Garotas Também São Pervertidas
9 Extra I - Diálogo
Notas iniciais

Que ótimo, ela resmungou mentalmente.
Como presidente do Conselho Estudantil, deveria comparecer à reuniões que professores e funcionários da administração do colégio realizavam periodicamente ― neste dia em específico, em um domingo. Não era isto que a incomodava, no entanto. Não era sua primeira viagem ao colégio em sua única folga semanal ― algumas informações deveriam ser imediatamente reportadas aos alunos, e esta era sua responsabilidade. Porém, desta vez não viera sozinha.
Um perseguidor loiro aguardava o fim de sua reunião, na biblioteca do Seika.
A morena suspirou, ao relembrar de sua tentativa infrutífera de convencê-lo a não acompanhá-la. Como de costume, ele ignorou seus protestos com um sorriso irritante e dissimulado. Teve de dispersar os pensamentos ao ser requisitada por uma professora simpática. A mulher sorridente lhe deu as instruções: durante os quase sessenta minutos seguintes, fez anotações sobre o assunto debatido ― apenas aquelas relevantes aos estudantes, é claro. Após algumas formalidades e cumprimentos, foi liberada.
Não obstante a maioria dos alunos desleixada e desinteressada, a biblioteca estava aberta à visita todos os dias para aqueles que dela extraíam fontes de consulta ― vestibulandos e alunos perigosamente próximos da reprovação, principalmente. No domingo em específico, haviam poucos alunos distribuídos desigualmente entre as mesas do saguão. Nenhum deles era loiro. Teria de procurá-lo, Misaki pensou enquanto bufava, aborrecida.
Meteu-se entre os corredores de livros em busca de seu namorado. Deveria ser fácil: além do destaque natural devido à sua aparência, o alien vestia o uniforme de Miyabigaoka ― sua excêntrica maneira de adequar-se ao ambiente estudantil. Encontrou-o em um pequeno (claustrofóbico) recinto, onde estavam alojados os clássicos estrangeiros. A luz diurna alcançava o espaço com debilidade; uma lâmpada incandescente reforçava a iluminação. Além da passagem por onde Misaki entrara, nada havia além de paredes ininterruptas de lombadas desgastadas.
E, recostado sobre uma carteira (lá instalada provavelmente porque o local era um depósito improvisado), estava Takumi, concentrado em sua leitura. Seu semblante era plácido ― a tranquilidade que dele emanava a surpreendeu. Era... incomum e distante, como se um desconhecido estivesse à sua frente. O rapaz interrompeu-se, entretanto, tão logo a viu. Ao fechar o volume, o título tornou-se visível à ela: ‘Macbeth’.
― Presidente ― saudou ele, com o tradicional tom zombeteiro. Desta vez, porém, a morena não irritou-se; era reconfortante vislumbrar novamente o lado dele a quem era mais íntima. Ele prosseguiu, ao notar seu silêncio: ― Aconteceu alguma coisa?
― O quê? ― exclamou ela, distraída. Logo compreendeu a pergunta: ― Não, estou bem. E você? ― Acenou com a cabeça para o livro que ele segurava.
― Shakespeare é sempre interessante ― ele comentou simplesmente, devolvendo o livro ao aconchego de seus irmãos. ― Embora, com a tradução para o japonês, muito do original se perca.
― Você já leu em ingl ― começou ela, mas deteve-se ao perceber que a resposta era óbvia. Ele foi educado dentro dos padrões ingleses; era natural que suas leituras se resumissem aos clássicos do país. ― Esquece; vamos logo.
― Ei, Misa-chan ― chamou ele quando ela virou as costas. Sua voz era arrastada, maliciosa; arrepiou os fios da nuca da morena. ― Ainda não te recompensei adequadamente por ontem. ― Num gesto rápido, rodeou a cintura da namorada com os braços.
― Não precisa fazer isso ― resmungou ela, ao lembrar-se do incidente com o chocolate. Os lábios dele em seu ouvido a desconcertavam.
