Garotas Também São Pervertidas

20 Extra IV - Parte III - Entrega


Notas iniciais
Hello, my readers! ACABEI! Depois de 3 meses, terminei enfim este capítulo. Até que não foi tão ruim descrever uma cena í­ntima com uma virgem, ainda que tenha sido difícil. E eu me empolguei DEMAIS =X Well, veremos como me saí­, nesta parte final do extra mais picotado do universo - boa leitura!

Desejo não é apenas visão; curvas delineadas de maneira erótica.

Não é apenas olfato; perfume inebriante e enlouquecedor.

Também não restringe-se à audição; gemidos suaves ou roucos, suplicantes ou obscenos.

Muito menos é somente paladar; delícias a estimular a língua.

Tampouco tato; carícias delirantes, torturantes.

Porque, diante da louca excitação, os cinco sentidos confundem-se e tornam-se um só.

****

O que eu faço, perguntava-se a morena repetidamente. O que eu faço?

Após um percurso confortavelmente silencioso, a quietude passou a oprimi-la quando se viu defronte à entrada do apartamento de seu namorado. O nervosismo apenas crescia e ganhava substância ― os poros liberavam uma transpiração fria; o ar era expelido de maneira irregular; a pele arrepiava-se sob a atmosfera pesada. De forma alguma Misaki pretendia voltar atrás em sua decisão; contudo, não tinha a mínima noção do que deveria fazer. E este desconhecimento, que tradicionalmente apenas lhe irritaria, no momento entorpeceu suas ações.

Sublimaram-se todos os pensamentos quando sentiu braços longos a envolverem seu corpo por trás, enquanto o ruído da porta a se fechar ecoava pelas paredes nuas. Ainda que presente, o embaraço cedeu espaço à algo que crescia em seu íntimo ― uma queimação em seus nervos, que convergia para a região entre suas pernas. Ficara excitada somente com a expectativa, e mesclada à inquietação, a impressão lhe fazia sensível ao mínimo toque. Eriçou-se ao sentir a respiração de Usui sobre seu ouvido.

O rapaz pretendia apenas atentá-la; porém, seu autocontrole sofreu um lapso quando as narinas inundaram-se com o doce perfume exalado pela nuca da morena. E, ao notar como o corpo dela respondeu ao seu gesto, avançou ao mordiscar seu ouvido, pois não resistiu em provocá-la um pouco mais. Um ofegar suave recortou-se na penumbra e no silêncio. Contornou a orelha com a língua, enquanto pressionava seu corpo contra o dela.

Apesar de mais acostumada às suas investidas, Misaki mal conseguiu conter sua voz ao sentir o rastro úmido sobre sua pele. Um pouco mais e seu gemido seria proferido alto e claro. Que lamentável, ela pensaria se a coerência não lhe fugisse naquele momento. E o discernimento do namorado tampouco manteve-se ao ouvi-la. Rapidamente, virou a maid em sua direção, e invadiu sua boca antes de qualquer reação. Qualquer pensamento.

Assim como no parque, foi surpreendida com a voracidade com que ele lhe beijava. Havia fome e violência na língua que lutava para dominar sua própria; uma urgência desmedida instigada por hormônios sem controle. Enrijeceu quando comprimida contra a superfície mais próxima, ainda que tentasse, à sua maneira, responder aos lábios que se moldavam aos seus de modo lascivo. Um dos pulsos foi agarrado, à altura de sua cabeça, enquanto a outra mão segurava a blusa de Takumi mais uma vez.

Em seu limite, os pulmões femininos protestavam por ar, embora a consciência de sua portadora se ocupasse de outros assuntos ― como um certo loiro a enlouquecê-la tão logo adentraram no apartamento. Não muito depois, Misaki pôde enfim respirar, pois ele prosseguiu acariciando seu pescoço com a língua. O arquejar para suprir o oxigênio faltante mesclou-se àquele proporcionado pelos lábios a percorrer e lamber tudo em seu caminho.

Coibiu a si mesma, mordendo os lábios com força, quando dentes roçaram em sua garganta, intensificando a sensação provocada pelos chupões anteriores. Também porque uma perna intrusa meteu-se entre as suas, e o atrito em suas coxas tornou-se insuportável. Extasiada, confusa diante de estímulos a tantas partes de seu corpo, apertou os dedos envoltos no tecido que cobria o tórax do namorado, enquanto sibilava seu sobrenome entre as aspiradas descompassadas.

