Garotos
4 Capítulo 4 . O Garoto do Brinco de Safira
Notas iniciais
HAHAHAHAHA
Anyway, esse é o quarto capítulo em que aparecem todos os ukes dos outros capítulos :D
Tema do capítulo: Shotacon.
O projeto em que o segundo ano estava trabalhando aqueles dias resumia-se a ler para as crianças da quarta série. Aoi estava contente com todos os preparativos, mas não só porque Dimitri era o supervisor da sua sala apesar de esse ser um motivo muito forte. O louro adorava crianças e livros infantis ainda que seus colegas de classe pensassem que ele preferia livros eróticos.
O grupo em que Aoi estava era formado por mais dois garotos: Alec um de seus melhores amigos, ao qual sempre emprestava um salto alto que pedia para a mãe e Arthur, um inglês de cabelos e olhos negros, em contraste com a pele demasiadamente branca. Aoi chamava seu grupo de Triple A e sempre dizia para formarem uma banda quando o projeto acabasse. Ah, e ele seria o dançarino principal, era o que repetia incontáveis vezes.
No dia da apresentação, Dimitri entrou na sala como sempre: uma expressão séria no rosto belíssimo. Ele lançou um leve olhar para Aoi, que sorriu de orelha a orelha. O professor limpou a garganta e começou:
- Estão prontos para a apresentação? Espero que tenham treinado em casa e escolhido livros infantis.
Os garotos começaram a falar alto, divertindo-se. Uns diziam que Aoi escolhera um livro impróprio, outros falaram os títulos de livros adultos que conheciam. Dimitri ouviu o nome Kama Sutra três vezes antes de gritar com a turma inteira. Trinta pares de olhos miraram-no assustados.
- Calados! Cada grupo lerá para quinze crianças em três salas diferentes. Os três devem estar posicionados na frente e aquele que estiver no meio começará a leitura. Os outros dois devem ajudar com falas de personagem ou o que existir dentro da história. Entendido?
- Sim, professor — responderam os alunos, em uníssono.
Então, eles foram para o prédio do ensino fundamental. As salas em que eles ficariam eram coloridas demasiadamente, feitas especialmente para crianças. Aoi pegou o livro Alice no País das Maravilhas de dentro de sua mochila e pôs-se entre Alec e Arthur. Eram os primeiros a se apresentar, e o coração de Aoi palpitava de ansiedade.
As crianças adentraram o cômodo poucos minutos depois. Aoi observou cada um deles e, mentalmente, fez uma lista dos mais bonitos; Alec escolhia quais ficariam ótimos com roupas de garota; e Arthur, de alguma forma, era o único que não fazia qualquer lista em relação aos meninos. Até que Christopher adentrou a sala.
Christopher era um garoto baixo para sua idade. Era engraçado o modo como a linha de altura da fila em que os meninos estavam repentinamente diminuía no último aluno. Seu cabelo era escuro e os olhos, azuis. Enquanto os outros meninos falavam e riam sem parar, Chris estava em silêncio, olhando para os três garotos do segundo ano. Não havia qualquer expressão em seu rosto. O que mais se destacava nele, porém, era o brilho em sua orelha esquerda: um brinco prateado a que se pendurava uma safira. Quando todos se sentaram, Christopher sentou-se mais à frente, bem próximo a Aoi, que, logo em seguida, começou a ler.
Alec, como tinha a voz mais fina entre os três, fez a falas de Alice. Era uma pena que não lhe fora permitido usar o vestido azul que havia costurado um dia. Aoi era o narrador e implorou para fazer a Rainha de Copas. Ele gostava das vilãs. Arthur fazia os outros personagens, já que sua voz era incrivelmente grave. Ao fim, eles foram aplaudidos, e o professor da quarta série pôs-se ao lado deles.
- Então, alguma dúvida?
Christopher foi o primeiro a levantar a mão. O jovem pediu que ele se levantasse e falasse, e assim o fez.
- Muito bom dia, veteranos. Meu nome é Christopher Walker, é um prazer conhecê-los — o trio surpreendeu-se com a polidez do menino, e Arthur identificou-se com ele, quando percebeu o seu sotaque inglês. — Eu gostaria de perguntar qual é o seu nome.
Christopher estava virado para Arthur naquele momento. O garoto hesitou por um ou dois momentos, antes de limpar a garganta e responder finalmente:
- Hã... Sou Arthur Gray, é... É um prazer conhecê-lo também.
- Professor, será que eu posso falar com o veterano Arthur depois das histórias?
- Claro, Chris. Se não for problema para o Arthur — o professor abriu um sorriso e voltou-se para o garoto, esperando uma resposta.
- Não, não é problema algum — o moreno respondeu. — Posso esperá-lo do lado de fora da sala.