― Mas eu quero fazer ― ele replicou, num sussurro atrevido. Habilmente fez com que ambos alternassem suas posições: agora era ela que inclinava-se sobre a mesa enquanto ele a restringia com as mãos espalmadas, ladeando seus quadris.
― Vo... você tem noção de onde nós estamos? ― protestou ela, exasperada. Ele era maluco por acaso?
― Está adiantando as coisas, presidente ― murmurou ele, em divertimento. ― Só quero saber o que Misa-chan quer como recompensa. ― Baixou o rosto para que estivesse à mesma altura que o dela.
― Tem de ser aqui? ― insistiu ela, corada. Não desviou o rosto, apesar do nervosismo.
― Sou muito curioso, Misa-chan. ― O tom sarcástico não conseguiu distraí-la da iminente aproximação — teve de sentar-se sobre a superfície de madeira para alcançar algum conforto.
Agora que a tinha exatamente onde queria, Usui deteve-se. Ficara muito excitado ao senti-la provar do doce sobre seu corpo, e não pôde aliviar a sensação da maneira que queria devido à alguns imprevistos. Planejou, então, não uma punição, mas uma experiência ― mais que isso, um teste para descobrir até onde a ousadia dela chegaria.
― Me diga como você quer ― ele pediu, um tanto pretensioso. Estava ansioso para ouvir sua resposta.
― O q...?! ― ofegou ela, perplexa. Aquele bastardo queria que ela dissesse? Optou por ser evasiva: ― Hanm... me beije e... bem... você sabe!
― Não ― negou ele, com um largo e estúpido sorriso. ― Eu não sei.
― Seu imbecil ― cuspiu ela, completamente ruborizada. Nunca haviam conversado sobre isso ― o tema era apenas citado em algumas brincadeiras do loiro, nada mais. Transar e falar sobre sexo eram coisas bem distintas.
― Assim fica difícil, Misa-chan. ― Ele simulou maravilhosamente bem um tom cabisbaixo. Suspirou, fingindo decepção, e completou, de forma implicante: ― Quer que eu te ajude?
― Claro que não! ― exclamou ela, ultrajada. Misaki odiava a sensação de ser subestimada ― ele apenas usou disso a seu favor. Os olhos amendoados desviaram-se dos verdes, para focar na cerâmica escura aplicada no piso. ― Va-vamos para o seu apartamento — ela respondeu, enfim.
― É uma pena que não haja espaço para uma cama lá ― lamentou ele, mais sério desta vez. ― Gostei muito da sua, Ayuzawa. ― A frase foi enfatizada de modo indecente; a morena enrubesceu com a memória.
― Prefiro o seu sofá ― retrucou ela num murmúrio espontâneo. Em suas palavras, Takumi encontrou uma oportunidade.
― Por quê? ― incentivou ele, travesso (ainda que genuinamente interessado).
― Gosto de... ficar por cima ― sibilou ela, simplesmente. Prosseguiu, antes que o rapaz voltasse a importuná-la: ― Assim... eu posso... controlar também, desse jeito. E... bem... ― ela mordeu os lábios, antes de sussurrar o restante: ― É... muito, muito bom, também.
― Realmente ― concordou ele, próximo de sua orelha. Seu hálito quente era como uma carícia. ― E do que mais você gosta?
Ouvi-lo pronunciar a pergunta de maneira tão sedutora a afetou de uma maneira que ela não julgava ser possível. Ele nem ao menos lhe tocara, mas ela estremeceu e sentiu seu interior esquentar-se e remexer-se. Emudecida devido ao efeito que ele lhe causara, ela praguejou internamente contra si mesma e sua timidez.
― Vamos lá, Misa-chan ― incitou ele quando ela não lhe respondeu. Apelou para a impertinência: ― Quer que eu te diga o que me excita?―- A morena arquejou, e ouviu uma risada obscena antes que ele prosseguisse: ― Adoro sentir o quanto Misaki é quente. E apertada. E molhada.