Como se desperto de um transe, Usui sugou uma vez mais a pele acetinada de sua presidente antes de afastar-se levemente daquilo que iria se tornar seu vício. Entretanto, ainda estava próximo o suficiente para que suas testas quase encostassem uma à outra, e a morena abriu os olhos, até o momento firmemente cerrados, para encará-lo pela primeira vez desde que haviam posto os pés no recinto tomado pelas sombras. Não encontrou nas íris verdes nenhum resquício de humor ou implicância; ele estava sério, e isto a deixou constrangida ― o sangue dilatou-se, rapidamente, por seu rosto. Com toda a certeza, ela pensou, era perceptível para o rapaz o calor que inundou-lhe as faces.

― Quer desistir, Ayuzawa? ― murmurou ele o aviso que pretendia dizer antes de seu pequeno deslize. Ainda que sua vontade fosse devorá-la sem restrições, não iria prosseguir sem seu consentimento. Seu tom rouco, no entanto, a fez estremecer. E não por medo. ― Porque quero fazer com você muito mais que isso. ― Afagou com maestria a nuca da namorada, como se para lembrá-la do que fizera até ali. Já ela mal conseguia respirar apropriadamente. Diante de seu silêncio, complementou-se, sincero: ― E não vou ser capaz de parar.

Estava consciente de suas limitações. O que deveria ser um aviso, contudo, para ela foi uma promessa. Muito mais que isso. Porém... e ela? O que poderia proporcionar-lhe, se nem ao menos conseguia agir, rendida a qualquer toque?

― E... eu não viria aqui se quisesse desistir... Usui idiota ― balbuciou ela; a voz mantinha alguma força apesar do rubor. Diante da declaração dela, o loiro abafou uma risada ― ainda que envergonhada, nunca perderia a chance de ofendê-lo. Foi interrompido, no entanto, antes de respondê-la: ― M... mas... eu não sei como... ― Misaki encontrava dificuldade em expressar seu nervosismo. ― Eu não sei fazer nada!

― Isso não é um problema para mim ― enunciou ele, com um sorriso malicioso. Avançou uma vez mais sobre seu ouvido, lambendo seus limites sem pressa. Repetiu o que havia dito naquela mesma tarde: ― Você me excita, Ayuzawa.

Já ouvira o suficiente para prosseguir ― a guiou até a sala, antes que a tomasse ali mesmo, sobre a parede. Embaraçada, enlevada, ansiosa, ela deixou levar-se a uma das poucas mobílias naquilo que deveria ser uma casa, e não apenas um refúgio temporário. Num ímpeto, foi deitada sobre o sofá relativamente espaçoso; o gesto tão repentino exigiu dela uns segundos mais para apreendê-lo.

Desta vez, ao explorar de sua pele, foi ainda mais ousado; as mãos antes ocupadas em prender os punhos da morena agora lhe desabotoavam a camisa escolar, enquanto os lábios quentes dirigiram-se à clavícula agora exposta. Queria arrancar o tecido com um único puxão; no entanto, a lentidão se fazia necessária ― a antecipação deveria suscitar nela um desejo cada vez maior, e isto facilitaria, e tornaria menos doloroso, quando invadisse suas entranhas. Saciou sua vontade, no entanto, maculando o pescoço fino e macio da colegial com seus chupões e lambidas cada vez mais intensos.

Arrebatada com o contraste das sensações ― despida vagarosamente, como em uma tortura, ao mesmo tempo em que estimulada com avidez pelo namorado sedento ―, Misaki gemeu pela primeira vez. O som era agudo, suplicante, e explicitava sua ânsia para que o calor que lhe consumia internamente fosse enfim aplacado. Porém, ela interrompeu-se, completamente corada, abafando com ambas as mãos o ruído enquanto os olhos abriram-se com o choque ao ouvir algo tão distinto emitido por seus próprios lábios.

― Não precisa se reprimir ― sussurrou ele, para acalmá-la. Apesar da penumbra na qual se encontravam, a iluminação artificial dos prédios vizinhos penetrava a vidraça e deixava nítidos os contornos da morena sob seu corpo. Puxou ambas as mãos dela para novamente aprisioná-las entre seus dedos.

