Garotas Também São Pervertidas
4 Capítulo IV - Primícias
Notas iniciais

Faça algo certo desta vez, aconselhou-se a si mesma.
Aquele bastardo era muito bom, ela não podia negar. A desafiou, excitou, e agora, quando Misaki pretendia ganhar sua primeira conquista naquele jogo, foi audacioso o bastante para esperar por suas investidas na sala, após deixar o banheiro tranquilamente com o costumeiro sorriso irritante.
A morena não pretendia externar seu nervosismo crescente, e logo enrolou-se em uma toalha e o seguiu, não sem antes respirar lenta e profundamente. Apesar de também cobrir as partes íntimas para evitar o umedecimento do móvel em que dormiriam, Usui não pôde deixar de sorrir, com um misto entre malícia e condescendência, ao vê-la envolvida no tecido, demonstrando recato e indignação. Suas reações eram tão divertidas.
Estimulada por aquilo que ela julgava como a insolência de Takumi, ela foi até o loiro que até então estava displicentemente recostado sobre o sofá, e agora a seguia com os olhos, atento; mas não sentou-se ao lado dele, para deixar-se sucumbir aos seus carinhos. Num gesto desajeitado, ainda que gentil, sentou-se sobre seu colo, esparramando suas coxas ao redor das pernas dele.
― Eu não vou perder ― sibilou firme, ainda que muito corada.
Puxou-lhe pelos cabelos e o beijou novamente, com a mesma voracidade e paixão. O rapaz não demorou a correspondê-la; agarrou-lhe as coxas enquanto travava com ela uma batalha que envolvia línguas, lábios e suspiros. Misaki era forte, e Usui não lhe ofereceu resistência quando ela o empurrou contra o assento. Com o movimento de ambos os corpos, as toalhas também remexiam-se inquietas, e agora expostos, seus sexos se roçaram, com a iniciativa de um sutil movimento do quadril feminino.
Extasiado, Takumi gemeu entre os lábios da namorada, que repetiu o movimento ao ouvi-lo. Iniciou então o delicioso processo de acariciar-lhe as orelhas, o pescoço e os ombros com a boca, enquanto o fazia com a intimidade também, sobre o colo dele. O loiro fechou os olhos (o que a deixou mais confortável) para deleitar-se com os carinhos cedidos pelo corpo quente de Misaki. Ao senti-la lubrificar seu membro e senti-la gemer em seu ombro, ele não resistiu.
Abraçou-a para que não caísse, e reclinou-se para alcançar um dos preservativos que caíra de seu bolso da última vez. E, assim como antes, ela o retirou de suas mãos, esforçando-se para encará-lo sem desviar o olhar. Para incentivá-la (e também porque o desejo o consumia), a beijou enquanto ela deslizava o preservativo, ainda de maneira vagarosa.
Com cuidado, ainda que sem dificuldade, ele conseguiu penetrar a morena em seu colo. Misaki ofegou, surpreendida e excitada, pois conseguia senti-lo com muito mais intensidade nesta posição. Lentamente, experimentou diversas maneiras de mover-se sobre ele; procurava asmais prazerosas para ambos. A lentidão, entretanto, para ele transformou-se em tortura e, inquieto, segurou-lhe os quadris para mexê-los com mais rapidez.
E, pela primeira vez, lutaram pelo controle ― suas armas eram investidas com o quadril, mordidas de lábios, chupões no pescoço. Alternaram-se no poder, embora (ou talvez porque) Misaki estivesse em vantagem desta vez. Não havia dominação ― ao menos não por muito tempo, porque ambos eram iguais. Compartilharam carícias, gemidos, arranhões, até o momento em que alcançaram o orgasmo.
Quando sua respiração estabilizou-se, Usui a sentou com delicadeza sobre o sofá, afagou-lhe os cabelos e levantou-se para livrar-se do preservativo usado. Ao dirigir-se à lata de lixo da cozinha americana, sentiu os olhos dela a segui-lo, e riu ao perceber que a cena se repetia, mas agora era ela que o encarava.
― O que foi? ― instigou ela, cruzando os braços sobre o peito.
