Garotos
22 Capítulo 17 . O Garoto com Dúvidas sobre Beijos
Notas iniciais
De qualquer forma, esse é um capítulo BEM FOFO, baseado em algumas cenas de um anime super recomendado, chamado Kimi to Boku. Levi é quase uma mistura do Shun com o Kanamecchi, mas tudo bem. Escrito ao som de Zutto, abertura da segunda temporada do anime.
CHIZURU, EU TE AMO, AGORA VAI LÁ CONQUISTAR A MARY! ~le Takoyaki shippando casais héteros.
Espero que gostem! ♥
Boa leitura!
Tema: Amor infantil
Levi estava no terceiro período da educação infantil quando conheceu Hunter, o garoto americano que se achava o mais durão de todos, porque era um pouco mais alto que os outros. Seu cabelo era escuro, desalinhado, repicado, e os olhos, da mesma cor. Havia sempre uma expressão de superioridade em seu rosto de irritava Levi profundamente. Este, por sua vez, poderia ser considerado um garotinho de seis anos deveras adorável. Tinha o cabelo preto, tão preto que era possível dizer que possuía um brilho azulado, e olhos irritantemente volúveis, que, à luz solar, eram dourados, à luz artificial, eram esverdeados e, na penumbra, castanhos. Ele era baixo até demais para sua idade; não conseguia nem ao menos alcançar a média da sala. Em poucos dias, Hunter e Levi pareceram cultivar um ódio mútuo.
Hunter achava que era muito mais maduro que os outros garotos e vangloriava-se de possuir informações sobre beijos. Os garotos pareciam idolatrá-lo, como se fosse algum tipo de ídolo, o que ele era, de fato, na Turma Pêssego do jardim de infância. O ídolo dos garotinhos infantis que tinham o sonho de, algum dia, conseguir beijar alguém. O ídolo de garotos precoces.
Obviamente, todos os garotos tinham suas dúvidas sobre beijos, sobre casais. Aquelas dúvidas que aparecem na mente infantil de crianças, dúvidas de quem ainda sabe pouco sobre o mundo. Apesar de tentar negar tudo isso, Levi tinha suas dúvidas. Contudo, recusava-se terminantemente a dividi-las com Hunter, porque, segundo Levi, ele não merecia saber seus problemas.
O menino não gostara, de fato, da atitude egocêntrica daquele garoto. Definitivamente, ele preferia pessoas carinhosas, como o professor Charlie. Charlie possuía cabelos alourados, os quais prendia em um rabo-de-cavalo baixo e formavam ondas pelo seu ombro, olhos mel e pele ligeiramente dourada. Tinha 23 anos e formara-se havia pouco tempo na faculdade de letras em seu país. Aquela era sua primeira turma da Academia, e ele divertia-se muito cuidando das crianças. De alguma forma, Levi criara um sentimento diferente pelo professor, que ele chamava de gostar. Ele gostava de Charlie, chegava a ficar enrubescido, quando o mais velho ficava muito próximo dele, ou sorria, ou tocava piano, ou simplesmente o olhava.
Um dia, durante a hora da soneca, disse ao professor que não conseguia dormir. Charlie sorriu-lhe tão perfeitamente que o garoto sentiu seu coração bater mais forte. Então, deitou-se ao lado de Levi, no chão, pôs sua cabeça sobre o braço e segurou a mão do garoto.
– Está tudo bem, Levi – sussurrara. – Eu estou aqui, certo?
Poucos minutos depois, o professor dormiu, mas o menino, não. Este ficou admirando o rosto angelical do homem pelo qual era apaixonado, enquanto ele estava adormecido, sonhando sonhos possivelmente tão lindos quanto ele. De alguma forma, Levi queria beijá-lo, beijar seu rosto, sua bochecha levemente corada, seu nariz pequeno, sua testa alva, seus lábios finos. O sentimento que Levi cultivava pelo professor era certamente um amor puro e doce.