Christopher agradeceu e sentou-se novamente. O trio à frente estava surpreso com as maneiras do menino. Nem mesmo parecia uma criança de dez anos falando. Eles ouviram mais algumas perguntas e, após responder todas, deixaram a sala, exaustos.
- Não pensei que ler para crianças fosse cansativo — Alec comentou com um meio sorriso.
- Arthur! — Aoi exclamou, abrindo um enorme sorriso de malícia. — Você já está conquistando corações daquela idade?
- O-o quê? — Arthur virou-se para o louro, as bochechas vermelhas como morangos maduros.
- Você não percebeu o olhar cheio de brilho do Christopher? — Aoi indagou, indignado. — Aposto que até o Alec percebeu.
O louro lançou um olhar de descontentamento para Aoi. Era óbvio que ele havia percebido! Estava quase estampado na face do menino que quero falar com o Arthur significava quero fazer uma confissão de amor ao Arthur. Será que Aoi o achava tão tapado assim?
- Claro que não! — o moreno replicou. — Não havia nada no olhar dele!
E Arthur era o mais tapado de todos, mesmo. Talvez fosse seu jeito mais reservado, ou simplesmente burrice, mas era impossível não perceber o brilho nos olhos de Christopher. Isso, de alguma forma, afetou Arthur. Seu coração palpitava. Ele já havia dado alguns foras a outros garotos naquele colégio, mas como o faria com um menino de dez anos? Arthur era, provavelmente, o primeiro amor de Chris.
Ansioso, o garoto ficou do lado de fora da sala por um longo tempo depois que os outros dois foram embora, até que todos os trios se apresentassem. Assim que os últimos três garotos do segundo ano deixaram a sala, Arthur pôde ver Christopher saindo da sala, antes até que o professor. Ele aproximou-se do mais velho, tímido, e sorriu.
- Obrigado por ter me esperado, veterano. Espero que não seja um incômodo — Chris disse.
- Hã... Claro que não como se reagia a uma criança tão educada quanto aquela? Ela era mais cortês que qualquer garoto mais velho.
- É que... Bem... Como é que eu posso falar? Hã... — Chris abaixou a cabeça. Arthur esperou que o que Aoi havia dito se concretizasse, mas não esperava pelo que estava por vir: — Eu gostei muito daquele garoto que estava lendo o livro, mas não sei como falar com ele. Será que você poderia me ajudar?
- Desculpe, Chris, mas eu... O quê? ´ele já havia preparado um texto mental quanto ao que o garoto ia falar, e este confessa que gostou do Aoi?
- É que... O garoto louro que estava sendo o narrador e a Rainha de Copas... Pode me ajudar a me confessar para ele?
Arthur estava surpreso. Não esperava que o garoto dissesse que gostava de Aoi. Em parte, sentiu-se aliviado, já que não teria que partir o coração de uma criança. Mas algo dentro dele ainda perguntava: por que ele não gostou de mim?.
- Então... Você pode me ajudar? — Chris perguntou.
- Ah, claro. Mas antes: por que você gostou dele?
- Oras, o veterano Aoi é muito bonito, você não acha?
Devia concordar. O louro era, possivelmente, o garoto mais bonito de toda a escola. Mas, novamente, por que não podia ser ele?
- Posso te chamar de Arthur? — Christopher perguntou, com um leve sorriso.
O moreno concordou e acrescentou que Aoi preferia ser chamado apenas de Aoi também. Christopher abriu um enorme sorriso, as bochechas levemente coradas.
- Obrigado, Arthur, por me ajudar.
O mais velho sentiu seu coração bater mais rápido por causa do garoto. Arthur limpou a garganta e virou o rosto, murmurando um não foi nada constrangido. Então, levou o menor para seu quarto, a fim de discutir sobre o Plano de Confissão do Christopher.
- Você deve, primeiro, saber um pouco sobre o garoto de quem gosta — Arthur começou depois que Chris acomodou-se em sua cama. — Por isso, eu acabei de mandar uma mensagem para o melhor amigo dele.
- O melhor amigo do Aoi? — os olhos azulados do menino brilharam. — Ele deve ser tão legal!
O coração do mais velho palpitou de excitação, e um sorriso orgulhoso brincou em seus lábios finos. Sentia-se ao mesmo tempo feliz por ajudar Christopher e triste por algum motivo desconhecido. A fim de continuar com aquela estranha felicidade, ele continuou:
- O nome dele é Kugayama Ruki, e ele é, também, o colega de quarto do Aoi. Não se assuste com a aparência dele, certo?
Por um momento, o menino ficou a se perguntar como deveria ser o veterano. Pelo jeito como Arthur havia falado, devia ser diferente, como ter um cabelo moicano das cores do arco-íris. Quando Ruki adentrou o quarto, Christopher pulou da cama e correu em direção a ele, os olhos arregalados brilhando.
