Gasolina
11 Prova Surpresa
Prova Surpresa
DESGRAÇA!!!! DESGRAÇA!
Como você foi fazer aquilo, Sakura? Você estava louca? Acho que estava sim, muito louca! E o pior foi que eu não quis que aquela fosse a única, eu quis que fosse a primeira de MUITAS! Eu devo estar muito doida. Ele é meu professor. Sakura, Sasuke Uchiha é seu professor. Só isso! E isso é suficiente para você saber que se envolver com ele é ERRADO! Quantas vezes você vai ter que entender isso?!
Fiquei parada na esquina do colégio encarando o prédio a poucos metros de mim, eu estou muito fodida. Que desgraça! Eu deveria saber que iria me arrepender amargamente por ter feito aquilo, mas não!
Como já dizia Max Weber toda ação humana tem seu fim, e no caso minha ação foi movida pela emoção do momento, eu queria ser tocada pelo professor, queria ser beijada e acabei me deixando levar. E agora, colha os frutos do que plantou, Sakura: arrependimento.
Respirei fundo e caminhei para a entrada do colégio com o coração a mil, engoli em seco e adentrei o prédio de cabeça baixa, subi as escadas e entrei na sala do Grêmio.
Assinei algumas coisas, fiz alguns formulários e bilhetes para informar alguns alunos sobre a falta de certo documento para completar sua inscrição no colégio, conversei com Temari sobre o baile de Outono, fiz o balanceamento com Shikamaru, assinei e liberei que ele levasse a diretoria acertar o valor que receberíamos.
O sinal tocou e fomos para a sala de aula. Primeira aula: Sociologia.
Passei os dois primeiros dias em situação perfeita e tranquila no colégio, mas hoje, quarta-feira, é dia de encarar a fera. Sasuke não trabalha na Segunda e nem na Terça, e hoje eu teria as duas aulas com ele.
De pensar que uma semana atrás eu estava encontrando com ele no vestíbulo da escadaria e pedindo para que ele parasse de dar em cima de mim... Que merda.
A manhã de aulas se passou rápido. Descobri que Kakashi havia trocado de horário com Sasuke e, ao invés das duas aulas entre o intervalo, elas seriam no final, adiando minha vergonha e desgraça.
Animado mesmo foi meu intervalo, Shikamaru anunciou que poderíamos começar a organizar as coisas para o baile e já mandarmos preparar os ingressos.
Kakashi marcou prova, Iruka (professor de História) passou um trabalho, Deidara (professor de Artes) nos mandou fazer uns desenhos na aula e então veio meu pesadelo!
Eu vou vomitar. Eu tô nervosa. Vai dar muita merda. Eu não vou conseguir olhar na cara dele. Eu não tô conseguindo nem respirar direito! Calma Sakura, calma. SAKURA HARUNO! TÁ PARECENDO NOIVA PLANTADA NO ALTAR COM MEDO DO NOIVO NÃO VIR, RELAXA MULHER! DEIXA DE SER TÃO BESTA!
Ahhh, esquece. Lembra dos chupões que ele deixou em mim? Meu pai ta puto da vida comigo por causa deles e quer saber quem foi o desgraçado que fez isso, as meninas também estão muito putas porque eu não falei quem havia feito isso, e Naruto e Hinata estão preocupados comigo e com toda a situação que me encontro.
Com a tentativa de esquecer um pouco tudo que aconteceu me virei para Karin, que, para variar, lixava as unhas. Só queria saber de onde ela arranja tanta unha para lixar.
— E o Sui?
— A gente marcou de sair esse fim de semana. — Respondeu e sorriu torto olhando as unhas. — Eu gosto dele, Saky.
Sorri e ouvi a porta sendo aberta bruscamente:
— Todos sentados, somente caneta na mesa. Prova. — A voz que me atormenta falou. Espera... PROVA?
— O que?! — Perguntei o olhando incrédula. — Não pode fazer isso!
Ele colocou uma folha em minha cadeira e respondeu:
— Posso sim, eu sou o professor.
Engoli em seco e olhei para a folha. Ele estava certo, ele pode fazer essa proeza com os alunos. O professor terminou de entregar e se sentou à sua mesa, puxou um notebook da bolsa, abriu-o apoiando os cotovelos na mesa e olhando fixamente para a tela enquanto batia o pé.
