Gasolina

10 Levemente Alterada


Subi correndo e troquei de carta com minha mãe. Sim, apenas quem havia recebido o coringa iria participar do jogo. E qual seria? Esconde-Esconde.

Sim, Esconde-Esconde.

Mas, não seria um jogo comum, sabe como seria? Entraríamos em um salão escuro repleto de corredores e salas, os de branco seriam a caça e os de preto os caçadores. Eram dez pessoas de preto e dez de branco, eu era um desses de branco, que seriam a caça.

Ino explicou que a brincadeira ocorreria da seguinte forma: cada pessoa de preto seria designada a encontrar uma determinada de branco, e que dentro do labirinto haveria outras pessoas de branco para confundir os caçadores.

Seria interessante. Foram designados os pares e adivinhe quem iria me encontrar? Hinata. Ela ficou rindo me ameaçando e eu neguei diversas vezes.

Entrei pela porta branca e segui um caminho iluminado por luzes vermelhas, provavelmente, Ino também brincaria e para se fundir aos brancos nada melhor que deixar todos vermelhos.

Entrei nos cômodos daquele labirinto e esbarrei em outras de preto que me olhavam e viam pela máscara se eu era ou não suas presas. Avistei Hinata caminhando do outro lado e segurei o riso indo para o outro lado, entrei em uma sala de jantar e me encolhi atrás de um móvel marrom antigo.

— BÚ! — Virei-me assustada e vi Hinata gargalhando.

— Como me achou? — Ela apontou para a porta atrás de mim e bufei.

— Eu acho que entendi porque Ino teve essa ideia tosca. — Hina comentou enquanto saíamos, olhei para ela franzida e perguntei:

— Não é só uma brincadeira?

— Não. — Negou sorrindo e me puxou, caminhamos por uns corredores e vi em um dos cômodos um casal se beijando. — Os pais de Ino não aprovam esse lance de pegação, Sakura, então para disfarçar ela teve essa ideia brilhante.

PUTAMERDA, INO SUA SAFADA! Não acredito que ela tirou um local inteiro e perfeito para as pessoas se agarrarem! Quando encontrar a loira tenho que abraçá-la pela engenhosidade da festa.

Saímos e vimos que a boate já começava a rolar, caminhei ao lado da morena até a área dos sofás e vimos uma galerinha legal conversando:

— Já checaram a área? — Ino perguntou com um sorriso malicioso.

— Você é uma gênia. — Falei e ela concordou jogando o cabelo para trás.

— O que foi?

Hina puxou Naruto e mordendo os lábios o levou para dentro do labirinto. Sentei-me onde antes ele estava e cruzei os braços ouvindo a música alta e a empolgação do pessoal.

Karin me puxou e fomos ao bar, pedimos duas Coladas de Morango e ficamos bebendo aquela vitamina de morango docinha nos preparando, físico e mentalmente falando para arrasarmos na pista.

— Já soube do labirinto, né?

— CADÊ MEU HOMEM, MEU DEUS?! — E saiu procurando Suigetsu para entrarem na perdição do labirinto.

Olhei ao redor e OKAY, É HOJE! É HOJE QUE VOU PODER DIZER QUE PEGUEI O BONITÃO DE FÍSICA! ENTENDERAM? É HOJE! A JIRIPOCA VAI PIAR MAIS QUE PINTINHO! VOU COMEÇAR A USAR A TAG: #ADEUSCABAÇO. ISSO!!!

O professor se aproximou de mim com as mãos no bolso da calça e sentou-se na banqueta a minha frente, pediu um Whisky e tomou me observando. Engoli em seco sentindo seu olhar percorrer todo meu corpo, analisar cada curva, cada mínimo detalhe, tudo.

Chega de ser observada, Sakura, prenda seus olhos no dele e deixei-o impressionado com sua perspicácia. ISSO!

Levantei meus olhos e fitei os dele, percebi que hora ou outra ele passava a língua nos lábios, ou estalava os dedos, uma nítida demonstração de nervosismo ou agonia, o professor passou a mão nos cabelos e depois no queixo, fixando seus olhos ônix nas minhas esmeraldas.

Eu o quero. Eu o desejo. Eu preciso saciar essa vontade louca que cresce em mim quando o vejo me olhar desse modo.

