Gasolina
9 Esta Noite Promete
Notas iniciais
Dei uma rodada em frente ao espelho de meu quarto sorridente com o resultado. Eu estava com o pensamento positivo sobre essa noite e nada, nem ninguém e certa lei, que vou evitar falar, vai me impedir de me divertir ao máximo no aniversário de Ino.
Esta noite promete.
Ajeitei o coque e retoquei o batom vermelho. Eu estava linda. Na boa, eu estava mesmo bonita. Eu me sentia linda, eu me sentia a última bolacha/biscoito do pacote de Oreo, eu me sentia a última Coca-Cola do Saara inteiro, eu me sentia a mulher mais linda do mundo! E olhe que, para eu me sentir desse jeito, eu tenho que estar mesmo MUITO bonita.
Meu vestido era longo branco, rente a meu corpo e então folgava na metade de minhas cochas, fechado até o pescoço e preso por um botão em minha nuca, então, na parte abaixo do botão, parte de minhas costas nuas. Saltos nude e uma clutch prateada de sparkles.
Minha maquiagem estava clara, delineador em gatinho, sombra mesclada em roxo, marrom e bege; cílios postiços e bem separados aumentando meus olhos, olheiras perfeitamente tapadas, minhas maçãs do rosto levemente coradas e meus lábios em um carmesim. Meus cabelos róseos bem presos em um coque com duas mechas soltas na frente.
Sai de meu quarto lendo as mensagens nos grupos do colégio, desci as escadas encontrando meu pai sentado no sofá, esperando por mim e mamãe:
— Oi, pai. — Cumprimentei-o.
Ele levantou o rosto e sorriu:
— Sakura, está linda. — Sorri agradecida e juntei minhas mãos em frente a meu corpo esperando Mebuki.
Eu vou aproveitar essa noite muito! Vou dançar muito! Vou comer muitos docinhos e vou comemorar os 18 de minha amiga com estilo. Vou esquecer o professor, vou esquecer vestibular, vou esquecer tudo, esta noite, o que me importa e me interessa, vai ser meu bem estar.
Sobretudo, eu estou sim ansiosa para ficar com o professor, quer dizer, eu acho que ele quer ficar comigo, eu espero que ele queira. Sakura, desce desse mundo utópico em que você dar uns beijos no professor existe! Foda-se você consciência! Eu quero o Sasuke, eu quero beijá-lo, quero que ele me agarre na mesa do Grêmio e me aperte toda.
— Vamos? — Concordamos.
Mamãe estava deslumbrante! Ela estava com um vestido longo preto, de mangas longas rendadas e uma fenda na lateral mostrando, quando se movia, a perna esquerda.
— Está linda, mãe.
— Obrigada, Sakura — Ela se aproximou de mim e pegou minha mão a levantando me fazendo dar uma volta. — Olha quem fala, Kizashi ela não está linda?!
— Eu já falei a ela que sim.
— Vai desencalhar desse jeito logo, logo filha.
E meus pais têm a capacidade de me fazer ficar envergonhada e reclamando por todo o caminho pela falta de fé neles em mim que um dia, eu, irei sair da praia e caminhar por ela, com meu príncipe.
Chegamos ao maior hotel de Konoha e descemos deixando o manobrista levar o carro e estacioná-lo no estacionamento. Caminhamos para a entrada e vimos que até mesmo a recepção estava ornamentada de acordo com o tema da festa. Arranjos de rosas brancas e pretas em todos os degraus da escadaria que rumava o salão de festas, sem esquecer do tapete vermelho que guiava os convidados até o grande salão.
Levantei meu vestido e subi as escadas logo atrás de meus pais, papai entregou nossos ingressos a recepcionista, ela autorizou nos deu passagem e passamos pela porta chegando ao hall da festa.
Havia uma foto de Ino e uma mesa redonda com um jarro redondo enorme cheio das mais diversas máscaras venezianas e cartas de baralho espalhadas ao redor. Uma segunda recepcionista nos entregou três máscaras e três diferentes tipos de cartas.
Minha máscara era dourada, com detalhes cruzados e vazada, em cada encontro dos pontos havia pedrinhas brilhantes, em direção a minha testa havia um detalhe em losango. A máscara ficou perfeita com minha maquiagem e com minha roupa. A de meu pai era azul com uma pena na lateral e a de minha mãe preta com diversos desenhos.
— Qual sua carta, mãe?
— Coringa.
— A sua pai?
— Ás de copas — Respondeu. Eu estava com um nove de espadas.
Eu não gostava dessa carta. Uma vez, aos 14 anos, eu fiquei fascinada com o tarô, depois que vi uma cigana no meio da rua gritando previsões sobre as pessoas que passavam, para mim ela berrou que eu deveria ter cuidado com um nove de espadas e quando cheguei em casa fiquei preocupada com o significado.