Respirei fundo e comecei a resolver as questões. Eu estava preocupada com ele, eu juro que não queria estar, mas eu acho que me apeguei ao professor, e quanto a isso só sei dizer uma coisa: desgraça. A prova era pequena e fácil, ele parecia ter feito de última hora e pegou as primeiras questões que encontrou na internet.
— Quem terminar pode sair? — Perguntaram lá do fundo, não reconheci a voz. O professor continuou a mexer no computador e pareceu nem ter ouvido a pergunta.
— Professor? — Chamei-o e ele levantou o rosto, pegou no cabelo respirando fundo.
— Falaram alguma coisa? — Perguntou. É ele estava bem preocupado com algo. Desgraça! Eu quero saber o que houve!
— Perguntaram se quem terminou pode ir. — Repeti e ele concordou.
— Sim, pode, sim. — E voltou os olhos ao computador.
Eu já havia terminado, mas não estava nem um pouco a fim de ir para casa e continuar curiosa com o que tivesse acontecido, mas eu tenho coisas do Grêmio para resolver, desgraça! Olhei para o teto a procura da resposta e respirei fundo recolhendo minhas coisas e me levantando, coloquei a folha em cima da pasta do professor e sai da sala.
— Boa sorte, gente. — Falei fechando a porta e caminhando para o Grêmio.
Sentei em minha mesa e vi o relatório de Naruto sobre os esportes, Temari sobre o festival cultural que estava sendo promovido na cidade e poderíamos influenciar os alunos a irem assistir, Karin (a nova diretora da Saúde, sim, eu enfiei ela no Grêmio) reportando sobre o grude que é o banheiro masculino e Tenten com a ideia de trazer um universitário da Faculdade de Konoha para nos contar sobre o curso.
Fiquei tão focada nas coisas que não percebi que o sinal havia tocado, Naruto entrou bufando sendo seguido por Hinata:
— ...vai dar tudo certo, Naruto. — Ela falou.
— O que houve? — Perguntei.
— Eu me lasquei nessa prova, eu acho. — Respondeu pegando uma bola de basquete esquecida no canto da sala, ou melhor, que ele esqueceu. — Vou pro treino, tchau meninas.
Deu um beijo na namorada e saiu da sala batendo a bola no chão. Hinata se sentou em minha frente e cruzou os braços:
— O que foi, Hyuuga? — Perguntei fechando a pasta e suspirando. Eu sabia o que vinha a seguir, desviando de suas pérolas olhei pela janela da sala que mostrava a movimentação nos corredores.
— Sakura, se a coordenação tiver descoberto e reclamado com ele? — Questionou, engoli em seco e olhei para ela esperado a continuação. — Se ele estiver arrependido por ter arriscado o emprego e agora está descontando na turma?
DESGRAÇA! Respirei fundo e respondi:
—Não sei, Hina... E nem tenho como conversar com ele.
Na verdade, tem um jeito. Após Hinata sair, terminei meus deveres e levei a papelada para a sala de Tsunade para ela ler amanhã de manhã, peguei minhas coisas, tranquei a sala do Grêmio e rumei para a doçaria da mãe do professor.
Entrei ouvindo o tilintar dos sinos e aproximei-me da bancada, analisei os cupcakes, as tortas e os cookies e cheguei à conclusão que queria ser ele para poder comer essas delícias quando quisesse.
— Olá. — A mulher anormal, que parece ter 25 anos e tem um filho de 21, me cumprimentou.
Sorri e perguntei. — A torta de chocolate é boa?
— A melhor de Konoha. — Meu sangue gelou quando ouvi a voz de Sasuke sair de dentro da confeitaria, levantei meus olhos e sorri fechado para ele.
— Quer um pedaço, querida? — A mãe do professor me perguntou, concordei e lambi os beiços imaginando na delícia que deve ser essa torta. — Para viagem ou comer aqui?
— Viagem. — Sasuke respondeu transpassando a capanga por seu corpo e pegando um capacete, minha boca foi parar lá no chão depois da resposta dele.
— A minha é...
