Gasolina

20 O Lado Dele


Notas iniciais
HELLOO!!! Sei que demorei, para ser exata, 64 dias. Meu recorde. 400 FAVORITOS!!! Comassim?! Quando eu vi que havia chegado nesse número, cara, eu pirei, cês não tão entendendo. Desculpem minha demora, foi o ENEM e a minha falta de inspiração, desculpem mesmo. Como sei que demorei, vou por um pouco do capítulo passado logo no início desse, okay? Tenham uma boa leitura. Reescrevi esse capítulo SEIS vezes, se não estiver bom, me desculpem.

No capítulo passado

— O que houve?

Sorriu e acariciou minha mão, chamou-me para deitar ao seu lado e assim o fiz, abraçou-me e depositou um beijo no topo de minha cabeça.

— Como foi lá?

— Não, o que houve aqui? – Questionei. Olhei-a e a vi soltar-me um sorriso amarelo e até mesmo sádico. Abriu a boca para responder-me e durante ela proferia aquelas palavras, eu só queria crer com todas minhas forças que era mentira.

— Eu vou me separar de seu pai.

Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e do modo que cause o pior dano possível.— 1ª Lei de Murphy.

Toda conversa com Mebuki rebobinava em minha mente repetidas vezes. Aquele disco arranhado e prestes a quebrar fazia-me ver a feição dela, as lágrimas e ouvir sua voz embargada e sôfrega e, junto a isso, me fazia ter ânsia e nojo de toda ditadura que vivi pensando ser um mundo perfeito.

Argh, burra! Que ódio de meu pai! Que ódio dessa cultura patriarcal que a desgraça deste Japão usa!

Ele a OBRIGOU a sair do negócio com Mikoto, desistir de todo seu sonho de ser uma gastrônoma renomada com estrelas concebidas pelo Michelin! A fez DESISTIR de um curso especializante na França, a qual havia sido convidada por uma faculdade muito famosa. E ainda foi petulante ao ter dado-a um filho.

Eu! Eu fui um modo que ele usou para prendê-la aqui. E estando grávida de mim, a fez ficar em Konoha, longe do restaurante que tanto suou para conseguir abrir, o cancelamento de toda uma viagem e ainda o fardo de me carregar por nove meses.

É isso que eu sou. Um fardo. Um estorvo na vida de meus pais que só serviu para trazer desgraças.

Que droga.

Quando dei por mim, chorava.

— Sakura — Kizashi chamou-me, abaixei meu rosto e cerrei meus pulsos em busca de alguma dor maior que a que se apossava de meu peito. —, eu te levo para a escola.

Só concordei, saindo da cozinha rapidamente rumo ao conforto de meu quarto, meu mundo “perfeito” e rosa o qual me acolhia e me mergulhava no silêncio de alguma paz.

Eu sou fraca. Fraca. Não consigo impor minha opinião, sou refém das vontades dos outros e tenho medo de viver. Eu não quero ser assim, ninguém quer, apenas vem camuflado em um sorriso falso e o contentamento.

Ao longo dos anos, Mebuki me disse que a situação foi se “afrouxando” mais, só que, recentemente, quando reencontrou a amiga bem de vida, feliz e com uma pequena empresa, sua situação mental suplicou por uma folga completa.

— Sakura, minha época de faculdade me ajudou muito a amadurecer. Eu vi o mundo com outros olhos e me libertei. Transformei meus sonhos em realidade, namorava um cara que, aparentemente, seria o homem de minha vida... meu príncipe! E havia conseguido uma bolsa de estudos na Le Gordon Bleu, eu estava feita. — Ela respirou fundo, abraçou-me e afagou meus cabelos. — Ele enlouqueceu...