― O que foi o quê? ― Ele simulou desentendimento.
― Usui ― vociferou ela, impaciente.
― Tudo bem, presidente ― ele garantiu, apaziguador. ― Mas antes se vista, está frio à noite.
Como esperado, ela ruborizou; mas também estreitou os olhos: ele estava distraindo-a com superficialidades. Apanhou na bolsa roupas para situações emergenciais (naquela ocasião em específico, apenas para dormir), e vestiu-se no banheiro sem demora. Ao voltar à sala, o alien pervertido a esperava, sentado sobre o sofá, já vestido. O cômodo estava limpo novamente; no encosto do móvel um cobertor aguardava pelo sono dos dois. Ignorando a velocidade sobre-humana com que ele preparara tudo, tentou ser direta no assunto:
― E-e então? ― perguntou, embaraçada.
Desta vez, ele não irritou-a propositalmente; sorriu, um tanto tímido também, e puxou-a para envolvê-la em seus braços. Admirava-a pela forma com que se esforçava e entregava-se inteiramente às suas lutas ― e embora muitos outros também o fizessem, saber que parte deste empenho era dedicado à ele fazia de Takumi muito feliz.
― Ponto para você, Ayuzawa ― sussurrou ele, embevecido.
****
A presidente do Conselho Estudantil suspirou após mais um dia de atividades. Despediu-se dos membros, que saíam apressadamente devido à ameaça iminente de chuva, e voltou a organizar a papelada que a aguardava. Durante o processo, ouviu batidas rítmicas no vidro. Sabia que só uma pessoa era estúpida o bastante para tentar entrar no edifício por uma das janelas do 3º andar.
― O que está fazendo aqui, idiota? ― reclamou ela ao permitir a passagem dele. ― Poderia ter me esperado no portão ou na calçada, como uma pessoa normal.
― Não sou uma pessoa normal, sou um alien pervertido ― Usui brincou, com um sorriso afetado. ― E estou sem guarda-chuva; prefiro te esperar em um local seco.
― Seu imprudente! ― censurou ela. ― E se eu não trouxesse o meu...
― A sempre correta Misa-chan ― cortou ele, zombeteiro. A morena pretendia rebatê-lo, mas ignorou para fechar a janela e impedir a chuva (que iniciara durante a conversa dos dois) de invadir a sala.
― Fique quieto enquanto eu termino ― ordenou ela, enfática. Ele concordou ao mover a cabeça, abafando uma risada.
Desde que se transferira para Miyabigaoka, o tempo disponível para passar com ela se reduzira, mesmo que ele lhe fizesse estas inesperadas (e geralmente curtas) visitas. Estes pequenos momentos, nos quais a via como ‘presidente demoníaca’ mais uma vez, eram preciosos para ele. Sentou-se sobre uma das carteiras e passou a observá-la realizar as tarefas, porque sabia que ela ficaria envergonhada.
Misaki, por sua vez, não conseguiu esconder o incômodo. Concentrou-se ao máximo nos papéis para evitar o constrangimento, mas percebeu que era impossível impedir que as bochechas se tingissem de vermelho ― o nervosismo e o rubor esquentaram-lhe a pele. Em conjunto, somaram-se a estes efeitos a sala fechada e abafada, e a morena, transpirando, abriu dois botões da blusa.
A visão de sua namorada corada, ofegante e inconscientemente quente dispersou o loiro de suas intenções. Ele remexeu-se, inquieto ― e isto não passou despercebido por Misaki. O trabalho estava encerrado, mas ela não queria deixar passar uma oportunidade para conseguir provocá-lo.
Tentando ignorar a face corada, estendeu-se parcialmente sobre a mesa, dando à ele uma visão de seu decote. Eu posso fazer isso, pensou, nervosa; posso fazer isso... Sem desviar os olhos da papelada, notou que ele moveu-se de novo. Desorientada e tímida, tentou prosseguir. Com ambas as mãos, prendeu as madeixas escuras; segurou-as com uma das mãos, enquanto deslizava a outra sobre a nuca e o pescoço, desajeitadamente. Corou violentamente, mas não resistiu e olhou para ele; queria saber como ele reagira.
