Garoto Sujo

3 Sensação de Impotência


A manhã foi chegando e com ela, os raios solares invadiam a casa de dois jovens que viviam com sua família em um campo rodeado de animais tais como galinhas, cavalos e vacas. Devido o material de que era feita, o sol poderia penetrar a casa deles facilmente e, por tanto, acordá-los.

— Bom dia...

Esta era a casa de Eustass Kid e Trafalgar Law, dois amigos que acabaram tendo que morar juntos depois do moreno ter matado o pai que o deixou ser sequestrado sem fazer nada. Desde então, Kid tem tomado conta de Law como melhor amigo, mesmo sentindo uma atração maior por ele.

— Hgn... – Law foi despertando aos poucos, com bastante dor de cabeça. – Kid? – Em seguida, olhou o ruivo que estava sentado na mesma cama que ele.

— Como você tá? – E preocupado, perguntou.

— Eu tô bem... só tive um pesadelo.

— Eu não consegui dormir direito essa noite.

— Minha cabeça tá doendo. – Ele murmura, tentando ainda acordar por completo. – Você pode pegar algum remédio pra mim?

— Claro.

Ambos estavam em um estado de fadiga devido o que aconteceu no dia anterior. Uma semana depois de serem convocados a entrar no submundo, Law foi drogado e forçado a dormir com o líder, Donquixote Doflamingo, em troca de um cargo maior do que tinham. Por conta disso, ele ainda estava confuso com o que havia acontecido, e seu corpo bastante dolorido.

— Aqui. – Kid voltou com o copo de remédio e voltou a subir na cama, sentando e entregando para Law.

— Brigado. – Que já estava um pouco mais consciente, apesar de não se lembrar de muita coisa que havia feito. Só sentia uma sensação de desconforto em seu corpo. E o pior, deveria fingir que dormiu com Joker por vontade própria, mesmo não tendo tido escolha.

— Ei, Law. – Assim que o moreno termina, o ruivo o abraça, encostando na cabeceira da cama e ficando junto com ele em seu peito. – Já quer conversar?

— … – Ele ficou hesitante em precisar mentir, não queria voltar a ver a pessoa que o deixou nesse estado ou a mencionar o assunto. – Kid, me perdoa...

— Você fez mesmo aquilo pelo cargo? Ninguém te forçou?

— Foi... um dia ruim pra outros melhores. O Doflamingo me deu essa proposta, mas foi só uma vez.

— Tsc, aquele canalha. – Não poderia deixar de ficar com raiva. – Aproveitador.

— Posso te pedir uma coisa?

— Claro, o quê?

— Não conta pra ninguém, tá? Nem comenta sobre isso, eu só quero esquecer. Finge que nunca aconteceu.

— Tá, eu vou tentar esquecer por você, mas...

— Mas?

— Q-Quer dizer, você pretende.. continuar com o Joker?

— Não! Eu.. eu só vou ficar perto do Corazón, eu não quero nem olhar na cara dessa pessoa. – Law vira o rosto. – O Corazón me odeia, então é mais seguro.

— Tá bom, eu confio em você, só não dá pra não ficar preocupado.

— Você ainda tá chateado comigo por isso?

— Não tô, foi mal por ter perdido a cabeça ontem. Eu te amo, eu só quero te proteger do resto desses filhas da puta.

— Eu não gosto deles tanto quanto você.

— Você confia em mim?

— Confio. Eu só confio em você, na verdade.

— Eu também só confio em você.

— Então vamos fazer uma promessa. – Law estende a mão junto com o mindinho.

— Claro. – E Eustass fica mais calmo, cruzando o mindinho dele com o seu.

— De agora em diante eu só vou confiar em você.

— E eu em você, pra sempre.

— Pra sempre.

Com a promessa feita, ambos puderam ficar mais tranquilos e até abriram pequenos sorrisos um pro outro de confiança. Law continuava deitado no peito do ruivo, mas acabou subindo um pouco mais seu rosto pra ficarem mais próximos, sendo retribuído por Kid. Por último, ele acabou dando um selinho em Eustass e depois, um beijo de língua.

— Bom dia, meninos! – Entretanto, a mãe havia chegado e eles acabaram se separando rapidamente.

— Bom dia. – Responderam em uníssono.

Seu nome era Amélia Elizabeth, ela era uma senhora alta que sempre estava sorrindo e vestindo um vestido longo, com óculos redondos escondendo seus olhos e um cabelo ruivo bem vermelho crespo e cheio. Ela é mãe biológica de Kid, porém, por ter tido um apego muito grande pelo moreno, acabou o adotando como filho. Seus vícios consistiam em fazer biscoito e costurar roupas.