Ela contou tudo que aconteceu. Foi sincera comigo em relação a tudo, conversamos como nunca antes e vi minha mãe se abrir para mim. À medida que ela me confessava, eu deduzia que fui um estorvo na família. Mebuki esperava que com meu nascimento Kizashi moderasse em sua rigidez, mas foi ao contrário, esnobou-a e a fez uma escrava de suas vontades. Servindo para arrumar a casa, cuidar da filha e reverenciar o marido nos momentos certos. Ele é o cabeça, ela é uma mera parte de sua costela. Eu destruí a vida de minha mãe com a gravidez, impedi-a de fazer o que mais sonhava.

Queria acreditar piamente no que ela havia dito, mas eu era a errada na história. Foi minha culpa.

— ... Ele enlouqueceu. Ao descobrir que estava grávida ele ficou louco, Saky. Gritou aos quatro ventos que eu não podia ir embora, que nós iríamos nos casar e eu iria cuidar de você. — Ela suspirou. — Eu sabia que não podia ir, aceitava isso, mas em momento nenhum da gestação, e depois que você nasceu, ele se disponibilizou para cuidar de você, para passar uma tarde enquanto eu... — Engoliu o choro e murmurou. — Eu fui uma escrava nessa casa, Sakura.

E após todo o desabafo, ela me suplicou para não ser idiota como ela foi com Kizashi, que eu tivesse atitude e tomasse posição com meus direitos. Eu queria fazê-lo, mas a coragem? Onde estava minha coragem? Minha audácia? Eu realmente não sirvo para ser Divergente.

Escovei meus dentes e amarrei meus cabelos em um rabo de cavalo, pendurei a bolsa no ombro e saí de meu cantinho, encontrando Kizashi me esperando encostado ao balaústre.

Chamou-me para irmos acompanhado de um sorriso amarelo. Meu pai não costuma tomar essas atitudes de me levar para o colégio, ainda mais em um começo de semana e com isso em mente me preparei para o que viesse.

Entrei no banco do carona e encostei minha cabeça na janela, fechei meus olhos e apenas me concentrei em meu sentido Tato, ignorando a audição, a visão, o olfato e o paladar. Não queria sentir nada, apenas meu contato com o mundo e o que ele havia para me proporcionar.

O carro ficou um pouco gelado, ouvi pingos contra a lataria e a o vidro da janela era recebido contra fortes gotas de chuva. A sensação de ser um fardo ainda permanecia em meu peito, pressionando meu âmago e causando-me a sensação de que tudo desmoronaria sobre mim.

Desgraça.

Abri meus olhos e virei meu rosto para Kizashi.

Todo esse dinheiro, toda essa soberba. O carro importado, o relógio Rolex, o terno Armani, o que isso importava afinal? O que isso alguma vez me importou? Importou para Mebuki?

Coragem, Sakura. Pergunte! Fechei meus olhos e bati minha cabeça no banco reprimindo todas as lágrimas empacadas. Ela só queria um marido que a respeitasse, deixasse-a ao menos viver.

Desgraça.

— Sakura — Chamou-me ao perceber que me acabava em lágrimas —, me desculpa.

Balancei a cabeça, negando. Não seria um mísero pedido que me faria vê-lo com outros olhos, ele basicamente destruiu todo o futuro de minha mãe! Foi tudo proposital! Pra quê?

— Sakura, olha pra mim. — Ele mandou, mas eu não obedeci. Pela primeira vez em muito tempo, eu não o obedeci. Permaneci com minha cabeça para o lado oposto, com os braços cruzados, torturando-me por dentro.

Fale. Fale. Fale. Fale.

— É verdade? — Perguntei entredentes.

Ouvi-o suspirar, o carro foi estacionado em uma vaga qualquer de uma rua qualquer, sobrando apenas para o silêncio permanecer. — Qual parte?

— Tudo.

— Sim. — Respondeu. Minha cabeça girava, senti todo meu desjejum subir por meu esôfago, abri a porta rapidamente e coloquei a cabeça para fora, expelindo aquilo.

