Wow, a estudiosa, exemplo da classe não estudou! — Eu sei...
— Então pule a que você chorou a noite toda. — Entortei a boca e olhei ao redor. — Você dormiu?
Neguei e sorri. Mordi meu lábio e juntei minhas pernas, abraçando-as. Deitei minha cabeça em meus joelhos e lembrei-me de cada beijo, toque, cada fala, suspiro e promessa. Naquela noite ele me tocou e eu virei mulher. Naquela noite nós ficamos juntos, fomos um só.
— Sakura… ?
Balancei meu rosto e olhei para Akemi. — Oi, o que?
— Pula pra sexta-feira.
Concordei e sorri.
O abraço dele cruzava minha cintura, seu corpo quente junto ao meu, a sensação era espetacular. Se houvesse alguma maneira de parar naquele momento o tempo, que o fizesse. Remexi-me e estiquei meu braço livre para o telefone dele que tocava, desligando-o. Deveria ser umas cinco da manhã. Virei meu corpo para o dele e encontrei seus olhos ébanos me olhando. Eu tive vergonha e rindo baixinho, encolhi-me em seu peito.
— O que foi? — Sasuke perguntou, acariciando minha costa.
— É O QUE?! — Akemi gritou pulando e se jogando em cima de mim.
— O que, o que, o que? — Perguntei sendo esmagada pelo corpo da criatura.
Balbuciando, ela tentou perguntar o que Sasuke fazia em meu quarto naquela manhã. Chegava a ser cômico se ela não estivesse tão perturbada, curiosa e prestes fazer meu pâncreas sair por meus olhos e minhas tripas por meu nariz.
Tentei explicar a ela o óbvio e a criatura só fazia gritar “detalhes! detalhes! trabalho com detalhes!”, bufei farta e a empurrei para o lado, fiquei em pé e exclamei:
— Não!
— SIM! Por favor! — Suplicou fazendo uma cara que poderia se comparar a do Gato de Botas.
Entortei minha boca, pensando.
— O que achou? — Ela se acalmou e sentou-se dobrando as pernas.
Olhando para ela ali naquele momento, aguardando com expectativa minhas palavras ou até mesmo a negação, eu vi não só a Akemi amiga, brincalhona e doida, mas sim a conselheira, que manda indiretas em uma única aula para ajudar amigas, que fala merda e diz a verdade ao mesmo tempo. Não só a Akemi, mas a Akemi!
— Dói. — Murmurei. E ela concordou. — Foi… sei lá.
Sentei ao lado dela e me abri de coração.
— Ele foi… fofo.
— Do jeito dele. — Simplificou sorrindo e concordei.
Doeu. Não uma dor que eu poderia morrer, mas algo suportável. Eu já esperava aquilo, ele foi totalmente cauteloso naquele momento, carinhoso de um jeito que jamais havia visto antes e pela quantidade exagerada de palavras que ele proferia, eu sabia que ele estava tão nervoso quanto eu.
E exatamente como ele me disse há um tempo: só aconteceu.
Veio para minha casa apenas para conversar e no final, em silêncio, veio para meu quarto, ficarmos juntos. Ele me contou toda conturbação, preocupação e dor de cabeça que estavam sendo aqueles últimos dias, as últimas coisas para acertar sobre o alojamento, câmbio, a escola e até mesmo o apartamento dele aqui; no final, acabou que todos os planos que fez para nossa tarde foram por água abaixo.
Sasuke estava calmo, mas ao mesmo tempo nervoso com tudo isso. Era paradoxo seu sentimento, mas eu conseguia compreendê-lo. E então, nesse ínterim, em meio a muita conversa, risos baixos por ambas as partes e a compreensão mútua do sentimento um do outro, as coisas começaram a esquentar, os beijos foram ficando mais ousados, os toques mais localizados e então… rolou.
— Ownt, ele tava até fofo.
— Ele precisa ficar mais preocupado, fica um amorzinho. — Comentei rindo.
— Sasuke estava preocupado com você, sabe né? — Concordei.
— Em parte, mas estava.
Contei a ela sobre nosso começo de manhã, tremendamente animado e nervoso. Sasuke precisava ir embora e uma janela ao lado se encontrava o quarto em que meu pai dormia. Despreocupados, conversamos um pouco aos cochichos, ansiosa não deixei de perguntar sobre a noite passada e ele me deu um puxão de orelha.
— “Sakura, quem deve perguntar isso sou eu, como você está? O que achou?” — Imitei a voz do Uchiha e nos levei a risadas.
— E você? — Perguntou sorridente.
Cruzei minhas pernas na cama e mordi meu lábio, lembrando-me de minhas exatas palavras, expressão e sentimento. Envergonhada, tapei meu rosto e sussurrei:
— Eu sou muito escrota. — Akemi gargalhou.
Eu estava perdidamente apaixonada, inebriada pelo cheiro, toque e a voz dele. Cada cena estava fresca em minha mente e eu rebobinava aquilo até que houvesse um bug em meu cérebro. Era mais do que eu imaginava, foi a situação perfeita, com o cara perfeito e na noite perfeita.
Foi, sem dúvida alguma, a melhor reconciliação que eu já tive em minha vida e da boca de Sasuke, ele espera que quando volte nós tenhamos mais brigas desse porte, ou seja, besteiras, e reconciliações ainda melhores.
E para ele ir embora? Ah, eu distraí meu pai quebrando um prato na cozinha e Sasuke saiu pelo telhado. Ouvi bastante pelo prato, mas minha cabeça estava quebrando meu botão mental de “repetir”.
— Oh, Saky, pula pra quando ele foi embora, quero chorar. — Akemi disse e neguei.
— Tem mais sexo? — Revirei os olhos e adiantei alguns fatos.
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