— Sakura — Cortou me entregando um capacete. ESPERA, COMO ASSIM? ELE VAI ME LEVAR PRA SAIR? CALMA! É demais para minha cabecinha rosa processar, ele vai sair comigo, é isso?
A mãe dele colocou em uma caixinha e entregou ao filho que agradeceu colocando outro capacete na cabeça:
— Juízo, Sasuke.
— Juízo, Mikoto. — Respondeu me entregando a caixinha e me levando para a parte de fora.
Alguém me ajuda que eu vou ter um ataque, como assim ele ta me levando? Ele vai me levar pra onde? EU VOU PERDER O CABAÇO AGORA? NÃO! Posso não! Ainda nem fui ao ginecologista para ela me passar um anticoncepcional (prevenir, né?), não posso nem inventar de fazer uma coisa dessas! Tá louco?
— Ér... Aonde vamos? — Perguntei temendo a resposta.
Primeiro: ele tem uma moto. A desgraça começa quando o bonitão tem uma moto, não vai dar certo, não vai de jeito nenhum! Por quê? Eu vou ter que me agarrar a ele; eu tô de saia; tem uma caixa com uma torta que não pode em hipótese alguma cair no chão. Sou eu quem está com ele. Vai dar merda.
Deus nos abençoe.
Coloquei o capacete, a mochila nas costas, a caixinha em meu colo presa entre minhas cochas. Senti as mãos de Sasuke pegarem as minhas e ele me fazer abraçar seu torso.
— Quer voar?
Encostei-me em seu corpo e aproveitei que tenho um capacete em minha cara e sorri maliciosa pensando no que pode acontecer onde quer que vamos. Espera, Sakura, ele é seu professor. Lembre disso pelo amor de Deus. Lembre que se alguém descobrir isso você está muito lascada e ele também.
Senti-o arrancar a moto e o vento se chocar contra meu corpo, apertei o dorso dele e encolhi-me em suas costas com frio. Caramba, eu tô na garupa de meu professor.
Ele entrou em um estacionamento e estacionou ao lado de um... Audi r8? Ele mora com alguém ou esse carro é do vizinho? Procurei a placa que indicava o andar do dono do carro e vi que era o mesmo da moto... Ele mora com alguém bem rico, só pode.
—Ér... É seu? — Perguntei apontando para o carro.
—Sim, por quê?
GENTE, ELE É RICO, COMO ASSIM?! O que eu perdi nesse meio tempo aqui? Eu passo alguns minutos de olhos fechados e quando vejo estou ao lado de um santo carro?! É sério isso?
Pisquei algumas vezes saindo de meu transe e neguei seguindo ele para a área de elevadores, apertei a alça da sacola do bolo e perguntei:
— Onde estamos mesmo?
— Ainda não é óbvio? — Perguntou e entrou no elevador, entrei atrás dele.
Olhei para minha cara nos espelhos do elevador, eu estava muito acabada! Parecia uma pessoa perdida, com medo, descabelada e com sono, além de estar com a farda do colégio. Lindo.
O elevador se abriu e caminhamos por um corredor, ele abriu a porta de um dos três apartamentos do andar e é, acho que o professor é mais rico do que aparenta. Entrei no apartamento e uau! É lindo, bem mobiliado e chique.
Logo do lado direito à entrada há uma cozinha com copa, eletrônicos todos de aço inox, armários marrons escuros, granito na cor preta, banquetas brancas e uma mesa quadrada para quatro pessoas. Ao lado da cozinha uma sala de estar com quatro sofás pretos e uma mesa de centro de vidro quadrangular, um tapete branco felpudo e algumas decorações bem discretas.
Sem ligar para o fato de que estou na casa de meu professor, virei à esquerda e vi a sala de TV. Um móvel marrom escuro com um DVD e um XBOX, a TV LCD acoplada ao móvel da parede, que a revestia dando charme, home theaters espalhados pela sala, um sofá em L branco, uma mesa de centro redonda de madeira e vidro, duas poltronas vermelhas na lateral. Ao fundo, um bar. Sim, um bar. Uma bancada com duas banquetas verdes de couro e até onde eu podia ver diversas garrafas nas prateleiras de vidro logo atrás. Ahh, como me esqueci desse pequeno detalhe, as janelas eram aquelas do teto ao chão.