Não foi exatamente uma decepção que ele sentiu ao ver seu veterano, mas achava que ele seria mais diferente do que aquilo.
- Muito prazer, veterano — Christopher curvou-se, pois havia aprendido que os japoneses se cumprimentavam dessa forma. — Meu nome é Christopher Walker.
Ruki sorriu lindamente.
- Que garotinho fofo! — comentou. — Meu nome é Kugayama Ruki, é um prazer conhecê-lo — então, virou-se para Arthur. — Certo, o que aconteceu?
- Veterano Ruki, o segundo ano foi ler para minha turma e eu acabei por gostar do veterano Aoi. Assim, eu pedi ajuda ao Arthur para me ajudar a dizer isso a ele. Como você é melhor amigo do veterano, talvez pudesse me falar um pouco sobre ele.
Ruki ouviu, surpreso, o discurso do menino. Então, sentou-se na cama e começou com suas manias: primeiro puxou sua luva sem dedos em direção ao cotovelo, depois ajeitou o casaco de listras cor-de-rosa sobre o corpo e limpou a garganta.
- O Aoi... — Ruki começou desajeitadamente. A primeira coisa que lhe veio à cabeça foi o fato de o louro ser um pervertido, viciado em sexo. Mas ele não podia dizer isso a uma criança de dez anos. — O nome completo dele é Hanabusa Aoi e ele é japonês, também. Hã... Ele gosta bastante de literatura, pois ele chega ao quarto falando sobre a aula e o professor. Ele adora crianças e livros infantis, por isso que ele aceitou esse projeto sem problemas. Acho que ele não está saindo com ninguém, agora, mas não tenho certeza.
- Do que ele gosta? — Chris indagou, curioso. — Quero fazer algo para ele.
Ruki pensou que responder ao garoto que Aoi gostaria de tê-lo nu em sua cama, com o bumbum para cima, para fazer sexo não seria uma boa ideia além de ser ilegal. Então, respondeu algo melhor:
- Por que não desenha alguma coisa para ele? Ou faz uma carta de amor? Apesar de não parecer, Aoi é romântico.
Chris abaixou sua cabeça, enquanto pensava no que Ruki havia dito. Realmente, escrever uma carta ou desenhar algo para o garoto não parecia uma má ideia. O menino levantou-se em um salto da cama e virou-se para os mais velhos.
- Muito obrigado pela ideia, veterano Ruki! — Chris curvou-se mais uma vez em agradecimento. — E Arthur... Será que você poderia me ajudar a escrever essa carta? Eu não sei como falar com os outros garotos... Eles sempre dizem que o meu jeito é estranho... Que eu sou educado demais.
Ruki sorriu.
- Você é um garotinho fofo do seu jeito, Chris. Eu sei que Aoi vai gostar da maneira como você escrever a carta — "só espero que ele não te ataque" acrescentou em pensamento.
Christopher sorriu. Ele tinha razão. Devia mostrar seu jeito até mesmo na carta que escrevesse. Ele mesmo teria que escrevê-la, do seu próprio jeito. Com as mesmas palavras educadas demais que usava no dia-a-dia.
Depois que Ruki deixou o quarto, Arthur pediu que Christopher se sentasse à escrivaninha para começar a escrever o quanto antes. Mesmo que o veterano não tivesse que fazer nada para ajudar o menino naquela etapa, ele queria muito apenas observá-lo. Por algum motivo, ele gostara muito da companhia de Chris e do jeito polido do garoto.
Christopher agradeceu de coração a Arthur, já que poderia escrever sua confissão e entregá-la no mesmo dia, pois já estava no prédio do segundo ano, onde Aoi morava. Seu coração palpitou ao perceber esse fato.
O problema em escrever é que, muitas vezes, sua mente trava em um ponto que não é possível alçar voo na escrita. As letras travam, a palavra para. Christopher não saiu da primeira palavra, e isso o frustrou. Então, ele decidiu desenhar Aoi, com seus belíssimos cabelos alourados e olhos azuis.
Ele desenhou a forma do desenho, os traços mais simples. Mas faltavam as cores. No momento em que virou-se para perguntar a Arthur onde estavam os lápis coloridos, viu que o moreno havia cochilado em sua cama. Christopher sorriu. Arthur fora uma pessoa muito gentil com ele, e havia gostado muito do jeito de seu veterano. Sem perceber, o menino puxou seu lápis preto e começou a rabiscar sobre o cabelo e os olhos do desenho, pintando-os de negro.