Sakura, chega de medo, está na hora de se arriscar e tomar atitude nas coisas que deseja! Chega de ser a medrosa de cabelos róseos que vive atrás dos amigos para fazer as coisas, chega de desculpas esfarrapadas para reprimir seus sentimentos, ou você faz isso agora ou a culpa vai te perseguir pelo resto da vida. Bom, também vai te perseguir por fazer, mas é melhor do que não ter feito.

Levantei-me e caminhei dois passos, me virei olhando para ele como um mandamento implícito de que me seguisse. Passei pelos panos pretos e vi-o me seguir com o copo de whisky na mão, entrei em um cômodo pouco iluminado e me virei para ele.

O professor deixou o copo na mesa e se aproximou de mim com as mãos no bolso da calça.

Coração acelerado, respiração acelerada, mãos soadas e trêmulas. Se alguém nos vir aqui à desgraça vai ser maior do que jamais foi, ele pode ser demitido e acabar com esse estágio, eu vou ter sérios problemas por me envolver com um professor.

Mas, dane-se.

É mais forte que nós. Há horas na vida que precisamos arriscar tudo e não nos importar com as conseqüências, simplesmente aproveitar o momento. E aqui, nessa festa com o professor, nesse labirinto, embaixo, literalmente, dos narizes de meus pais e da chefa dele é um desses momentos que tive que aproveitar.

Por mais clichê e tosco que esse parágrafo tenha ficado, é verdade.

Sasuke ficou a centímetros de mim. Ele parecia ponderar se fazia ou não. Mordi meu lábio inferior e analisei seus olhos negros, seu nariz perfeito, seus lábios finos, sua pele macia e livre de espinhas.

— Você é chave de cadeia, garota.

Então beijou-me.

Ele apertou minha cintura trazendo-me para mais perto de si, envolvi seu pescoço com meus braços. Correntes elétricas passavam freqüentemente por meu corpo, o desejo de tê-lo em mim aumentava a cada vez que sentia sua língua dentro de minha boca.

Sasuke se moveu e sentou-se sobre a mesa atrás de mim, puxei meu vestido e deixei-o se encaixar entre minhas pernas puxando minha cintura para mais perto dele. Afastamo-nos, contudo, não foi a falta de ar que nos impediu de continuarmos a beijar um ao outro, Sasuke beijou minha mandíbula e então meu pescoço.

Ahh como aquele toque dele era tão bom.

Por onde seus lábios passavam, meu coração acelerava e calor eu sentia. Puxei-o pelos cabelos e colei nossos lábios novamente.

Sôfrego. Desejoso. Exasperado. Quente. Delicioso. Gostoso. Lindo.

Eram essas palavras que circulavam por minha mente durante aquele segundo beijo. Sasuke se afastou de meus lábios e me olhou com a respiração descontrolada, mordi seu lábio e passei a mão em seus cabelos, olhando em seus olhos.

— Você é meu professor. — Sussurrei.

Ele passou as mãos por minhas costas, nuas vamos lembrar, e chegou aos meus ombros, subiu por meu pescoço e o esticou, colocou as mãos em minha nuca e as levou a meu cabelo desfazendo meu coque.

Nota mental: Saber qual o problema dele com meus coques.

Sasuke concordou e sussurrou com a voz mais rouca que o normal:

— Eu não ligo.

Meu Deus, o que ele quer de mim? Se ele quer me deixar louca, gostaria de lembrar que já conseguiu há muito tempo.

Chupei meus lábios, observando-o. Ele é tão lindo, tão gostoso, tão sexy, aí que pecado. Sasuke colocou o polegar em meu lábio fazendo-me parar de mordê-lo. O olhar dele demonstrava desejo, ele me queria tanto quanto eu o quero e isso estava me matando por dentro.

— Sasuke. — Supliquei sentindo seu polegar se arrastar por meu queixo e então meu pescoço.

Beijamo-nos novamente. Passei a mão por seu torso sentindo seus músculos e seu coração acelerado, levei minhas palmas até o colarinho de sua camisa e peguei em seu rosto puxando-o para mais perto de mim. Ele me apertou contra si e me fez erguer-me um pouco com aquilo, uma de suas mãos desceram para meu quadril e então meu bumbum, apertando-o.

Desgraça! Eu já estava ficando excitada com seu toque por minhas costas, ombros e cintura, agora que ele ganhou passe livre para minha bunda, eu vou definhar aqui.