Embaraçada, a maid tinha o rosto maculado pela cálida vermelhidão. Arfava pesadamente, pois ainda ardiam em sua pele os vestígios da sofreguidão de Takumi. Sua blusa, já completamente aberta, deixava antever seu sutiã simples, sem adornos, de cor indefinida na escuridão do cômodo. Com o movimento, a saia do Seika já não cumpria sua função de cobrir-lhe as pernas, e parte da calcinha fez-se visível. A simples visão da namorada neste estado já incitavam os desejos impuros do rapaz; como complemento, a memória do gemido feminino despertavam nele muitas intenções mais. Era difícil apaziguar o retraimento quando ele mesmo mal conseguia se conter.

― É c... constrangedor ― gaguejou ela, diante do olhar perscrutador a seu tronco parcialmente desnudo. Referia-se tanto ao som anteriormente proferido quanto à maneira indecente com que ele lhe observava.

― Então ― começou ele; a boca muito próxima do colo exposto. ― Vou ter que fazer você gemer de novo, Misa-chan.

― O... O quê?! ― Misaki ofegou, aturdida.

O prazer mesclava seus sentidos, numa sinestesia delirante: já não sabia distinguir o hálito morno a rumorejar sobre a maciez de uma área ainda incólume, da língua a profanar sua pele virgem ou da perna masculina a tocar sua intimidade. Lançou para trás a cabeça, sobre o encosto, enquanto suas delicadas curvas eram duramente exploradas por mãos vorazes. Quando dentes rasparam sua clavícula, e simultaneamente um joelho foi empurrado contra seu sexo, Misaki sentiu-se contrair com violência enquanto liberava de sua garganta o que tentou refrear até o momento.

― Seja boazinha, presidente ― pediu ele, sobre sua pele. Seus lábios instigavam nela um alvoroço interno, um abrasamento insuportável. Enfim, supôs, divertido: ― Ou você gosta quando te faço gemer?

Sua mente elaborou infinitas ofensas, mas apenas uma escapou por seus lábios:

― Alien perv-

E a denominação pejorativa foi interrompida por um beijo selvagem. Exigentes sobre os seus, os lábios de Usui não lhe ofereciam uma mínima trégua, pois, percebeu ela, a intenção do loiro não era ser gentil. Ele pretendia exaurir-lhe o fôlego e a sanidade; ocupar seus pensamentos e sentidos de modo a distraí-la de qualquer receio ou coerência; embriagá-la com a luxúria, enfim.

Sob a língua experiente a roçar em sua boca, seu segundo gemido foi abafado, enquanto as pernas remexiam-se, inquietas, e acabaram por atritar algo rígido. Pulsante.Um ruído grave nasceu da garganta masculina, e ao ouvi-lo a morena contraiu-se uma vez mais. Em resposta, o rapaz puxou-a contra si para arrancar o tecido antes desabotoado com cuidado, e o atirou numa direção qualquer da mesma maneira rude com que o retirou.

O mesmo tratamento foi dado às saias, cujos botões arrebentaram com o gesto impaciente. E, novamente deitada sobre o estofado, Misaki vestia apenas a roupa íntima cujo tom neutro lilás era indistinguível na sala sombreada. Ainda ecoava em seu corpo o efeito causado pelo gemido de Takumi ― o som rouco a atiçava. Excitava. Respirou com dificuldade quando o namorado voltou os lábios às extremidades de seu decote; aqueciam-se os pontos por onde a língua faminta deslizara. Estendeu as mãos livres ao basto cabelo loiro, embaraçando seus fios enquanto os confundia e puxava.

E por pouco não protestou quando ele afastou-se, sustentando-se sobre os joelhos enquanto a observava abaixo de si ― por pouco, pois Usui passou a despir-se da própria blusa negra, mantendo seus olhos sobre a morena seminua. Os orbes escurecidos transmitiam obscenidade e domínio. Fixada às íris esmeraldas, a colegial viu nelas uma emoção nova, que também passava a crescer em seu íntimo: um amálgama de amor e devassidão.

― Se te deixo assim com tão pouco ― murmurou ele, de forma estranhamente suave, após livrar-se daquilo que revestia o peito agora nu. Deslizou o indicador até que ele se enlaçasse a uma das alças da peça: ― O que acontece quando toco aqui?