— O café da manhã já tá pronto, é melhor virem logo pra não se atrasarem pra faculdade.

Dito, os dois garotos saíram do quarto rumo à cozinha, onde encontraram um senhor igualmente ruivo, com cabelo pra trás, estatura média e que usava tanto um longo bigode cheio quanto uma barbixa vermelha. Também usava óculos, mas não tão grandes quanto o da esposa. Ele era William Eustass, pai de Kid e odiava Law com todas as suas forças.

— Bom dia. – Ele estava com um jornal frente do rosto, tomando um café.

— Bom dia. – Kid respondeu.

— Tsc, velhote. – E Law somente se sentou na mesa.

— Kid, hoje você vai me ajudar a pegar as galinhas pro jantar.

— Aah, sério? – Resmunga sem a menor vontade. – Eu não gosto disso, elas ficam correndo, berrando e soltando penas.

— Eu não quero saber se você gosta ou não. E quanto a você, fedelho.

— Hm? – Law olha pra ele com uma cara feia.

— Você vai limpar o estábulo.

— Hã, eu não vou fazer isso! Tem bosta de cavalo lá.

— Eu não quero saber se você quer fazer ou não, você vai me obedecer!

— Não, você não é o meu pai.

— Que bom que não.

— Eu não tenho obrigação de fazer nada por você.

— Você tem, deixa de ser ingrato, você come da minha comida e mora na minha casa, pirralho!

— Eu vivo na casa da minha mãe e a comida também é dela, você só fica o dia inteiro sentado.

— Como é que é? – Ele se levanta com a bengala, batendo com ela na cabeça de Law. – Repete isso, ingrato!

— Ai, não faz isso!

— Não bate no Law! – Kid se levanta para defendê-lo.

— Meninos, não briguem. – A mãe fala de um jeito calmo, sorrindo levemente, e faz com que todos voltem a se sentar. – Brigar é feio.

— Desculpa. – Law e Kid falam.

— Hmpf. – Enquanto o pai do ruivo somente resmunga.

(…)

Ao mesmo tempo, em uma casa longe dali, no centro de Londres, outra pessoa que também estudava junto com Law e Kid estava acordando em seu quarto. Seu nome era Diez Drake, ele foi o responsável por obrigar Law a dormir com Doflamingo para conseguir o cargo de aprendiz de Corazón após drogá-lo com uma injeção que havia conseguido com seu próprio primo.

Ele também havia conseguido um novo cargo no submundo, que era como aprendiz de Jack, também conhecido como John Adams, um ruivo que vivia como chefe do FBI, morando nos Estados Unidos. Adams já o conhecia desde que era criança, mas ambos não se viam há tempos.

“Doooory! Aaaah, eu não ouço a sua voz há tanto tempo, e nossa, é sério que agora eu vou poder treinar o amigo do meu bebê?” — Drake havia acabado de ligar para Adams, para acertar como seria. – “Awn! Essa decisão do Loiro Magia foi A MELHOR! Ele é o melhor, nós somos os melhores!”

— Caramba, você fala demais. – Ele responde mau humorado. – Como você vai me treinar se você mora nos Estados Unidos, Adams?

“E o Leãozinho vai seguir a mesma carreira do Kirakira? Que fofo!”

— Responde...

“Ah, eu vou liberar a senha de alguns arquivos do FBI. Você vai precisar estudar o que eu trabalho se quiser entrar pra Scotland Yard algum dia, mas vai ser fácil porque você gosta de ler. Tem umas informações secretas do governo e tals.”

— Informações secretas do governo?

“É, tipo esses lances de que foi o Bush quem destruiu as torres gêmeas, foram os norte americanos que criaram o ISIS, que a URSS venceu a Guerra Fria porque nunca conseguimos ir pra lua, que o Jack estripador é filho da Rainha Vitória... enfim, essas coisas que todo mundo sabe, mas que a gente finge que é segredo.”

— Filho da Rainha Vitória... – Drake estava anotando tudo que Adams falava.

“Também tem uns livros proibidos e raros aqui também, eu vou ver se te mando por correio. Você vai gostar deles! Estão em línguas meio chatinhas de se ler, mas é daora.”

— Livros raros e proibidos?

“Ocultismo, experiências ilegais, aquele cachorro lá de duas cabeças. Ah, é! Tem uma parte no submundo que tem meu arsenal de armas. A chave tá com o Loiro Magia, pega com ele.”

— S-Sério? Posso ficar com elas?

“Gosta de armas?”

— Pra caralho.

“Eu vou te treinar pra ser sniper então! E como o meu bebê tá com o Caicai?”

