Gasolina

18 Me Ensine, Professor


Notas iniciais
Vim rápido, não vim? Espero que gostem do capítulo e obrigada pelo carinho, vocês não sabem como fico feliz em ver que gostam de Gaso e esperam ansiosas os próximos capítulos. Muito obrigada, mesmo. Boa leitura.

—Sakura, quem é o moreno bonitão que está lá embaixo dizendo ser seu professor de Física? – Vir-me-ei para mamãe e engoli em seco reparando no olhar malicioso em cima de mim – Você ta maquiada?

—Não, de onde tirou essa idéia? – Perguntei, cínica.

É claro que eu estava maquiada, dã! Depois do vexame na sala do Grêmio ontem quero mostrar a ele que sou uma mulher decidida, determinada e que não é insegura. Mesmo assim não quero ir para essa festa, não me julguem. Além do mais, eu não quero que ele tenha a ilusão de que sou um ser desleixado dentro de casa que se contenta com calças de flanela e blusas velhas e furadas, eu não sou dessas.

Mentira, mas vamos iludir que funciona.

Calcei umas rasteiras vermelhas e sai de meu quarto desfazendo o coque e refazendo um mais bagunçadinho, porque eu li em algum lugar que professores de física tem taras pelos coques mais bagunçados que existem e eu li essa pesquisa depois de chegar à conclusão inóspita que meus coques são realmente horríveis.

—Sakura, se seu pai sonha que você ta dando em cima de seu professor.

—Eu não to, mãe! – Leia eu fazendo charme – Tá louca? – Neguei demonstrando veemência e sai do quarto arrumando o sutiã com a intenção de aparentar algo a mais de seios.

Desci as escadas e vi Sasuke analisando a casa com as mãos no bolso do casaco, ele ta lindo. Lindo. Perfeito. Como alguém está tão perfeito em um sábado às dez da manhã? Eu jurava que isso fosse contra as leis da beleza, mas Sasuke Uchiha se mostra rebelde o suficiente para me fazer negar com todas minhas forças que sim, é possível um deus grego aparecer em minha casa às nove da manhã.

Eu amo isso.

Ele me olhou, senti seus olhos passarem por minhas pernas descobertas, meu tronco e pousarem em meu rosto, engoli em seco e tentei forçar um sorriso:

—Professor. – Falei enquanto segurava com todas minhas forças minha vontade em ir beijá-lo.

—Sakura. – Retribuiu o cumprimento, lançando-me seu sorriso sacana.

Ouvi o pigarrear de minha mãe e sai de meu transe, me virei para ela e achei adequado apresentá-los formalmente, se não poderia acontecer dela achar que está rolando alguma coisa entre nós, e sinceramente, por mais que esteja eu não acho que seria muito racional deixar minha mãe a par disso.

—Mãe, esse é Sasuke meu professor de Física. – Ela desceu as escadas sorrindo e esticou a mão:

—Mebuki Haruno, muito prazer, professor.

—O prazer é meu. – Respondeu e sorriu.

Porra! Eu demorei um mês pra o ver sorrindo tão contente assim, ele ta tentando fazer a média com minha mãe, é?

Falei que iríamos estar no escritório e sai andando após pedir para Sasuke me seguir.

O escritório era onde meu pai enfiava todo tipo de coisa que trazia para terminar em casa, por esse motivo era tão lotado de papéis e uma bagunça que aos olhos dele era onde se encontrava, e graças a essa bagunça, fomos obrigados a nos contentar com a sala de janta.

Peguei meus cadernos no quarto e voltei ao encontro de Sasuke, sentei-me ao lado dele e perguntei:

—Por onde começamos?

Ele puxou uma folha da pasta e me entregou, analisei as palavras e lembrei-me como um deja-vú que já havia as lido antes:

—Refaça a prova.

Respirei fundo e cruzei minhas pernas em um ato impensado que foi suficiente para fazer com que os orbes de Sasuke descessem para aquela região:

—Você ta em minha casa. – Lembrei anotando as formulas no roda-pé da folha.

—Eu percebi. – Respondeu.

Revirei os olhos e respondi as primeiras questões sobre os olhos minuciosos e calculistas do professor, ele se aproximou de mim e perguntou mais próximo ao meu ouvido do que devia.

—Dois pólos positivos se atraem, Sakura?

Voltei a questão que falava sobre isso e vi que havia escrito que ímãs de mesmo sinal se atraiam, entortei a boca enraivecida de meu desatento e apaguei murmurando:

—Um professor com outro não se atraem.

—Alunas são mais atraentes.