Aquele não era Aoi; mas Arthur. O que ele estava fazendo? Aquele era seu precioso desenho que daria ao seu primeiro amor. Ele puxou o papel e olhou-o estupefato. Havia desenhado Arthur sobre seu amado Aoi. Após lançar um rápido olhar para o moreno, Christopher levantou-se e saiu pelos corredores do prédio dos dormitórios do segundo ano.
Ele perguntou aos alunos que passavam se eles sabiam onde ficava o quarto de Hanabusa Aoi, e, incrivelmente, todos sabiam a maioria deles já havia ficado com Aoi e sempre fazia questão de saber onde ele morava. Christopher bateu duas vezes na porta. Aoi abriu a porta com os olhos semicerrados. Estava dormindo quando o menino chegou.
- Christopher...? — o louro arqueou uma sobrancelha.
- Desculpe incomodá-lo, veterano Aoi. Mas eu estou confuso — Chris admitiu. Após adentrar e acomodar-se em uma das camas, ele mostrou o desenho que havia feito e continuou: — Eu pedi ajuda ao Arthur para que pudesse me confessar a você, pois eu havia achado você muito bonito, veterano Aoi.
O garoto sorriu e agradeceu.
- Então, o veterano Ruki me deu a ideia de fazer alguma coisa para você, como uma carta ou um desenho. Mas, quando eu fui desenhar, acabei por fazer o Arthur, não você. Veterano Aoi, por que eu desenhei o Arthur, sendo que eu sou apaixonado por você?
O louro ouviu a história do menino com atenção e sorriu ao final. Era muito simples, na verdade. Assim, sentou-se ao lado do moreno.
- Você já ouviu falar, Chris, que o primeiro amor nunca dá certo? No meu país, eu ouvia muito isso. Mas nunca vi um caso como o seu. Veja bem, seu primeiro amor fui eu, mas, antes que eu pudesse dizer que não poderia sair com você, você já partiu para seu segundo amor.
- Meu segundo amor? — Christopher fez uma expressão confusa. — O que quer dizer?
- Que você está apaixonado pelo Arthur.
- Como assim? Eu não gostava de você?
- Gostava. No passado. Mas, como você passou um tempo com o Arthur e conheceu um pouco melhor sua personalidade, você percebeu que só ter se apaixonado pela minha aparência não era melhor que se apaixonar pela personalidade de Arthur. Você já superou o primeiro amor e já está no segundo.
- Ah, então... Será que eu posso dizer ao Arthur que eu gosto dele?
- Mas é claro, garoto! — Aoi levantou-se em um salto e puxou Christopher. — Agora, vá e diga a ele. Tome coragem.
O menino concordou e embrenhou-se novamente nos corredores do prédio, à procura do quarto de Arthur. Ao chegar, não bateu na porta, já que o veterano poderia estar dormindo ainda. Ele abriu lentamente e espiou o interior. Arthur ainda estava deitado em sua cama.
Rápido, ele adentrou o cômodo e pôs o desenho na escrivaninha, escrevendo ao lado dele: Obrigado por tudo, Arthur. Nesse meio tempo, eu acabei por me apaixonar por você. Então, dobrou-o e sentou-se na cama ao lado do veterano, com o papel em mãos. Arthur acordou e mirou Christopher com seus olhos sonolentos.
- Você já terminou, Chris? — indagou.
- Já... Veja, Arthur.
Com o coração aos pulos, o garoto entregou o papel dobrado ao veterano, que o abriu e leu seu conteúdo, focando com dificuldade as letras e o desenho. Seus olhos arregalaram-se, e ele virou-se para Chris, surpreso.
- Isso... Isso é verdade?
- É... Eu... Eu falei com o Aoi. Ele me disse que você era meu segundo amor, Arthur. E... Bem, talvez seja mesmo. Meu coração... Não para de pular só porque eu estou sentado ao seu lado.
Arthur sentou-se na cama rapidamente e puxou o mais novo para um abraço. Depois, roubou-lhe um selo rápido nos lábios, com um sorriso.
- Sabe, talvez tenha acontecido o mesmo comigo hoje. Você foi o que mais me chamou atenção, só por causa desse brinco que possui a cor de seus olhos.
A partir daquele dia, Arthur, quando saía do dormitório, ia ao pátio conjunto da Academia Saint John. Lá, havia sempre um garoto de dez anos, com um jeito polido demais e um brinco de safira, à sua espera.
Notas finais
Agora, eu tenho que fazer meus trabalhos, HAHAHAHA Capítulo novo só depois da semana que vem ;D
AH! Mais uma coisa. Depois do próximo capítulo, eu quero fazer um capítulo bem quente sobre um casal à escolha dos leitores. Então, se comentarem, digam qual o casal favorito de vocês. O casal que receber mais votos, terá um capítulo com lemon depois do próximo! *-*'
Próximo: O Garoto de Estatura Muito Baixa
Takoyaki!
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