"Aponta aquilo que não temos tanta coragem de tentar enxergar devido à falta de clareza. Desespero, desgraça e preocupação são alguns dos seus piores atributos."
Desespero... O que eu mais sinto cada vez que me vejo sonhando com um professor.
Desgraça... A palavra que eu mais falo em minha vida, à palavra que está me definindo diariamente.
Preocupação... Vestibulares, Grêmio, vida pessoal.
Que desgraça. Respirei fundo e coloquei a máscara em meu rosto caminhando para dentro das cortinas negras.
Ino, sem dúvida alguma, se superou em um nível extraordinário!
Circenses em diversos cantos pendidos sob argolas, panos e em postes, muitos arranjos de flores negras e brancas espalhados pelo imenso salão, um bar com todos os tipos de bebidas sendo feitas por dois barmans bonitões e habilidosos, que lançavam as bebidas para o alto e as colocavam nos copos, um painel em volta de todo o balaústre com ensaios fotográficos dela e fotos de Ino com os amigos e família, uma mesa de uns três metros com doces dos diversos tipos, e um bolo de cinco andares xadrez branco com preto. Acima do mezanino diversas mesas e mais movimentação, se havia algo mais, não consegui ver. A escadaria banhada por máscaras, flores e purpurina. E abaixo do mezanino duas passagens cobertas, uma por panos brancos e a outra por panos pretos. Em um palquinho um DJ tocava uma música calma. Uma área com sofás brancos e pretos, mesas de centro com locais para carregar telefones celulares e candelabros com velas aromáticas. A decoração ainda continha gavetões e outros móveis pretos ou brancos com grandes arranjos de flores e candelabros.
— Nós vamos subir, Sakura. — Mamãe disse e concordei.
— Vou procurar o pessoal.
Fiquei na ponta dos pés e procurei algum conhecido naquele mar de roupas brancas e pretas, já está difícil com todos de branco ou preto acrescenta-se as máscaras se torna quase impossível. Ino está tramando uma bem interessante, eu conheço aquela loira.
Avistei a cabeleira ruiva de Gaara próximo ao bar com um grupo de engravatados e caminhei em direção a ele:
— Gaara? — Perguntei para confirmar, né? A máscara dele é verde e ficou perfeita com seus olhos
— Sakura? — Sorri e aproximei-me mais dele. — Uau, você tá incrível.
Agora ele me deixou constrangida. Deixou legal. Agradeci e ouvi-o apresentar os amigos:
— Sakura, conheça meus colegas de faculdade e, esqueça Sasori.
— Eu tô aqui, pau de bosta. — Virei-me para Sasori e juro que procurei a boa vontade para falar com ele, mas ela não aparece, então, obrigada boa vontade! Sua linda, continue perdida que eu continuo a ignorar Sasori.
— Esse é Juugo, — Apontou para o cara alto, forte e de cabelos alaranjados e olhos claros. — esse é Suigetsu. — Então esse é o Suigetsu da Karin, ela sabe que ele veio? Ele entrou de penetra? Será?! Safado! Karin e ele ficam perfeitos juntos. — Esse é Kimimaro. — Um de cabelos brancos e dois sinais vermelhos na testa, ele deveria queimar essas pintas, são estranhas. — E Jirobo. — Um grandão bem provido horizontalmente.
— Olá, me chamo Sakura.
Eles sorriram e o Suigetsu puxou minha mão a beijando:
— Prazer, bela dama de cabelos róseos.
— Prazer, Suigetsu... E obrigada.
Puxei minha mão e olhei para Gaara:
— Quando ela vai aparecer? — Perguntei.
— Daqui a uma meia-hora.
Puxou o celular do bolso do terno e mandou uma mensagem para a namorada, eu não quero dizer nada não, mas Gaara antes de namorar Ino não era tão gay, não, hoje ele é pau mandado da loira e ainda a chama de mô ou mozão na frente de qualquer pessoa, além dele ter salvado o número dela como "Loirinha de meu S2"!
Se eu namorar e ficar assim me avisem, vlw, flw.
— PUTA QUE PARIU, SAKURA QUE BUNDA ENORME! — Vir-me-ei e vi Tenten encarando meu quadril, levei minhas mãos para trás e tentei disfarçar meu bumbum.
Tenten estava de preto e estava deslumbrante naquele tomara-que-caia, ao seu lado Neji apertava sua cintura garantindo, aos olhares desesperados dos amigos do ruivo, que Ten era sua namorada. Temari e Shikamaru apareceram em seguida, ela de preto e ele de branco. Seu vestido era rendado e seus acessórios dourados.
