Notas iniciais
Hello, pessoas! Fiquei muito feliz com a recepção do último capítulo (Foram 13 comentários, de PomAckels, Tsuki Kyra, Anniya, leticiaplus, Marii, BellsHoremans, Jahs, Vampire Angel, Kagome Chan, srta Du Breac, Lela, DarkLucy e Naty. Muito obrigada a todas!) e isto me motivou a escrever mais rápido :3 Boa leitura!

Você consegue, encorajou-se a morena. Você consegue.

Estava no banheiro do apartamento de Usui ― ele provavelmente estava na cozinha, guardando a louça que lavaram juntos após o jantar. Ela havia trocado de roupa: estava de ‘uniforme’. Para provocá-la, no dia anterior ele lhe repetira o mesmo pedido que fizera ao conhecê-la; queria tê-la como sua maid pessoal por um dia (no caso, por uma noite). Desta vez, porém, ela não repelira sua proposta pervertida — afinal, aceitara participar daquele jogo também.

Fantasiar-se e tratá-lo como ‘patrão’ não seria tão difícil ― o fazia constantemente durante a semana. A única ― e crucial — diferença é que, desta vez, não havia uma cafeteria cheia a rodeá-los; estavam sozinhos. Numa competição sexual excêntrica (e também excitante, pensou ela).

No entanto, somente após aceitar as condições levianamente, refletiu sobre a sua decisão: agir como uma maid obediente não lhe traria uma vitória; o bastardo a teria em suas mãos para fazê-la sucumbir novamente. Planejou, então, suas ações para que fosse ela a dominar a situação, desta vez. Respirou fundo, acalmou o turbilhão de pensamentos e abriu a porta.

― Ei, Misa-chan ― atentou ele, quando ouviu os passos dela. Polia alguns talheres, de costas para o corredor de onde ela viria. ― Não se esqueça de perguntar “O que deseja, mestre?” ― completou, zombeteiro. Conseguia imaginá-la perfeitamente, vestindo o uniforme tradicional do MaidLatte.

― “O que deseja, mestre?” ― repetiu ela, em um tom estranhamente ansioso e insolente.

Curioso, ele virou-se na direção dela para compreender sua reação. Enfim a viu. Boquiaberto. Ela não usava o traje do Maid Latte. No máximo, apropriara-se de algum avental ― mais curto que de costume, mal cobria-lhe a parte superior das coxas, deliciosamente expostas. O tecido branco era reto na área do colo, e permitia antever parte do sutiã, preto e rendado.

Acentuando a curva da cintura de Misaki, uma faixa diáfana apertava-lhe a área abaixo dos seios; os babados no quadril deixavam visíveis as laterais da calcinha, também preta. Além do avental e da lingerie, ela somente calçava um par de meias pretas sete oitavos. O cabelo castanho estava displicentemente preso; alguns fios estavam soltos, emoldurando-lhe o rosto. Hipnotizado, pasmo, desnorteado, Takumi deixou a faca escapar por suas mãos ― o ruído ecoou, estridente.

Ao notar o quanto os olhos dele arregalaram-se; o modo como a voz ficara presa na garganta; o modo descuidado como soltara o talher, ela desviou os olhos para rir. A risada, entretanto, não era jovial, inocente; era o som do triunfo, da diversão de uma mulher ― um pouco corada, mas determinada. Era por esta razão que ele surpreendera-se a este ponto: normalmente ela tendia para o meigo, o inexperiente, ainda que de maneira excitante. Porém, seu sorriso triunfante e as vestes tentadoras lhe acentuavam uma sensual maturidade ― ela realmente aparentava sua idade, próxima dos 18 anos.

― Mestre? ― ela repetiu, apreciando a reação que causara nele. Aos poucos entendia por que ele tanto gostava de provocar-lhe ― era divertido, afinal. No entanto, enquanto Usui era sedutor quando a atiçava, ela o fazia de forma desafiadora.

O loiro pareceu despertar do transe, e abaixou-se para apanhar o talher que derrubara. Percebeu que ela se aproximava e, ao levantar, vislumbrou-a, com as mãos apoiadas sobre a bancada. Seus olhos, ardendo em expectativa e petulância, traíam parte da imagem madura que ela queria transmitir ― esta mescla de características aparentemente excludentes, entretanto, era o que tornava a morena tão interessante aos olhos dele. Ser capaz de manter-se ansiosa em uma situação que exigia lânguida calma era algo que só ela conseguiria fazer ― de maneira simultaneamente adorável e libidinosa.

