Garoto Sujo

2 Divisão de poderes do submundo


Notas iniciais
Começando a conhecer os personagens que fizeram parte da infância e adolescência de Law!

— Como foi lá?

Final de tarde na grande capital inglesa, reunidos na sede de uma organização secreta batizada de 'submundo', dois rapazes estavam se encontrando. Um deles era Dellinger, um pequeno garoto que aguardava o outro, Diez Drake, chegar para saber se o plano de ambos havia sido executado corretamente.

— Eu mandei ele pro Joker. – Drake diz, encostando na parede ao lado de Dellinger. Ele havia acabado de concretizar seu plano contra Law.

— Mas como foi? Tipo... vocês dois lá no Canto do Castigo?

— O que você quer saber, Dellinger? – Indaga com impaciência, vendo o rosto infantil do garoto só querendo causar intriga ao invés de levar o plano de ambos a sério.

— Nada ué... – Abre um sorriso imaturo e nada inocente, chegando mais perto do ruivo. – Só me diz! Como foi com o Law? Você tirou a virgindade dele?

— Como eu já disse, eu mandei ele pro Joker. Eles devem estar no quarto ainda.

— Ain, você é muito chato.— Dellinger insiste, tirando as costas da parede e ficando na frente do ruivo, posando seus braços no peito dele. – Eu quero saber dos detalhes! O Law achava que você era amiguinho dele, aí você vai e do nada força ele a transar com você. Ele deve ter ficado muito confuso! Hihihi, ele chegou a chorar?

— Ele deve ter ficado com medo de mim, talvez eu tenha exagerado um pouco lá dentro, só espero que isso não reflita na minha vida na faculdade.

— Você não sente mesmo pena dele? Nada?

— Eu nunca gostei dele pra começo de conversa, eu só me aproximei dele porque eu achava que ele conhecia o pessoal do submundo, daí eu precisava de um jeito de conseguir vir pra cá. E deu certo, agora ele tá no quarto do Joker.

— Kyaa, você é tão malvado! Eu adoro, esse Law deve ser idiota pra achar que você era amigo dele de verdade.

— Mas isso não importa agora. – Abraça a cintura do loiro com uma das mãos e levanta o queixo dele com a outra. – Quando o Law sair daquele quarto... nós vamos ter o resultado do nosso plano.

— Se o Joker gostar dele nós vamos conseguir ter cargos maiores aqui!

— E não vamos precisar lavar o chão nem nada dessas merdas.

— Kya! Já vi que vai ser o melhor dia da minha vida.

— Não se preocupa, se tudo for como eu planejo, todos os dias serão melhores que os outros.

Ah, achei vocês!

Enquanto ambos estavam juntos, um outro ruivo se aproximou. Tratava-se de Eustass Kid, atualmente com dezessete anos e morando na mesma casa que Law, por quem foi, e ainda é, apaixonado por um bom período de sua vida.

— E aí, Kid. – Drake afastou Dellinger, indo até o outro como se nada tivesse acontecido.

— Por que você tá aqui, cadê o Law? A porta daquele quarto idiota tá aberta, mas eu não encontro ele.

— Calma... você mal chegou e já me enche de pergunta.

— Óbvio, eu me preocupo! Onde ele tá?

— Eu não sei, o Joker tirou ele de lá pra conversarem.

— Conversarem?

— É, mas eu acho que não é nada demais, ele saiu há pouco tempo.

— Onde eles foram?

— Kid, eu não sei.

— Como não sabe? Você disse que ia tomar conta dele e agora o perde?

— Ele foi conversar com o Joker, foi até uma coisa boa, assim ele sai daquele quartinho horrível. Não precisa ficar desesperado só por não ver aquele garoto por um tempo...

— Não é “um tempo”, e-eu não vejo ele há quase três horas! Eu nunca passei tanto tempo sem ver o Law.

— Ok, mas não precisa se desesperar, ele não foi embora desse lugar.

— Você não tem nem ideia do porquê o Joker ter chamado ele?

— Não sei, talvez pra conversar sobre o que aconteceu com o Corazón.

— Aff, que saco. Eu odeio todo mundo daqui, inclusive você.

— Não precisa ficar destilando ódio por mim por causa desse garoto toda hora.

— Eu não deveria ter deixado vocês dois sozinhos pra começo de conversa.

— Ficar se remoendo não vai trazer o Law de volt–

Atenção! Atenção!”

— Huh? – Os três, Dellinger, Kid e Drake pararam o que estavam fazendo quando escutaram a voz de alguém sendo transmitida pela sede do submundo inteira.

Todos os quatro comandantes do exército, Trébol, Pica, Corazón e Diamante devem se reunir na sala principal. Ordens imediatas do Joker!”

— O quê? – Kid não entendeu nada, mas o outro ruivo e Dellinger ficaram atentos.

Os novatos, Dellinger, Eustass e Diez também estão convocados para a reunião e devem comparecer junto com os guardas comandantes.”

— Por que não falaram o nome do Law? – Kid indagou.

— Reunião... – Mas os outros dois só encontravam-se estagnados com a provável notícia. – Com todas as pessoas importantes do submundo...

— Vocês dois são muito estranhos. A gente tem que ir mesmo nesse troço?

— É bom ir, talvez o Law esteja lá.

— S-Sendo assim então vamos logo.

Assim, o trio foi correndo para a sala principal onde estava localizada a poltrona dos cinco poderes máximos do submundo: Joker, Corazón, Pica, Diamante e Trébol. Lá, tanto Doflamingo quanto seus outros quatro subordinados estavam já em suas posições, porém, Trafalgar não se encontrava ali.

— O Law não tá aqui. – Eustass comenta resmungando.

— Pera aí, Kid, para de pensar nesse garoto um só instante. – Drake o repreende. – Você não se importa mesmo em saber o motivo do Joker ter chamado a gente até aqui?