Aquela simples frase, dita em meu ouvido, fez com que meu corpo tomasse uma atitude totalmente imprudente, além do arrepio de ouvir sua voz rouca e grossa, sua respiração quente em meu pescoço fazendo-me, inconscientemente, arfar, meu tronco girou-se ficando de frente a ele tomando seus lábios junto aos meus.

A excitação de sermos pegos por meus pais, o desejo por esse toque, o medo de sermos flagrados, fez com que aquele beijo ganhasse um quê diferente, um toque especial que me deixou completamente quente. E aquilo era bom.

As mãos de Sasuke deslizaram por meu corpo, apertando minhas pernas e traçando uma trilha por minha pele alva exposta. Apertei seus cabelos da nuca e pressionei sua boca junto a minha, suplicando por mais. Acordando de nossa posição e nosso ato, afastamo-nos arfantes. Voltei meus olhos para a folha, trêmula com todo o desejo que crescia em mim. Eu quero subir mais um passo, mas será que ele também quer?

Terminei a prova no mesmo instante que meu pai entrou na sala:

—Professor! – Aproximou-se e cumprimentou Sasuke. – Vai ficar para almoçar, não vai?

Diferente do que eu pensava que pudesse ser uma total desgraça, eu estava ansiosa por aquele momento e mostrei isso quando incentivei meu professor a almoçar conosco dando a velha e boa desculpa de continuarmos o aprendizado depois de comermos.

Percebendo minha empolgação com isso, Sasuke aceitou.

Ajudei mamãe a pôr a mesa e então nos sentamos todos. A priori, tudo ocorria bem, mas foi só eu saber que Sasuke amava tomates que me lembrei do vexame alguns dias atrás, em um restaurante gritando rola para Deus e o mundo e sobre o fato injusto dele já ter visto meus limões.

Eu soube que a desgraça iria começar quando começaram a interrogar o coitado:

—Então, professor, seus pais trabalham em que?

—Meu pai é presidente de uma empresa de robótica. – Kizashi tombou a cabeça para o lado e perguntou com uma cratera entre as sobrancelhas:

—Quem é seu pai?

—Fugaku, Fugaku Uchiha. – Respondeu.

Meu pai limpou a boca com um guardanapo e sorriu largamente, aparentando felicidade com as repostas do professor. Só espero que ele fique feliz desse jeito quando eu disser que to dando uns pegas nele, nada demais.

—Senhor Uchiha, você é...

—Não creio que Fugaku é seu pai! – Meu pai cortou minha mãe, olhei para ela e a vi de cabeça baixa em silêncio. – Pretende seguir os...

—O que dizia senhora Haruno? – Interrompeu meu pai, Sasuke.

Esse almoço vai ser realmente muito interessante. Meu pai encarou Sasuke parecendo um touro prestes a avançar no toureiro, minha mãe sorriu largamente ao ser chamada na conversa pelo visitante e eu vi a Terceira Guerra acontecer diante de meus olhos.

—Você é formado em Física, ou...?

—Eu estou me formando ainda, trabalho na escola como estágio.

—Ahh, e qual seria o curso?

—Engenharia Mecatrônica. Quero trabalhar com meu irmão e meu pai na empresa.

Os próximos minutos só se ouviram o tilintar dos talhares e sentiu-se um clima desconfortável pairar sobre o almoço, até que Sasuke resolveu falar novamente:

—A senhora tem uma formação, não tem senhora Haruno? – Ela sorriu largamente concordando, provavelmente nostálgica com aquele assunto:

—Sua mãe lhe contou?

Ele concordou sorrindo de canto e eu fiquei com minha cara mais retardada que eu possuía em minha coleção de faces de retardada porque é a única coisa que eu faço de certo na vida: ser retardada. O que ta acontecendo aqui? Não to entendendo, o que a mulher que parece ter 25 com um filho de 21 quer com minha mãe?

Pior do que fazer uma cara de retardada é não disfarçar e ser alvo final de todos que estão ao redor, causando uma aflição neles e a súbita vontade de perguntar o que houve e após a pergunta de mamãe eu me vi obrigada a murmurar um “hã?” agudo e aumentando minha careta.

Inconscientemente, é claro.

—Eu trabalhava com Mikoto, nós possuíamos um restaurante logo após a época da faculdade. – Explicou.

Certo, minha mãe é formada em Gastronomia, sei que teve um pequeno restaurante com uma amiga logo depois de se formarem e foi lá que conheceu meu pai, ele precisava de dinheiro e trabalhou como garçom para pagar as contas e terminar a faculdade de Direito, ela ficou grávida da linda aqui e parou de trabalhar a pedidos dele. Só que... como não acrescentam que a parceira de negócios de Mebuki foi justamente a MÃE DA DESGRAÇA DE MEU PROFESSOR?! QUE PARA COMPLETAR É A DESGRAÇA DE MEU FICANTE?!