Virei-me para Sasuke que tomava água mexendo no computador, já aberto na bancada e me aproximei dele.
— Pode explicar?
Olhou para mim e pediu para que eu explicasse, abri meus braços e dei uma volta:
— Isso tudo!
— O que quer saber?
— Você... Essa casa... O carro. — Ele sorriu de canto e deu um gole da água, se levantou, abriu uma gaveta pegou um garfo e sentou novamente.
Ele não quer falar, ótimo. Sentei na banqueta ao lado dele e peguei a caixinha com o bolo dentro da sacola, abri e sorri maliciosa imaginando o estrago que faria com aquele bolo.
— Quer?
— Não gosto de doces. — E voltou os olhos para o computador. Deixa eu ver se entendi, a mãe dele tem uma santa de uma doçaria e ele não gosta de doces?! Eu sabia que o professor tinha problemas só que não imaginei que fosse um desse tamanho.
— Por quê? — Ele deu de ombros. Peguei um pedaço do bolo e comi. Poxa vida, isso é bom! Muito bom! Revirei os olhos e joguei minha cabeça para o lado dele, Sasuke me olhou e sorriu de canto. — Por que chegou nervoso hoje?
Ele respirou fundo e deu mais um gole da água.
— Meu pai me mandou fazer alguns ajustes nos novos protótipos robóticos.
DESGRAÇA! Como assim?! O pai dele tem uma empresa de robótica?! Ou eu me precipitei?!
— Hein? — E eu mostro mais uma vez meu lado retardado.
Sasuke me explicou que o pai dele é presidente de uma grande companhia de robótica do país, por esse motivo ele faz mecatrônica, para trabalhar futuramente com o pai e o irmão, Itachi, que é gerente de uma área lá. E eu estou chocada, tô que nem galinha, sábado eu tava botando fé hoje já estou os chocando, eu tô muito proativa hoje.
Comi o bolo observando Sasuke fazer umas anotações e uns cálculos loucos no caderno e passar para a planilha no Excel do computador. Joguei a embalagem no lixo e depois lavei o garfo e o sequei guardando-o onde ele havia o pegado.
Não, eu não costumo fazer isso, mas a) estou na casa de meu professor e b) quero fazer a média, c) quem sabe ganho alguma nota extra. Sentei-me novamente ao lado dele e fiquei observando-o terminar o trabalho. Ele respirou fundo, enviou para um e-mail o arquivo e fechou o computador.
— Vai ser hospitaleiro agora?
— Eu poderia te jogar em minha cama. — Peguei o resto da água dele e dei um gole olhando para qualquer lugar, se não ele.
Pode jogar! Joga e me agarra de jeito, bonitão! Arranca meu cabaço e me faça sua! Deixe seu cheiro impregnado em mim, professor! Ensine-me a força que ocorre depois do atrito! Mostre-me sua energia de potenciação!
Deixei o copo de lado e limpei a garganta.
— E a prova de hoje? — Perguntei.
Ele estalou os dedos e pegou a bolsa, me chamou e sentamos no chão na sala de TV, tirou cinco pilhas de provas e respirou fundo.
— Passou prova surpresa para todas as turmas hoje?
— Eu precisava terminar o trabalho. — Suspirei já sabendo a quantidade de alunos que viriam reclamar sobre a atitude do professor bonitão.
Sasuke pegou uma prova do primeiro ano e uma folha branca avulsa, fez os cálculos das questões com perfeição e rapidez, deixou em cima da pilha de provas da classe e foi fazer as do segundo deixando o resultado sob a pilha dos mesmos. Mordi meu lábio sorrindo esperando ele fazer as do terceiro, mas esse viado pegou a última prova da pilha de minha turma e olhou para mim de canto.
DESGRAÇA, É MINHA PROVA! Sério que ele vai confiar em minha prova?! Faz isso não, professor, pelo amor de Deus.
— Se tiver uma questão errada, zero sua prova toda. — Ameaçou pegando uma caneta vermelha e em seguida corrigindo minha prova.