Tão pouco? Misaki não se agüentava diante do ardor que lhe consumia as entranhas; todavia, percebeu que suas regiões mais íntimas ainda estavam protegidas por finas camadas de pano. E viu nos olhos do loiro que ele mal havia começado. A capacidade daquele habitante do planeta Feromônios de exercer tal impressão nela a irritava, assim como as reações de seu próprio corpo ― por que a intensidade de seu desejo a rendia e a impedia de retribuí-lo?

― Imbecil... pervertido ― suspirou ela, enquanto um segundo dedo uniu-se ao já enganchado, para que ambos empurrassem para o lado a alça. O ombro nu implorava por algo que o encobrisse; de preferência, quente e úmido.

― Não é assim que funciona, Misa-chan. ― Sua voz era bem humorada. Nunca deixaria de provocá-la; era sua diversão pessoal. Avançou sem pudores sobre o ombro descoberto e o mordeu, enquanto seus dedos traçavam os limites do sutiã que ela vestia. Quando ela ofegou, indicou bem próximo de seu rosto: ― Tem que pedir.

Indignada, não lhe respondeu. Ela não iria implorar! E, usando de algo que lhe seria muito útil mais tarde, converteu sua raiva em um gesto para vencer o constrangimento: envolveu-o com os braços e tomou a iniciativa de beijá-lo. Durante poucos segundos, pôde desfrutar da sensação de guiar os próprios lábios e língua em seu ritmo inexperiente, pois Usui foi pego de surpresa. Contudo, a reação do rapaz logo veio, e sua ferocidade lhe oprimiu de maneira prazerosa. Suas mãos, que pousava inertes sobre o dorso largo do namorado, comprimiram-lhe a pele, como se para expressar seu contentamento. Um grunhido rouco novamente se fez ouvir, e loiro deixou a boca de Misaki com um fio de saliva ao destinar-se a sua garganta. Queria explorar mais. Muito mais.

Ocupava-se em sugar, sedento, toda a superfície disponível ao alcance de sua língua, e também tateava as costas femininas, em busca de um fecho. Demorou-se deliberadamente, para aproveitar-se da textura e maciez da área, e a morena arfou de novo enquanto apreciava o calor que dela emanava. Quando enfim a liberou daquilo que cobria as mamas, afastou-se de modo a observá-la.

― O q... que está olhando? ― indagou a maid, completamente ruborizada.

― O quanto você é linda ― respondeu ele, num sussurro.

O tom róseo das maçãs de seu rosto lhe deixavam ainda mais adorável; no entanto, o que mais lhe chamava atenção era seu corpo delicioso, nunca antes tão exposto. O modo como as coxas uniam-se ao quadril, numa curva sutil que se acentuava quando mais próxima da cintura tão fina, para então perder-se em seu torso magro, lhe ensandecia. Até mesmo os seios, cujas dimensões não impressionavam quantitativamente, eram bem proporcionados comparados às sinuosidades suaves; os mamilos rosados e intumescidos despontavam da carne sedosa e arrebitada.

Deslumbrar-se não era o suficiente. Logo Takumi abaixou-se e voltou a marcá-la com seus chupões enquanto uma das mãos envolveu o seio esquerdo. O primeiro toque ao local, em conjunto à forma frenética com que a língua movia-se, tão próxima, fez com que a colegial se contorcesse ao murmurar “Usui” uma vez mais. As carícias a um deles intensificaram-se, enquanto o outro foi abocanhado ― um arrepio gostoso propagou-se do mamilo que foi sugado, endereçando ardor e prazer a cada nervo.

Percorria um com dentes e saliva, alternadamente chupando e lambendo o mamilo, ou mordendo e contornando com a língua a pele suave que o circundava. E inverteu-se, aplicando neste agora a dureza de seus dedos a apertar, puxar, massagear, enquanto ao outro destinava sua boca indecente a sugar com força, mesclando aspereza selvagem e torturante suavidade. Excitada, Misaki manifestava-se cada vez mais alto; queimava. O fogo difundia-se, inexorável, e parecia nunca extinguir-se.

Sibilou seu sobrenome entre os gemidos enquanto mãos e lábios travessos incitavam nela uma inédita experiência lasciva ao beliscar e remexer os seios já tão sensíveis. Consciente do volume entre suas pernas, que crescia e endurecia diante das reações da namorada, Usui gemeu quando ela arranhou suas costas, fincando-se à elas como se para aplacar a ânsia desmedida. Empurrou-se contra as coxas dela e castigou as mamas maculadas por chupões e saliva com seu toque e sucção veementes.

