Notas iniciais
Primeiramente, mil desculpas pelo atraso, leitores catitos. Minha vida está uma bagunça e meus professores são psicopatas =X Em segundo lugar, não me matem por esta não ser a primeira vez deles. Está muito difícil escrever aquela coisita ._. Já deve ser meio óbvio, mas esta fic não é minha primeira experiência escrevendo hentai. Porém, nunca descrevi uma primeira vez, e é um território um tanto desconhecido para mim. É muito... limitado. Às vezes viajo demais e esqueço que a Ayuzawa ainda está virgem. Mas está a caminho. Achei melhor escrever este capítulo curtinho para encobrir estas duas semanas sem atualização e para me dar mais tempo para terminar aquele outro tão complicado. Bem, boa leitura!

Tudo começou com uma pergunta inocente.

― Onee-chan, pode me ajudar?

Ayuzawa Misaki desviou os olhos de sua tarefa para encarar a menina de marias-chiquinhas à sua frente. Esta, com sua costumeira expressão apática, fitava-lhe enquanto segurava entre os pequenos dedos algo que assemelhava-se um livro, porém cuja superfície era negra, aveludada, decorada em suas extremidades por sinuosidades douradas.

― Com o que, Suzuna? ― Sua voz era solícita à irmã mais nova.

― Ganhei um sorteio ontem ― iniciou a mais baixa, como se não fosse surpreendente o fato de que sua sorte era absurda. ― O prêmio era um livro de culinária, mas ele acabou no estoque e me perguntaram se poderia enviar outro no lugar.

― E daí? ― A morena de madeixas soltas não compreendia onde ela mesma se inseria no relato.

― Foi este aqui que recebi hoje.

E Suzuna enfim estendeu-lhe o volume, tornando visível sua capa. Seguia o mesmo padrão de veludo escurecido e delicadas molduras douradas encontrado em seu verso. Contudo, o título também fez-se visível, e a primeira reação esboçada pela mais velha foi corar violentamente. Como a menina carregava despreocupadamente um exemplar daqueles?!

― O-O que eu tenho a ver com i-isso? ― indagou Misaki; os olhos amendoados não conseguiam deixar de ler as requintadas letras que compunham a capa da publicação. Kama Sutra.

― Onee-chan ― murmurou a caloura, sugestivamente. ― Você vai aproveitar mais desse livro do que eu.

Em resposta, a Ayuzawa mais velha enrubesceu, engasgou, ofegou e ruborizou uma vez mais. Em seu íntimo, sabia que era evidente tanto para Minako quanto para Suzuna que ela e o namorado já haviam se relacionado da maneira mais íntima possível; entretanto, era constrangedor ouvir isto claramente de uma garota dois anos mais nova. Sua irmã, por sinal.

― Ah, falando nisso, não sabia que gostava daquele tipo de roupa íntima, onee-chan ― comentou a morena mais baixa, novamente impassível, como se dialogasse sobre as nuvens e não sobre lingeries.

― Mas... você... ― Como a pequena sabia sobre aquilo? Lavava as próprias roupas, e com tanta eficiência e rapidez que raramente alguém além dela mesma ao menos as visualizava. Não contava, no entanto, com a capacidade de observação da mais nova. Ao notar duas peças destoantes dentre tantas comuns, relacionou com rapidez os fatos.

― Olha este catálogo aqui ― prosseguiu aquela de fios repartidos ao meio. Retirou, não se sabe de onde, um espesso encadernado cujas páginas ilustravam desde luvas de lã até embalagens plásticas duráveis, e entre estas haviam ainda bonecas adoráveis, livros de auto-ajuda e até mesmo frutas superdimensionadas. Confusa diante de tantas informações, Misaki só percebeu o que de fato a irmã queria lhe mostrar quando esta apontou-lhe: ― Tem algumas bem bonitas, não é?

― Aonde quer chegar? ― perguntou Misaki, temendo o direcionamento da conversa. E seus receios se concretizaram.

― Seu marido vai gostar ― afirmou a menor, após suas típicas risadas curtas; desta vez insinuantes, pois a pergunta da veterana fora retórica: ela sabia exatamente o rumo do diálogo.

― Ele não é meu marido! ― protestou, enraivecida e encabulada, a primogênita. Por que sua irmã tinha este hábito de denominar Usui deste modo?!

― Se eu participar até o final da semana ― observou a mais nova, ignorando completamente as exaltações de sua “onee-chan”. — Um vidrinho de chocolate com licor vem de brinde. ― E sua feição adquiriu alguma vivacidade diante daquele desafio. Adorava brindes. Aquela vitória seria sua.

― C-como você sabe disso? ― E memórias constrangedoras vieram à mente da morena mais alta. Até que ponto as habilidades analíticas e perceptivas de sua caçula alcançavam, para que esta soubesse até mesmo de algo que estava oculto aos seus olhos?

― Sei de quê? ― De início, Suzuna demonstrou-se alheia ao assunto. Não sabia de que tratava sua irmã mais velha. Porém, ainda assim riu novamente, como se nenhum segredo pudesse lhe ser ocultado. Divertia-se com o semblante de Misaki, aturdido e avermelhado. Completou: ― Vou ganhar e te dar de aniversário, está bem, onee-chan?

― E-espera! Suzuna! ― chamou a presidente demoníaca, Misa-chan nas horas vagas. Em vão. Já deveria saber que a garota de marias-chiquinhas mantinha-se imperturbável quando adentrava naquele seu particular mundo dos sorteios.

No dia 29 de setembro, Ayuzawa Misaki não abriu o pacote dado pela caçula.

Notas finais
Suzuna, te amo ♥ Esta seria uma one-shot futuramente postada, mas modifiquei um pouquinho para se adequar ao contexto da fic, e aqui está. Agora vou voltar àquele capítulo dificultoso. Até o/