Meu mantra: Desgraça.

Começou, ta vendo? É assim que Ohm e Murphy começam a desgraçar minha vida, quer apostar quanto que a situação só vai se agravar? Não, agüento mais isso não, desisto.

—Por que não tenta de novo? – Sugeriu Sasuke.

Ele ta querendo comprar briga com a ditadura machista implantada por meu pai nessa casa e, essa briga sempre acaba com ele ganhando e uma Sakura trancada no quarto com raiva e uma Mebuki sem dormir direito.

—É da sua conta, Uchiha? – Perguntou Kizashi, olhando-o com instigação.

—Tem razão, que ousadia a minha. – Ergueu as sobrancelhas e voltou a comer sem proferir mais nem uma palavra. Eu sabia que não iria parar por ali, eu conheço Sasuke Uchiha a tempo suficiente para ter certeza que aquela cabecinha morena estava pensando em algo para deixar meu pai puto da vida.

E, me julgue, mas eu estou ansiosa para saber o quê. Dando uma ajuda a futura treta que eu queria que houvesse, falei:

—A senhora nunca falou que tinha uma parceria com a Mi... senhora Uchiha.

Mebuki sorriu de canto e olhou para Sasuke e depois para mim, ouvi meu pai resmungar e dizer:

—Você dizia que iria namorar o filho mais velho deles, não lembra?

E assim existiu uma Sakura Haruno, parti dessa para melhor, bati as botas como a Doroty bate os sapatos, foi bom enquanto durou, mas... não da mais. Eu pensava que Murphy e Ohm influenciassem apenas meu futuro e não meu passado. OU PIOR, EU NASCI COM ELES IMPREGNADOS EM MIM! Rapaz, se eu descobrir que jogou esses encostos em um pobre bebê, eu juro que eu faço ir atrás do Edward e do Simon no inferno.

Olhei de canto para Sasuke e ele mastigava a comida me olhando de esguelha, quando me viu retribuindo o olhar ergueu uma sobrancelha. Desgraça, eu sabia que ele estava com um projeto de ciúmes na quarta-feira, mas e se ele tiver mesmo ciúmes de mim? Isso significa que ele gosta de mim? Não, né?

MEU DEUS, E SE ELE GOSTAR DE MIM?

—Dizia? – Perguntei com alguma coisa de voz emanando de minhas cordas.

Observei Mebuki rir e ironizar:

—E ironicamente está com o irmão.

Como assim “está com o irmão”? A última pessoa que disse isso foi a mãe de Sasuke para Itachi quando ele deu em cima de mim em francês e se eu me lembro bem aquele dia foi bem louco... MEU DEUS, QUE DESGRAÇA! É UM COMPLÔ DAS MÃES PARA NOS JUNTAR? E o pior: elas se conhecem!

—Estudando, né? – Reclamou com ironia meu pai olhando duvidoso para Mebuki que concordou rindo. – Porque ta rindo? Ta acontecendo alguma coisa que eu não sei?

E em frações de segundo passaram em minha mente minha vida inteira, todos os momentos mais importantes de minha vida, todas minhas vitórias e todas as semi-mortes mentais que me autorizei a ter, e infelizmente quando sai de meu mini transe com um cutucão em minha perna vindo da pessoa a minha esquerda, encontrei um Kizashi esperando minha resposta e uma Mebuki sorrindo maliciosa.

E mais uma vez eu demonstro meus níveis extremos de retardada.

—Quê?

Boca gostosa.

Pisquei algumas vezes saindo de meu transe e sentei corretamente na cadeira antes de olhar para Mebuki, que se levantou rindo baixo, retirando seu prato. Olhei para meu pai que resmungou algo do tipo “é minha filhinha ainda” e depois para Sasuke que sorria de canto, sacana.

QUE. DESGRAÇA. ACABOU. DE. ACONTECER. AQUI?

Aproveitei a noite para relaxar, aquela havia sido uma tarde turbulenta, como se tivesse como piorar Sasuke foi dar uma de bom moço e se ofereceu para ajudar a arrumar a cozinha, claro que com segundas intenções e desceu elogios em cima de mim e em cima da comida e da casa.

Dos dois um, ou ele é muito calculista e já ta se preparando para fazer algo de maior porte, do tipo desgraça mundial, ou ele ta tentando ganhar a sogrinha.

E enquanto estávamos na cozinha, os três ressalto, eu cheguei à conclusão que não era nenhum dos dois e sim a terceira opção invisível nas alternativas: Sasuke Uchiha quer me foder, em todos os sentidos, por que digo isso? Bom, ele ganhou totalmente o coração de minha mãe, depois me encheu de elogios, me mandou sorrisos sacanas e ainda disse que iria adorar um reencontro das famílias para “relembrar os velhos tempos”.