Afastei-me de seu beijo e mordi seu queixo e então sua mandíbula, puxei seu rosto para mais perto de meus lábios e beijei sua orelha:

— Sasuke, — Vi seus pelos se eriçarem. Bom saber que eu não sou a única a ficar arrepiada com seu toque e com sua voz. — eu te quero...

Ele me abraçou e subiu suas mãos para o botão de meu vestido, fechei os olhos sentindo-o descer a roupa até a altura acima de meu busto. Sasuke beijou-me novamente, só que quando estava ficando mais quente ele desceu o beijo para meu pescoço, agora totalmente descoberto, e distribuiu mordidas e beijos por toda a extensão. Apertei seus ombros sentindo-o dar um chupão em meu pescoço.

Cara, em cima de nós está a diretora do colégio e meus pais! Alguns metros a nossa frente nossos amigos e milhares de pessoas que vieram para a festa de Ino, isso se não tiver outros casais na mesma situação que nós apenas procurando um lugar vago. Sabe a excitação que isso dá? Meu Deus! É fora do comum!

Sorri ao senti-lo morder minha clavícula, mordi meu lábio e passei a mão em seus cabelos negros, ele beijou o lado direito de meu pescoço e fez o mesmo processo.

— É melhor pararmos. — Falou ofegante. Contradizendo suas palavras, apertou em minha cintura e me beijou calorosamente, apertou minhas pernas e subiu para meus seios. Aquilo é bom!

Aperta, meu amor, pode apertar!

Puxei o cabelo dele para trás e abri três botões de sua blusa beijando e arrastando minha boca por toda sua parte. Ele deixou a marca dele por todo meu pescoço, clavícula e até na polpa de meus seios, vou deixar também, porque sou dessas.

— Vingança? — Concordei e vi-o descer a parte frontal do vestido até minha cintura, choquei meus cotovelos na mesa vendo-o, agora sim, beijar meus seios, lambe-los, chupá-los.

Revirei os olhos sentindo-o mordiscar a aréola e chupar-me. Sua mão massageava o outro seio e nossa, ele pressionou o bico e fez movimentos circulatórios, sabe como isso é bom? Não, então quando estiver na mesma situação que eu mande fazer. É BOM!

Ele apertou meus seios e beijou-me novamente.

— Sakura, — Interrompeu-nos. — é melhor.

Abri meus olhos e encostei minha testa na dele, cobri meus seios e fechei o botão com sua ajuda. Passei a mão na boca dele limpando parte do batom que manchava seus lábios, queixo e sua mandíbula, também pescoço e abdômen. Sorri envergonhada e fechei seus botões da blusa, arrumando-o novamente.

— O que foi? — Perguntou pegando em minha cintura.

— Você ta todo vermelho — Respondi.

Ele sorriu de canto e me deu mais um beijo, dessa vez mais calmo como se quisesse me sentir uma última vez. Afastamo-nos e arrumei meu cabelo enquanto saia do cômodo que ocupávamos. Sasuke saiu primeiro e alguns segundos depois foi minha vez, não podíamos deixar que pensassem que estávamos juntos, né?

Caminhei para o banheiro e limpei minha boca, encostei-me no balcão da pia e sorri envergonhada com tudo aquilo. Apesar da vergonha que estou agora, valeu à pena, foi muito bom. Suspirei e peguei em meus lábios sentindo seu gosto ainda em mim.

Agora vem a questão: Será que essa vai ser a única vez?

SAKURA, SUA LOUCA, NÃO ESTOU TE RECONHECENDO!?! Uns beijin' no professor e já está querendo saber quando vai ter de novo? Querida, não foram uns beijin' foram uns BEIJÃO! Uns santos de uns beijos! Uns santos de uns chupões! E o que ele fez em meu peito? É OBVIO QUE QUERO DE NOVO!

Doida ta você que acha que eu não quero, olha pra minha cara, parece ser de alguém que se contentou com uns 15 minutos dentro de um labirinto com o professor gostoso?! NÃO!

Saí, sorrindo mais que palhaço.

Caminhei para o bar para tomar uma água, quando vi Ino ser ovacionada por mais aplausos, enquanto descia as escadas usando um vestido dourado decotado e curto, era lindo!

Ela se aproximou da parte de baixo e agradeceu aos aplausos. Foi trazido um bolo de chocolate e deixado no centro da boate, entregaram um microfone a Ino. Sorriu:

— Obrigada! — Disse e respirou fundo. — Eu queria chamar meus pais aqui, Keiko e Inoichi, ponham a cara no sol.

