Gasolina
15 Memórias Póstumas de Sakura Haruno
Notas iniciais
Foi muita desgraça para uma semana só:
Terça-Feira: Descobri que Manu e Ayumi estavam organizando um abaixo assinado para toda a escolar poder assistir a palestra do aluno de E. Mecatrônica. Obviamente eu dei um basta nisso.
Quarta-Feira: As aulas estavam passando em um ritmo hiper-mega-blaster rápido. Em um piscar de olhos Sasuke estava entrando na sala e dando de cara com Ino ensinando Naruto e Neji a dançar forró.
Ele parou todo o cabaré que se encontrava a sala quando chegou e iniciou o assunto, contudo, não demorou muito para que o assunto músicas reiniciasse, simplesmente porque o professor nos mandou fazer alguns exercícios do módulo.
As meninas se juntaram a mim e a Karin e ficamos ouvindo música escondidas aproveitando a pouca zoada da sala de aula:
— Vocês estão mesmo ouvindo música?
— Novinha vai no chão, chão, chão... — Karin deixou-se levar pela música e fez a sala cair na risada -, me deixa cantar! — Reclamou.
— Sabe dançar professor? — Ino perguntou.
— Sei si.m — Respondeu.
DESGRAÇA! ELE SABE DANÇAR FORRÓ! Acorda, Sakura, tendo a Akemi como ex garanto que ele sabe fazer a posição do Kama Sutramais difícil. A situação ficou melhor quando Ino se levantou:
— Mentira. — Desafiou. Ela vai puxar ele para dançar, quer apostar quanto?!
— Quer ver?
DESGRAÇA ELE QUE TA CHAMANDO! Ino aceitou a proposta e mudou de música dessa vez Vou dar Virote do Neji Safadão.
Eu tô com vergonha e com medo do que vai acontecer aqui agora.
— Gaara pira! — Temari comentou e Ino revirou os olhos se aproximando do professor.
Eu tô com vergonha alheia, Ino perdeu o resto do juízo que tinha. Sasuke puxou a loira pela cintura, nisso Ino com um sorriso retardado no rosto pegando na mão dele e no ombro. DESGRAÇA! Ela é doida. Escondi meu rosto e os vi dançar a música e...
SASUKE. UCHIHA. SABE. DANÇAR. MÚSICA. BRASILEIRA.
Até rodar Ino ele rodou! Meu Deus, Ino deve estar pirando.
— CHAMA O SAMU! — Ela berrou e gritamos o wow wow wow, eles se afastaram e Ino pegou no coração olhando para o céu. — Eu tô tendo um ataque.
O professor sorriu de canto e se encostou novamente a mesa, em minha frente, Ino sentou-se novamente, desligamos a música e continuamos a aula como ela deve ser, sem música, sem alunos dançando e rindo, e muito menos de professor dançando com alunas.
Sim, porque professor só pode beijar pobres alunas durante o final das aulas e na sala do Grêmio.
Bateu o fim da aula de Inglês. Saímos da sala e fomos para o refeitório, fiz meu prato e sentei-me à mesa mais agitada e que tocava forró. Comi rapidamente e fui para a sala do Grêmio.
Enfim, vendemos MUITOS ingressos, assisti diversos pedidos de caras para levar algumas garotas ao baile e sobrei.
Sai do colégio e caminhei para a doçaria da mulher anormal que é mãe de meu professor, só que aparenta ter 25 anos. Adentrei e vi uma funcionária enchendo as prateleiras com alguns potes de Nutella, outra no caixa colocando um bolo de... Kit Kat na vitrine.
Aproximei-me e apreciei aquela gostosura divina.
— Boa tarde. — Falou.
— Boa tarde, eu quero um pedaço desse bolo. — Pedi sem tirar os olhos daquela delícia grega.
— Para viagem ou comer aqui?
— Aqui, Naomi. — Uma voz amigável atrás de mim respondeu, virei-me e vi a mãe de Sasuke e ele sentados em uma mesa.
Mikoto me chamou (lembrei o nome da mulher anormal!) e aproximei-me deles, cumprimentei a dona do estabelecimento e sentei-me ao lado de meu professor.
— Sakura, certo? — Perguntou sorrindo, concordei e retribui o sorriso, envergonhada.