Usui intercalou suas palavras com beijos suaves na curva do pescoço macio e pulsante. Já sua namorada suprimiu a respiração; tentava inutilmente acalmar os batimentos cardíacos. Ele nunca dissera algo do tipo antes ― e, ainda que um tanto constrangedora, a situação inédita era extremamente quente. Para aliviar o desejo e o nervosismo, as coxas femininas foram pressionadas uma contra a outra. Como, apenas ao murmurar seu nome e descrever a sensação de penetrá-la, ele conseguia exercer sobre ela tal impressão?
― Vo... você está fazendo isso de propósito! ― atestou ela, impelindo a sentença entre os dentes.
― Talvez ― soprou ele em seu ouvido. Afastou-se para fitar a face zangada de sua maid preferida. Pelo modo como ela o encarava, poderia jurar que havia dito uma ofensa.
― Não insulte meu orgulho, alien estúpido! ― vociferou ela.
― Insulto? ― indagou ele, arqueando uma sobrancelha. ― Porque você pareceu gostar. ― Seu sorriso malicioso cresceu antes que ele continuasse: ― Ainda não sei o que você quer, Ayuzawa.
― T-tudo bem ― convenceu-se ela, enfim. Ele estava certo ao afirmar que ela apreciara o ‘diálogo’. ― Você po-pode beijar... hanm... beijar meu pescoço. Se quiser.
Era tão adorável vê-la confrontar a própria vergonha para exprimir o que sentia, ainda que de maneira desajeitada. Takumi riu com a obviedade da última frase; nunca negaria uma oportunidade de pôr sua boca sobre qualquer parte do corpo dela. No entanto, o fato de que ela agora lhe respondia foi um estímulo para que prolongasse a conversa ― e satisfizesse sua vontade simultaneamente.
― Seja mais específica, Ayuzawa ― pediu enquanto sorria perversamente. Vamos brincar, ele pensou. ― Quer que eu beije sua garganta? ― E os lábios do loiro percorreram a pele acetinada, numa trilha de beijos. Uma das mãos deixou a mesa para repousar suavemente sobre a saia do uniforme escolar. ― Ou prefere em seu ouvido? ― ofereceu ao morder-lhe o lóbulo. Ousados, os dedos entrenharam-se no tecido amarelado para apertarem a carne macia. ― Ou gosta mais de sentir minha língua? ― E deslizou-a por toda a extremidade da orelha, antes de descer até a base da garganta. Também soltou as mãos da coxa da namorada para roçar ― levemente ― um dos dedos em sua calcinha. Estava úmida.
Desorientada devido à excitação, ela ofegava nitidamente enquanto ele lhe perguntava sobre suas preferências e oferecia uma demonstração para atiçá-la. Ainda que concentrada em não exprimir nenhuma manifestação de prazer, ela mal pôde sufocar um gemido ao senti-lo tocar em sua intimidade. Ele foi abafado por sua respiração descompassada, entretanto. Seus dedos doíam por pressionar com força as laterais da carteira.
― Não queremos chamar a atenção, não é, presidente? ― Os braços voltaram a rodeá-la, mantendo-a presa, sentada sobre a mesa. Sua voz era calma, mas o estado em que ele a deixara (corada, ofegante, cálida) o afetava também. E, apesar do aviso, ninguém poderia ouvi-los se mantivessem o tom baixo — as prateleiras abarrotadas e a parede de alvenaria eram excelentes isoladores acústicos.
O bom senso de Misaki esvaía-se conforme seu desejo crescia; nem ao menos notou o quão absurdo fora o comentário do loiro, já que ele era o único responsável por sua reação. E, assim como passou a tolerar a incoerência com naturalidade, também o fez com o que Usui havia dito ― o que, em qualquer outra situação, a deixaria extremamente incomodada a ponto de lhe dar um tapa. Tropeçou nas palavras ao respondê-lo, no entanto.
― O quê? ― indagou ele, confuso.
― Quero... tudo o que você disse ― repetiu ela, envolvendo sua camisa preta com os dedos. O desafio e a carência sobrepujavam-se ao embaraço e a compeliam a mergulhar-se nos orbes esverdeados.