— Law com o Corazón? Sei lá, eu não falo muito com eles, acho que eles não se gostam.

“Você não era melhor amigo do meu coraçãozinho?”

— A gente meio que se afastou um pouco.

“Entendi... tem alguma coisa a ver com você ter dado um jeito de fazer ele ser aprendiz do Caicai?”

— Hã? Eu não fiz nada, o Joker que decidiu isso.

“Você não teve nada a ver com isso?”

— Não, não tive. Tem mais alguma coisa pra dizer? Eu preciso ir pra faculdade.

“Bons estudoss! Ah, e não deixa ninguém ler as coisas que eu te mando, tá? Discrição é a chave, sejamos todas discretas. Escondidinho.”

— Tá bom, Adams.

“Escondidinhos! Vai ser o nosso segredinho.”

— Tchau.

“Inté!”

Em seguida, Drake desligou o celular. Ainda sentia calafrios em precisar falar e ser treinado por alguém que não suportava a presença, mas acabou deixando de lado. Ele morava sozinho, somente com a sua mãe e sempre foi de família rica. Ao sair de seu quarto, ele a viu.

— Bom dia.

— Bom dia. – Ela respondeu, sentada na poltrona com uma taça de vinho e lendo um livro de romance. Era uma mulher alta, loira e que gostava de usar roupões quando ficava em casa.

— Já fez o café?

— Tem cereal no armário, pode pegar lá. – O ignora, continuando a leitura.

— Sério? Você não fez nada pra mim?

— Eu comprei o cereal que está no armário.

— Affs, você sabe que quando eu acordo eu gosto de ter um café da manhã de verdade na mesa.

— Drake, você já tem dezoito anos. – Ela diz, interrompendo sua leitura. – Não acha que já tá na hora de aprender a cozinhar?

— Eu sou homem.

— Homens também têm mãos.

— Tsc, eu não vou ficar passando fome por causa da sua preguiça. – Ele se vira, indo ao banheiro. – Eu vou comer fora.

— Fique à vontade.

— Eu preciso chegar cedo na faculdade pra me formar logo e arranjar um bom emprego, como todo homem. Eu não tenho tempo de fazer tarefas secundárias femininas.

Depois de tomar seu banho, trocar de roupa e se preparar para ir à faculdade, Drake finalmente saiu de casa. Porém, depois de tomar seu café da manhã em uma lanchonete, ele resolveu parar primeiro no laboratório de seu primo para contar as novidades do submundo.

Seu nome era Joseph Miller, ele foi o responsável por ter feito a injeção para Law. Passou uma boa parte de sua vida em um hospital psiquiátrico de alta segurança, onde teve um ensino rígido, conservador e foi tratado como doente. Recebeu forte influência de seu pai, um neonazista declarado, tanto que ao sair aos dezoito anos, tornou-se um skinhead.

— Joseph, você não vai acreditar! – Drake entrou no laboratório, indo diretamente para o balcão, exclamando.

Ambos não se davam bem devido à rixas passadas. Por mais que tenha abandonado cedo seu passado como skinhead e tendo que remover todas as tatuagens que tinha, Joseph ainda tinha em seu pulso uma última, as iniciais “SS”. Também usava escondido um cordão com uma cruz negra.

— Você finalmente apareceu, como foi o seu plano de prostituir uma criança? – Indagou, curioso, por mais que tenha odiado e se negado primeiramente a contribuir com aquilo.

— Deu totalmente certo, agora eu vou receber um treinamento especial como Jack no submundo.

— Ótimo, valeu a pena ter virado um merda pederasta?

— Sim, valeu, mas não é só isso. Você não vai acreditar no que eu descobri.

— O quê?

— Eu te disse, eu vou treinar com o Jack. Sabe quem é? Você conhece ele.

— Jack, o informante do submundo? Eu conheço?

— É o Adams.

— Adams?

— Sim, ele é Chefe-Diretor do FBI.

— Adams, tipo, aquela coisa vermelha nojenta que fica berrando e pulando?

— Isso, eu–

— Você vai ser treinado por um velho pedófilo, rei da gangue do arco iris? Hahahahahaha! – Acabou tendo um ataque de risos.

— P-Para de ri–

— Hahahahahahahahaha! – Continuou rindo de Drake, que já estava vermelho de tanta raiva. – Hahaha, meu Deus, eu nunca ri tanto na minha vida!

— Joseph, cala a bo–

— Hahahahaha! Ai, eu vou morrer...

— Cala a boca! Você não entendeu que eu disse que ele é do FBI?

— Ai, ai... eu dou uma semana pra você se converter.

— Tsc...