Que desgraça ta acontecendo aqui?!
— Como está indo às aulas?
A primeira coisa que me veio a mente foi aquela nota ridícula que Sasuke me deu, E NÃO OUSE DIZER QUE A NOTA FOI MERECIDA! Porque não foi! Respirei fundo e respondi:
— Estou indo bem, senhora Uchiha.
— E o Sasuke, é um bom professor? Está indo bem nas aulas dele?
— Estou sim, ainda mais o zero que tirei na última prova de Física. — Indireta jogada com muito, muito, muito sucesso.
Sasuke me olhou de canto, retribui o olhar e ainda desafiei-o, erguendo uma sobrancelha:
— Zero?! Por que, Sakura? — Preocupou-se Mikoto.
— Na verdade, eu quase fechei a prova — Ela franziu, eu também ficaria confusa, mas sei o que aconteceu -, mas errei um sinal e Sasuke zerou.
—Por que, Sasuke?
— Eu falei a ela que se errasse qualquer coisa, eu iria zerar a prova. — Respondeu e comeu um biscoito de arroz apimentado.
Mikoto iria abrir a boca para brigar com o filho — ao menos eu espero -, mas foi silenciada por uma voz rouca, grossa e ao mesmo tempo suave que falou atrás de mim:
— Oi mãe.
Atrás de mim estava um deus grego alto, forte, de terno, cabelos negros e longos amarrados em um rabo de cavalo baixo. O deus grego, que eu já conheço, por Instagram, e se chama Itachi Uchiha, deu a volta na mesa, deu um beijo na mãe e bagunçou o cabelo do irmão mais novo.
— E essa adorável moça de cabelos róseos usando esse... — mordeu os lábios me olhando de cima abaixo, desgraça!!!! Sério que esse Uchiha ta me secando? Amor, eu vou ficar desidratada, para com isso. — seifuku adorável?
— Sakura Haruno, minha aluna. — Sasuke se adiantou e deu um gole da água do copo.
Levantei-me e me curvei a ele devidamente, eu e minhas manias de encontrar os engravatados com meus pais e agir como manda os costumes, ergui meu tronco e tive minha mão puxada por ele, Itachi se abaixou e beijou minhas mãos:
— Très agréables de vous rencontrer, Mlle Haruno¹. — Falou em francês. Meu Deus, tá se achando o rei da cocada ônix porque ta falando em francês comigo. — Je suis ravi de sa beauté.²
Sorri torto e respondi-o:
—Merci d'avoir vos paroles, M. Uchiha.³
Ele se levantou e sorriu malicioso:
— Linda, usando uma farda da perdição e ainda fala francês, como você caiu do céu e não se machucou, meu anjo?
Nada a declarar sobre o irmão de Sasuke, apenas... ele é lindo e muito brochante, meu Deus, quem joga esse tipo de cantada em uma pobrelady como eu?! Itachi e Sasuke Uchiha! Que sorte a minha, não?!
— Ela está com seu irmão, Itachi — Adiantou-se Mikoto
...
ESPERA! Ela está com seu irmão COMO ASSIM EU estou COM SASUKE?! Certo, que nós nos pegamos algumas vezes, eu contei para as meninas e até para a própria ex de Sasuke, mas... por que diabos ele foi abrir a boca para a MÃE?! Entendi que ele é bem ligado a mulher anormal que não parece ter dois jegões como filhos, todavia contar para a mãe que está ficando comigo?!
VOCÊ QUER ME FODER, SASUKE? se for no sentido gostoso, eu quero DESGRAÇA, CARA! SE TUA MÃE ESPALHAR PARA AS AMIGAS COROAS DE BOTOX DELA?!
Itachi franziu o cenho e olhou para Sasuke, o viado continuou com a mesma cara impassível de sempre comendo as hóstias apimentadas e eu aqui morrendo, CHAMA A AMBULÂNCIA! SOCORRO!
— Você não é professor dela? — Ele concordou e deu mais um gole da água. — E você ta comendo ela.
Eu gostaria de fazer alguns agradecimentos aqui no final de minha longa vida: Primeiro, gostaria de deixar meu telefone de boca para o professor de Física, ele que me fez ficar traumatizada com minha boca gostosa e quero dar a ele uma boca. Então, meus agradecimentos: mãe e pai, muito obrigada pela vida incrível que vocês me deram, por terem feito o pedido a cegonha e me trazido a vida, além de terem sido pais maravilhosos para mim.