Então, chegou o dia em que as dúvidas de Levi não podiam mais ser contidas. Era o recreio, e Charlie não estava na sala. Um grupo de garotos gritava ao redor de Hunter, que se vangloriava de que, um dia, quando estava no segundo período, beijara uma garota da sua sala. Levi suspirava pela vigésima vez, tentando entender como um idiota como Hunter podia ser popular daquele jeito. Ele estava em pé em um canto, olhando para as estantes cheias de livros infantis. Em suas mãos, havia um ursinho de pelúcia.
– Lábios são macios – Hunter comentou alto.
Levi olhou para o ursinho marrom em suas mãos, o qual era quase do seu tamanho. Seus olhos brilhavam ligeiramente, e ele engoliu em seco.
– Será que beijos são realmente macios como marshmallows? – indagou-se.
Ele aproximou o ursinho de seus lábios e beijou-lhe o focinho. As bochechas de Levi estavam ligeiramente coradas durante a ação e, após cinco segundos, ele afastou-se rapidamente. Mirava assustado o ursinho em suas mãos, o coração aos pulos. Então, ouviu uma voz atrás de si:
– Para que testar com um ursinho de pelúcia, quando eu estou bem aqui?
Levi virou-se, e seus olhos volúveis encontraram Hunter. Seu coração retardou uma batida. Seu pior inimigo vira-o fazer algo tão vergonhoso. Havia um sorriso nos lábios do garoto, que Levi entendeu como um deboche. Hunter estava brincando com ele. Sentiu uma raiva profunda em seu coração e, então, os lábios do garoto sobre o seus. Arregalou os olhos. Era macio, ligeiramente quente, diferente de tudo o que Levi já sentira. Era uma sensação boa, que lhe fazia tremer as pernas. Contudo, ainda assim, ele sentiu lágrimas virem-lhe aos olhos.
Empurrou Hunter com as mãos espalmadas no peito do garoto mais alto e deixou-se chorar. Era fraco, demonstrava suas fraquezas. Levi era diferente do menino que o beijara, o qual era forte, idolatrado pelos colegas, popular. O mais baixo não tinha medo de demonstrar o que sentia e, naquele momento, fazia-o de tal forma que Hunter sentiu seu coração se partir em mil pedaços. Ele não queria fazer o garoto chorar, por isso esperara todos os meninos saírem da sala. Aquilo era a última coisa que queria que acontecesse. Ele gostava de Levi, a ponto de querer beijá-lo, assim como este gostava de Charlie. Vangloriava-se para tentar mostrar para o menino seus pontos fortes, porque queria fazê-lo gostar de si. Contudo, nada parecia funcionar. Quando aquele momento, enfim, chegou, um momento que Hunter poderia aproveitar, fê-lo chorar sem nem ao menos saber o motivo.
Levou suas mãos para os ombros de Levi, que desvencilhou ao mínimo toque e correu para fora da sala em disparada. Hunter voltou-se para a porta rapidamente, a tempo de ver alguns garotos chegando com o professor Charlie. O homem pediu que os alunos ficassem dentro da sala e saiu para ver o que estava acontecendo com Levi. Hunter sentiu seu coração se apertar. Ele descobriria sobre o que havia feito e o proibiria de ficar próximo do garoto. Desobedecendo às ordens do professor, Hunter saiu da sala e escondeu-se atrás de uma árvore próxima aos balanços. Levi chorava, sentado em uma das cadeiras, e Charlie estava ajoelhado à sua frente.
– Levi, meu amor, o que aconteceu? – indagou. – Fizeram algo com você?
O menino fungou, passou as costas das mãos nos olhos e jogou-se contra o professor abraçando-lhe o pescoço.
– Professor – gemeu -, desculpe por não ser fiel a você!
Charlie arregalou os olhos, sem entender o que o menino queria dizer com aquilo. Hunter franziu o cenho, tentando ouvir melhor. O homem envolveu Levi com seus braços finos.