Fechei meus olhos com força tentando acordar daquele pesadelo, acordar de um de meus inúmeros pesadelos, só que não era, e só fui perceber isso quando Kizashi tirou minha franja do rosto e passou a mão em minhas costas na tentativa falha de me acalmar.

— Calma, meu amor.

— Meus pais estão se separando e você ainda quer que eu tenha calma? Além de ter ouvido que fui um fardo, um motivo para que isso ocorresse?

Eu juro que não tive controle por minhas palavras, só deu vontade de falar e, sem pensar, continuei desabafando e tirando aquele embargo de verbos de minha garganta. — Que meu pai, basicamente, forçou minha mãe a não deixá-lo por capricho, engravidando-a? Pai, eu sinto muito dizer isso, mas o senhor é um nojento.

Cuspi no chão e sentei direito na poltrona. De onde toda aquela coragem tinha saído eu não sei, mas eu não estava arrependida e muito menos temerosa com a reação dele.

Puxei minha garrafa d’água da bolsa e dei um gole. Aquela dor, impotência, medo que não me deixavam, desejo de poder mudar tudo desde o começo, fazer minha mãe ter um futuro e uma vida melhor. Que... Aflição.

Virei meu rosto para Kizashi e o vi inexpressivo, olhando-me em desespero. Aspirei e passei a mão no rosto. Foda-se.

— Não sei se percebeu, mas todo esse cativeiro simulado com dinheiro e... E... – Encontrei minha garganta seca, as palavras não saiam, era tão angustiante que percebi meu corpo desesperado por ar. Desci do carro e encostei-me à porta com as mãos na cabeça, os olhos cheios de lágrimas e em busca de alguma coisa que me fizesse manter-me calma.

— Desgraça.

A água da chuva caia em meu corpo. Encharcava meus cabelos e minha roupa ao mesmo tempo em que revigorava minha alma, ergui meu rosto e senti os pingos fortes e o som das trovoadas a distância. Precisava manter-me calma, não podia abusar dos sentimentos, ele ainda era meu pai. É meu pai.

Em instantes, a tempestade começou a ser uma metáfora de meus sentimentos. O vento gélido: o sentimento que habitava meu coração; os trovoes e relâmpagos: a fúria que massacrava minha mente; as gotas de chuva: as lágrimas grossas e salinas que escorregavam por minhas bochechas difundindo-se as que vinham do céu, e tudo isso para ter como resultado, o céu nublado e frívolo o qual habitava todo meu corpo.

— Sakura — Ele me chamou ainda dentro do carro com a janela abaixada, virei meu rosto a contragosto e o vi esticando meu celular —, é o Sasuke.

No momento, a última coisa que se passou por minha cabeça foi o fato de que meu pai atendeu a chamada de meu namorado e que também é meu professor, além da naturalidade em que me chamou. Tomei o telefone de suas mãos e caminhei para dentro de uma cafeteria um pouco cheia em virtude do horário, caminhei para uma mesa e virei meu rosto para a janela vendo a movimentação da rua e a calmaria da carga d’água.

Levei meu telefone ao ouvido, ouvindo apenas a respiração de Sasuke e mais nada.

Ele havia me dito, quando me deixou em casa, que me ligaria mais tarde naquela mesma noite, contudo em razão do abalo emocional que tive, não o atendi, não respondi suas mensagens e não o retornei. De fato, fui burra. Sasuke sempre sabe o que dizer e quando o fazer, ele teria sido um bom ouvinte para minha agonia.

Seu silêncio estava turbulento. Ora bufava ora estalava a língua no céu da boca, mania que percebi nas aulas quando fazia ou falava algo incoerente com o assunto que lecionava, irritado.

Sua voz soou minutos depois de nosso silêncio e foi como uma válvula para uma enxurrada de lágrimas. — O que houve, Sakura? — Tornou a perguntar.

Fechei meus olhos e balancei a cabeça, negando. Tá, foi burrice de minha parte até porque ele não está aqui para me ver, o que eu podia fazer? Sasuke pareceu compreender meus sentimentos, perguntando:

— Onde você está?