Eu preciso cagar, como ele se atreve a fazer isso comigo? Se ao menos eu tivesse os nervos bons, eu poderia dizer que estava confiante com minha prova, mas NÃO! EU TÔ TREMENDO ESPERANDO ELE RESPONDER A MALDITA PROVA.
Escondi meu rosto em minhas mãos e abri uma fresta, vendo-o de cara fechada passando os olhos por minha prova. Eu tô muito lascada. Que desgraça, por que ele me chamou para cá? Para me torturar enquanto corrigi minha prova?!
Ele a fechou e colocou novamente embaixo da pilha.
— E..? — Perguntei olhando-o.
— Hm. — Murmurou. Eu vou descer o murro na cara desse filho da mãe por ele conseguir me deixar frustrada tantas vezes em um só dia! — Faz alguma coisa.
Apontou para as pilhas do primeiro e segundo ano com uma caneta vermelha. E ainda quer que eu o ajude? Eu tô muito boazinha, não estou me reconhecendo, peguei a caneta e tirei meu blazer, deixei-o em meu colo e abri dois botões da blusa, fiz um coque e peguei a primeira prova e os cálculos que ele resolveu.
— Questões com sinal errado?
— Meio certo. — Respondeu.
— Só com o resultado correto e sem cálculo?
— Errado. — Falou.
— Metade do cálculo e sem resposta?
— Errado.
Fui corrigindo as provas cantarolando umas músicas qualquer e dando os C de certo ou um X. Fui deixando as provas corrigidas em uma pilha e depois fui para as do segundo ano.
Ouvi o professor rindo e olhei para a prova que ele segurava. Naruto Uzumaki. Ele havia desenhado como acontecia, mas não soube explicar, o professor respirou fundo e deu meio certo e colocou a explicação embaixo do desenho que o loiro havia feito.
— Vai me dizer meu resultado?
— Não. — Respondeu seco, bufei e cruzei meus braços fazendo bico, ele me olhou, franziu e voltou os olhos as provas.
Sério que ele vai me ignorar. Eu tô aqui ajudando ele e ele vai mesmo me ignorar?!
— Você ajudou seu colega? – Perguntou enquanto coçava o nariz. — Em biologia?
Bati em minha testa e neguei. Droga. Eu esqueci completamente, mas também ele nunca mais falou nada daquilo então ele deve estar entendendo as aulas. Sasuke soltou a caneta e se espreguiçou encostando-se ao sofá atrás de nós. Eu sabia que ele me olhava e nossa que olhar tão penetrante, caramba eu consigo senti-lo mesmo não o vendo!
Havia uma voz em minha cabeça gritando isso é errado! você não deveria estar aí! vá embora enquanto ainda lhe resta sanidade e cabaço! mas quem disse que eu ouço essa voz? Sempre fui teimosa...
Senti sua mão em minha nuca e então entrar em meus cabelos desfazendo meu coque, virei minha cabeça e olhei para ele que sorriu de canto:
— Qual o problema com meus coques?
— São ridículos. — Respondeu sem hesitar.
Estou me sentindo ofendida, professor, não vi necessidade alguma nisso, só pra salientar. Entreguei algumas provas a ele e falei:
— Corrige o resto comigo.
Ele respirou fundo e se aproximou da mesa de centro. Rapidamente corrigimos todas as pilhas de provas do Ensino Médio, encostei-me no sofá e bocejei.
Ele se encostou ao meu lado e ficou me olhando. Bocejei novamente e sorri torto virando meu rosto para ele. Aí o juízo me bateu. O QUE DIABOS EU TÔ FAZENDO NA CASA DE MEU PROFESSOR ÀS SETE DA NOITE DE UMA QUARTA-FEIRA?! Levantei em um pulo e vesti meu blazer.
— Quando você vai parar de ser tão chata?
— Quando você parar de fazer isso comigo?! — Perguntei sarcástica arrumando minha roupa. — Você é meu professor, eu sou sua aluna, isso é mais errado quanto dizer que Murphy tinha juízo!
Ele franziu o cenho e deu de ombros.
— E quanto àquilo na festa da Ino, foi muito errado!
— Sakura, nós estamos atraídos e você sabe disso, por que ta correndo? — Perguntou me olhando parecendo com raiva. E nossa que olhar tão sexy.