Ele inicialmente mostrou-se surpreso, mas logo sorriu, com carinho e fascínio. De alguma maneira, a inexperiente tentativa dela de seduzi-lo lhe afetou, porque ela estava deliciosamente linda. Não iria, no entanto, sucumbir ― queria que este fosse um jogo difícil, para ver até onde ela poderia chegar. Riu de novo, divertindo-se antecipadamente.
― Vejo que já acabou, presidente ― constatou ele, ao aproximar-se da mesa. Ela encolheu-se; fora exposta.
― E-está com pressa, por acaso? ― perguntou ela para desviar do tópico principal.
― Não, não estou. ― disse as palavras lentamente, e apoiou ambas as mãos à frente dela, restringindo sua visão aos orbes verdes.
Frustrada pela tentativa infrutífera, desvencilhou-se dos braços do loiro e pôs-se de pé rapidamente. Recolheu os relatórios preenchidos para guardá-los na gaveta, sem nunca voltar seus olhos para os dele. Manteve-se num silêncio acanhado e preparou-se para sair, mas um dos braços dele novamente ficou em seu caminho.
― Ayuzawa quis me seduzir ― ele atestou, um pouco sério, e estendeu ambas as mãos ao redor dela novamente. Misaki contraiu-se contra a parede, ruborizada.
― Seu estúpido ― ela cuspiu as palavras. ― Sei que não consegui. Não precisa...
― Tão adorável ― sussurrou ele, encostando sua testa à dela. ― Você é uma bela visão, Ayuzawa, principalmente quando se esforça para isso.
― O q...!
― Foi admirável, Ayuzawa, mesmo que não tenha sido suficiente ― consolou ele, com um sorriso contido.
― T-tanto faz – balbuciou ela. Ainda não sabia lidar com elogios.
― Então. ― As feições dele mudaram; a malícia invadiu seu tom. ― Devo mostrar à Misa-chan como se faz?
Ela ofegou, perplexa. O que aquele pervertido pretendia fazer no colégio? Pretendia chamar sua atenção, mas a voz sumiu quando ele aproximou seus lábios dos dela, sem tocá-los realmente. Vagarosamente, desceu à base da garganta; sua respiração acariciava a pele quente da morena. Com uma das mãos, afagou-lhe a nuca, puxando levemente os fios.
Misaki estremeceu, inebriada. Ele prosseguiu até a base da orelha, roçando muito levemente os lábios desta vez; afastou-se quando a sentiu ansiosa e repetiu o trajeto com os dedos hábeis. Encararam-se; um deles expressava promessas, a outra expectativas. Apesar de enrubescida, a morena apoiou ambas as mãos sobre o peito dele ― queria mais que provocações; desejava-o por inteiro para si.
Puxou-lhe pela blusa e estendeu-se sobre os pés, tomando a iniciativa de beijá-lo. Quando as bocas tocaram-se, os dois incendiaram. Ele meteu uma das pernas entre as dela; queria aproximar-se ao máximo. Suas línguas eram ávidas; exploraram-se com sofreguidão. Logo ele deslizou a língua sobre o pescoço exposto da namorada, suprindo a necessidade que ela sentiu após ser tentada; depositou beijos molhados por toda a extensão, e fez com que um gemido baixo, mas involuntário, fugisse dos lábios dela.
Chocada com sua atitude, ela empurrou-o com alguma violência. Acalmou a respiração descompassada, assim como ele; abotoou a blusa por completo, um tanto escandalizada por suas próprias atitudes. Sussurrou, quase que para si mesma:
― Aqui, não.
― Bem, terei que deixar minha ‘aula’ para outra ocasião ― brincou ele, embora também se censurasse. Não pretendia ir tão longe. Ela estava melhorando, afinal. Entretanto, não o suficiente para merecer uma segunda vitória proclamada. ― Conseguiu aprender algo, Misa-chan?
― Imbecil pervertido ― resmungou ela, saindo da sala. Lá fora, a chuva intensa os aguardava.
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