Respirei fundo, puxei um guardanapo, enxuguei meus olhos borrando todo o rímel e o lápis de olho e vi grafado no papel o nome do local “Restaurante e Cafeteria do Ichiraku”, disse para ele e o que recebi foi uma desligada na cara.

Voltei meus olhos para a janela, vendo o carro de meu pai ainda estacionado no mesmo local. Queria gritar todos os xingamentos, descontar toda minha raiva, livrar-me de todo aquele sentimento que me atormentava.

Argh!

Ouvi o sino do restaurante e me virei, o vendo entrar tirando o capacete e um pouco molhado. Seus olhos me fitaram e um sorriso forçado escapuliu de meus lábios.

— Você veio rápido. — Sussurrei quando ele se aproximou.

— O que houve? — Sasuke perguntou se sentando ao meu lado.

Além do estilo patriarcal, o Japão é cercado pela terrível mania do “discretismo”: rir baixo, falar baixo e não é legal a troca de caricias (dar beijos, abraçar, dar as mãos) em público; todavia, isso não foi um motivo para que eu abraçasse Sasuke e me derramasse em seu peito.

Não sei dizer quanto tempo fiquei ali com ele, mas foi suficiente para que meu estoque de lágrimas, soluços e forças esgotasse, e sim, eu tô triste, mas não sou besta. Sim, nação Pirogóticas, eu fiquei abraçada a Sasuke, sentindo o seu cheiro e o calor de seu corpo, os quais acalmaram minha alma e a turbulência de meus pensamentos.

Ouvi o sino de o local tocar novamente, e foi como um toque para que eu despertasse, que eu não estava em um mundo platônico e a realidade do momento era que meus pais estavam prestes a se divorciarem.

Afastei-me de Sasuke e passei a mão em minhas bochechas. — O que houve?

Mordi meu lábio tentando controlar minha vontade imensa de chorar de novo. Droga, droga. Eu não consigo falar, não dá! Só não dá pra dizer nada. Prensei meus olhos e balancei a cabeça, negando. Eu negava tanto as lágrimas, os sentimentos nebulosos e à ele, não dava.

— Não consigo. — Sussurrei entre soluços.

Sasuke pareceu entender minha dor, puxou-me de volta para junto de si e afagou meus cabelos enquanto sussurrava que tudo ficaria bem, eu queria crer nisso, mas era apenas mais um motivo para que eu chorasse mais. O temor pelo desconhecido me atormentava e para completar, eu não poderia prever o que viesse a acontecer no futuro.

— Sasuke. — A voz de Kizashi soou muito próxima de nos, ouvi uma cadeira se arrastar e então meu pai perguntar para nós. — Querem alguma coisa?

Sentei em minha cadeira direito e observei meu pai à mesma mesa que nós. Balancei a cabeça em negativa tentando compreender o que se passava. Meu pai e Sasuke, juntos.

— Aceito um café forte. — Sasuke respondeu.

Kizashi chamou um atendente, pediu dois cafés fortes e voltou os olhos para nós, apoiou os braços na mesa e então ficou olhando pela janela, enquanto isso, Sasuke, meu professor, me abraçava e me puxava de volta para seu tórax e me dava um beijo na cabeça.

Desculpa, eu perdi alguma coisa aqui? Eu saí de casa, joguei umas verdades na cara de meu pai, vomitei na rua logo ali, meu pai atendeu uma ligação de Sasuke para mim, eu entrei em uma cafeteria e uns cinco minutos depois Sasuke estava entrando e passamos em média mais cinco minutos comigo chorando, meu pai entrou e agora pediu dois cafés e eu estou sendo abraçada por meu professor que também é meu namorado. Desculpa, que dia é hoje?

Afastei-me de Sasuke confusa, nitidamente confusa.

Pisquei algumas vezes crente que era uma peça de minha imaginação, limpei meus olhos das lágrimas e tive a mais absoluta certeza que era verdade, ambos estavam ali.