Nunca antes havia sentido o efeito que causava nele, e ao roçar sobre a ereção pronunciada do rapaz, Misaki preencheu-se com um deleitoso orgulho, somado a um desejo primitivo. Queria senti-lo. Comprimiu as pernas uma contra a outra, tentando ao seu modo abrandar a necessidade que nasceu em seu vértice ― e Takumi percebeu seu intento, agarrando a musculatura macia antes que ambas se unissem. Excitou-se ao senti-las quentes; tomadas pelo fogo da necessidade insana. Retribuiu os arranhões em suas costas esfregando as unhas num ritmo indefinido, e a morena pôde apenas proferir murmúrios incompreensíveis ao também sentir o umbigo delineado por algo úmido e sensual.

― E agora ― sibilou ele, com malícia, levando os dedos à barriga plana da maid. ― Consigo te fazer implorar, Misa-chan?

O que aquele estúpido achava que estava falando, pensou ela quando o dedilhar alcançou o tecido que encobria sua virtude.

― Usui idiota! ― cuspiu ela diante de suas palavras. Ofegou ao sentir o primeiro roçar à sua intimidade; um toque breve, porém intenso. O corpo estremeceu por inteiro diante da força com que aquela sensação lhe era submetida.

― Acho que não ouvi bem, presidente ― apontou ele, dissimulado. Remexeu um pouco mais as mãos, à procura de um ponto sensível. Ao encontrar o clitóris, friccionou-o sobre a calcinha até arrancar-lhe um grito carnal. Perguntou, com seu tradicional sorriso atrevido: ― Você quis dizer “por favor”?

E continuou a estimulá-la sobre o pano já úmido; excitado diante de seu estado, tornou mais ousado o atrito ao sexo feminino. De olhos fechados, a arquejar e gemer alucinada, Misaki não conseguiu conter a inquietação provocada pelas chamas internas ― retorcia-se, mordia os lábios para conter outros gritos. Não suportaria muito mais, e entre seus rumorejos agudos, enfim pediu à ele. Ouviu sua risada lasciva quando ele cessou seus movimentos para despi-la da última peça restante.

― Amo você, Ayuzawa ― declarou ele, encostando a testa à dela. Havia em sua voz uma felicidade contagiante, e ela lhe respondeu, enquanto desviava os olhos das pupilas dilatadas com que ele lhe fitava:

― E... Eu também amo você.

O restante das ações para ela foram desconhecidas, pois a língua obscena meteu-se entre seus lábios uma vez mais, movimentando-se impetuosa e languidamente enquanto chupava a sua própria. A sensação repercutia em seu íntimo; contraía suas paredes internas ao ser beijada dessa forma. Percebeu vagamente que sua calcinha era retirada; mãos demoraram-se em suas nádegas, acariciando e apertando a pele lisa. Vagaram novamente às coxas,tateando a carne quente e trêmula; enlouquecendo a maid seguidas vezes. Entretanto, ao encostar repentinamente no cerne úmido, Takumi sentiu a lubrificação a escorrer por seus dedos. Ambos gemeram, incoerentes.

E o ato de despi-la, antes lento, de modo a aproveitar cada detalhe e reação da namorada, tornou-se ávido, feroz, desesperado. Deixou que a colegial suspirasse e murmurasse desconexa quando arrancou violentamente aquilo que ainda vestia, enquanto mordia, lambia, sugava tudo o que havia explorado anteriormente. O corpo de Misaki remexia-se em busca de alívio; ansiava ser tomado e preenchido de forma a liberar todo o prazer acumulado.

Usui afastou-se para livrar-se também de sua roupa, e viu refletido nos olhos cor de topázio um desejo gêmeo ao seu. Quando nu, estendeu-se para alcançar algo numa bolsa displicentemente apoiada sobre a mesinha. Ainda que fraca, a luz externa deixava visíveis parte do tórax e abdômen bem trabalhados do rapaz, e a morena não pôde deixar de apreciar a vista que lhe foi oferecida. Contudo, toda a região abaixo do quadril não estava ao alcance da luz esbranquiçada, e sob a escuridão seus contornos eram disformes ― ela não sabia se agradecia ao fato, devido à vergonha, ou frustrava-se pela curiosidade.