Só podia ser Ino. Os pais dela apareceram e Ino os abraçou.

— É o seguinte...

Ela sorriu e começou a agradecer os pais por tudo que têm feito a ela, como a ajudaram a ser essa pessoa que é hoje, por ajudarem ela na recente carreira de modelo e fez todos chorarem com seu discurso sentimental e sincero em agradecimento.

— Okay. — Ela respirou fundo. — Cadê meu ruivo?

Começaram a gritar por Gaara e então o empurraram no espaço que Ino estava, ele se aproximou da loira e a abraçou, levantando-a. Agradeceu também a ele e a loira fez uma declaração a ele ali, que todo mundo ficou "eu amo GaaIno", aí ela inventou de fazer desgraça.

— Cadê o único ser sem juízo ao ponto de pintar o cabelo de rosa?

Virei meu rosto e tentei correr para o banheiro. Ia vim humilhação, tenho certeza! Eu conheço o gado que crio. Mas quando se tem um cabelo bem chamativo, fica difícil se esconder. Puxaram-me e acabei tendo que ir para o centro da festa.

— Menina, tu tava aonde? — Perguntou. Observação: no microfone. Fodeu. Agora eu tô lascada. SERÁ QUE ALGUÉM PODE TER PENA DE MIM E ME AJUDAR AQUI?! INO VAI ACABAR COM MINHA VIDA!

— Eu tava comendo. — Respondi, ficando ao lado dela e cruzando meus braços, envergonhada.

— Quem?!

EU VOU ME JOGAR DA PONTE MAIS PRÓXIMA DAQUI E VOU ATRÁS DE EDWARD MURPHY NO INFERNO, PORQUE EU TENHO CERTEZA QUE ISSO É TUDO OBRA DELE! Que desgraça! Que desgraça!!!!! O que eu fiz para merecer isso? Há dez minutos minha vida estava maravilhosa, estava tendo momentos de prazer maravilhosos, sorridentes e deliciosos, aí essa proeza acontece. Desnecessário.

Mas, como já dizia o dono da história, tudo que está ruim, vai piorar. Ou seja, o que me resta agora é cruzar os dedos e suplicar para que nada de ruim aconteça. Contudo, sobretudo, porém, mas minha vida passa longe de não seguir as leis de Murphy.

— TIA MEBUKI, ONDE ESSA MENINA TAVA PELO AMOR DE DEUS?

— INO! O QUE VOCÊ QUER COMIGO, DIZ LOGO!

— Ta bom, desculpa. Então, meu povo... — Ela olhou para mim e pegou em minha clavícula. — Acho que ela errou o local da sombra roxa.

PUTA QUE PARIU, EU DESISTO DESSA VIDA. EU VOU EMBORA DAQUI, MURPHY SEU DESGRAÇADO, VOCÊ NÃO PERDE POR ESPERAR! Lancei meu melhor olhar mortal para Ino e ela riu de minha cara. — E é assim que eu mantenho minha amizade com minha melhor amiga.

Aí que desgraçada! Soltei meus ombros e olhei para ela:

— Ela não me ensinou nada, praticamente. — Sorri torto. — Só matemática, física. — Meu corpo todo ficou arrepiado só de pensar no atrito que nossos corpos estavam há minutos atrás. — E outras matérias. — Ino parou o olhar em Naruto e Hinata e comentou, MUDANDO TOTALMENTE O FOCO AQUI:

— Caso minha festa fosse um baile e algum casal tivesse que ser coroado rei e rainha, Naruto e Hinata ganhariam. — Alguns de nossos amigos gritaram e ri por causa da cara que Hina fez. — Se tivesse de cara mais gato o professor de Física ganharia. — Olhamos para o professor que bebia whisky conversando com Suigetsu e forçou um sorriso, após todos os olhares em direção a ele.

— EI! — Gaara se manifestou.

— Ai amor relaxa, meu coração te pertence, mas minha amiga pisca quando vê ele.

EU NUNCA RI TANTO EM MINHA VIDA! RI? EU GARGALHEI ALTO! COMO INO FALA UMA COISA DESSAS EM UM MICROFONE EM UMA FESTA LOTADA DE GENTE? É DOIDA! Mas é a melhor doida da vida, todo mundo começou a gargalhar e, pobre Sasuke, ele ficou corado! Sorri torto vendo-o, e gelei quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu torto e comprimi meus lábios em um sorriso tímido.