— Não mesmo. Por que me importaria? Você sabe o que é?

— Não sei, mas deve ser algo importante.

— ESCUTEM AQUI, TODOS VOCÊS!

Todos ficaram calados quando Doflamingo exclamou, olhando rapidamente para ele. Drake e Dellinger continuavam ansiosos enquanto Eustass apenas queria saber onde estava Law, mas não demorou muito para que Joker continuasse a proclamar, com todos os seus subordinados reunidos.

— Eu vim aqui dar um anúncio. – Começa a dizer. – Eu andei pensando em vocês, crianças, não vai adiantar de nada ficarem esfregando o chão. Quanto mais cedo aprenderem a ter responsabilidade, melhor serão no futuro. Por isso...

— É agora... – Drake serrava os punhos em euforia.

— Eu decidi que os novatos irão receber um treinamento especializado por cada um dos meus agentes-chefe pessoalmente. Dellinger!

— S-Sim?

— A partir de hoje você será treinado por Diamante para cuidar futuramente das transações do submundo e será responsável por ter acesso a todos os meus bens.

— Kyaaaaaaaahh! – Ele dá o grito mais agudo já visto na face da Terra, sorrindo de olhos fechados e balançando as mãos, para em seguida, pular em cima de Drake depois de tanta euforia. – Nós conseguimos! Nós conseguimos!

— E-Ei, sai de cima de mim! – Porém, ele se afasta. – “Nós” não conseguimos nada, ele ainda não falou o que eu vou fazer. E não pula em cima de mim!

— Sem gritinhos, por favor. – Doflamingo torna a falar. – Agora Eustass Kid!

— Han? – Continuava sem dar a mínima ou entender.

— O Adams me disse que você e o Kira são amigos, certo?

— Han...

— O pai do Kira já foi meu assassino de aluguel, então você será treinado pelo Pica, meu atual, pra ser o próximo.

— Eita porra, hã? – O ruivo se assusta. – E-Eu não quero ser assassino! E-Eu nunca nem matei ninguém.

— Prosseguindo. Agora o último, Diez Drake.

— Aleluia, é agora.

— Pelo seu curso na faculdade como criminologia, e também por ser o único que sobrou, eu vou te colocar a cargo do Jack, que é o nosso informante da Scotland Yard e do FBI, o valete.

— Isso! Aah, que foda... esse é o melhor dia da minha vida, sem dúvidas. – Fica maravilhado e arrepiado, murmurando para si mesmo. – Entrar na Scotland Yard pelo submundo...

— Bom, entã–

— Ei, espera aí! – Drake interrompe Doflamingo.

— Que foi?

— Quem é o Jack daqui? Acho que eu nunca vi ele.

— O Adams.

— Quê?

— Então, por último mas não meno–

— Pera, pera, pera... – Interrompe de novo. – Pera, pera... pera, pera, pera. Pera.

— Que que foi agora?

— Desculpa atrapalhar, mas o Adams é o Jack? Adams, tipo, aquele que fica gritando, escandalizando e me chamando de Nemo?

— Ele é Chefe-diretor do FBI.

— Hã, como aquela porra é diretor de alguma coisa?

— É um mistério. Por quê, não gostou? Eu posso tirar seu cargo, se quis–

— NÃO! – Exclama em desespero. – N-Não, não, eu.... e-eu aceito o cargo. O Adams é uma pessoa maravilhosa.

— Agora sim, prosseguindo. Por último e mais importante, eu confiarei a Trafalgar Law ser treinado diretamente pelo meu próprio irmão, Corazón.

— PFFFFFFFFFFFFFFFFFT! – Rosinante, no mesmo instante que o outro proclamou tais palavras, cuspiu seu chá de modo trágico e cômico. – C-C-C-COMO É QUE É? O PIRRALHO?!

— Fufufu, esse mesmo.

— Pera aí, o Law ficou... – Diez murmura, olhando para Dellinger escondido.

— Com a segunda pessoa mais poderosa daqui... – Que respondeu o olhar dele. – Kya! Que sorte!

— E-Eu achei que você ia dá-lo ao Trebol! – Contudo, por outro lado, Rosinante estava perplexo. – Poxa, logo eu?

— O Trébol já está treinando uma menina, mas em outro lugar, longe dessa sede. Enfim, essa foi a minha decisão! Vocês, pirralhos novatos, irão receber o treinamento completo e se não aguentarem, saiam enquanto podem. Fui claro?

— Sim! – Todos, com exceção do ruivo, responderam.

— Quê? – Mas Kid ainda estava sem saber o que dizer. – Eu vou virar um assassino e o Law vai treinar com aquele escroto do Corazón?

— Beleza então, estão dispensados!

Com a última frase, todos se separaram. Dellinger foi logo correndo na direção de Diamante com quem passaria o resto dos dias treinando e Doflamingo retornou aos seus afazeres. Eustass, ainda não entendendo de onde tinha vindo aquilo, apenas ficou parado.

Oi!— E Pica, um dos comandantes de Doflamingo se aproximou dele, porém, por sua voz ser tão fina, ele falava em modo de sussurro permanentemente.

— Cara, é sério que essa é a sua voz? – Kid não aguentava mais receber tantas surpresas.

O que tem de errado com a minha voz?

— Pffff... n-nada... – Mas dessa vez, ele precisou colocar a mão na boca pra não rir. – É que... é que você é tão grande... e a sua voz... pfff....

De qualquer maneira, você irá treinar comigo daqui em diante, então vamos começar desde já!

— E-Eu... pfff... q-quer dizer... – Lembrou do que tinha que fazer e voltou a ficar sério no mesmo instante. – Q-Quer dizer, nem pensar! Eu preciso recuperar a minha esposa, foda-se essa merda de treinamento!

Com isso, ele deu de costas para Pica e foi correndo na direção de Drake, puxando o braço do ruivo e chamando sua atenção enquanto estava distraído.