Um pequeno pacote luziu antes de encobrir-se nas trevas ― apenas o rasgar da embalagem se fez ouvido, pois devido à escuridão ela não viu enquanto ele colocava a camisinha. E logo ele posicionou-se sobre ela; o membro endurecido tão próximo de sua entrada que a maid pôde senti-lo pulsar. Inconsciente, seu quadril balançou de modo a aceitá-lo, e o gesto fez com que o casal se arrepiasse com a expectativa: para ele, a ânsia de envolver sua ereção com a maciez úmida e cálida de sua presidente; para ela, o desejo de ocupar o vazio gritante em suas entranhas.

― Vai doer ― avisou ele entre dentes; o tom curiosamente contido. Esforçava-se ao máximo para não invadi-la antes de dizê-lo.

Embora seu conhecimento sobre o assunto não fosse extenso, ao menos disso Misaki tinha consciência. Sabia que a primeira experiência da mulher, na maior parte dos casos, era de uma dor excruciante. Porém, não iria arrepender-se ou acovardar-se diante de algo tão insignificante. Ambos se amavam, confiavam completamente um no outro, e tendo isto em mente, elaborou uma única resposta possível:

― Eu não me importo. ― Apesar do rubor, sustentou seu olhar, firme.

― Sua teimosa. ― Sua voz escondia um sorriso condescendente.

Beijou-a com toda a brandura que a feroz excitação lhe permitiu, e a penetrou, com força, em um único movimento. A estocada rápida rompeu a barreira de sua virgindade de uma só vez, e o grito de dor que ela certamente iria proferir foi engolido pelos lábios do loiro. Sentia-se dilacerar para acomodá-lo em seu interior, e a colegial engoliu as lágrimas prestes a escorrer. Aquele não era um momento para chorar.

Uma vez que totalmente inserido, Usui permaneceu um tempo mais para que ela se acostumasse, diante de sua expressão martirizada da namorada; e para que ele mesmo se habituasse ao ventre mais quente e apertado do que sequer imaginava. O prazer entorpecente, sem seu consentimento, fez com que latejasse, e isto tornou pior o desconforto sentido por Misaki. Amaldiçoou a si mesmo.

― Continue ― choramingou ela diante da pausa. Era mais doloroso envolvê-lo inteiro do que ser invadida de repente.

Solícito, o rapaz respirou fundo, investindo uma vez mais, de forma lenta mas intensa. Manteve este ritmo ao empurrar-se e puxar-se contra ela, suportando o instinto de mergulhar-se sem restrições na suavidade a fechar-se em torno de sua dureza. Porém, percebeu a morena, sua demora apenas prolongaria a dor e a tornaria mais insuportável.

― Vou agüentar ― incentivou ela. A sentença saiu difícil, recortada devido à sensação dolorosa. Queria, contudo, incitá-lo a ir mais rápido, mas o próprio corpo não respondia a seus comandos, enrijecido.

Diante de seu encorajamento, voltou a tomá-la num beijo obsceno, proporcionando-lhe alguma satisfação enquanto acelerava os movimentos ― liberou-se daquilo que o restringira, abandonando o controle para chocar seus quadris aos dela continuamente. O atrito ao explorá-la internamente lhe endurecia, e ele gemeu quando ela contraiu-se contra seu membro pela primeira vez.

Este foi o primeiro sinal de seu prazer ― que, lentamente, vagarosamente, tomava o espaço deixado pela dor para emergir num fluxo que corria por suas veias. Deslizando, dentro e fora, agora as investidas deixavam ambos loucos. Os murmúrios de dor converteram-se em gemidos lascivos, e Misaki aquecia-se cada vez mais com o efeito com que a paixão ardente formigava em seus nervos. Canalizava sua sofreguidão sobre as costas do parceiro, apertando, fincando, arranhando; já ele investia com mais e mais força, mais e mais impetuosidade.

Inundou-lhe um cadenciar inédito; sentia próxima a sua própria liberação, e a morena chamou por Usui entre seus gritos. Inflamavam-se as chamas que dominavam seus sentidos, avultando-se com o volume longo e rígido a chocar-se contra suas paredes internas. Ainda nem havia alcançado o ápice, mas jamais poderia imaginar que alcançaria este nível. Em sua pele, assim como na dele, escorriam gotículas de suor, embora nenhum deles estivesse em sua plena consciência para sequer importar-se.