Eu o quero beijando meu corpo todo. Boca, pescoço, orelha, clavícula, seios e mandíbula é pouco, quero ele beijando tudo!

Espera, vamos ter outra interpretação da frase de Ino que não seja ela se referindo à vagina, mas sim a AMIGA, no caso eu... Seria mentira, Sakura? É óbvio que não!

— Enfim, Sakura — Ela praticamente ronronou meu nome, aí tem, quer ver? — lembra de quando eu te ajudei com seu problema com sua testa?

— Lembro. — Ralhei entre dentes.

— E, — ela riu. — lembra de quando nos apaixonamos pelo mesmo cara? — Concordei envergonhada.

— VALEU, SAI! — Naruto gritou e todo mundo procurou o Sai que acenou sorrindo fechado e levemente corado, sorri torto e olhei para Ino.

— E depois nós ficamos com ruivos...? — revirei os olhos cruzando os braços. — O seu durou dois meses e o meu está há dois anos.

— Obrigada por me lembrar. — Ironizei.

— Saky, lembra do ano passado quando fizemos aquela apresentação fodástica da música Team?

Já sei o que ela quer. Ela vai falar para apresentarmos a coreografia que fizemos perante toda a escola no fim do ano, no evento cultural. Suspirei e concordei cruzando os braços.

— Hojeémeuaniversáriovamosdançarela? — Concordei mesmo sem entender as palavras.

— Não dá pra dançar com essa roupa, Ino.

Sim, eu concordei com a desgraça. MICO DO ANO, WOW!

Temari, Tenten, Karin e Hinata me puxaram usando as roupas que fizemos para a coreografia do ano passado e fomos para o banheiro. Tirei meu vestido com cuidado e então vesti o short de lycra, a saia de pregas vermelha e a blusa gola pólo branca com listras nas mangas, calcei as meias e então tênis.

— Quando pegaram minha roupa? — Perguntei me preparando mentalmente para a vergonha do ano.

Ino saiu de uma das cabines vestida igual a nós e pegou na cintura:

— Foto.

Tiramos a foto no espelho do banheiro e fui, enfim, respondida:

— Pegamos essa tarde com sua mãe. — Tema respondeu e apertou os coques do cabelo.

Fiz um rabo-de-cavalo e reparei no olhar de reprovação de Hinata sob mim e respirei fundo, cochichei. — Eu não aguentei.

Ela entortou a boca e disse:

— Só toma cuidado.

Concordei e sai do banheiro com as meninas. Karin pegou em meu ombro e acenou sorrindo para Suigetsu enquanto nos posicionávamos.

— Quem lembra a coreografia? Foi foda, né?

VAI DAR MERDA! ESCUTA O QUE EU TÔ FALANDO! É SÉRIO! MURPHY ANDA AO MEU LADO E FAZ COM QUE TODAS AS SUAS TEORIAS DEEM CERTO COMIGO, E SE ESTOU CERTA AGORA VAI DAR MUITO ERRADO!

Ouvi a música começar e abaixei meu rosto tentando esconder o quão nervosa estava.

Poxa vida, eu joguei pedra na cruz para estar fazendo essas proezas.

Contudo, após o mico do ano, eu me livrei de ficar com aquele vestido e pude aproveitar melhor a boate com uma roupa mais folgadinha e que não continha um salto gigante, perdi a pose, mas quem se importa, certo?

Não, não foi um mico tão grande quanto eu pensei que fosse ser, na verdade, pela quantidade de gritos eu penso que nós fomos bem.

— VAI COMEÇAR A BOATE, GALERA!! — O DJ gritou e as luzes foram diminuindo gradativamente, dando espaço para o jogo de luzes e a fumaça tomar conta da área da boate.

Abracei Ino cantando a música e então pulamos de acordo com a batida. Me Virei e vi Orochimaru dançando parecendo uma minhoca ambulante com Jiraya e Tsunade fazendo a cobrinha, tirei minha máscara (estava calor e ela estava soando meu rosto) e deixei-a em meu pescoço.

Ri olhando para os três professores e cutuquei Tenten mostrando a cena hilária que estava Oroch dançando, gargalhamos e depois vimos o professor Kakashi com Shizune, Asuma e Kurenai em uma rodinha conversando enquanto faziam os passinhos para lá e para cá.

Mas, o melhor era, sem dúvida alguma, o bonitão dançando com os amigos. Meu Deus! Sasuke deve estar muito bêbado, ele está tão espontâneo, tão sorridente, tão solto, nem parece aquele carrancudo que nos dá aula e sorri de canto de vez em quando.