Ou seja, ELE QUER ME DESGRAÇAR!

Ou seja², MURPHY E OHM O QUE QUEREM DE MIM?

Ou seja³, eu vou morgar nessa banheira sem pensar em meu professor, cujo passou à tarde comigo estudando Física e Química (aproveitei os conhecimentos químicos dele).

Acendi os incensos de baunilha e preparei a banheira com alguns sais e algumas gotas de óleo essencial de cerejas, entrei e encostei minha cabeça na toalha enrolada, fechei meus olhos e aproveitei o ambiente calmo, refrescante e de poucas luzes para pôr em ordem meus pensamentos.

Mas, meu celular tocou.

Peguei-o na mesinha de vidro ao lado e vi quem me convocava.

—Boa noite. – Saudei arrumando-me mais confortavelmente e preparando-me para ouvir o que ele havia a dizer-me:

Ta fazendo o que? — Perguntou.

Fechei meus olhos ponderando se falava e corria o risco de atiçar os sentidos de Sasuke ou mentia, radicalmente optei pela primeira:

—Na banheira. – Ouvi um bufar do outro lado e sorri, eu poderia não correr o risco e sim fazer por querer, não é? Seria algo interessante, além de inédito em minha vida, claro se saísse como eu esperava. – Relaxando, sozinha e rodeada de incensos, e você?

Para quem não queria pensar em Sasuke, está dando muito certo, hã?

Nada muito interessante. Você não gostaria de saber.

Ri e dobrei minhas pernas:

—Desde quando sabe o que eu gosto?

Eu to duro, Sakura.

Informação demais para minha cabecinha rosa processar, senti meu rosto queimar e meu coração acelerar ao pensar que pudesse ser por minha causa, engoli em seco e perguntei:

—Por minha causa?

Por que acha isso?

—Não fui eu quem ligou, foi? – Questionei sentindo que havia o deixado sem saída, ouvi uma risadinha curta de Sasuke e então ele murmurar:

Você às vezes me surpreende, Sakura.

Entrelacei minhas pernas, arrepiada com a entonação da voz dele contra meu ouvido, eu queria ouvir essa voz bem próxima a mim, queria ouvi-lo aqui ao meu lado, dentro dessa banheira comigo, sussurrando e beijando-me por inteira, fazendo-me sua e possuindo-me.

Ahh, como eu queria.

—Como faço isso?

Sua inocência. — Disse com a voz mais rouca que o normal – Ela me excita.

O ar me faltou por alguns segundos. Precisei enfiar uma mão na água para segurar meu corpo que queria fraquejar naquele momento, suspirei e perguntei, enfim recuperada.

—E como faço para parar isso?

Não pare, é minha diversão.

—Suas opções de diversão estão poucas assim, professor?

Escorreguei minhas mãos para minha barriga apertando-a entrei meus dedos, mal ele sabia que eu começava a sentir algo se acender em mim, somente com aquela troca bem escolhida e precipitada de palavras.

Infelizmente, sim. – Respondeu, suspirando em seguida.

—Há algum modo de eu ajudar?

Perguntei e sorri maliciosa, mordi meus lábios e passei um pé no outro. Eu estava mesmo sentindo algo em mim e a cada vez que ouvia sua voz eu percebia que muito provavelmente não seria contentada com meras palavras pelo telefone.

Sasuke ficou em silêncio por um tempo e então murmurou – Se toque para mim, Sakura.

Permaneci silenciosa por alguns segundos tentando criar coragem para fazê-lo, desci minha mão por minhas pernas e tentei chegar , mas me faltava conhecimento e coragem, principalmente conhecimento.

—Não sei como.

Faça, Sakura. — Insistiu.

Pressionei meus lábios um contra o outro, pensando como começar aquilo e satisfazê-lo, eu queria que ele ouvisse o quanto o desejo e queria ainda mais o ouvir clamar meu nome em formas “errôneas” para um professor e uma aluna.

—Me ensine, Sasuke. – Gemi no telefone ouvindo-o arfar do outro lado.

Já ouviu falar em vídeoaulas?

—Eu prefiro presenciais. – Respondi, escorregando minha mão por minha intimidade.

Foi um convite? — Sorri maliciosa, elevando minha mão para um de meus seios.

—Se tiver sido? – Ousei perguntar, passando pelo meu seio intumescido para meu pescoço, desejando seus beijos por todo meu corpo.

Se disser que sim, em quinze minutos você terá sua aula.

Notas finais
Beijoooos