— Ah, ele é do FBI? Nossa, eu expulsei ele daqui com uma vassoura.

— Entendeu o ponto que eu quero chegar? Você não pode mais odiá-lo gratuitamente.

— Relaxa, eu não vou odiar o seu 'mestre-de-como-ser-viado', até porque eu não tenho visto ele há uns anos.

— Ele gosta bastante de você ainda.

— Pode ficar, eu não tenho o menor interesse nessa coisa.

— Enfim, eu só vim dizer que eu não vou mais precisar das injeções, então é isso. Obrigado.

— Que bom, esse seu plano de merda só fez o meu asco por você aumentar. Você é um viado pedófilo desgraçado, capetinha.

— Me chama do que quiser. – Drake dá às costas, saindo do laboratório. – Eu vou ser rico!

(…)

Mais tarde, já estavam todos na faculdade. Como havia prometido, Drake ficou afastado de Law e portanto sozinho, apenas lendo um livro em seu canto. Já os outros, Kid e Law, estavam reunidos com seus amigos, como era de seu costume.

Eram três amigos no total e, no intervalo, ficavam juntos em uma mesa no refeitório. Seus nomes eram Nicolle, uma garota loira que cursava música, Mikael que, embora cursasse direito não fazia absolutamente nada além de jogar futebol e Trevoso, como era seu apelido por passar horas escrevendo sem dizer absolutamente nada, tendo um ar sombrio, que cursava letras.

— Pimentinhaaa! – Mikael, usando o apelido que deu pra Kid, o ataca, pulando em cima dele.

— Que é, demônio? – E ele responde sem paciência.

— Vai ter jogo esse fim de semana, vamo comigo.

— Eu não tenho dinheiro nem interesse.

— E você, princesa? – Em seguida, tenta convidar Law.

— … – Que apenas o ignora, lendo um livro qualquer da área médica.

— Ninguém quer ir comigo... – Ele fica meio deprimido.

— Ei, tenta convidar o Trevoso. — Nicolle, sua namorada, sussurra pra ele.

— Não dá, eu tenho um pouco de medo dele.

— Deixa de bobagem! E se ele aceitar?

— Ele não tem cara de quem vá aceitar.

— Talvez ele só seja tímido, tenta falar com ele.

— Mas eu...

— Um...

— Sério isso?

— Dois...

— Eu não sou criança.

— Dois e meio...

— Não vai funcionar.

— Trê–

— Oie! – Ele se aproxima amigavelmente de Trevoso, que estava escrevendo algo em um bloco de notas e não o notou. – Então...

Tudo o que o outro fez foi parar de escrever, olhando nos olhos do outro, ainda com o bloco de notas tampando a maior parte de sua face.

— S-Sábado, jogo... quer ir?

Mas tudo que Mikael obteve como resposta foi Trevoso voltando a olhar para o caderno, escrevendo.

— Ok... isso foi um não.

— Pelo menos você tentou. – Nicolle se apoia no ombro dele. – E o Drake?

— Ele não tá aqui, deve estar sendo nerd em outro canto.

— Ele tá ali. – Aponta pra uma mesa afastada, que é onde o ruivo estava sozinho, igualmente ocupado com sua leitura. – Vai falar com ele.

— É perda de tempo, óbvio que ele vai recusar. Ele só aceita as coisas se o Law estiver junto.

— Hm?

Ao ouvir seu nome, Law acaba interrompendo sua leitura e olha para Mikael, porém, alguma coisa em sua face parecia estar estranha. Pra começar, ele ficou encarando o loiro por um tempo e tanto Mika como Nicolle estranharam aquela ação.

— O que foi? – Ele perguntou. – Tem alguma coisa na minha cara?

— … – Mas Law não respondeu nada, pelo contrário, continuou olhando como se estivesse hipnotizado.

— Ahn... por que você tá me olhando?

— … – Continua fazendo o mesmo.

— Sério, isso tá dando arrepio...

— Law? – Kid tentou chamá-lo, mas Law continuou encarando o loiro. – Law, você tá bem?

— Law? – Nicolle também tentou falar com ele. Até Trevoso o olhou, parando de escrever por um minuto. – Law, tá me ouvindo?

— Law?

— Ei, Law?

— Law?

— Law..?

— Ahn...

— Law?

— Ahn? – Eis que, depois de um tempo de hipnose, Trafalgar volta ao mundo real. Os quatro estavam encarando ele, parecia que tinha dormido um pouco. – Que foi?

— Você tá bem? – Kid perguntou.

— Não, eu tô... – Ele bota a mão na testa, ainda um pouco confuso. – Eu tô bem.

— O que houve?