― Claro ― consentiu ele, admirado com a intensidade com que ela lhe encarava. Não pôde impedir que um sorriso indecente dilatasse preguiçosamente os lábios, contudo, ao perceber que ela queria brincar também. ― Mais alguma coisa?
― Mais baixo ― indicou ela, num fio de voz. ― Quero que você desça mais ― admitiu, enquanto mordia os lábios; o manteve em seu raio de visão.
― Onde, exatamente? ― As íris de Takumi escureciam; as pupilas expandiam-se. Ao lhe dizer o que queria, ela estava tentadoramente linda ― os lábios cheios, a pele quente, os olhos veementes.
Misaki aprendera a aproveitar-se de circunstâncias convenientes ― e ela não desperdiçou sua chance. Assim como fizera da última vez, na escola, ela desabotoou sua blusa; três botões agora. Agora, porém, não o fez de modo desajeitado ou acanhado; o rubor em suas bochechas somente lhe reforçavam a graciosidade natural. Com um gesto firme e decidido, ela deslizou o indicador até o ponto mais profundo que o decote lhe permitia. Não desviou seus olhos dos dele uma vez sequer.
― Aqui ― apontou ela, determinada, porque era isso que queria. Para enfatizar seu pedido, apertou levemente as coxas contra o quadril do rapaz, envolvendo-o.
E a Usui só restou render-se à namorada que, em sua opinião, naquele momento estava deliciosamente atraente. Agarrou-lhe as ancas e comprimiu-se contra ela, enquanto cobria a boca da morena com sua própria. Beijaram-se de forma lasciva, roçando línguas e lábios. Os dedos dele enterraram-se na pele exposta do quadril feminino; os dela entranharam-se em seu couro cabeludo, antes de tentarem, em vão, arranharem-lhe as costas, protegidas por camadas de tecido.
Enquanto ela livrava-o do jaleco branco de Miyabigaoka, o loiro deleitava-se em seu pescoço, explorando a área com urgência e avidez. Logo o casaco estava sobre o chão, assim como os lábios do rapaz, no colo exposto de modo provocante. Senti-lo lamber e sugar sua pele sensível fez com que Misaki exercesse maior pressão ao dedilhar seus ombros e costelas, escondidos sob a veste escura; reprimisse a si mesma para não delatá-los. Num ímpeto, ele a beijou novamente, abafando seu gemido. O som e a sensação o enlouqueceram — ele empurrou-a contra a estante, e emitiu um som carnal, nascido no fundo de sua garganta. Suas línguas confundiam-se, inquietas, sedentas.
Devido à força com que ele a achatara contra a superfície literária, um dos livros despencou de sua posição e estatelou-se no chão, com um baque surdo. Ambos, surpreendidos com o ruído, desvencilharam-se rapidamente, retomando a consciência de onde estavam. Foi sobre os lábios dela, entretanto, que ele sussurrou simplesmente: ‘Minha casa’ — sem pestanejar, ela assentiu em concordância, enquanto fechava a gola e desamarrotava sua camiseta.
Para esconder o volume em suas calças, ele amarrou a jaqueta clara em seus quadris: ela pendia, um pouco estranha, e deturpava-lhe a costumeira aparência solene. Porém, no momento, ele pouco se importava com o próprio aspecto; ignorou até mesmo a capa do livro que eles derrubaram ― Hamlet, a proclamada obra prima de Shakespeare, foi rudemente reposta no acervo do Seika.
Quando retornaram ao saguão, não houve nenhuma comoção ou evidência de que haviam sido descobertos; ninguém os ouvira, afinal. Saíram do colégio com pressa, pois ainda teriam de pegar o metrô e caminhar um trecho até o edifício de Takumi. Foi na escadaria para o subterrâneo que Misaki rompeu o silêncio em que estavam mergulhados, ao recordar o que ocorrera na saleta.
― Faltam só mais quatro, Usui ― avisou ela, num misto de orgulho próprio e insolência. Contabilizou também sua mais recente conquista.