— Temari, que pouca vergonha é essa? Shikamaru cobre sua namorada! — Gaara reclamou da irmã, nisso ela sorriu largamente e mandou um beijo para ele.
— Sui?! — Karin perguntou se aproximando, ela também estava de branco com um vestido com detalhes dourados e duas fendas em sua lateral. — Oi.
Ele sorriu e se aproximou dela, eles se cumprimentaram com dois beijinhos e era nítido que a ruiva estava nervosa. Que linda, nunca vi Karin nervosa.
— Como veio? Por que... Hã?
— Sasuke me deu o outro ingresso.
Meu sangue gelou só em falar o nome dele, cruzei meus braços e olhei ao redor procurando um canto para passar o resto da festa. Que merda, eu só queria ficar aqui sossegada e quietinha e aproveitar a festa sem ter a incrível vontade de beijar meu professor.
Hinata e Naruto apareceram. Ele de branco e ela de preto. Eles estavam L I N D O S! O casal mais chique e arrumado, com certeza. Botei fé em Naruto agora, e tenho quase certeza que meus amigos concordaram porque gritaram quando os viram.
— Estão lindos! — Falei abraçando Hinata e depois Naruto.
— Obrigada, Sakura. — Hina disse e Naruto berrou.
— EU TÔ ARRUMADO, NUM TÔ? Minha mãe comprou esse smoking e tô me sentindo sexy. — Rimos com o comentário da criatura.
— Só não entendi essas máscaras. — Hina disse e expliquei o pouco que sabia:
— Ino me disse, que teria um jogo à meia-noite e as máscaras seriam para dificultar.
Todos ficaram pensativos por uns segundos.
Senhoras e senhores, aplaudam a anfitriã da noite, senhorita Ino Yamanaka!
Gaara deu um pulo da banqueta e procurou a loira, as luzes diminuíram e um único holofote branco ficou fixado na entrada da festa, onde, segundos depois, a dona da noite entrou. Ino vestia um vestido vermelho tomara que caia rendado e mullet mostrando parte de suas pernas de aranha — longas — e seu salto Christian Louboutin preto.
Aplaudimos a entrada triunfal da loira (ela chegou gritando levantando os braços e depois deu uma rodada, suficiente para todos gritarem junto). O DJ começou a tocar uma música e ela começou a levar todos a quererem dançar, sinônimo de: que a festa comece.
Pedi uma bebida, Lagoa Azul, e observei Ino se aproximar tomando de meu copo.
— OI MEU POVO! — Gritou se aproximando com Gaara. — Meu Deus, Sakura que bundona!
Olhei para minha bunda, perguntei:
— Tá tão grande assim? Minha mãe disse que ficou ótima.
— Mulher, tá linda! Arrasando!
— Compensou a falta de peito. — Hinata murmurou fazendo todos rirem.
VAI À MERDA! Eu tô aqui de boas, tomando minha bebida, sem fazer mal a ninguém e eles começam a me zoar? Sério? MURPHY? É VOCÊ DE NOVO, SEU PUTO!? Sim, era ele. Após o comentário de Hinata (não esperava isso de você, Hina, mas é assim que é a vida, nos surpreendendo a cada hora) o bonitão perdição, professor de Física, apareceu.
— Professor? — Tenten perguntou franzida.
— Sasuke! — Juugo gritou o cumprimentando.
Puta merda, desgraça, é o tinhoso me azucrinando, tenho certeza. Sasuke. Está. Lindo. Ele está INCRIVELMENTE lindo! Entendeu? Não. Então pensa no caso. Moreno, alvo, alto, forte, delícia de: uma blusa social azul marinho, um colete cinza, terno, calça e sapato social pretos. VOCÊ NÃO VAI ME LEVAR PARA ESSE LADO, ME ENTENDEU?! HOJE NÃO!
O professor cumprimentou Ino e a desejou "feliz aniversário", então seus olhos pararam em mim.
Mentira.
É HOJE QUE A JIRIPOCA VAI PIAR!! É HOJE! TÔ SENTINDO! SE SEGURA MUNDO, O PROFESSOR VAI ME AGARRAR HOJE.
Não, ele não vai.
— Oi gente. — Cumprimentou todos em um só aceno.
Dei mais um longo gole de minha bebida e só parei quando ouvi aquele barulho chato que indica que eu tô sugando mais do que o necessário.
Será que é hoje mesmo? Desde que acordei estou com uma boa impressão sobre essa noite, acho que algo muito bom vai acontecer, e isso não significa que vou ser agarrada pelo professor.
E TAMBÉM, PODE ESQUECER, MEU BATOM É VERMELHO E EU NÃO QUERO BORRA-LO.
