Garotos
15 Capítulo 13 . O Garoto de Skate
Notas iniciais
Porque eu queria muito fazer dos outros dois casais sobre os quais vou escrever. Então, aguardem ansiosos, haha.
Boa leitura!
Tema: Incesto.
Felipe empurrou seu pé contra o chão e deixou que seu skate deslizasse pelas ruas vazias da Academia. Finalmente haviam chegado as férias. Já perdera a conta de quantos alunos viu sair do internato, a fim de encontrar-se com seus pais. Ele não iria embora. Seus pais faleceram havia muito tempo, e quem o mandara para aquele lugar foram seus tios. Era a maneira que eles encontraram para se livrar dele.
O vento bateu contra a pele ligeiramente morena do menino, balançando as ondas escuras de seu cabelo. Aquele era o momento mais sereno de sua vida. Andar de skate pelas ruas do campus causava-lhe uma sensação de bem estar, seu coração parecia bater mais lentamente com aquilo. Ele deixou que as quatro rodas o levassem para a direita e para a esquerda, passando pelos prédios de aulas, pelos dormitórios, pelos prédios de atividades extracurriculares.
Não estava só na Academia, obviamente. Via, de tempos em tempos, um professor, que sempre o ignorava. Talvez, os homens pensassem que, enquanto as aulas não recomeçassem, não tinham qualquer obrigação de cumprimentar seus alunos apenas se eles namorassem.
Felipe guiou-se por mais três ruas, antes de frear seu skate e mirar o enorme prédio de artes cênicas da escola. Havia várias salas destinadas para ensaios, um teatro enorme, onde cabia quase todo o corpo estudantil, e salas de costura e maquiagem. O garoto pisou no skate e segurou-o com a mão. Então, dirigiu-se para o interior do edifício.
Podia ouvir, ao longe, alguém recitando a fala de uma peça de Shakespeare. Mas não era aquela voz que queria ouvir. Adentrou ainda mais fundo o prédio, perdendo-se em um labirinto de corredores largos. Mais uma voz. Esta cantava alto. Não conhecia a música; talvez ela fosse de algum musical da Broadway. A voz enchia-lhe os ouvidos, belíssima. Então, vieram os passos contra o piso de madeira do palco, uma ou outra fala entre a música e, novamente, aquela canção alta e animada.
Ele empurrou a porta de vidro escuro do teatro e adentrou-o. O garoto, no centro do enorme palco, cantava, dançava e atuava ao mesmo tempo. Felipe jogou-se em uma das cadeiras da última fileira e pôs-se a ouvir com mais calma a música. Ele não entendia muito bem inglês ainda que esta fosse a língua oficial da Academia Saint John. Tinha certa dificuldade em entender as palavras quando ditas muito rápidas.
No palco, o garoto deixava que seus pés o levassem livremente para qualquer lugar. Sua pele claríssima refletia a luz que estava contra ele. Os cabelos alourados, de tamanho mediano, a dançar, quando ele se mexia. Um sorriso brincou nos lábios finos do moreno. Belíssimo. O adjetivo refletia bem o menino a atuar no teatro. Os olhos escuros de Felipe perderam-se naquele corpo magro.
Por fim, o garoto ficou no centro do palco, e sua voz consumiu todo o silêncio que ocupava os momentos finais da música. Seu corpo caiu no chão, um sussurro deixou seus lábios. Felipe levantou-se da poltrona e aplaudiu. Os olhos azuis do menino correram, assustados, em sua direção.
- Felipe — aquela voz bela, que antes enchia o mundo, estava apenas murmurando as palavras. Era como se ela só pudesse aumentar de som quando estava atuando e cantando, o que era verdade.
O moreno desceu a escadaria que levava ao palco e subiu neste. O sorriso ainda em seus lábios. Deixou que seu corpo caísse ao lado do outro.
— Todos os meus amigos já foram embora — disse. — Vim ver o que meu irmãozinho estava fazendo.
De alguma maneira, o sorriso no rosto do louro desapareceu, e este virou seu rosto para o lado oposto.
— Só veio me procurar quando seus amiguinhos partiram e te deixaram sozinho — murmurou, com sua voz baixa.