Moviam-se, desesperados, de encontro um ao outro; saciando um ao outro. E quando ele comprimiu-se contra ela, provando simultaneamente do sabor de sua garganta e suas entranhas, ela sentiu o primeiro espasmo a avisar-lhe do orgasmo iminente. Explodiu num êxtase longo, assim como seus gemidos e gritos, enquanto perdia-se num delírio erótico e irrefreável. Apenas o som e o corpo trêmulo sobre o seu já seriam capazes de abalar sua resistência ― e Misaki, como sempre injusta, uniu às suas reações provocantes o retrair involuntário de seu sexo. Com um último empurrão, ele enterrou seu rosto na curva do pescoço feminino enquanto desencadeava em si mesmo seu próprio clímax, vertendo-se na cavidade calorosa e convidativa.

Os pulmões exigiam todo o ar expelido, e durante um bom tempo ambos apenas respiravam pesadamente, interrompendo o silêncio posterior à toda a tempestade de sensações. Deleitavam-se com os ecos do prazer ainda latente, pois os hormônios eram bombeados em conjunto do sangue pelos corações palpitantes. Ainda que exaustos, selaram os lábios, quase de maneira casta, principalmente se comparado ao ímpeto anterior.

― Ainda dói? ― sussurrou ele, enquanto afastava os fios umedecidos pelo suor da testa da namorada. Sua preocupação era genuína.

― N-Não. ― Misaki foi monossilábica, constrangida com as memórias. Quando ela enrubesceu, Takumi não resistiu:

― Então foi gostoso? ― murmurou, travesso, enquanto sorria.

Perturbando a quietude do cômodo, inúmeras ofensas foram bradadas com excessiva raiva. Cada vez mais criativa, ele pensou, quando novas denominações uniram-se às já existentes. Queria saber como surgiam tantas idéias à morena quando possessa, mas preferiu abraçá-la e beijar-lhe os cabelos.

― Vou te dar mais sorvete de baunilha daqui por diante ― provocou uma vez mais, divertido, quando ambos já haviam se banhado e vestido. Citou a sobremesa, ainda que de forma alguma ela tenha interferido na decisão da presidente. Implicar com ela era divertido, afinal.

― Não pode calar a boca? ― replicou a jovem, emburrada, enquanto se sentava sobre o sofá mais uma vez. Maldito irritante!

― Na verdade ― corrigiu ele, num tom sugestivo. ― Quero fazer outra coisa.

E agarrou-lhe os pulsos, pressionando-a contra o estofado enquanto aproximava-se de seu rosto surpreso. Havia um desejo evidente em sua expressão; no entanto, o cansaço exigia dela algumas horas de sono, o que não impediu que um ofegar repentino escapasse de seus lábios. E tão ágil quanto sua aproximação foi seu aparto; o rapaz riu diante do sobressalto da colegial.

― Sei que está cansada ― justificou-se, enquanto a aninhava entre seus braços. Murmurou, como em uma promessa bem-humorada: ― Amanhã, Misa-chan, amanhã.

Do modo como falava, parecia que era ela a pervertida, tarada, perseguidora, ninfomaníaca! E continuou a ofendê-lo até cansar-se e dormir. Na manhã seguinte, iria corar loucamente ao ver todos os chupões espalhados por seu corpo, e ofegar, ainda mais envergonhada, quando percebeu os arranhões que deixou sobre as costas dele. Mas iriam aprender com o tempo a ocultar do olhar alheio as marcas de seu amor louco e pervertido. E assim seria, subjugada às carícias dele, até que, um mês mais tarde, uma fatídica aposta fosse lançada. Um jogo que envolveria, dentre outras coisas, lições, uniformes, chocolates, punições, recompensas, lingeries, diálogos, sonhos e sexo.

Notas finais
... So? Was it good for you? xD Faça desta pobre ficwritter aqui mais feliz, me mande ao menos um "adorei" ou "morra, bruxa maldita"! Agora, me deixem explicitar minha felicidade: GTPS FOI TRADUZIDA PARA O INGLÊS! Por uma leitora estrangeira! Negociei "tranquilamente" os termos da tradução, mas por dentro estava rodopiando ao som de Eine kleine Nachtmusik enquanto anjos tocavam violino ao fundo e folhas secas deslizavam pelo ar. É uma visão muito ridí­cula, e eu estou sorrindo como uma babaca até agora, mas quem liga? =w= Até o último bônus com uma surpresa marota!