— Ai! O que foi?

— Você precisa me ajudar a achar o Law!

— Tsc, isso de novo? Eu já disse que eu não sei onde ele tá.

— Então pelo menos me explica! Que merda aconteceu enquanto eu tava fora?

— Eu não sei, também não esperava por essa.

— C-Cara, mas como assim? Eu fui lá em casa como um estudante normal e volto sendo obrigado a fazer um treinamento pra virar assassino? Eu nunca nem matei ninguém!

— Bom, é pra isso que serve o treinamento, eu acho.

— Sério mesmo? Eu achei que o pessoal de criminologia era bonzinho, mas você é totalmente diferente do que eu pensava.

— Kid, eu sou a mesma pessoa, só tô ampliando as minhas áreas. Enfim, você pode me passar o telefone do Adams?

— Que seja, eu vou procurar o Law.

(…)

Enquanto nosso querido ruivo está a procura do garoto que tanto ama, vamos fazer uma pequena viagem. Longe da Inglaterra, mais especificamente nos Estados Unidos, um homem excêntrico de quarenta e oito anos, ruivo de olhos bem vermelhos, sorriso sádico e pele terrivelmente pálida vivia. Esse era John B. Adams, atual Chefe-Diretor do Departamento Federal de Investigação, o FBI.

Ele morava em uma casa bem grande, dividindo-a com um garoto de dezessete anos chamado “Kira” desde que ele tinha apenas treze de idade. Kira era um assassino que protegia sua face com uma máscara azul e branca, matando especificamente agentes do FBI que Adams não gostava mais.

— Che-gay! – Exclamou, adentrando sua residência esperando encontrar o garoto. Contudo, a casa parecia estar vazia. – Kirakira?

O ruivo tinha várias características marcantes que tornavam sua personalidade única. Uma delas era sempre desconfiar de tudo, então, sentindo uma mínima presença dentro de sua casa, Adams começa a se esgueirar em passos curtos e silenciosos até o quarto de Kira.

Aah... — E durante o percurso, começa a ouvir algumas vozes baixas. – Aaah! A-Ahn...

Ao chegar na porta do quarto do mais jovem, abre-a lentamente fazendo o máximo de esforço possível para não ser notado. Quanto mais ela se abria, mais uma imagem chocante era revelada: uma mulher desconhecida de longos cabelos castanhos cacheados estava em cima de Kira, sendo penetrada por ele e soltando altos gemidos junto com o loiro.

— Aaah..! Aah.. Kira... Kira!

— Kira...

— Aaahh! Aah... céus...

— Kira... kira...

— Aaahh! Kira!

— Ki.. ra...

— Aaaah! Isso, isso...

KIRA!

— Isso, is... T-T-T-TIO J-JOHN! – No mesmo momento em que viu o ruivo, com uma sede de ódio em seus olhos, jogou a mulher na cama.

— Aaaah! – Que levou um susto.

— EU VOU MATAR VOCÊ, S-SEU... SEU, SEU... SEU IMPRESTÁVEL!

Adams foi correndo com uma velocidade exorbitante na direção de Kira, que imediatamente começou a se cobrir com as cobertas em desespero e a tentar andar pra trás, mesmo estando sentando em cima de sua cama, com uma face de medo coberta por seus longos cabelos loiros que tampavam a maior parte de seu rosto.

— D-D-Desculpa! A-Ah, por favor, me perdoa!

— PERDOAR? PER-DO-AR?! – Começa a bater nele com um travesseiro qualquer. – Eu NUNCA vou te perdoar! NUNCA, NUNCA, NUNCA!

— Ai, ai, aaaai! – Kira, embora seja terrivelmente forte, não era nada se comparado ao ruivo.

— E-Ei, o que é isso? O que tá acontecendo?! – A menina pergunta, apavorada e também se cobrindo.

— VOCÊ! Sua VAGABUNDA! – Deixa o garoto de lado e olha com raiva para ela, com os olhos terrivelmente vermelhos e dilatados. – Como você OUSA ENCOSTAR NO MEU DOCE KIRAKIRA? Você... você... eu vou... EU VOU TE MATAR!

— Aaaaaaaaaaaah! – Ela grita, uma vez que Adams pega em seus cabelos e os puxa com violência.

— T-Tio, não faz isso! – Kira tenta o impedir. – Não faz isso, por favor, a culpa é minha, não dela!

— COMO É? – Novamente, direciona a raiva para o loiro. Contudo, dessa vez, segura-o pelos cabelos igualmente cumpridos e bate sua cabeça usando toda força que tinha contra a parede localizada atrás da cama.

— Urgh! – Um ferimento surge na testa do rapaz.

— Aah, o que é isso?! – Que somente faz com que ela se desespere ainda mais. – Você é louco! Você... v-você quase o mat–

— QUASE NÃO É MATAR, ELE MERECE MUITO, MUITO, MUITO, MUUUITO MAIS! E você também! – Adams adorava gritar, descontroladamente, mudando seu tom de voz. – Você... sua vadia, desgraçada, ordinária, VAGABUNDA, miserável, infausta, infeliz... – Olhava tão firmemente nos olhos dela que a assustava somente com a aparência sádica e doentia. – Eu vou... eu vou... eu vou, NÃO! EU DEVO! Sim, sim, eu devo... matar você... bem lenta e dolorosamente.

— S-Sai.. s-sai de per.. perto... – Ela se intimida em um nível catastrófico, quase não conseguindo se mover. – S-Sai de pe-perto.. de mim... demônio...

— SUA MEGERA!

— Tio, deixa ela em paz! – Kira pula em cima dele e o segura, impedindo que Adams se movesse. – Não faz nada contra ela!