O café rapidamente chegou, o silêncio continuava a pairar. Kizashi olhando pela janela pensativo, Sasuke atualizando o Feed do Twitter repleto de notícias do Japão e do Mundo, lendo artigos em inglês e em nossa língua materna e eu, eu me encolhia de frio e me acalmava.

Aos poucos, o último ponto foi conquistado e eu estava pronta para falar sobre aquele assunto. Fitei Kizashi e ouvi-o proferir olhando Sasuke:

— Sasuke, eu quero falar com Sakura em particular, tem problema?

Sasuke ia se levantar, mas apertei seu braço, mantendo-o ali, respirei fundo e mandei:

— Sasuke e eu estamos namorando, Pai. — Kizashi nada fez, apenas deu um gole do café, apoiou a xícara de porcelana no pires e murmurou:

— Eu sei.

Meu cenho franzido foi o pedido por uma explicação, e quando houve foi chocante. — Tsunade me chamou há algumas semanas para falar sobre isso.

Confesso que havia esquecido esse detalhe, Tsunade nos pegando no flagra na sala do Grêmio, e nem pensava que ela iria chamar Kizashi, afinal temia ele descobrir. Esperei mais alguma proclamação por parte de meu pai, a qual não existiu, ele só deu mais um gole da bebida e pediu, novamente, um momento a sós comigo à Sasuke.

O moreno me olhou, anuiu e me deu um beijo na testa, cochichando:

— Estarei logo ali.

Concordei e observei-o se afastar. Voltei-me a Kizashi e ouvi-o.

— Você tem razão. Eu sou um egocêntrico nojento — elevou o olhar e encontrou o meu —, usei a gravidez para não tirá-la de mim e no final a esnobei...

Seus olhos estavam cabisbaixos, tristes, ele parecia ter percebido tudo que fez, Kizashi parecia, realmente, arrependido por tudo.

— Pensei que com o dinheiro ela seria feliz, Sakura, que vocês seriam felizes. Eu não imaginava que sua mãe passava por todo aquele conflito interno... Eu sinto muito.

Trinquei meus dentes e cuspi as palavras:

— Não, você não sente, pai. Se sentisse teria tentando evitar que a situação chegasse a esse ponto, se sentisse teria visto que ela sofria, agora você colhe os frutos do que plantou, pai. Eu que sinto muito.

Kizashi apertou com as duas mãos a xícara de café, abaixou o rosto e permaneceu assim por alguns minutos. Percebi que ele respirava pesado, vi suas mãos trêmulas procurando apoio na porcelana e reparei em algumas lágrimas caindo por sua roupa. Além de tudo isso, notei que aquele homem também tinha sentimentos, apesar de não expressá-los e eu, no papel de filha, havia os estraçalhado.

Droga, Sakura.

Suguei meu lábio inferior e abaixei meus olhos, arrependendo-me.

— Eu amo a sua mãe, Sakura. — Cochichou. — E eu lamento muito tê-la perdido.

Ergueu os orbes esverdeados para mim e mostrou-me toda sua dor, aflição, angústia e sofrimento.

Desgraça!

Fechei meus olhos e me concentrei em uma prece silenciosa, qualquer um que pudesse me ouvir, qualquer ser, luz, divindade, eu só quero que meus pais não se separem, que meu pai lute por minha mãe e mude, que minha mãe o perdoe e tudo melhore. Por favor.

Respirei fundo e lembrei-me de outro ponto que me tirava o riso:

— Eu fui um fardo?

— Não! — Tratou de responder rápido, aquilo me aliviou e acho que diminuiu minha parcela de culpa. — Você nasceu e foi a melhor coisa que nós fizemos em nossas vidas. Não se sinta mal com isso, nós nos orgulhamos de você. Ambos.

Um bico inconsciente se formou em minha boca, uma insinuação de que eu iria chorar em instantes. — Que pais não gostariam de ter uma filha como você? Presidente do Grêmio, número um de todo colégio, quer especializar em Neuro...