— Eu não sei direito, eu só senti um pouco de dor de cabeça, mas já passou.

— Tem certeza que tá tudo bem?

— Tenho sim, já pas...

Entretanto, quando ele mesmo achou que já estava tudo bem consigo, ele acabou virando o rosto e encontrando Drake com os olhos. O ruivo estava bem afastado, em outra mesa, lendo outro livro, mas mesmo assim o moreno ficou o encarando, dessa vez com uma face um pouco mais assustada.

— Law?

E não conseguiu parar de encarar, parecia que estava prestes a ter um ataque de ansiedade. Começou a respirar pesadamente pela boca e não conseguia desviar o olho de Drake. Sua mão tremia um pouco e seus dedos chegaram a fechar, mas ele não desviou o olhar.

— Law? Dormiu de novo?

As batidas de seu coração já estavam aceleradas. Ele ficou encarando o ruivo com tanta ênfase que Drake percebeu sem querer que alguém o estava observando, e virou o rosto, encontrando Law olhando pra si com muita persistência e olhos arregalados, como se estivesse vendo um fantasma.

— … – O ruivo levou um susto quando viu que o moreno o estava o encarando daquele modo, ficando até intimidado. Resolveu ignorar, voltando a firmar a visão na leitura, porém, ainda sentia a mesma sensação de estar sendo observado. Quando viu, Law não havia mexido seu rosto e continuava a encará-lo. – Que medo...— Ele chegou a pensar, não conseguia nem desviar o olhar sabendo que estava sendo encarado.

— Law?

Depois de um tempo, o moreno, inconscientemente, levantou da cadeira. Não estava pensando em suas ações, tampouco sentia que estava se movendo. Era como se seu corpo agisse sozinho. Ele estava com o pulso serrado e andava em passos lentos, meio trêmulo, com o coração apertado e ainda respirando pela boca.

Ele deixou seu grupo de amigos e foi em direção a Drake, que continuava o olhando sem saber o que fazer, apenas parado, sentado, com o livro fechado. Law, por fim, se aproximou dele e ficou inerte, de frente para o ruivo, sem dizer nada.

— Que foi? – Drake perguntou, sem entender muita coisa do que estava acontecendo.

E o moreno, sem dizer nada com palavras, apenas se debruçou e foi com seu rosto na direção do do ruivo, fechando seus olhos e dando um beijo de língua nele, que foi rapidamente retribuído. Diez segurou sua face, entrelaçando os dedos em seu cabelo e prosseguiu com o beijo, se virando e permitindo que Law sentasse em seu colo e segurasse em sua camisa.

— Law?

— Ei, Law. Law.

— LAW, ACORDA!

— Ahn, quê?

Porém, tudo não passou de um surto de sono. Trafalgar continuava sentado na mesa, com seus amigos ao seu redor. Percebeu que ficou encarando tempo demais Drake e virou o rosto meio constrangido quando percebeu que o ruivo havia o encarado de volta, não entendendo nada e estranhando a ação.

— O que aconteceu? – Law perguntou, meio tonto.

— Acho que você dormiu de novo. – Mika responde. – Tá tudo bem contigo, cara?

— Você tá bem? – Kid colocou a mão na testa do garoto, se espantando. – Nossa, você tá muito quente!

— Ahn, eu... – Ele estava terrivelmente tonto.

— Você tá com febre! Eu preciso te levar no médico, urgente.

— Não precisa, eu só...

Law sentiu uma pontada em seu estômago, precisando levantar rapidamente da mesa e correr em direção ao banheiro, mesmo que pra isso tivesse que esbarrar em várias pessoas e lugares, pois estava tonto demais para correr e acabava não vendo pra onde estava indo. Foi difícil porque sua visão estava fraca demais para ver o caminho, mas ele finalmente chegou ao seu destino.

E a primeira coisa que fez foi entrar na cabine do banheiro, sem nem mesmo trancar a porta, e se ajoelhar na frente do vaso, vomitando bastante, sem nem se importar com quem estava perto. Ao terminar, ficou sentado no chão da cabine, com a respiração fraca, quase desmaiando e com um calor sobrenatural em seu corpo.

— Law? Law, onde você tá? – Kid apareceu, abrindo a porta de todas as cabines até achar o garoto jogado em uma delas.

— Kid... – Ele respirava pela boca, quase dormindo.

— O que houve contigo? Você tá bem? – E o ruivo se sentou junto com ele, novamente colocando a mão em sua testa. – Você tá mais quente ainda!

— Kid, eu... – Parecia estar em um estado embriagado. – Eu preciso... preciso daquilo...

— Daquilo o quê?

