Garota perdida.
4 Visita ao Museu.
P.O.V. Melanie.
Estou tão empolgada! Nunca estive num museu antes.
O passeio foi ótimo até chegarmos naquele retrato.
—Não se sabe quem são os retratados na pintura exposta...
—É a família Merchant.
—Como sabe?
—Eu sei ler.
—O que?
—Sois cega?
—Não.
—Então, por gentileza. Leia.
Apontei para o quadro na pintura.
—Merchant.
—É uma cripta onde a esposa Elisabeth e os outros dois filhos Elias e Julian descansam. Seus corpos foram cremados.
—E o pai e a menina?
—Isaiah era um homem mal, ele controlava a família com mão de ferro, batia nas crianças, todas as noites eu ouvia ela gritar quando ele abusava dela.
—A menina? Espera, você disse que ouvia?
—Eu não sei explicar com palavras. Ela não merecia o que o marido fazia com ela. Elizabeth era uma mãe carinhosa, esposa devotada e um dia ela decidiu dar um basta. Juntou as coisas e ia fugir com as crianças, entretanto Isaiah chegou mais cedo naquele dia e quando viu as malas na porta ele ficou furioso.
—O que?
—Ele era barbeiro. Tá vendo a navalha no quadro? Ele usou para cortar as gargantas da esposa, dos filhos e a sua própria.
—O que? Não pode estar falando sério.
—Se não acredita, vá pesquisar. Mas, ele teve o que merecia foi enterrado numa cova rasa sem nome e sem identificação para que sua alma jamais encontrasse a paz. Para que vagasse pela eternidade.
—É você.
—O que?
—Descobri de onde te conheço. É do quadro. Você é a garotinha.
—Como assim ela é a garotinha? Esse quadro foi pintado á mais de 300 anos.
—É. Foi sim.
—O seu pescoço quebrou quando o Connor te empurrou da escada, mas você não morreu. Sobreviveu.
—Bobagem. Foi só uma quedinha á toa.
—Não. Eu ouvi o estalo, eu verifiquei sua pulsação e você estava morta!
—Devia estar desidratado. Acontece.
—Não. Você é forte, corre mais rápido que um atleta olímpico e não sua. Nem uma gota. Quando você lançou a bola de futebol fez o Connor voar longe quando a pegou.
—Eu... Foi sorte.
—Não. Você é uma vampira!
—Não. Não sou vampira. Sou fantasma.
Ela atravessou a parede para o outro lado. O pânico foi geral.
—Parem de gritar.
O homem do quadro se moveu e olhou diretamente para ela com raiva.
—Olá Isaiah. Sentiu saudades?
—Você.
—Eu?
O homem do quadro estava falando com ela.
—Isso é culpa sua! Bruxa!
—Foi a sua mão que cortou nossas gargantas! Mas, o plano não funcionou né? Eles foram embora, passaram a diante, mas você... você vai ficar preso neste buraco pela eternidade! Assim você e Elizabeth vão passar a eternidade separados.
—Bruxa! Eu devia ter te matado quando era criança.
—E você matou!
O homem furioso saiu da pintura e avançou sob Melanie.
—Como você consegue tocar em mim?!
—Você tem um pé de cada lado garota. Não está viva por isso não pode morrer, mas também não está morta de verdade. Um de seus pés está no mundo dos mortos e o outro no mundo dos vivos.
—Solte-me! Solte-me imediatamente!
—Liberte-me desta maldição!
—Nunca! Você merece isso.
—Por favor, liberte-me desta maldição!
—Nunca!
—Estou cansado. Eu não consigo dormir, estou sem dormir á mais de trezentos anos.
—Deixemos a sorte decidir. Se der cara mando você embora, se der coroa você fica.
P.O.V. Nate.
Ela jogou a moeda e quando ela caiu em cara ela ficou furiosa.
—Que saco! Tudo bem. Vou deixar você ir, afinal eu dei a minha palavra.
Ela ligou pra alguém.
—Sam? Sou eu.
—Eu quem?
—Melanie Marchant.
—A garotinha do quadro?