Também gostaria de agradecer a minha gangue por ser uma gangue incrível, amigável, louca e dançante. A Akemi e suas dicas doidas que acho que não irei usar. A meus professores, muito obrigada por tudo.
— Não, Itachi e, por favor, não lembre que eu sou professor da Sakura.
A atendente, enfim, colocou meu bolo na mesa e fiquei observando o recheio de chocolate escorrer da massa fofinha e molhada. Que delícia.
— FILHO DA PUTA! — Mikoto pigarreou. — Desculpa, mãe. CARALHO, SASUKE! AGORA VOCÊ TA PARECENDO MEU IRMÃO! — Ele está berrando essas coisas e eu quero saber qual a finalidade. — SÉRIO QUE VOCÊ TA PEGANDO SUA ALUNA?! PORRA! — Ele se jogou na cadeira ao lado da mãe rindo. — Dando uns pegas na sala de aula, né, seus safados. É meu irmão, agora! Que orgulho, mano! Isso mesmo #thuglife!
Continuando meus agradecimentos, queria agradecer a Mikoto Uchiha por ter sido a responsável inicial de minha morte. Querida, se você não tivesse parido essas duas beldades gregas perfeitamente esculpidas pelos anjos, eu não teria tido um enfarto no meio de seu restaurante e morrido de cara a um bolo.
Mentira, mas teria sido legal, me livraria de um santo problema: olhar para a MÃE de Sasuke.
Como Sasuke, um cara paciente, relaxado, centrado, com juízo, inteligente foi ter um irmão dessa laia? Como essas duas criaturas foram encomendadas pela mesma cegonha com a mesma empacotadora e o mesmo caminhão de entrega? Ainda não entendo essa vida.
— Itachi! — Reclamou Sasuke e o mais velho mordeu a língua rindo, alguns segundos de silêncio se instalaram.
— Akemi me ligou ontem, — Comentou o mais velho. O nome de Akemi tem poder, isso significa que vai vir muita merda agora... quer apostar? —, sabia que ela também tem um seifuku?
E deu uma risada maliciosa.
Eu vou vomitar. Akemi é mais rápida do que eu pensava, já atacou o Uchiha mais velho... boto fé naquela criatura.
—Não, Itachi. — Respondeu e voltou a comer suas hóstias.
Sasuke virou o rosto para mim e murmurou:
— Preciso de sua ajuda.
Justamente na hora que eu vou levar a desgraça do garfo cheio até a boca e provar essa delícia, ele me interrompe.
— O que? — Perguntei desconfiada.
— Termina aí que eu explico. — E voltou os olhos para os biscoitos.
Comi o pedaço do bolo e fechei meus olhos jogando minha cabeça para trás:
— Ganhou o coração da norinha, mãe. — Itachi, o à-toa, comentou.
EU ENGASGUEI COM A PORRA DO BOLO! Desgraça! Murphy é você de novo, seu filho da desgraça, desgraçado?! Dei um gole da água de Sasuke e respirei fundo.
— O que? — Ousei perguntar olhando para o irmão de meu professor.
∞
Ainda é um mistério como eu saí viva daquela doceria.
Ainda é um mistério como eu aguentei ficar na garupa do professor a caminho de seu apartamento viva.
Ainda é um mistério... Murphy é bom você ter as respostas, eu tô chegando.
Entrei no apartamento sendo seguida por Sasuke, tirei meus sapatos logo na entrada e tomei a liberdade de colocar os cupcakes na geladeira. Ele pareceu não se importar com meu ato, somente se aproximou pegou um copo com água e me chamou acenando com a cabeça.
Atravessamos a cozinha, depois a sala de TV, passamos pelo bar e entramos na primeira porta à direita. Era um escritório bastante amplo e bonito.
Na frente havia uma grande janela que ia do piso ao teto, a maior parede continha diversas prateleiras de vidro e de madeira repletas de livros, máquinas e robôs, uma mesa com pernas de ferro e a tampa de vidro, uma cadeira de rodinhas acolchoada preta, um computador grande e um notebook aberto ao lado. Além de tudo isso, havia uma sala íntima com um tapete branco cobrindo parte do piso de madeira, um sofá branco, duas poltronas e uma luminária de ferro.