― Fica muito bem vestida assim, Ayuzawa ― murmurou ele. Sua voz era grave. Rouca. Moveu-se de modo a deixar o rosto a poucos centímetros do dela. ― Eu gosto muito.

Brilhando em euforia, os orbes amarelos não deixaram os dele. Corou um pouco com as palavras dele, e também com seus olhos inquietos, que vagavam entre o topo dos seios delineados de forma obscena e a garganta, exposta de maneira convidativa devido ao penteado ― mas ambos trouxeram a ela um estímulo extra para continuar, pois ele estava excitado demais para atormentá-la. Comemorou mentalmente sua sétima vitória.

― Minha função é agradar, mestre. ― A morena tentou reproduzir o mesmo tom que usava com os clientes, mas o contentamento distorceu a intenção original da frase, que agora mais parecia uma autoafirmação da capacidade dela.

― Então — continuou ele, ainda sério. ― Ayuzawa vai fazer tudo o que eu pedir? ― O desejo implícito na pergunta manifestava-se, inequívoco, em seus olhos.

― Isso seria muito chato ― negou ela, em escárnio. — Não especificou que queria uma maid obediente, mestre. ― E a ultima palavra foi sublinhada com ironia.

Inacreditavelmente, ela processou a cena em duas velocidades distintas. Ainda que não tenha durado nem dois segundos, Misaki viu como as pupilas dele dilataram-se em desejo e sua aproximação em lenta e torturante velocidade. Quando ele a beijou, ela relevou toda a sua pretensão de continuar a provocá-lo ― correspondeu com entusiasmo à fome com que ele tomara seus lábios.

Suas línguas moldavam-se, ardentes, impacientes, ávidas. Dedos enroscavam-se aos cabelos; dentes mordiscavam lábios; peles incendiavam, desejosas. A bancada os separava e impedia carícias mais profundas ― e, num gesto sôfrego e um tanto violento, ele rompeu o beijo para transpassá-la em um único pulo, e voltou suas mãos e seus lábios ao corpo de Misaki. Pressionou-a contra a parede ― o sofá estava longe demais.

Já a morena, presa entre os braços que vagueavam por suas curvas, deleitava-se com a impetuosidade e a intensidade com que o namorado lhe beijava e acariciava: nunca o vira tão sério, e isto era muito quente. Desviou as mãos para seu abdomen macio e bem definido, atiçando-lhe com pequenos movimentos dos dedos ― em resposta, ele rosnou em seu ouvido, mordendo e chupando o lóbulo e o pescoço.

Afastada de sua voraz e deliciosa boca, Misaki aproveitou para livrá-lo de sua blusa, e o contato com o tecido (jogado rudemente no chão) foi substituído pelo toque úmido e cálido de sua língua e o dedilhar de suas suaves mãos. Ela o sentiu estremecer e suspender a respiração; prosseguiu, arranhando suas costas e mordiscando-lhe o peito. Foi surpreendida, porém ― a ponto de perder o fôlego ― quando Takumi segurou seus braços pelos pulsos, com uma única mão, acima de sua cabeça.

Os olhos verdes estavam escuros, e diziam claramente: você é minha. A sentença transmitia amor ― mas um amor instintivo, selvagem. Uma necessidade insana. Completamente excitada e arrebatada, o corpo da morena reagiu: os músculos internos contraíram; o rosto estendeu-se para frente, em busca do mínimo toque com a pele do loiro. E ele a saciou com um longo e lascivo beijo ― que percorreu desde a boca até o decote, traçando um rastro prazeroso sobre a pele sensível e aquecida da namorada.

Com sua movimentação restringida e subjugada às carícias enlouquecedoras, Misaki gemeu profundamente, oscilando a cabeça para ambos os lados. De forma inconsciente, ele soltou suas mãos, usando os dedos para pressionar-lhe as coxas e sustentá-la no ar. Ela não demorou a envolver com as pernas o seu quadril ― e assim, tanto o membro enrijecido quanto a roupa íntima umedecida roçaram. Os dois, entre beijos, gemeram com o contato.

Ao tê-la em suas mãos, pressionada contra seu sexo, Usui andou rapidamente até o sofá e jogou-se imprudentemente contra ele, levando ela consigo. Agora Misaki estava sobre seu colo, empurrando-se contra ele num beijo feroz. Com um único puxão, ele desfez o laço que ela demorara muitos minutos para amarrar, e livrou-se do avental (que teve o mesmo destino da camisa).