Karin se aproximou da roda dele e puxou Suigetsu, beijando-lhe com vontade.

Vou ser que nem galinha, só que ao invés de ovo, vou botar fé.

Sasuke me olhou e sorriu de canto, aproximando-se de mim:

— Você dança bem. — Fiz uma careta e neguei. — Eu acho. — Ele me olhou e soltou meu rabo de cavalo. — Fica melhor solto, agora eu vou porque Tsunade já olhou pra cá duas vezes.

E se afastou tomando do conteúdo do copo, sorri torto e fui para perto de Hinata que dançava com a irmã, levantei meus braços e cantei alto Runaway do Galantis.

Por volta das três da manhã, a festa ainda rolava solta. E eu me encontrava levemente alterada, só levemente, nada muito extravagante nem que me fizesse falar besteiras ou fazer coisas ou cair em cima de alguém, muito menos agarrar professores (por mais que eu quisesse).

Como eu sou boa e estava somente levemente alterada, consigo me lembrar das desgraças que eu fiz naquela madrugada. Por que sim, eu fui capaz de realizar algumas desgraças em nome de Murphy.

Como o que, Sakura Haruno?

Ahh... Eu me joguei em cima de Sasori e comecei a falar umas verdades, aí meu príncipe da Física veio me resgatar e depois eu comecei a me pendurar nele e Tsunade veio me tirar da festa porque, de acordo com ela, eu já estava muito bêbada, aí... Vamos por partes.

Terminei de virar o copo de vodca e bati na mesa olhando para Shikamaru, falando em Shikamaru onde ele estava o tempo todo? Alguém se lembra do nome dele ser citado aqui? Eu não, provavelmente estava dormindo.

— Ganhei.

— Sakura, acho que é melhor parar.

— NÃO MESMO! — Berrei e me levantei caminhando para a pista, puxei Guren e dancei com ela.

Até que eu o vi. O único cara escroto o suficiente para tentar arrancar minha calcinha de ursinhos com os dentes:

— AKASUNA! — Gritei e me aproximei dele, apoiei-me em seu corpo e coloquei meu cabelo para trás, sorri e apontei para o peito dele.

Aí já viu, né? Eu faço o estilo de bêbada que jogo a verdade nas rodas e causa aquele sentimento delicioso que todo bêbado adora sentir: a discórdia. Bom, eu não sei disso, eu não tô bêbada... Mas vamos ao Akasuna, juro que vai valer à pena.

— Veio voltar pra mim, amor?

— Vim... Mas vim pra te dizer umas coisas seu imprestável! Lembra daquela vez que eu aceitei fazermos uns preliminares e blá? — ALGUÉM CALA A BOCA DESSA CRIATURA! Alguém me calou? Não, aí eu so desgracei. — Você é péssimo em oral cara! Puta que pariu, você sabe onde fica o clitóris ao menos? Eu estava com uma puta vontade de urinar em tua cara, Sasori! Eu acho seriamente que você confundiu o clitóris com o lugarzinho por onde sai o xixi.

Comecei a rir feito doente mental embriagado, porque era isso que eu estava encarnando, mas não estava bêbada, só levemente alterada.

Continuemos aos momentos em que falei besteiras.

A reação de Sasori? Ahh, ele estava incrédulo, e olha que em minha cabeça aquele só seria o começo de uma madrugada de humilhações.

Mas a vida me fez ter um príncipe desencantado que estava com um cachecol rosa de plumas e anteninhas de estrelinha e óculos rosa de corações, sim, senhoras e senhores, meu príncipe era o professor de Física.

Sasuke me puxou pela cintura e me carregou para o bar, pediu uma água e passou a mão no rosto:

— O que você tava fazendo?

— Falando umas coisas que estavam entaladas... só isso. — Respondi e tirei os óculos de coração dele e coloquei em mim, fiz bico e ri caindo para trás, mas ele me segurou. — Aí Sasuke, obrigada, você é meu herói.

— O que está acontecendo? — Tsunade perguntou observando meu estado. Aí eu vi que estava terrivelmente fodida. FO-DI-DA!

Tsunade? Professor Gostoso de Física? Eu levemente alterada? Deu merda. Quer me ver falar que o beijei horas atrás e queria beijar de novo e quero a benção de Tsunade? Quer ver? Continua lendo.