Sasuke entrou, pegou um controle, abriu as cortinas mostrando toda sua vista esplêndida para Konoha.
Soltei minha mochila em cima do sofá e aproximei-me da janela. Era incrível! Eu conseguia ver o parque de cerejeiras, ver a ponte que cruzava o pequeno rio, o shopping, o prédio da prefeitura, os bairros nobres.
— Eu quero uma janela assim quando eu morar sozinha.
— Eu tenho um quarto sobrando, se quiser se mudar... — Revirei os olhos sorrindo e me aproximei de Sasuke.
Ele estava sentado na cadeira mexendo em um computador digitando rapidamente, aproximei-me dele e franzi o cenho vendo o que ele fazia e não entendendo nada.
— Para quê quer minha ajuda?
Sasuke empurrou a cadeira e se aproximou de um armário ao lado da porta, abriu uma das gavetas e puxou uma câmera fotográfica, voltou para perto do computador e conectou o cabo USB da câmera a entrada do computador.
—Sorria. — Franzi e arrumei meu cabelo.
ELE QUER UMA FOTO MINHA?! Okay...
Sorri e ouvi o click da foto, em instantes minha cara estava na tela do computador dele. Sasuke mexeu em umas coisas e salvou a foto em um disquete, empurrou a cadeira e pegou um robozinho preto que parecia um cachorrinho.
Voltou a mesa segurando-o e colocou o disquete no rabo do cachorro, esticou um carregador e ficou esperando-o ligar.
— Você que o construiu? — Perguntei. Ele concordou em um murmuro e deixou um sorriso aparecer em seu rosto quando o robô deu sinal de vida.
O cachorro olhou ao redor e parou os olhos em mim, sentou-se e ficou com o rabo balançando.
— Sasuke...? — Esperei a explicação dele.
— Configurei você para ser a dona dele, só preciso gravar seus comandos de voz que ele estará perfeito para usar na apresentação.
Sorri torto. Desgraça! Ele me deu um cachorro!! Adorei.
Sasuke arrastou a cadeira novamente e voltou com um microfone, conectou-o ao computador e falou:
— Basta você falar comandos básicos, eu vou salvar sua voz e então ele vai responder.
Concordei e coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha olhando para o cachorro que variava o olhar entre mim e Sasuke:
— Deita — Mandou e o cachorro deitou. — Eu configurei para mim antes, vou usar esse protótipo em outras apresentações.
Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo frouxo e sentei-me no colo de Sasuke, ele me mandou falar e fui falando uns comandos básicos que se tem com um cachorro. Senta, deita, rola, fingi de morto, dá a pata e fala.
Ele pausou e mexeu no computador, comigo ainda no colo.
ANTES QUE VOCÊ ACHE QUE EU TÔ ME APROVEITANDO DO PROFESSOR, que fique bem claro que ele está com uma mão em minha cintura, me segurando aqui junto a ele, eu só estou aqui... é, eu tô aproveitando. Ino que dança, mas eu que beijo e sento no colo.
Beijo, inimigas.
Sasuke tirou o driver do totó robótico e colocou novamente no computador, passou todos os arquivos e suas instruções e explicou:
—O driver é o cérebro do robô, do computador, de qualquer coisa eletrônica. Nele ficam todas as funções a serem feitas pelo aparelho, e aqui — mostrou-me o disquete — estão todos os comandos, todos os receptores.
Ele colocou no brinquedo novamente e em segundos ele tomou vida, ficou nos olhando com o rabo balançando e soltou um som que se assemelha a um latido, no mesmo instante as LED's de seusolhos piscaram azul.
—Ér... senta — Mandei e o cachorro sentou. MEU DEUS, ELE SENTOU!
Me virei para Sasuke, o moreno me olhou mordendo os lábios, era perceptível em seus olhos que ele estava contente com o trabalho e eu estava feliz por ele.