— Tá quente aqui... tira a minha roupa...

— Ahn?

— Tira...

— L-Law, você bebeu alguma coisa?

— Tá quente demais...

— T-Tá...

Eustass, ainda com um certo receio, trancou a porta da cabine e ajudou Law a se levantar e a sentar no vaso, tirando a camisa que ele vestia. Notou que seu corpo inteiro estava ardendo em febre.

— Você tá mesmo suando.

— Kid...

— Hm?

— Tira... a minha roupa..

— Ahn? A calça também?

— É... eu não consigo me mexer direito.

Law, mesmo estando mole, tentou levar a mão de Eustass até o começo de sua calça, que foi quando o ruivo acabou notando que ele estava com uma ereção, ficando automaticamente vermelho e sem jeito.

— L-Law, q-que que deu em você?

— Kid... – Em seguida, ele se debruçou no ruivo, o abraçando com uma das mãos, enquanto a outra ainda segurava na dele e obrigava Eustass a tocar em sua virilha.

— Eu... não sei o que fazer. – Ele estava bem corado e nervoso. – Acho que não é muito bom fazer nada contigo nesse estado.

— Por favor, só... faz...

Ele ainda abraçava o mais novo com uma das mãos, com a outra se apoiando involuntariamente onde encontrava-se a ereção que Law tinha e que ficava cada vez mais perceptível. Eustass não sabia como reagir diante aquilo, se fazia o que ele havia pedido ou se se controlava.

Tentou mexer sua mão para acariciá-lo por cima da calça, imitando movimentos de masturbação. Law segurava na camisa dele, o abraçando forte com ambas as mãos, apoiando queixo no ombro dele. Entretanto, Kid não conseguiu continuar muito tempo devido ao outro estar trêmulo demais.

— Law, vamos pra casa. – Ele achou melhor se afastar por estar preocupado. – Você não tá bem, sério.

— Mas eu não quero ir... você não quer ficar comigo?

— Não nesse estado.

— Por quê?

— Parece que você vai desmaiar, eu duvido que você esteja fazendo isso por vontade própria. Sério, não me pede mais pra fazer isso.

— … tá.

(…)

Passado-se um tempo, Eustass e Law haviam chegado em sua casa. O moreno já estava melhor, não tinha mais febre e conseguia falar e respirar normalmente. Assim que entraram, foram prontamente recebidos pela mãe dos garotos.

— Chegamos! – Kid anuncia.

— Vocês voltaram cedo. – Amélia, com um sorriso como sempre, os recebe. – Aconteceu alguma coisa lá na faculdade?

— O Law passou um pouco mal, aí a gente saiu mais cedo.

— Passou mal? O que você teve? – Ela, preocupada, aparece com um medidor de temperatura e vai checar o mais novo. – Febre? Sentiu enjôo?

— Eu já tô melhor, mãe.

— Deita na cama, eu vou fazer um chá pra você que eu aprendi com a minha avó, e também vou preparar uns biscoitos especiais pra sua saúde e uma sopa pra você ficar forte.

— Brigado.

— Ahn, vocês chegaram cedo. – O pai de Kid surge, resmungando e com sua famosa bengala nas mãos, usando-a para andar.

— É que o Law passou mal e–

— Não quero saber, vocês terem chegado cedo significa que podem fazer mais tarefas ainda. Filho, pega a enxada, o fedelho pode me encontrar no estábulo.

— Hoje o Law não vai fazer nada senão descansar e se alimentar. – A mãe o interrompe.

— Então o Kid fica com as tarefas dele.

— Hã? – Reclama. – Eu não vou ficar com as tarefas de ninguém.

— Eustass Kid, vá fazer o que o seu pai mandou. – Ela diz, determinando. – O Law hoje não está com disposição suficiente pra fazer nada, ele precisa descansar.

— Mas ele já tá melhor. – Se defende.

— Não tô. – Mas Law nega, já com os biscoitos que sua mãe havia dado na boca. – Se a minha mãe disse que eu preciso descansar, então eu vou descansar.

— Tsc, fingido.

— Para de reclamar e vem logo!— O pai dele grita já do lado de fora da casa, chamando seu filho.

— Já tô indo! – Kid exclama, se virando pra Law antes de ir embora. – Chato, eu nunca mais te ajudo com absolutamente nada.

— Ruivo idiota.

Law fez o que sua mãe havia sugerido e ficou deitado em sua cama, comendo biscoitos com chá e lendo mais um de seus livros. Ela o havia enchido de travesseiros para que ficasse o mais confortável possível, e deu certo, já que ele não sentia mais sintoma algum.