— Não — cortei e ele franziu —, pai, eu ainda não escolhi em quê quero me especializar, então, por favor, pare de tentar tomar minha decisão.

Ele bufou descontente e concordei. — Mas, Sakura, neurônios, impulsos nervosos, bainha de mielina, não é legal?

Ri e neguei. — Pra um cara de Humanas, ta bem de Biológicas, hein?

Ele riu e apertou minha mão sobre a mesa, olhou-me nos olhos e falou:

— Me perdoa, meu amor.

— Pelo quê? — Perguntei em um cochicho.

Kizashi respirou fundo e respondeu:

— Por não ter sido um pai presente em todos esses anos, me perdoe, Sakura.

Sorri e concordei apertando sua mão de volta, Kizashi agradeceu baixo e deu um beijo nas costas de minha mão. — Eu te amo, Saky.

— Eu também, pai. — Correspondi-o.

Eu tinha fé que toda essa situação pudesse se reverter, ele vai se mostrar diferente, tenho certeza!

O telefone de meu pai tocou e ele me pediu um minuto, atendendo-o. Conversou um pouco e ao desligar não parecia muito contente, suspirou e disse:

— Eu preciso ir, pedi para adiarem algumas das audiências dessa manhã, mas não vai dar. — Sorri e concordei.

— Tudo bem.

— Mais tarde vamos jantar? — Ergui minhas sobrancelhas, claramente surpresa com tal proposta.

Aceitei e cocei a garganta. — Mamãe também?

— Consegue convencê-la? Acho que ela... — Ele franziu o cenho com o olhar perdido em algum ponto da mesa, meu coração subiu para minha garganta ao pensar em mamãe e, pelo que parece, o dele também.

— Sim, vou conversar com ela.

Sorriu e olhou para o outro lado da cafeteria, segui seus olhos e vi Kizashi e Sasuke se olhando: — Quer que eu te leve para casa?

Neguei me levantando. Precisava conversar com Sasuke, apesar de sua expressão estar impassível ele estava preocupado, se não duvido que teria vindo tão rápido para cá.

Peguei minha mochila no carro e me despedi de meu pai, voltei ao Ichiraku e me sentei à mesa do Uchiha, em sua frente. Cruzei minhas pernas e passei os olhos pela capa do computador de Sasuke, esperando-o desgrudar os olhos da tela.

— Senhor, aqui está sua conta. — Uma caderneta de couro foi posta ao lado de Sasuke que franziu.

— Não pedi conta. — Respondeu.

— O senhor Haruno pediu para entregá-lo.

Sasuke me olhou e ergueu uma das sobrancelhas, eu juro que tentei não rir, mas foi inevitável.

— Só foram dois cafés, certo? — Perguntou o moreno pegando a carteira preta e abrindo-a.

— Na verdade, o senhor Haruno encomendou o almoço também.

Sasuke me fitou como se eu tivesse culpa, e eu só ria. Ele rendeu-se e pegou a caderneta, abrindo-a para em seguida arregalar os olhos ao ver a conta:

— Quantos?

— 18.

Ta legal, eu tô gargalhando. Sasuke me fuzilou e colocou o cartão dentro, fechando o envoltório de couro, mordi meu lábio tentando parar de rir e olhei para a atendente que tinha os olhos brilhosos enquanto digitava a tal quantia na maquineta.

Notas finais
Tô com medo da repercussão desse capítulo, vou ser sincera. Espero que tenham gostado, houve pouco SS, mas faz parte. Ahh, espero que algumas de suas dúvidas tenham sido tiradas. Bom, vou tentar não demorar tanto para a postagem do próximo, juro. Esse capítulo era para ser narração do Sasuke, mas desisti, de acordo com minha irmã estava "muita viadagem" e estava. Até, beijoos. Ahh, mereço recomendações? Por favor.