― Fez por merecer, Ayuzawa ― parabenizou ele, inclinando-se para que ela lhe entendesse na tumultuada bilheteria. Ainda reconheceu: ― Está ficando muito boa nisso.
― Nunca deveria ter me subestimado, em primeiro lugar. ― Seu olhar ardia na expectativa da vitória final. Novamente, o motivo pelo qual ela queria vencer com tanto fervor o intrigou.
― Qual é seu pedido, afinal? ― perguntou ele mais uma vez. Já haviam entrado no transporte público; expremiam-se contra a porta devido à lotação.
― Eu te conto ― sibilou ela, estendendo-se na ponta dos pés para alcançá-lo ― quando eu ganhar. ― Sabia que sua resposta era presunçosa, porém era desta maneira que pretendia transmitir confiança para si mesma.
― Misa-chan e seus pequenos segredos sujos*. ― E ele riu ao atormentá-la.
― Não sou eu a pervertida, Usui idiota ― revidou ela.
― Eu discordo ― opinou ele, direto. Ela não podia refutá-lo e calou-se, enquanto ele suprimiu o riso.
Embora não o expressassem com a fala, ambos sentiam o efeito causado pela proximidade no metrô: atiçara-lhes o desejo (mal contido) com que explodiram na biblioteca. Aceleraram o passo ao voltarem para a superfície; a familiar fachada envidraçada já era visível. Após cumprimentarem apressadamente alguns conhecidos, chegaram ao elevador. Uma senhora simpática — ainda que no momento, inconveniente — os acompanhou na viagem. Tagarelando incessantemente, a vizinha de Takumi seguiu com eles até o apartamento. Com sorrisos complacentes, se despediram da idosa, e ― enfim finalmente! ― fecharam a porta e estavam a sós.
Imediatamente, seus corpos estavam juntos de novo, apoiados contra uma superfície branca e lisa, desta vez. Entre beijos, chupões e mordidas, despiram-se: ela desfez o nó do jaleco, assim como os botões da blusa preta que ele vestia; num puxão, ele arrancou a saia dela. Beijaram-se, sedentos ― um estava nu da cintura para cima; a outra, somente abaixo do quadril. Misaki enfim conseguiu proporcionar às suas mãos o toque desimpedido e quente das costas masculinas. Escorando-a na parede, ele sustentou-a no ar segurando-lhe as nádegas, pronto para levá-la ao sofá.
― Bancada ― murmurou ela, interrompendo brevemente o beijo. Já ele deixou sua boca e acariciou-lhe toda a superfície ao alcance com os lábios, enquanto a acomodava sobre o mármore.
― Achei que preferia o sofá ― contestou ele, mordendo sua orelha. Afastou-se para livrá-la das meias pretas e do sapato ― pôde vislumbrar então, a namorada a desabotoar a própria blusa de novo. Uniformes escolares também podem ser excitantes; foi o que pensou no momento. Descalçou a si mesmo com os próprios pés, impaciente.
― Hoje eu quero aqui ― afirmou ela, categórica. O conjunto rosado que usava tornou-se visível através da camisa aberta. Foi ele, no entanto, que retirou e jogou ao chão o tecido branco, enquanto consentia com um sorriso obsceno. ‘O que você quiser’, ela leu em seus olhos antes de ser tomada em um novo beijo.
Apesar de apreciar sua roupa íntima, Usui pretendia retirá-la poucos minutos após reiniciarem suas carícias. Demorou-se em sua garganta e em toda a área descoberta pelo sutiã, enquanto desenganchava-o em suas costas. Agora livres, os seios ligeiramente arrebitados foram novamente aprisionados quando o loiro cobriu os mamilos salientes com a boca e as mãos, ambas aquecidas.