— OI? POR QUÊ? Kirakira... por que você está defendendo ela e não a mim? Por quê? Você prefere ela do que eu? Você vai me trocar assim? Logo eu, que sempre cuidei de você POR ANOS? É isso? Você vai me deixar assim? Por causa de uma “mulher”?

— Não, claro que não! É que é a terceira garota que eu trago aqui pra casa que você mata em uma semana, assim fica muito difícil, as pessoas não querem mais se aproximar de mim.

— “M-Matar”? – Ela fica mais assustada ainda. – C-Como assim “matar”?

— Oh... então quer dizer que você não sabia?

Adams para de demonstrar um semblante de ódio e muda drasticamente, estampando um sorriso que ia da ponta de uma orelha a outra, olhos terrivelmente arregalados com uma pequena pupila vermelha dilatada e voz destilando mais sadismo ainda.

— S-Saber do quê? – Pergunta apavorada. – O que tá acontecendo aqui?

— E lá vamos nós... – Kira desiste de tentar argumentar e apenas veste sua cueca, enquanto a garota continuava sendo coberta pelas mãos e panos da cama.

— Venha comigo, garota nova... – Novamente, a segura pelos cabelos, mas dessa vez, levanta da cama junto com ela, a arrastando.

— Aaaai, isso dói! – Ela tentava soltar-se do ruivo e se cobrir ao mesmo tempo.

— Você não vai mais precisar disso. – Tira as cobertas dela, deixando ela nua e a arrastando pra fora do quarto.

— Ai, s-seu tarado! – Mas ela continuava tentando se cobrir com as mãos. – Me devolve minhas roupas, seu, seu... aargh! Me solta!

— Pra onde você vai não precisa de roupas.

— P-Pra onde você tá me levando?

A pobre adolescente é arrastada pelos cabelos até o porão da casa, onde havia uma verdadeira câmara de tortura medieval com várias armas de fogo antigas e atuais penduradas na parede, tal como um arsenal próprio. Ao ver o local, a menina tentou gritar o mais alto possível.

— Opa, opa, opa... – Mas tem sua boca tampada pelas mãos do ruivo. – Não, não, não, nada de gritar aqui. Vai acordar os vizinhos. Pelo menos espere-me começar.

— Tio, isso é mesmo necessário? – Kira indaga cansado daquilo.

— Desnecessário é você cismar em trazer essas vadias pra cá, mas já que insiste tanto...

Adams prende a garota nua em uma berlinda, um aparelho de madeira que prendia tanto os pulsos da vítima quanto sua cabeça e deixava somente ela agachada, de quatro, sem conseguir realizar qualquer ação senão gritar e chorar.

— Me tira daqui... por favor...

— Garota, você sabe o que você fez? – Ele se agacha, olhando nos olhos dela.

— E-Eu... eu não sei!

— Você ousou pecaminar o corpo do meu bebê com as suas práticas heterossexualistas. Você vai pagar por isso. Ele é só um garotinho confuso, inocente, ele não tem noção do certo e do errado.

— Tio, para com isso, eu já tenho dezessete anos... – Kira fica encabulado ao ser tratado como criança.

— Não me importa se você tem dezessete ou setecentos, pra mim você vai sempre ser o meu bebezinho indefeso! – Se levanta, indo até outro canto da sala de tortura.

— Foi mal por isso. – Enquanto Adams se afastou, Kira aproveitou para ir falar com ela. – Meu tio é meio maluquinho.

— M-Me tira daqui, por favor, eu faço qualquer coisa... o-o que ele vai fazer comigo?

— Eu não posso te tirar daí, vai acabar sendo que nem aconteceu com a sua irmã.

— Huh, minha irmã? Como assim, você conhece ela?

— Ela morreu mês passado, né? É que o tio Adams acabou voltando mais cedo do trabalho que nem hoje...

— Pe-pera aí... o quê...

— Eu ia te contar depois de transar com você, eu juro. Foi mal, eu não tive intenção!

— VOLTEI! Sentiram saudades?

Ele voltou com nada mais, nada menos, que um objeto assustador e horripilante em suas mãos. Tratava-se de uma cinta com um pênis acoplado nela, porém, ao invés de ser um normal de borracha, era um feito de ferro enferrujado com diversos espinhos e pregos. Literalmente, um pênis de brinquedo que rasgaria qualquer ser humano de dentro pra fora.

— Q-Q-Q-Que isso?! – Ela, só de ver o objeto, fica apavorada e tenta sair dali a qualquer custo, se debatendo, mas com seus braços e cabeça presos. – Não! Não, não, não, não, NÃO! Po-por favor, não faz isso!

— Sério isso, tio? – Kira continuava resmungando.

— Já que você insiste em querer penetrar essas coisas, por que não? – Adams responde, rindo. – Vai! Eu sei que você gosta! Eu também quero me divertir! Justo, certo?

— Mas e–

— COLOCA A CINTA.

— Mas tio, você não ach–

— NÃO QUERO SABER, COLOCA.

— Ma–

— NÃO! Se você não colocar, já sabe o que vai acontecer, certo? Uma vez que eu tiro essa belezinha da caixa, ela precisa ser usada em alguém...

— …

Sem ter muitas opções senão precisar obedecer o tio, Kira, que estava apenas usando uma samba canção azul clara, vestiu a cinta em si mesmo, como se fosse uma cueca normal, com a pequena diferença de ter um pênis com espinhos de ferro acoplada nela. Em seguida, ficou atrás da garota, que continuava imobilizada de quatro.

— Eu vou tentar não te machucar muito até você morrer, tá? – Ele avisa à pobre menina a fim de consolá-la.

— O-O-O q-que você vai fazer? – Mas não dá muito certo. – M-Me tira daqui! Por favor, alguém me tira daqui, eu não quero morrer! Alguém chama a políci–

— Polícia? – Adams se agacha, ficando de frente para ela e a obrigando a ver seu sádico sorriso malicioso. – Você acha mesmo que aqueles vermes ignorantes vão te ajudar? A única coisa de útil que eles fazem é colocar uma farda e se acharem superior... você sabe quem eu sou?