— Será que poderia ver meu lado? Você não tem medo de perder o estágio?
Ele deu de ombros. Ele está me matando, esse veneno dele está me matando! E o pior é que eu pareço gostar de tomar esse veneno. Sasuke se levantou, pegou a chave do carro e calçou os sapatos.
— Eu te levo.
— Não vai me deixar na porta de jeito nenhum. — Afirmei saindo do apartamento com a mochila nos ombros.
Chamei o elevador e cruzei os braços, esperando-o.
— Eu não estou atraída por você. — Eu não sei se estou querendo mentir para ele ou para mim mesma. — Talvez só um pouco...
— Pouco? Eu te toco você se contrai, fica arrepiada. Quando te beijei na festa da loira, — Ele não sabe o nome de Ino, sério? — você faltou subir nas paredes.
— Como se eu fosse a única. — Respondi entrando no elevador.
Eu tô comendo minha sanidade e tomando minha inocência, daqui umas oito horas vou expeli-las e mandá-las para o ralo.
— Em momento algum eu falei que era a única. — Olhei-o e respirei fundo procurando as forças nas partes mais indômitas de meu corpo para respondê-lo, mas eu só conseguia me sentir frustrada! Desgraçado.
— Isso é muito errado — Murmurei. Ele sorriu de canto e eu soube o que ele iria falar. — E não diga que o proibido é mais gostoso, proibido é PERIGOSO!
Ele respirou fundo e respondeu:
— Aumenta a adrenalina, aumentando a excitação, deixando o que estiver fazendo... Gostoso.
Ergui uma sobrancelha olhando-o. Eu não acredito que estou discutindo com essa criatura. Sakura, você precisa parar isso, urgentemente. Se ainda não percebeu, ele não está fazendo bem a você em sentido algum.
— Por que você não para de se preocupar e apenas curte o momento? — Abri minha boca para responder, mas ele pareceu adivinhar minha frase e continuou. — Eu sei que sou seu professor, caramba, e sei que você é minha aluna. Ó como sei. — Olhou-me de cima abaixo, desnecessário! Virei meu rosto corado e ouvi-o. — E se você ainda não percebeu, eu me segurei à tarde inteira para não te carregar para meu quarto, porque essa atração é recíproca.
Eu tô muito lascada. Olhei para ele prestes a falar alguma coisa, mas fui impedida porque as portas abriram, sai sendo seguida por ele e caminhamos para o carro, ele abriu a porta para mim e entrei.
Sasuke sente mesmo uma atração por mim. Que desgraça! Que desgraça boa, só que ao mesmo tempo ruim, é tão errado, tão errado! Bati minha cabeça no banco e fechei meus olhos. E... Não, eu não percebi que ele havia se segurado a tarde inteira para não me levar para o quarto, ta que ele disse, mas a “tarde inteira” é tempo demais.
Dei as instruções para minha casa e fiquei observando a cidade e suas luzes. Minha mãe vai me matar por estar chegando tão tarde em casa, já tô vendo.
Ele me deixou na esquina de meu quarteirão, olhei para ele e suspirei, puxei seu rosto e falei:
— É errado, para de me torturar.
— Ta bom, ta bom. Você venceu. — Por que eu tenho a impressão que não vai levar suas próprias palavras a sério? Ele deveria cumprir com a própria palavra, certo?! Sim! Espera, eu estou me precipitando, ele pode estar falando a verdade. — Vou ficar longe de você, Sakura.
— Obrigada. — Sai do carro e lhe dei boa noite antes de fechar a porta.
Agora eu posso dormir tranquila, ele não vai mais me azucrinar e eu vou permanecer longe dele. Perfeito, vai dar tudo certo. Agora, caro amigo infernizado Edward Murphy, sua teoria não vai poder se aplicar a mim porque tudo vai voltar aos eixos. Se Deus quiser.
Entrei em casa e tirei meus sapatos.
— ONDE ESTAVA?
— Passeando, desculpem não ter avisado. — Subi para meu quarto e deitei-me na cama. A casa dele é linda, como será seu quarto? Sua cama é fofa?
QUE DESGRAÇA, SAKURA! PARE DE PENSAR EM SEU PROFESSOR! Certo consciência, você está certíssima.
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