Algumas horas depois, já no finalzinho da tarde, Eustass apareceu no quarto, completamente morto. Seu corpo estava sujo de terra e tudo o que ele pôde fazer foi se jogar na cama de solteiro que dividia com Law, caindo exatamente em cima dele.

— S-Sai de cima de mim, tá me esmagando... – Reclama.

— Hmfpf... – Mas Kid estava exausto demais para conseguir se mover.

— Sério, você é muito grande.

— Tá... – Ele usa suas últimas forças para se deitar direito, ficando ao lado do moreno.

— Kid, não é melhor você tomar um banho? Tá sujando os lençóis.

— Mais tarde. – Abraça o corpo de Law, praticamente babando em cima dele. – Eu tô cansado, fica comigo.

— Eu tô com você. – Ele só acaricia os cabelos de Eustass em retribuição. – Nós dividimos o mesmo quarto, idiota.

— Law, o que houve contigo mais cedo?

— … – Ele ficou meio sem jeito ao relembrar o que tinha feito. – Eu... não sei.

— Sério, você bebeu alguma coisa? Pode me contar.

— Eu não bebi nada, eu não bebo.

— Eu nunca tinha visto ninguém ficar daquele jeito, parecia que alguma coisa tinha tomado conta de você.

— … vamos mudar de assunto.

— Você não faz nem ideia do que possa ter sido?

— Eu já disse que eu não sei.

— Então tá. Bom, de qualquer modo eu vou tomar banho e fazer o jantar, a mãe pediu pra fazer o que você quiser.

— Não precisa, Kid, deixa que eu faço o jantar. – Ele fecha o livro, indo se levantar da cama. – Você já fez coisas o dia todo.

— Ah, decidiu me ajudar?

— Decidi, eu fiquei com pena de você.

— Toma banho comigo, é melhor que fazer o jantar.

— Não.

— Aff, chato...

— Vem, para de reclamar, levanta logo senão eu desisto de fazer o jantar.

— Tá bom.

(…)

Mais tarde, a noite caiu. Trafalgar e Kid estavam dormindo juntos como de costume, quando o mais novo acabou acordando duas horas da manhã voltando a se sentir desconfortável. Primeiro seu corpo todo estremeceu por dentro, como se tivesse recebido um choque térmico, o que o fez despertar em um susto.

— Ahn...

Law não estava totalmente acordado de fato, visto que estava mais tonto do que qualquer outra coisa. Ele somente havia sido invadido por uma onda de febre mais uma vez, ficando do mesmo jeito que mais cedo na faculdade. Para ser sincero, ele já tinha uma certa ideia do que era aquilo.

Sua respiração estava pesada, porém, acabou levantando sem nem ao menos se dar conta, esbarrando nos móveis sem querer, fazendo o máximo de silêncio possível. Só vestia um pijama e a única peça que colocou a mais foi um chinelo, que usou para caminhar até o lado de fora de sua casa, tendo todo o cuidado para não ser notado por ninguém.

Em seguida, já do lado de fora, foi até onde sua égua, Jurema, estava. Pode parecer estranho para a maioria dos jovens, mas Law ia a cavalo para a faculdade e para qualquer outro lugar, visto que não sabia dirigir e seus pais não poderiam o levar para faculdade diariamente.

— Me leva... pra...

Mas Jurema era uma égua extremamente sábia que parecia mais um GPS. Bastasse Law dizer para onde queria ir que era levado por ela, não importasse o horário. O moreno simplesmente ficou deitado, segurando em sua crina, esperando chegar ao seu destino.

Uma parte sua estava em estado de fadiga, mas outra o impedia de ficar parado. Law fugiu de casa e Jurema começou a correr para o endereço indicado, até chegarem à cidade grande, mais especificamente na casa de Drake. Law estacionou sua égua no quintal do outro e tocou a campainha.

— Law? – Sendo atendido pela mãe do ruivo, que já estava de saída. – São três da manhã, não é perigoso você sozinho essa hora? Eu estava saindo pra uma festa agora.

— Oi, eu... posso falar... com o Drake?

— Ele tá dormindo, mas fica à vontade. Tem brownie na geladeira.

— Brigado.

Law entrou na casa dela, indo diretamente para o quarto onde o ruivo dormia. Ao adentrar, fechou a porta e subiu em cima da cama dele, cutucando-o.

— Ei... acorda...

— Ahn.. hnm? – Ele acabou despertando e, ao abrir os olhos, a primeira imagem que vê é Law o encarando precisamente. – Q-Q-Q-Q-QU-QU-QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? Que susto, porra!

— Eu...

— V-Você veio se vingar de mim, é isso? Que merda, cara, que horas são?