Felipe sorriu. Ele sabia perfeitamente quando Rafael estava com ciúmes, afinal eram gêmeos fraternos. As aparências em contraste deixavam várias pessoas confusas quando ouviam que eles eram gêmeos. O mundo parecia ter criado uma regra para que todos os gêmeos fossem iguais o que não era o caso dos garotos.
O problema, porém, era que Rafael estava certo. Felipe só o procurava quando estava sozinho. Todas as férias eram as mesmas. Os gêmeos não se desgrudavam um do outro. Iam juntos a todos os lugares. Ficavam juntos em todos os lugares. Mas, durante o período letivo, estava sempre um distante do outro.
Aquilo machucava Rafael. Muito. Dentro dele, um sentimento diferente do amor fraternal formava-se. Ele sabia que era errado. Extremamente errado. Mas era impossível impedir que aquele sentimento tomasse uma forma cada vez mais real. Chegava a não sentir raiva de Felipe por ele fazer o que fazia. De alguma forma, ele queria a companhia do irmão, ainda que este só passasse as férias com ele. Ainda que Rafael fosse o plano B dele.
— Rafa — o moreno sussurrou.
O louro estava tão perdido em seus próprios pensamentos que não percebera a aproximação perigosa do outro. Quando ouviu seu apelido, assustou-se com os olhos escuros de Felipe encarando-lhe tão de perto. Seu coração saltou. Estava chegando o momento em que Rafael tinha certeza de que o moreno sabia de seus sentimentos e tentava recompensá-lo por isso.
Os lábios carnudos de Felipe grudaram-se ao do irmão. Era um beijo simples no início. Apenas um selar de lábios desejosos. Então, a língua do moreno pediu espaço a Rafael, que o cedeu prontamente. Suas línguas dançavam juntas uma melodia imaginária, no enorme teatro do prédio de artes cênicas.
Felipe afastou-se do irmão o suficiente para mirar-lhe os olhos azuis com um brilho luxurioso. O que estava fazendo? Sempre que beijava o louro, ou fazia amor com ele, a mesma pergunta invadia-lhe a mente. Aquilo era justo? Ter prazer com seu irmão para, logo em seguida, descartá-lo era justo? Sabia os sentimentos que Rafael nutria por ele, o que deixava tudo ainda mais injusto.
Mas não conseguia parar.
Sua língua resvalou pelo pescoço do outro, lambendo-lhe a pele alva. Rafael caía lentamente em direção ao chão do palco de madeira, sentindo a língua quente do irmão a tocar-lhe. A sensação perfeita a dominar seu corpo, ainda que soubesse que Felipe não retribuía seus sentimentos.
O moreno ficou sobre o garoto, os olhos azuis mirando os escuros comprazer, desejo e luxúria. Novamente, a mesma pergunta: o que estava fazendo? Seus lábios tremeram enquanto via o rosto ligeiramente corado do irmão, respiração tornou-se cada vez mais difícil, como se houvesse algo em sua garganta. Então, as lágrimas quentes caíram sobre as bochechas do louro.
Rafael surpreendeu-se em ver Felipe chorando. O moreno nunca derramava uma lágrima, pois ele ainda acreditava no lema de homens não choram. O louro levou uma de suas mãos ao rosto do outro e franziu as sobrancelhas ao ver a dor estampada naquela face morena.
— Felipe... O que foi?
Ele soluçou mais vezes. Era um choro forte e sofrido, típico de quem passou anos sem fazê-lo. A resposta viera afinal: não era justo. Nem para ele, nem para Rafael.
— Eu me odeio — sussurrou entre um soluço e outro. — Rafa, me desculpe, por favor. Eu não estava sendo justo com você. Me desculpe... Por favor, me desculpe.
— Felipe! — Rafael pôs as duas mãos nas maçãs do rosto do garoto. Ele chorava tão dolorosamente. Por que se desculpava? — Felipe, calma. Acalme-se!
Contudo, o moreno não deixava de soluçar e gemer. Ele afundou sua face no pescoço alvo de Rafael e continuou a molhá-lo com suas lágrimas quentes. Não pararia tão cedo. Toda a dor que vinha acumulando por causa do que fazia com o irmão estava sendo expelida naquele momento, em forma de gotas dágua. O louro desconhecia o motivo para o choro frenético do moreno, mas confortou-o como podia. Suas mãos afagaram os cabelos escuros, e, de seus lábios, partiam palavras doces.