— V-Você é um monstro! Um maníaco doente, u-um monstro! Me tira daqui, por favor, alguém!

— Eu sou JOHN ADAMS, chefe do FBI. Tio do Kirakira! Agora me responda, você acha que eu vou deixar qualquer uma se meter com o meu amorzinho?

— SOCORRO! Por favor, alguém, SOCORRO!

— KIRAKIRA! – Pausa dramática. – Pode começar.

Afastando as pernas da garota e abrindo seus lábios vaginais com a mão, o loiro introduziu o dildo espinhoso dentro dela de uma só vez, usando somente os fluídos naturais para lubrificar. No mesmo instante em que o objeto foi entrando, a pele dela foi rasgando. As paredes internas sofriam choques como se milhões de facas, tesouras e objetos cortantes estivessem sendo usadas aquele momento!

— aaaAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRHHHHHHHHHHHHHH!!! – E com motivos de sobra, tudo o que ela pôde fazer foi dar um imenso grito. – AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!! – Seguido de vários outros e lágrimas infinitas cobrindo seu rosto.

— HIAAAAHAHAHAHAHAHAHA!! – Adams começa a rir, observando a cara dela bem de perto. – HAHAHA! O que você acha agora? HEIN? É bom ser penetrada, né? Você gosta?

— AAAAAAAAAAAHH.. AHAA.. haa... AAAAAAAAAAAHHH!! – Ela não conseguia parar de gritar e contorcer suas pernas, fazendo o máximo de esforço para fugir dali, somente conseguindo desabar de mais choro. – PARA! PARA, PARA, PARA!

— Tá saindo bastante sangue... – Kira afirma, tirando o dildo. – Será que já atingiu o úte–

— CONTINUA!

— T-Tá! – Com a ordem do Adams, o garoto cravou suas unhas na pele da garota, usando toda sua força para segurar os quadris da menina e dando uma estocada bruta dentro dela, enfiando o objeto cortante mais fundo.

— AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!! AAAAhhhhhhhh!! P-Pa.. não, aAAAAAAaaaaaRHH!! – Pregos e espinhos eram enfiados dentro de sua vagina graças ao pênis falso que a rasgava internamente, atingindo também seus órgãos, tais como o útero e demais paredes, fazendo-a sentir uma dor insuportável. Sangue jorrava de dentro dela, sujando completamente suas pernas. – AAAAAAAHHHH!! AAA.. haaaaa... ahaaaaaaa....!

— MAIS FORTE!

AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHhhhhhhhh!!

— VAI, MAIS FORTE!

— AAAAAAAAAAHH, PA-PAA – Kira começa a penetrá-la de verdade, mexendo seus quadris em ritmos de estocadas sem parar. Quanto mais ele entrava e saía, mais sangue jorrava de dentro pra fora dela. – PARAAAA!!

— VAI, MAIS, MAIS, MAIS! – E Adams assistia a tudo, agachado com sua face bem próxima à da garota.

— PAA..! Bléergggh... – Sem mais aguentar e tendo uma verdadeira hemorragia interna, a garota acaba vomitando sangue. Em um reflexo, o ruivo consegue desviar, mas as pupilas dos olhos dela estavam reviradas e somente a parte branca sobressaía em seu olho. Vômito misturado com sangue continuava jorrando de sua boca. – Aaaaar... – Mas ela ainda estava viva.

— Opa! Quase me atingiu. – Se esquivou. – Ai, ai... odeio quando vomitam. Fica ruim de limpar depois.

— Quer que eu par–

— CLARO QUE NÃO, CONTINUA.

Kira continuou a penetrando repetidas vezes e o corpo da garota não sabia se reagia tossindo sangue, vomitando ou gritando. Sua face era um misto de lágrimas com fortes odores estomacais, pele morta saía de sua vagina e suas pernas estavam trêmulas de tanto sangue.

— Aaaahn... aaai, aaaih.... – Nem mais forças para gritar ela tinha, somente chorar. – Aaaarh... bléérrghh.... – E vomitar ainda mais.

[Check out, I'm blond... I'm skinny, I'm rich; and a little bit of a bitch!] — Do nada, o celular de Adams começa a tocar. Curiosamente, ele tinha um toque diferente pra cada pessoa que discasse seu número.

— Opa, o loiro magia tá me ligando. – E essa música, de Lady Gaga, era para Doflamingo. – Fica quieto um segundo, ok, garota?

— Posso parar? – Kira pergunta.

— Ok, pode descansar um pouco. – Ele aceita a ligação. – Alôooiro magya! Que bom receber uma ligação sua!

E aí, Ada–“

— Eu tô meio ocupado agora sugando e torturando os últimos dias de vida de uma vadia que ousou colocar as mãos no meu preciosinho Kirakira, você se importa de falar rápido? Daqui a pouco ela morre e eu não quero perder isso.

É importante. Houve uma reunião agora há pouco, acho que você vai gostar de saber, envolve o Law e os outros dois garotos que você mandou pra mim.”

— Aah, o Leãozinho e o Dory! Como eles estão?

Eu vou ser rápido. Eu mudei de ideia, vou dar um treinamento intensivo a eles. O Law vai treinar com o meu irmão e aquele ruivinho vai ser o aprendiz do meu assassino de aluguel.”

— Woooooow, SÉRIO? Que notícia INCRÍVEL! E-Eu vou treinar alguém?

Sim, eu coloquei o Drake nas suas mãos.”

— O Dory? Verdade?

Isso, como queira chamar. Era só isso o que eu tinha pra te dizer.”

— Hey... só uma coisa. O que te fez tomar essa decisão?

Huh, por que a pergunta?”

— Só curiosidade. Teve a ver com o Dory?

Não. Mais alguma dúvida?”