— Sakura estava fazendo algumas coisas que, absolutamente, ela se arrependeria, posteriormente.

Eu o aplaudi depois desse texto político que ouvi recitar, tantas palavras bonitas que não soube como reagir. Sakura, absolutamente, posteriormente, ela; me beija professor.

Os dois me olharam e eu somente ri:

— Adorei as palavras, tão sexy. — Fechei meus olhos e dei um gole da água que alguém colocou em minha boca.

— Acho que eu vou levar ela embora. — Tsunade disse e olhei-a pasma.

— NÃO! Tsunade, você ainda tem que me dar à benção pra beijar o teacher de Física. — Sasuke ficou BRANCO! É sério, ele ficou pálido, branco, cor de papel! E Tsunade riu me pegando de lado:

— Okay beijoqueira, acho que já deu, vou chamar seus pais.

— É uma boa ideia. — O professor apoiou.

Minha cabeça só processou UMA palavra: pais. Mãe e pai. Kizashi e Mebuki. Nitidamente a situação ia ficar PRETA se eu aparecesse levemente alterada na frente deles, então fiz a coisa mais inteligente: Saí correndo.

— SAKURAAAAAAAA! — Ino berrou.

Então, leitor, quer mais merda? Ou quer que pare aqui? Vou continuar. Minha noite só acabou quando eu entrei no carro de meus pais rindo e detalhando a noite incrível em minha melhor pose de garotinha santa que não colocou nenhuma gota de álcool na boca e, está perfeitamente sã.

Ino me chamou e puxou Shion:

— Vamos dançar Hello Bitches! Sabem a coreografia do clipe, né?

QUE MÚSICA, POR FAVOR? Uma das 2NE1.

Nunca ouviu?

Eu já, Ino é fã desse povo Coreano e eu ouço de vez em quando, conseqüentemente, aprendi alguns passos — ou todos — do clipe da CL.

Aí a merda só piorou quando as alunas do terceiro ano do colégio KHS abriram espaço na enorme pista de dança, aos olhares de todos os convidados e das câmeras, que esses infelizes colocaram em nossas frentes.

Sim, hoje eu estou mostrando minha falta de dotes dançarinos. Eu devo estar muito bêbada mesmo, LEVEMENTE ALTERADA TA MEU CU AQUI REBOLANDO, EU TÔ É PEDINDO PRA CAIR!

A música começou e eu me vi na obrigação de dançá-la. Na verdade, nem fiz muito esforço, toda vez que Ino ou alguém que eu conheça me chama pra dançar, já é automático.

NOSSA, SAKURA: A RAINHA DA DANÇA!!!!!

Quis dizer assim, em festas do pijama, mas acho que ninguém pensou em sleepovers, então... UIIII ELA FALA INGLÊS! EU MANJO DOS INGLÊS BRITÂNICO, HONEY!

Eu tô bêbada, pqp porque vim escrever bêbada? Por favor, ninguém me lembre do final dessa festa, pela morte do terrível e diabólico Murphy. Obrigada, adeus.

Mentira.

A dança acabou e eu me vi gargalhando muito com Hinata, a mesma estava com a situação levemente pior que eu...

— ICHI. NI. SAN. BITCHES!!!!!!!!!!!!! — Berrei dando dedo para qualquer vadia que estivesse me olhando, ou no caso para minhas friends, né? We are all bitches, nigga.

Okay, eu definitivamente não estou bem.

Quando deu cinco e meia, meu pai brotou do subsolo me carregando. Há essa hora eu estava pulando com Ino e as meninas, metade da festa já havia ido embora e eu me encontrava desesperadamente querendo um hambúrguer.

Joguei-me no banco de trás do carro rindo e falei:

— A festa foi incrível!

— Sakura, você bebeu?

Sentei-me de supetão e neguei franzida para minha mãe, ela suspirou aliviada e discretamente abri as duas janelas do fundo escondendo meu cheiro impregnado de álcool. Eu vou me arrepender muito disso tudo na segunda, mas foda-se, a noite foi linda.

Tomei banho, fechei as cortinas e permiti-me ir ao mundo dos sonhos.

PORRA, EU SONHEI QUE TAVA COM O PROFESSOR! QUE DELÍCIA! MAIS UMA COISA PARA CARREGAR EM MEU POÇO DE CULPA E PARA MINHA RESSACA MORAL!

Notas finais
Obrigada por ler!!! Até!!!