Senti a mão dele subir por minhas costas e desfazer meu coque provocando um arrepio em minha espinha, remexi-me e fechei meus olhos respirando fundo. Virei meu rosto para ele e sorri torto, aproximei-me e lhe dei um selinho tímido, ele revidou e começamos um beijo de verdade. Um beijo desesperado, proeminente, desejoso.
Passei minhas mãos pelo torso de Sasuke.
A posição ta ruim. Afastei-me de Sasuke e sentei-me em seu colo de modo que cada uma de minhas pernas ficasse na lateral do corpo dele.
Beijei-o calorosamente sentindo sua mão apertar cada milímetro de meu corpo. Cochas, cintura, glúteos, meus braços, meu dorso, meus ombros.
Eu amava o toque dele, apesar de ter consciência do quanto isso é arriscado ainda me fazia desejá-lo mais e mais e mais. Isso é tão errado, mas é tão bom.
Sasuke passou as mãos por minhas pernas e ergueu seu tronco aproximando-se mais de mim, usei o espaço que se formou atrás de suas costas para enlaçar-me nele, Sas se levantou, apertando-me contra seu corpo e caminhou para algum lugar em meio a nosso beijo.
Ele se abaixou e repousou minhas costas em uma superfície confortável e macia, afastei-me para tomar fôlego e vi que ainda estávamos no escritório, de certo modo me senti aliviada por não estarmos em um local mais propenso a... perder o cabaço.
Tirei minhas pernas de trás de Sasuke e encostei-me no encosto dando espaço para ele se deitar ao meu lado, o Uchiha passou os beijos para meu pescoço e cheirou ali.
—Sasuke... — Chamei-o. — nós nunca conversamos antes.
Ele me olhou e me deu um beijo no queixo. Eu queria que as coisas entre nós se aprofundassem, mas ainda existiam algumas coisas que me deixavam com um pé atrás, ele não sabia nada sobre mim e eu não fazia ideia de coisa alguma sobre ele. Em minha concepção, para aprofundarmos as coisas, poderíamos saber uma ou duas coisas a respeito de nós.
— O que quer saber? — Perguntou.
Ajeitei-me no sofá e levei minhas mãos aos cabelos dele, acariciando-os.
— Por que um estágio como professor se poderia arranjar um na companhia de seu pai?
Ele respirou fundo e olhou para o lado:
— Boa pergunta. — Sorri torto e enrolei uma mecha em meus dedos — Eu pedi a Fugaku uma vaga, sim... mas ele disse que eu deveria conseguir um trabalho lá de meu próprio esforço e não com a ajuda de terceiros. — Sasuke respirou fundo — Fugaku carrega consigo a concepção de que "as pessoas apenas vão crescer se fizerem com o próprio mérito", então... o que achei foi como professor.
— Ao menos você vai expandir seu currículo... — Tentei ver o lado bom nisso.
— O que é um estágio como professor comparado a um na empresa de robótica Uchiha, certo? — Ironizou.
Revirei os olhos e rebati:
— Lá você não conheceria uma garota de cabelos róseos.
Ele sorriu de canto e complementou:
— Que poderia custar meu currículo manchado... de rosa — Ri e revirei os olhos.
— Lembrando que foi você que começou isso.
Ele concordou. Bocejou e deitou-se em meu ombro:
—Sua vez. — Sussurrei.
— Como é ser filha do juiz mais temido de toda Konoha? Talvez do Japão?
— Eu mal vejo meu pai, eu lá sei... — Respondi.
Surpresa. Meu pai é o renomado juiz Kizashi Haruno. Que interessante, vai mudar minha, vossa, nossa vida! Ele bocejou novamente e se sentou, sentei-me ao seu lado e perguntei:
— Por que mora nesse apartamento gigante sozinho?
— Era de Itachi, mas ele se mudou para outro prédio e comprei esse dele. — Respondeu e, em seguida, perguntou — Do que tem tanto medo? Por que tanta insegurança?
Como ele abre a boca para perguntar isso? Quer mais adrenalina do que a que estamos vivendo hoje? Agora?
Respirei fundo e virei meus olhos para o teto, procurando as palavras corretas:
— Olha o que estamos fazendo, Sasuke...
— Não, não tô falando nesse sentido, tô falando de tudo, Sakura. Você vive à mercê de seus amigos, tem medo do que pode acontece, é insegura. Sakura, por mais que nunca tenhamos conversado eu sei bastante sobre você...