— Não, não, era só isso mesmo. Haaaaa, brigado por me contar, esse treinamento vai ser ÓTIMO!

Então até mais.”

— Tchau, tchau! Bejo!!

Boa tortura.”

Após o telefone ser desligado, o que estava sendo feito voltou a acontecer.

— BELEZA, PODE CONTINUAR!

— Ér... tio...

— Que foi? Por que você está me desobedecendo, Kirakira? Você cansou de viver? Enjoou da vida? Quer trocar de lugar com a garota? Por favor diga a última opção.

— Não, é que... eu acho que ela morreu mesmo.

— Huh? – Adams vai até a garota, puxa seus cabelos para levantar sua face caída e checa as pulsações em seu pescoço. – Não, não, ela tá viva. Pfff.... quem morreria só com isso?

— Ela não se mexe, assim nem tem graça.

— Espera, eu vou fazer ela se mexer rapidinho.

Adams vai até os fundos de seu porão e pega um balde, enchendo-o com a pia que havia ali e retornado. Após, joga toda a água fria em cima da garota para acordá-la.

— Aaaaah! – E funciona, ela tem logo um choque de realidade. – Aaaah... – Mas com isso, suas lágrimas e dores voltam. Os sangramentos também pioram.

— Cansei, vamos acabar com isso logo.

Enjoado da sessão de tortura, ele simplesmente pega a língua da garota, sem se importar com os restos de vômito ou sangue e a puxa. Nossa língua quando exposta por completo pode alcançar até dez centímetros de comprimento, porém, isso pode nos causar asfixia por impedir que o oxigênio entre pelo nariz ou pela boca por tampar a garganta.

Ele, com sua força bruta, puxa a língua da garota para fora, o máximo que conseguia, e tem os olhos dela arregalados junto com uma dificuldade da fala. Sem mais, nem menos, ele dá um chute com seu joelho bem no queixo dela e obriga sua boca a fechar; os dentes, automaticamente, cortam toda sua língua e a asfixia com o sangue jorrante. Seus olhos finalmente reviram por completo, a pupila some e ela morre.

— Argh, cheiro de morto com vômito é o pior... – Kira reclama, tirando sua cinta.

— Discordo, adoro esse cheiro! CHEIRO DE MORTE! Cheiro de sangue... corpo fresco, alma ruinada... tão bom! – Adams, que estava sujo por uma boa parte do sangue ter sido jorrado em si, aproxima-se da menina morte e não satisfeito, lambe seu rosto imundo e putrefato. – O gosto também é ÓTIMO.

— Eca.

— Kirakira. – Se afasta dela, limpando-se com as mãos.

— O quê?

— Aprendeu sua lição?

— Ah, qual é, tio...

— NADA DISSO! Vai, me diga, quais são as três regras principais desta casa?

— Eu não tenho mais treze anos...

— CITE AS REGRAS.

— Ma–

— CITE. – Pausa dramática. – As regras.

— Argh... nunca questionar o tio John.

— Isso! Próxima regra.

— Não matar depois das dez da noite.

— Muito bem, meu garoto! Agora, a regra mais importante e a que você sempre... – Diz a última palavra rangendo os dentes de ódio. – Quebra.

— Não trazer mulheres pra dentro de casa.

— E por que essa regra existe e é tão importante, meu caro Kirakira?

— Porquê... argh, porque mulheres são uma tentação nojenta e todo ato de heterossexualismo não pode ser tolerado.

— Isso! Muito bem. Meu garoto.

— Você deveria tomar um banho, tá fedendo a vômi–

GUIRAGUIRA, BIM ABRAZA! — Do nada, por ser uma pessoa muito sensível e emotiva, Adams começa a chorar e agarra o loiro em um abraço. – Buáááá!

— Ai, eu não acredito que você me abraçou mesmo nesse estado...

— Eu zei gue eu deberia te azeitar do jeito gue vozê é, mas eu denho bedo...

— Eu sei, eu sei...

— As mulheres já tiraram o amor da minha vida de mim... mozão... elas são seres cruéis... elas raptam nossos homens pra si e controlam a mente deles. Fazem a mente deles. Fazem eles não quererem mais ser assassinos e, argh, virarem pessoas “boas”...

— Não vai acontecer o mesmo comigo, eu ju–

Besbo azim eo denho bedo...— Abraça ele mais forte. – Eu tenho medo... de você se tornar um deles... um “hétero”... ai, isso seria o cúmulo pra mim...

— Mas tio, eu so–

— Promete que não vai me abandonar... ou me esquecer... ou me largar.. ou me deixar... por essas fingidas que se sentem superiores por ter um buraco a mais onde não deveria....

— Eu prometo, eu prometo.

— Promete mesmo?

— Claro...

— Que bom. – Abraça mais forte ainda. – Eu não vou aguentar te perder.

— Ok... será que a gente pode tomar um banho agora?

— JUNTOS?

— Não...

— Ok.

(…)

Retornando aos nossos protagonistas, lá na sede do submundo localizada em Londres, Inglaterra, Trafalgar Law ainda estava dormindo. Havia, literalmente, desmaiado de tanta fadiga depois de ser forçado a ter sua primeira vez com Drake e, posteriormente, a ter relações sexuais com Doflamingo.

Eustass havia iniciado sua busca pelo moreno, visto que estava preocupado com ele. Já Drake, por saber exatamente onde ele estava, foi até o quarto de Joker, que estava em outro cômodo, e encontrou Law antes que Kid pudesse fazê-lo. Viu o pequeno garoto de quinze anos descansando pesadamente na cama e se aproximou.

— Ei, garoto. – Drake se senta na cama e começa a cutucá-lo. – Ei... garoto...

— Urhdsmdgfh... – Mas Law somente responde vários nadas.

— Aff, eu esqueço que você tem um sono pesado, depois disso então...

— Hmfdrgh...