– O que quer dizer com isso, Levi? – perguntou. – Onde você viu isso?
Uma vez, Levi assistira a uma novela com a mãe, quando ainda não fora à Academia. A personagem da televisão ficara com outra pessoa quando amava seu namorado e, então, dissera o que o menino havia dito. Pensava ser a frase apropriada para aquele momento. Lembrou-se das outras cenas, todas pareciam apropriadas. Então, continuou:
– Eu gosto de você, professor. Mas acho que não posso continuar com isso. Eu gostei muito do que aconteceu, por isso... Por isso, acho que não devo continuar com você.
Charlie surpreendeu-se ainda mais. Depois, deu um sorriso, seguido de um riso. Era por isso que adorava trabalhar com crianças. Elas eram criaturas adoráveis, principalmente Levi, com sua voz aguda e jeito choroso. Ele abraçou ainda mais o menino e decidiu continuar com a brincadeira.
– Tudo bem, Levi – continuou. – Não entendi muito bem o que quis dizer, mas não precisa continuar comigo. Sempre vou estar ao seu lado acima de tudo. Eu também gosto de você, Levi.
O menino afastou-se do professor e voltou a aproximar-se, dessa vez para selar-lhe os lábios. Charlie arregalou os olhos. Era desse tipo de gostar de que ele estava falando? Finalmente, tudo fazia sentido.
– Isso foi uma despedida.
Charlie levantou-se atordoado e pediu para o garoto voltar para a sala assim que limpasse seu rosto. Levi balançou a cabeça e observou o professor cambalear até a turma. Então, Hunter saiu de detrás da árvore, com os olhos assemelhando-se a bolinhas de gude.
– Se você tinha gostado – disse -, por que começou a chorar, Levi?
– Porque eu gostava do professor Charlie! – exclamou. – Você me fez pensar que o tinha traído.
– Você nem estava junto com ele!
– Mas eu dei um beijo nele!
Eles continuaram a discutir durante algum tempo, como verdadeiros inimigos, mas, então, em algum momento, a frase escapou dos lábios de Hunter:
– Porque eu gosto de você, seu idiota! Por isso que eu te beijei!
Levi surpreendeu-se, as sobrancelhas arqueadas, as maçãs do rosto rubras. Hunter também estava enrubescido, e um silêncio desconfortável instalou-se entre os dois. O maior deslizou sua mão pelo ar e alcançou o pulso do menino, apertando-se. Na verdade, queria pegar sua mão. Levi puxou o braço para que eles pudessem ficar de mãos dadas.
– Tudo bem, Hunter – disse. – Você pode me beijar mais. Talvez eu também goste de você.
Mais uma vez, então, seus lábios se tocaram. Charlie e a Turma Pêssego não sabiam o que se desenrolava do lado de fora, que uma história de amor belíssima acontecia debaixo de seus narizes. Levi e Hunter começaram a namorar no jardim de infância, quando tudo era feito de marshmallows, um amor puro e infantil, e nunca terminaram, apesar das brigas e desentendimentos constantes. Nunca terminaram, nunca terminariam. O amor deles, depois em conjunto com o desejo, seria eterno. Quando se formaram, ainda namoravam. Quando entraram na faculdade, ainda namoravam. Quando conseguiram seus diplomas, ainda namoravam.
Levi seria eternamente de seu inimigo, Hunter, e este, daquele. Porque o que o amor puro constrói, nada pode destruir.
Notas finais
Espero que tenham gostado! *-----*
A pedidos, o próximo capítulo terá o primeiro personagem africano! õ/ E vai aparecer outro personagem que participou de um capítulo, mas não foi usado como principal. Tentem adivinhar quem é! :3
Até a próxima,
Takoyaki ~ cutícula, cutícula, cutícula, cabelo liso e brilhantes, cutícula, cutícula, cutícula, cabelo macio e sedoso, kyu kyu kyu kyu kyu ~ (8)
Próximo: O Garoto com Orelhas Avermelhadas
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