COMO ELE SE ATREVE A DIZER QUE SABE COISAS SOBRE MIM?! Ele não sabe nada de minha vida, não conhece minha história, nunca nem conversou comigo! E abre a boca para dizer essas... inverdades?
— EU NÃO TENHO MEDO! — Berrei incrédula e...
Eu sou insegura, desgraça. Sim, Sakura, você é insegura. Você não se arrisca, não toma frente em alguma coisa, apenas se move depois que os outros passam e não caem na areia movediça. Você é fraca, Sakura. Nem fazer um discurso de apresentação, tomar uma atitude para sair com os amigos... você seria sozinha se Ino, Naruto, Sasuke não fossem insistentes.
— ...eu não sei, meu pai é um juiz famoso, minha mãe é submissa a ele e apenas faz o que ele manda, eu cresci em um lar em que a mulher deve se sentir insegura, deve ser totalmente refém a um homem, com isso... acho que passei a ter mais problemas com minha fisionomia e esses... psicológicos.
De todo meu desabafo, Sasuke apenas processou a última parte:
— Fisionomia?
Olhei para Sasuke:
— Minha testa — Ele suspirou e revirou os olhos, fazendo-me sorrir — Eu sempre odiei minha testa! Ela é gigante! Com esse detalhe eu só fiquei mais... insegura. — Sasuke derrubou-me no sofá e me deu um beijo na testa e outro na ponta do nariz e, enfim, um selinho nos lábios.
— Eu gosto de sua testa.
Ele quer me deixar louca. Tenho quase certeza absoluta disso. Abracei-o e senti Sasuke nos virar e me deixar em cima de si. Deixei uma perna entre as suas e outra dobrada próxima as costas do sofá.
Mordi meus lábios temendo olhá-lo, Deus sabe-lá como ele deve reagir a minha próxima confissão:
— Então, somando tudo isso tem... eu. Acho que é por isso que eu tenho medo de falhar, tenho medo de me deixar pelo o que os outros dizem e acabar virando uma escrava de um cara... ou morta. Morta por minhas inseguranças e meus distúrbios psicóticos.
Sasuke passou a mão em meu rosto e puxou-me, fazendo-me deitar em seu tórax. Abracei-o e ouvi-o:
—Eu nunca vou te perdoar se alguma coisa dessas te acontecer, Haruno. Eu juro.
Sorri e encaixei meu rosto em seu pescoço, aspirando seu perfume amadeirado, sentindo sua pele em atrito com a minha, sentindo leves cargas de energia transpassando nossos corpos.
Enfim, quinta-feira. Aulas normais, nada muito diferente. Somente uma aula de Física em que eu fiquei olhando para a janela parecendo uma retardada, lembrando dos momentos no dia anterior, quando eu estava beijando e ouvindo o professor — que dava aula no momento falando sobre alguma coisa relacionada a tomadas e cargas de energia (220V e 120V) — sussurrar coisas em meu ouvido, as quais me fizeram ter uns sonhos bem eróticos e... eu acordei molhada e soada, me julguem eu deixo.
Foi bom. Nossa eu nunca tive um sonho tão realista que me deixasse louca daquele jeito! Desgraça, eu quero meu professor em minha cama, em cima de mim, me penetrando e me chupando.
Me julguem.
Eu quero a lei de Ohm de Sasuke em mim... alguém me ajuda.
Sexta-feira. Dia tão aguardado por todos os alunos (todAs As alunAs, principalmente).
Estava na cantina em uma mesa com meus amigos, havia terminado meu almoço e apenas jogava conversa fora. As meninas estavam ansiosas para a palestra do aluno Sasuke Uchiha, estudante de E. Mecatrônica na UK (Universidade de Konoha).
— Olha ele ali, — Karin balançou meu braço, justamente na hora em que eu roubava um pedaço do cheesecake— olha o bonitão!
Nisso todos da mesa ou se viraram, ou levantaram os rostos, ou ficaram em pé (Naruto super discreto) para ver o professor de Física entrar no refeitório. Só não entendi toda essa curiosidade, mas tudo bem, a gente releva por que Sasuke Uchiha estava. Incrivelmente. Sexy.
Alguém me segura que eu vou pecar!
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