Um breve vislumbre da namorada, sentada sobre ele e vestindo apenas lingerie e meias, fez com que perdesse todo o (pouco) cuidado e paciência que ainda lhe restavam ― retirou primeiro o sutiã, lambendo-lhe o colo exposto, enquanto os dedos dela enterravam-se em seu couro cabeludo e os quadris remexiam-se, inquietos, contra sua calça ― sua ereção já o incomodava de maneira insuportável.

Ambos queriam desesperadamente um ao outro, mas ainda estavam cobertos em suas partes inferiores ― e a simples ideia de afastarem-se era impensável. A solução veio de Takumi ― com alguma gentileza, empurrou-a de sua virilha, deixando-a sobre suas coxas, enquanto retirava somente o pênis do jeans. Ela enfim compreendeu o que ele pretendia, e caçou a camisinha entre seus bolsos. Desta vez, quando deslizou o preservativo sobre ele, o fez com pressa, avidez. E, da mesma forma que ele, não retirou a calcinha ao sentar-se sobre o membro rijo; apenas franziu o tecido rendado para o lado. Assim, parcialmente vestidos, entregaram-se ao prazer irreprimível.

Com a ajuda das mãos dele a carregá-la, ela subia e descia ao sentar-se sobre ele; o atrito e a lubrificação os aproximava do ápice, e ambos o expressavam com gemidos incoerentes. Devido ao movimento, ela podia senti-lo friccionar-se contra suas paredes internas, que contraíram-se e apertaram-no. Arrebatado, ele lançou para trás a cabeça; a morena então pressionou com força seu quadril contra o dele, ficando imóvel por poucos segundos para que juntos, pulsassem um sobre o outro ― e, novamente, os dois ofegaram ruidosamente.

Quando voltaram a mover-se, respiravam com dificuldade, mas beijaram-se para aplacar toda a fome que sentiam ― beijos curtos, entremeados por chupões, mordidas e arranhões em toda e qualquer pele exposta ao alcance. Ao atingir o clímax, Misaki abraçou-se ao loiro, afundou suas unhas em suas costas e, em êxtase, gritou por ‘Takumi’, e não por ‘Usui’. O rapaz imitou-lhe o gesto, ao gemer seu nome quando alcançou o orgasmo.

Ela permaneceu sentada sobre ele; o rosto enterrado contra seu pescoço. Ele beijou-a suavemente nos cabelos, e o gesto nada tinha do anterior descontrole sexual — era brando, carinhoso. A morena aninhou-se mais, e deixou escapar uma risada abafada ao lembrar-se de um antigo diálogo. Desvencilhou-se do abraço para encará-lo.

― Nunca te vi daquele jeito, Usui ― disse ela, citando as palavras que ele usara ao provocá-la. Exprimia um leve ar de superioridade.

― Que coincidência, presidente ― respondeu ele, e havia humor em sua voz. ― Também nunca te vi daquela forma. ― Referia-se às roupas, obviamente. Estava muito curioso de saber a maneira como ela as obtivera. ― A propósito, onde conseguiu?

― O avental faz parte de um uniforme antigo... E o conjunto... foi um presente... ― balbuciou ela, desviando os olhos. Não conseguiu evitar que o tom róseo cobrisse as bochechas. ― Da Erika.

― Tenho que agradecê-la depois ― murmurou ele contra o ombro de Misaki. Riu quando ela negou, exasperada. Prosseguiu, mais sincero: ― Não achei que iria tão longe, Ayuzawa. ― Mas logo retornou à tradicional provocação: ― Agora a maid sexy e desobediente é a minha preferida.

Porém, ao contrário de suas expectativas, ela não o repeliu com ofensas gratuitas: ― Também prefiro você mais sério ― admitiu ela, mordendo o lábio.

Notas finais
o/ Finalmente, consegui escrever um capítulo em que o Usui se descontrola E a Misaki admite alguma coisa E eles se chamam pelo primeiro nome (não que isso signifique que a partir de agora eles só irão se tratar dessa maneira). O avental que ela usa é bem parecido com o do capí­tulo da praia - só é mais curto, naturalmente. Ficou bom? Gostaram? E, afinal, qual é o Usui preferido de vocês? xD