—Sim eu mesma. Preciso que faça algo por mim.
—O que?
—Mande um fantasma embora.
—Você?
—Não! Isaiah!
—Nem se sabe onde está o corpo dele.
—Eu sei onde está. Encontre me na pedreira.
Eu a segui até a pedreira e dois caras desceram de um impala 67 preto.
—Sam, Dean.
—Você cresceu mesmo.
—É. Minha mãe disse que eu iria crescer.
—Parece que você conseguiu os peitos grandes que sempre quis.
—Rará muito engraçado. Agora vamos, ele está enchendo o meu saco.
—Ele?
—Isaiah.
—Ele tá aqui? Você consegue ver ele?
—Graças ao feitiço da minha mãe eu existo aqui e do outro lado simultaneamente. Por isso, eu consigo ver tudo. Vivos e mortos.
—Tá. Onde ele está?
—Me acompanhem.
Caminhamos uns metros até encontrar o tal túmulo.
—Aqui. Onde estou pisando agora.
—Tem certeza?
—Absoluta.
Eles cavaram a cova do cara,tacaram sal e gasolina nos seus ossos. Depois eles queimaram.
—Credo! Era isso que aconteceria comigo se vocês tivessem queimado a minha boneca?
—Isso o que?
—Vocês não viram?! Ele entrou em combustão espontânea!
—Não. Nunca vimos o que acontece com os espíritos só nos livramos deles.
—Credo. Bom, devo retornar ao museu antes que a excursão vá embora sem mim. Adeus e obrigado. Opa, quase esqueci.
—O que?
—Minha mãe fez para vocês. Esses anéis os protegeram de morrer nas mãos de seres sobrenaturais.
—Vai funcionar?
—Vai. Mas, só os protegerá de mortes sobrenaturais... acidentes acontecem e disso não se pode escapar.
—Certo.
Ela sumiu.
—Procurando alguma coisa?
—AAA!
—É muito feio espionar os outros. Muito feio mesmo.
—Como é possível alguém estar vivo e morto ao mesmo tempo?
—Mágica. Magia na verdade, magia de bruxa. Agora vamos.
—Chegamos. Bem na hora.
—Sai de perto dela Nate! Ela é do mal.
—Não sou do mal. Sou só um fantasma vivo. Eu nunca machuquei ninguém. Nunca.
—Nunca?
—Nem viva nem morta. Você deve ter mais medo dos vivos que te cercam do que dos mortos que te cercam. Os mortos não podem tocar em você, não podem fazer contato físico com você.
—Mas você...
—Sou uma fantasma viva. Eu morri á mais de trezentos anos quando Isaiah Merchant cortou a minha garganta. Mas, graças a magia da minha mãe eu renasci tive uma infância feliz e agora estou bem aqui. Eu não tenho um corpo físico de carne e osso, por isso posso atravessar as paredes.
—Você consegue ver os mortos?
—E tocar neles. Eu sei que é estranho, mas é legal estar viva, respirar, ser ouvida e vista. Sentir o toque das pessoas, os beijos e abraços da minha mãe Sarah. Conversar com ela. É ótimo.
O ônibus parou.
Descemos na escola.
—Tchau Nate. Gosto muito de você porque não é igual aos outros, você é especial.
—Tchau Melanie.
—Pode me chamar de Mel se quiser.
—Certo. Tchau Mel.
Ela acenou pra mim e no segundo seguinte ela tinha sumido.
—É assustador. Não quero você perto daquela coisa.
—Qual é Marie, ela nunca fez mal pra ninguém.
—E o Connor?
—Ele tentou jogar a bola na cabeça dela e a empurrou da escada. É natural ela revidar.
—Jura? Ele é seu melhor amigo.
—Eu já falei pra ele que essas brincadeiras iriam acabar mal, mas ele nunca acreditou em mim.
—Ela não tem alma!
—Ela é uma alma Marie! Ela é uma alma literalmente!
—Por favor, eu não quero que se machuque.
—Eu vou ficar bem. Se ela quisesse me machucar já teria machucado.

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