- Eu estou aqui, Felipe. Pode chorar o quanto quiser. Saiba que eu sempre vou estar ao seu lado. Saiba que eu sempre vou te amar.
Ele chorou mais, cada vez mais forte. Sem conseguir parar, sem conseguir retirar de uma vez toda aquela dor. Rafael beijou-lhe o topo da cabeça. Felipe era o idiota, o que sempre fazia seu irmão sofrer. Por que estava recebendo tanto amor e carinho daquela pessoa?
- Rafa — o moreno disse, a voz falha. — Por que você estava fazendo isso? Você devia me odiar, como eu me odeio!
Os olhos escuros, naquele momento avermelhados, levantaram-se para encarar Rafael, o rosto do moreno marcado pelas trilhas das lágrimas.
— Eu só venho até você quando estou sozinho. Você é meu plano B. Eu desconto toda a minha frustração sexual em você e, depois, te descarto como se não fosse nada. Por que você ainda está comigo e diz que me ama? Eu mesmo me odeio por tudo isso! E eu não consigo parar de fazer! Rafa! — ele já gritava. O choro voltou e, mais uma vez, ele afundou o rosto no corpo do irmão.
É por isso que dizem que eu sou o gêmeo mais velho — Rafael disse, a voz baixa como sempre. — Eu tenho que cuidar de você e te ensinar as coisas novas. Felipe, como eu posso te odiar? Admito que já tentei e, quando acho que consigo, você aparece, com sua pele morena belíssima, com seus olhos e cabelos escuros brilhantes, com sua personalidade estonteante. Eu nunca vou conseguir te odiar. Além de ser a pessoa que meu corpo deseja, você é meu irmão gêmeo. Não me importa se você está com outras pessoas e vem me procurar quando elas te deixam. O importante é que, agora, você demonstrou que me ama tanto quanto eu te amo.
Felipe levantou seus olhos escuros para o irmão. Como ele havia dito: os orbes brilhavam à mais leve luz.
- Como eu pude ter demonstrado isso? Não falei nada.
Rafael aproveitou esse momento para roubar um beijo rápido do menino.
— Você chorou por mim. Sentiu dor por mim. Nunca se esqueceu de mim. Quer uma confissão de amor melhor?
Felipe pôs-se de joelhos, fungou mais algumas vezes e esperou que o louro se sentasse também. Os dois se entreolharam, mas o moreno logo abaixou seus olhos.
- Desculpe, Rafa. Eu te amo, certo? Nunca mais vou deixar de ficar ao seu lado para agradar outras pessoas — então, abraçou o corpo magro do irmão. — Porque, além de ser quem meu corpo deseja, você é meu irmão gêmeo.
Rafael retribuiu o abraço, e eles ficaram daquela maneira pelo resto da tarde.
Durante as férias, eles não se separaram. Onde Felipe estava, Rafael estava. Trocando sorrisos, carícias e brincadeiras. O fim se aproximava. O louro ainda não estava certo sobre o que o irmão faria. Continuaria ao seu lado, ou voltaria para seus amigos? Rafael até mesmo havia tentado aproximar-se do skatistas que andavam com o moreno. Mas eram todos tão preconceituosos, porque o louro estava no clube de teatro e era mais gay que uma árvore cheia de macacos com óxido nitroso na cabeça.
Felipe tinha que escolher entre Rafael e os amigos.
E, ao fim, o louro abriu o mais belo sorriso que já existiu quando viu o irmão surgir ao seu lado no primeiro dia de aula. Sim, nunca mais iriam se separar. Porque seus corpos desejavam-se, além de ser irmãos gêmeos.
Notas finais
Mais gay que uma árvore cheia de macacos com óxido nitroso na cabeça é uma citação do livro Belas maldições - as belas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa,mude Neil Gaiman e Terry Pratchett. Eu tenho que mostrar que leio também, hahaha. Faz parte da descrição do anjo Aziraphale, meu lindo ♥ eu shippo ele e o Crowley.
O capítulo saiu de uma forma diferente de como eu havia imaginado, mas ok. E um capítulo sem lemon de vez em quando é bom, né? HAHAAHAHA
Até a próxima!
Takoyaki ~ VAMOS FERMENTAR VOCÊ!
P.S.: Acabei de ver que Garotos tem 88 páginas no Word, HAHAHA
Próximo: Especial: O Garoto de Voz Belíssima
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