— Me dá.. aquilo...

— Aquilo o quê?

— A injeção..

— Hã?

— Você tem, né? Me dá ela! – Ficando um pouco mais consciente, Law sobe em cima de Drake e começa a balançá-lo. – Me dá, rápido, me dá logo essa droga!

— D-Do que você tá falando, seu masoquista? – Que fica instantaneamente assustado. – Eu não tenho mais dessa merda.

— Não, não... tem sim... – Law fica mais estranho ainda, saindo da cama e ficando de pé no chão, retraído e trêmulo. – Tem que ter... – Chegando a parecer apavorado, suando frio.

— O que deu em você? – Drake levanta, indo até ele e segurando seus braços. – Você tá estranho desde cedo.

— NÃO IMPORTA! Só me dá ela, por favor! – O empurra, começando a bater nele de tanto nervoso, dando junto alguns arranhões. – Me dá ela, eu sei que você tem, não esconde de mim!

— C-Calma! – Ele se afasta, pegando um travesseiro pra se defender. – Você é perigoso, nossa.

— Só me dá logo...

— Pera aí, pera. Você tá... viciado?

— …

— Eu sabia, você tá viciado. É por isso que ficou me encarando hoje na faculdade?

— Só me dá ela, por favor...

— Eu não tenho, você vai ter que esperar o laboratório abrir de manhã.

— Não dá! Eu senti isso hoje de manhã também, não dá pra esperar... – Ele estava mais trêmulo do que nunca.

— Tsc, que complicado. Vem comigo, eu vou ver se tenho alguma coisa sobrando ainda.

Drake segura o braço dele com uma certa força e o arrasta até seu banheiro, buscando no armário por algo que pudesse dar ao garoto. Acabou achando um frasco com um restinho de GHB, uma das drogas contidas na injeção que deixava o indivíduo dopado e excitado.

— Toma, bebe isso.

— Brigado.. – Law o obedece, tomando tudo de uma vez.

— Que saco, você é mesmo problemático. Não tá mais com medo nem asco de mim?

— O que tinha naquela injeção?

— Sei lá, muita coisa.

— Me dá a fórmula.

— Você tá realmente viciado nisso? Eu nem tinha pensado que isso poderia acontecer, e agora?

— Eu vou fazer um tratamento de reabilitação, mas pra isso eu preciso da fór... – Do nada, ele sente algo em seu corpo. – Aaahn, que saco...

— O que foi agora?

— Seja o que for... que tinha naquilo que você me deu... – Law acaba caindo em cima dele e o ruivo precisou o abraçar inconscientemente. – É muito forte...

— Ei, cê tá bem? Vai ser muito ruim pra mim se você morrer na minha casa, sério.

— Drake... faz aquilo comigo...

— O-Oi?

— Por favor...

— Eu faço um acordo contigo de não me aproximar mais de você e você invade a minha casa me pedindo pra repetir aquilo? Caralho, hein.

— Só mais uma vez...

— Tá maluco, garoto? Eu não! Se isso é efeito da GHB, então você se vira aí. – Drake o puxa até o banheiro, saindo e fechando a porta na cara de Law.

— Você vai me deixar aqui dentro?

— Quando terminar vaza daqui, eu vou dormir e não quero mais te ver.

Drake voltou para o seu quarto, deixando o garoto sozinho. Law ainda estava bem tonto, mas precisava fazer o que seu corpo mandava sem ter total controle sobre ele. Tirou sua roupa e sentou no vaso, já com o início de uma ereção se formando, e começou a se tocar.

— Hnm... – Tocou seu peito com uma das mãos, levando a outra até sua genital e começando movimentos de masturbação. Fechou seu olhos, tentando imaginar alguma situação que o deixasse minimamente excitado. Todo seu corpo estava quente e ele sentia um calor insuportável o preenchendo. – Aahn...

Continuou com os movimentos, deixando escapar alguns gemidos, até chegar ao seu ápice. Gozou em suas próprias mãos, pegando o papel higiênico para se limpar. Em seguida, ele ficou aguardando seu fôlego voltar e, junto com isso, o calor de seu corpo diminuir.

Já estava melhor e mais recuperado. Tomou um banho antes de sair da casa do ruivo e voltar para sua com a ajuda de sua égua que continuava estacionada no quintal. Ao chegar, deitou junto com Kid, fazendo o mínimo de barulho possível para não ser percebido, e voltou a dormir.

Notas finais
Acho que a maioria dos personagens importantes já foram devidamente apresentados, no próximo capítulo teremos o que acontece com Law e sua dependência química devido a injeção! :3 Não deixem de comentar ~