ACORDA!

— Hnm... – Foi despertando com uma extrema dor de cabeça, tontura e visão embasada. Ainda encontrava-se um pouco dopado, mas foi erguendo o tronco e recuperando a visão, olhando pro ruivo. Logo teve um choque de realidade. – V-VO.. VOCÊ!

— Eu–

— FICA LONGE DE MIM! – Desesperado, seus batimentos cardíacos estavam acelerados e como reação, ele apenas pegou um travesseiro e bateu no ruivo. – Se afasta, sai daqui!

— Ei, garoto, cal– Drake se defende, tirando o travesseiro de sua frente e tentando segurar Law. – Calma!

— SAI DAQUI! – Mas ele apenas fechava os olhos e batia no ar, com intenções de atingi-lo. – Sai daqui, não encosta em mim! – Ainda estava confuso com tudo que havia acontecido.

— Calma, eu não vou–

— Eu não quero saber, sai! – Cerrava os olhos com força, tentando não chorar. – Só sai! – E continuava batendo no ar e andando pra trás na cama, até atingir o limite. – Sai daqui, não encosta em mim...

— Eu já disse que eu não vou–

— NÃO ENCOSTA EM MIM!

— Fazer nada...

Law abre seus olhos. Seu coração, de tanto pulsar, parecia que iria sair por sua boca. Já não conseguia mais respirar pelo nariz ou desviar sua visão do ruivo, por quem, com motivos, estava apavorado.

— Ei, ei, eu–

— SAI DAQUI! SOCORRO, algu–

Com medo que ele gritasse mais alto e atraísse alguém, Drake vai para cima dele, o calando com a mão do modo mais forte que conseguia. Law continuava tentando se defender, mas em seu estado de medo não conseguia sequer pensar direito.

— Se acalma! – Continua teimando. – Eu não vou te machucar, fica calmo, caralho!

— Hhnm... sa... — Tentava gritar, sem êxito; estava ameaçando ter um ataque cardíaco de tanta ansiedade.

— Me ouve, tá bom? Não adianta nada ficar esperneando.

— Hnmm.. me.. sol.. hnm.. tá...

— Eu só vou te soltar quando você se acalmar e me ouvir.

— Sai... – Começa a derramar algumas lágrimas... – me... solta...

— Para com isso! Eu não vou fazer nada, tá bom? Nada. Eu só quero falar com você.

— … – Aos poucos, tenta se acalmar, ainda extremamente nervoso e desconfortável.

— Ótimo. – Drake larga ele, devagar. – Como você tá? Você tá bem?

— Ahn...

— Tá sentindo dor ou alguma coisa?

— … não.

— Que bom. Descansa, você fez muito esforço físico, o Kid tá aí, daqui a pouco ele nos encontra.

— É... s-só isso que você tem pra me dizer? – Vai se normalizando. – Quer dizer... você, eu... a gente...

— Eu sei, eu fiz merda e te assustei, desculpa. Me desculpa, tá bom? – Olha pra ele como se estivesse arrependido, tentando acalmá-lo.

— Por que você fez aquilo comigo? – Ameaça chorar ainda mais, assustado.

— Desculpa.

— E disse aquelas coisas... – Treme os lábios. – Eu achei que nós éramos amigos, mas você... você... esse tempo todo...

— Não é isso, não leva as coisas pra esse lado. – Com intenção de acalmá-lo, puxa o rosto dele na direção do seu até a testa dele encostar na sua, fechando os olhos. – Eu não quis dizer nada daquilo.

— Para com isso, me solta! – Porém, o empurra. – Mentira! Me diz logo, por que você fez isso?

— Porque se o Joker dormisse com você, ele daria um cargo importante a nós quatro. Foi isso, eu te usei como moeda de troca, mas não é nada pessoal.

— “Nada pessoal”? – Olha incrédulo. – Você fez tudo isso... por um título?

— Ei. – Pega na mão dele. – O que é um dia ruim pra milhares de dias maravilhosos que vão vir pela frente? Pra nós dois! Você vai ser treinado pelo Corazón.

— Eu não quero isso... – Solta a mão dele rispidamente. – Eu não quero nada disso, eu só quero distância de você. Você é doente.

— Tá, tá, tá, vamos fazer um acordo. – Desiste de tentar forçar uma amizade. – Eu entendo que você esteja puto comigo, então eu vou me afastar de você, tá bom?

— Verdade?

— Na faculdade você nem vai saber que eu existo, eu não vou chegar perto de você, nem te tocar, nem falar nada, nem te olhar, nem nada. Desde que...

— Desde que..?

— Você não conte pro Kid.

— … Kid...

— Que tal?

— Você.. não vai mesmo tentar nenhum tipo de aproximação se eu fizer isso?

— Ei, eu já consegui tudo o que eu queria e eu não sou nenhum maníaco sexual. Só esquece que isso rolou, tá bom? Vai ser melhor pra nós dois se o Kid não souber, ele não vai ficar te relembrando da minha existência.

— … tá bom, eu aceito.

— Ótimo, só mais uma coisa.

— Mais coisa?

— Eu só preciso que você diga isso a ele. – Drake sussurra no ouvido de Law algumas coisas.

— V-Você quer que eu diga isso?!

— Você consegue?

— Eu não sei...

— Mas vai ter que conseguir.

Ah, é aí que vocês estão! — Eustass Kid finalmente surge, feliz e animado em ter conseguido encontrar Law depois de tanta procura e saudade. – Eu rodei o submundo inteiro tentand...

Contudo, precisou interromper sua fala assim que notou o clima. Seu semblante alegre transformou-se em um rosto pálido e incrédulo; tudo graças à visão que teve. Law estava sem roupa, sentado na cama de Doflamingo com somente alguns lençóis o cobrindo, marcas de lágrimas na face e a luz natural que vinha da janela, que assim que batia contra seu corpo, revelava algumas marcas roxas.