A morena não impediu a si mesma de expressar seu prazer ao senti-lo sugar-lhe e apertar-lhe, num toque alternadamente úmido e selvagem; movia os dedos de forma desconexa entre os fios dourados e o dorso largo do namorado (provavelmente suas unhas deixariam marcas). Logo as palmas dele estavam sobre as pernas dela; somente os a língua e os lábios saboreavam-lhe os seios agora. Agarrou-lhe as coxas com entusiasmo ― os dedos travessos friccionaram mais uma vez em sua calcinha, muito mais úmida que anteriormente. O arfar de Misaki tornou-se mais enunciado quando ele introduziu o indicador por entre suas entranhas ao afastar o algodão cor-de-rosa de seu caminho.
O modo como ele explorava sua profundidade interna, lenta e intensamente, ao mesmo tempo em que chupava-lhe a pele com voracidade, deixavam-na enlouquecida: em vez de saciá-la, ele só fazia crescer seu desejo. Mordeu o ombro do rapaz para atenuar o gemido involuntário, e prosseguiu ao ouvi-lo rosnar, excitado ― sua língua provou novamente do sabor de Takumi ao lamber e mordiscar seu pescoço, sua mandíbula, seu peito.
Reagindo à carícia, ele enfiou mais um dedo; afundou-os ao máximo antes de retirar-lhes ― ambos respingavam fluidos femininos. A morena foi alta e clara ao manifestar sua satisfação; as costas arquearam-se para trás. Nem ao menos percebeu quando ele abaixou-se para despi-la de sua última peça, somente quando a língua masculina roçou-lhe o cerne. Entretanto, a forma como ele lambia e sugava sua área mais sensível também não lhe trazia nenhuma espécie de alívio: com habilidade, ele somente a provocava; criava nela a expectativa para o derradeiro clímax.
Em protesto, ela expressou sua frustração quando Usui interrompeu-se para beijar suas coxas, barriga, seios, garganta e, enfim, encerrar o torturante e delicioso rastro em seu ouvido. Poderia muito bem indagá-la sobre o que queria a seguir, e, em seu atual estado, ela responderia a qualquer pergunta ― mais que isso, estava preparada para fazê-lo. Porém, as palavras dele, ditas com sofreguidão explícita, a surpreenderam e multiplicaram exponencialmente sua já elevada ânsia:
― Quero você, Ayuzawa.
Línguas, lábios, mãos confundiam-se num ritmo lascivo. Ávida, Misaki desafivelou seu cinto e retirou a calça e o boxer claros num movimento rude — o loiro já havia retirado dos bolsos o preservativo e estava agora concentrado nas tentadoras e convidativas curvas da namorada. Distraída, pôde apenas voltar a esfregar seus lábios contra os ombros e garganta de Takumi. Já ele invadiu-lhe o cerne, numa investida inicialmente lenta, para logo tornar-se mais rápida.
Talvez devido à destreza com que ele lhe suscitara, a morena estava extremamente consciente do membro a penetrá-la; nunca sentira-o com tanta veemência. Seus gemidos foram contidos, pois ele introduzira a língua em sua boca tão logo começou a mover-se. Beijaram-se, ofegantes, até que o fôlego foi necessário; ocuparam seus lábios, então, com os corpos um do outro. No entanto, foi em sua boca que ela gritou ao explodir-se no mais intenso orgasmo que tivera até então. Ainda sentia o prazer a espalhar-se languidamente quando Usui preencheu a camisinha com seu sêmen, apertando-a com força contra si mesmo.
― Nossa ― sussurrou ela, retribuindo o abraço. Não sabia se preferia suas recompensas ou suas punições.
― Digo o mesmo ― concordou ele num murmúrio. Afagou-lhe os cabelos antes de dirigir-se à cozinha para livrar-se do látex usado. Não pôde, contudo, resistir a implicá-la: ― Já está pronta para narrar um conto erótico, Misa-chan.
― N-não pode manter essa estúpida boca fechada, Usui imbecil? ― reclamou ela enquanto descia do balcão.
― Você pode me calar quando quiser ― sugeriu ele, num tom simultaneamente divertido e atrevido.
Misaki estreitou os olhos ao imaginar exatamente a forma com que ele esperava ser silenciado.
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