Dei mais uma chupada de minha bebida e ouvi a conversa do pessoal enquanto bebia e balançava minha cabeça de acordo com a música.
Deixei o copo na bancada e subi as escadas indo à busca por meus pais e comida, encontrei-os sentados em uma mesa com Tsunade (a diretora aqui e eu querendo ser agarrada pelo professor gostoso! acho que já to bêbada), Jiraya e os pais de Naruto.
— Olá! — Saudei e cumprimentei a todos que estavam.
— Sakura, você está incrível! — Kushina disse sorridente, agradeci e murmurei um "que fome" observando a mesa com as comidas quentes, peguei um prato vazio na mesa e fui montar.
Havia pato assado, salmão grelhado ao molho de aspargos, algumas comidas chinesas (arroz chopsuei e frango xadrez), sushis, sashimis, nigiris, temakis e outros tipos.
Fiquei com o que eu sabia que não iria me sujar: temaki. Coloquei dois em meu prato e voltei pensando no quanto eu queria colocar shoyu aqui, mas eu NÃO poderia arriscar, já havia encontrado o professor e tudo indicava que iria dar errado, então melhor prevenir, que remediar.
Comi e fiquei um tempinho conversando com o pessoal da mesa, virei-me para a parte de baixo e vi Tenten, Neji, Naruto, Hinata, Sasori, Gaara, o professor, os amigos do professor, Karin, Shikamaru e Temari conversando e gargalhando.
E a besta aqui com os vei comendo.
— Vou descer.
Avisei que deixaria minha bolsa na mesa e desci as escadas rumo ao grupo:
— Onde estava?
— Comendo. — Respondi Karin, que estava pendurada no ombro de Suigetsu. — De que estão rindo?
Naruto pegou em meu rosto e direcionou ao painel e vi as... Fotos.
— Eu vou matar Ino Yamanaka.
AQUELA DESGRAÇADA COLOCOU NOSSAS PIORES FOTOS! OU MELHOR, AS FOTOS QUE EU ESTAVA HORRÍVEL OU FAZENDO ALGUMA COISA RETARDADA! (o que é bem típico para mim, sejamos sinceros).
Bufei e virei meu rosto. Senti pegarem em minha cintura e olhei para o dono daquela mão alva. Não, caro leitor, não era o professor, era meu ex mesmo. E volto a afirmar: minha boa vontade de falar com ele está perdida, se é que ela não se matou.
— Sai, Sasori.
— Sakura, eu sinto sua falta. — Ele me prendeu contra o balcão do bar.
Amor, vou te situar aqui rapidinho, QUEM DEVERIA ESTAR ME PRENDENDO AQUI ERA O BONITÃO! Não você, entendeu? Ou quer que eu desenhe?
Depois Sasori me beijou.
MEU AMOR, SEU CABEÇA DE VENTO, NÃO ME BEIJA! Minha boca gostosa QUER SER BEIJADA APENAS POR UMA PESSOA E FELIZMENTE, VOCÊ NÃO É ELA.
— Sasori, sai. — Mandei afastando-o de mim.
— Sakura, por favor.
— Não. — Respondi.
— Sakura.
— Não — Repeti.
— Saku...
— SAI DAQUI! — Berrei e ele se afastou com o susto, bufei o olhando e me virei para o bar, aproveitei o espelho, atrás de todas as prateleiras com garrafas de bebidas, e limpei o borrado com um guardanapo.
— Sakura — Ele tentou de novo e coloquei a mão na frente.
—Não! Nem fala! E sai de meu pé.
— Me desculpa.
Tentou fazendo aquela carinha pidona que eu amava, isso mesmo, no pretérito imperfeito, e o melhor é que a forma que amava é conjugada, define perfeitamente como eu o amava: em um passado imperfeito! BEM LOUCO, lembremos.
— Oi gente. — Sai apareceu com Chouji, Kiba e Lee.
— Oi Hinata.
Kiba falou primeiro com a morena, todo mundo sabe, TODO MUNDO SABE, que ele sempre teve uma queda não correspondida por ela, no começo geral pensava que era um amor fraternal, eles cresceram juntos e tals, mas depois foi ficando BEM óbvio.
— Vocês viram a Ino? Ela está linda, não está? — Sai comentou com aquele sorriso de papel, ele virou o rosto para mim. — Oi, Feiosa.
No dia que Sai falar que sou bonita vai ser o dia que o mundo acabar, pode ter certeza disso. Bufei e levantei minha mão a balançando uma vez.
— Oi meninos. — Cumprimentei e ouvi os outros cumprimentarem os mesmos e então aquele bolo de pessoas iniciarem uma conversa.
A música parou e as luzes acenderam, Ino subiu no palco com um microfone na mão e perguntou:
— Que tal fazermos um jogo?
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