Ainda paralisado, ele não consegue desviar os olhos ou emitir qualquer tipo de reação. Tentava buscar outra resposta, mas não pensava em nada. Law o olhava de volta, também sem conseguir falar, somente ao lado de Drake com quem parecia ter acabado de ter uma conversa. O brilho nos cinzentos olhos do moreno estava completamente perdido, e foi o mesmo com os vermelhos âmbar de Eustass.

— Kid... – Law quebrou o silêncio de séculos que havia criado-se ali.

— O quê. – E, no mesmo instante, Kid levou um choque de realidade, boquiaberto.

— Kid, vem cá, eu preciso falar contigo. – Drake levanta-se da cama e o arrasta para fora do quarto.

— O quê, mas o que... – Contudo, ele recusava-se a ir por não conseguir tirar os olhos da visão que tinha.

— Vem logo, é sério. – Até o de cabelos laranjas o forçar, fechando a porta do quarto onde Law estava e tomando a atenção pra si.

— O Law, por que ele... aquilo... o quê... – Estava em choque. – Por favor, me diz que não é o que parece...

— Não é exatamente o que parece.

— O que é então?

— Ele conversou comigo e me contou, agora eu entendi o porquê da gente ter conseguido aqueles cargos aqui no submundo. Ele e o Joker...

— Não... não, não, não, não...

De dentro do quarto onde Law estava, dava para escutar o grito que Eustass havia dado ao saber.

EU VOU MATAR AQUELE FILHO DA PUTA!

Kid, não fala isso! — Trafalgar começa a cerrar as mãos e a tremer o corpo quando ouve a discussão.

DESGRAÇADO, APROVEITADOR DO CARALHO! EU VOU MATAR AQUELE MERDA!

Não fala isso, idiota! Ele vai te ouvir!

CALA BOCA! Não tenta me impedir, me solta!

Eu tô fazendo isso pro seu bem, você tá descontrolado!

Descontrolado? DESCONTROLADO?

Se acalma, eu disse que não era exatamente o que parecia!

O que é então? Pra mim tá muito óbvio o que parece!

Para com isso, não vai até lá!

ME SOLTA! Você não vai me impedir de arrebentar a cara daquele merda!

Eu vou sim! Você ainda não ouviu a versão completa da história.

E qual é?

É que na verdade o La–

— Kid.

Ambos são obrigados a interromperem a discussão quando Law abre a porta, já vestido, encontrando os dois já quase entrando em uma briga física.

— Law... – Eustass se acalma.

— Não reage, por favor... o Joker pode te matar.

— Eu não ligo! Eu não ligo, eu só–

— Por favor. Eu não quero que você morra, eu não posso te perder. Não agora.

— Law, eu... – Se estremece.

— Não é o que você tá pensando, o Doflamingo não me forçou a nada...

— Não fala isso, eu sei que você tá confuso, mas–

— Fui eu quem pedi pra ficar com ele.

— Oi?

— Eu disse que ficaria com ele se ele me desse o cargo de Corazón.

— Você fez o quê? – Kid fica em mais um choque momentâneo, mas Law estava com uma face séria, sem fraquejar ou emitir qualquer tipo de hesitação.

— Você ouviu o que eu disse.

— Você... VOCÊ FICOU MALUCO? – Grita. Entretanto, Trafalgar continua com a mesma face séria.

— Eu–

— Isso foi nojento! Que merda é essa, há três horas atrás você não gostava nem que eu te beijasse agora você transa por dinheiro?

— … – Hesita um pouco.

— Tá de sacanagem? Eu achei que ele tinha te forçado, porra, mas você dormiu com ele porque quis? VAI SE FODER ENTÃO!

— Kid...

— Nunca mais chega perto ou encosta em mim! Eu tenho nojo de você, Law, nojo. Eu achei que você prestava, mas você é só uma miniatura de vagabunda.

— Ei, ei, ei. – Drake interfere. – Não fala assim com ele.

— O que você quer que eu diga? Você ouviu o que ele disse!

— Eu ouvi que você é um escroto! Você não tá vendo a situação do Law? É esse amor todo que você dizia ter por ele?

— Mas ele fez porque quis, agora arque com as consequências!

— Ele tem quinze anos, você acha mesmo que ele iria fazer isso? Você conhece ele, é óbvio que foi abuso, idiota.

— Ele admitiu que não foi!

— Então é isso, a sua paixão acabou tão rápido assim? Vai deixá-lo de lado quando ele mais precisa de você?

— Se ele precisasse de mim, não teria dormido com out–

— KID, OLHA PRA PORRA DA CARA DELE! – Acaba gritando e apontando pro garoto que, mesmo tentando fazer-se de forte, estava quase desmaiando de tantas dores. – Você acha mesmo que agora é a hora de você estar dizendo isso?

Eustass sente um enorme aperto em seu peito, junto com culpa e arrependimento, olhando para o rosto inocente e corado de seu melhor amigo. Fica com vontade de chorar por todo ocorrido, mas engole seu ódio e vai na direção dele.

— Law...

— … – Desvia o olhar.

— Desculpa. – O pega em um abraço bem forte, colocando o rosto dele contra seu peito. – Desculpa... você tá bem?

— Eu tô... cansado.

— Vem pra casa comigo, descansa e depois me conta porque você fez isso.

— Tá bom.

Notas finais
Inhaí! O que acham de John Adams, esse que vocês (que certamente leram Policial Sujo inteiro) viram na temporada do Circus? :3 Então, como dito nas notas iniciais, estamos primeiro conhecendo os personagens! Próximo capítulo? Primeiras aparições de Joseph e a mãe de Law. Digam o que acharam dessa formosa apresentação forte de Adams! Tadinho do Kid, só sofre. Drake também é um poço de falsidade. Mas não se preocupem... ... tudo vai piorar.