P.O.V. Nate.

Mel e eu estamos juntos a seis meses. Ela é uma ótima pessoa apesar de estar morta.

Ela é perfeita. Literalmente perfeita.

Sua pele é tão macia e imaculadamente branca, seus dentes são como pérolas, os olhos verdes são muito brilhantes, seus cabelos negros como a noite que não tem luar, são sedosos, macios, brilhantes e muito compridos.

Ela os usava sempre bem lisinhos. Mas, as vezes os deixava com cachos enormes,muito bem definidos e os amarrava com um laço de fita.

Ninguém se vestia como ela. Ela usava vestidos vintage, era a garota mais fofa da escola.

Recebo uma mensagem dela que dizia:

"Socorro! Não consigo sair, eles cercaram a minha casa."

A mãe dela havia viajado á negócios e ela estava sozinha.

Assim que cheguei a casa estava totalmente cercada de paparazzis.

—Quem é você? É o namorado dela?

—A quanto tempo se conhecem? Você também é um fantasma?

Tive que me espremer no meio daquele povo, mas consegui passar. Bati na porta.

—Mel! Sou eu! Abre!

A porta rangeu e abriu sozinha. Eu passei e a porta fechou.

—Mel? Cadê você?

—Aqui.

Dei um grito.

—Desculpe. Mas, quem são essas pessoas? Porque elas não deixam eu sair? Elas vão me machucar?

—Não vão te machucar. Liga pra sua mãe e deixa eu falar com ela.

—Tá.

Liguei e a Dona Sarah atendeu.

—Oi querida? O que foi?

—Dona Sarah, sou eu Nate.

—Eu sei querido, o que houve?

—Cercaram a casa Dona Sarah, estamos presos.

—Quem cercou a casa?!

—Fotógrafos. E estou vendo gente com forcados.

—Forcados?! Vão pro meu quarto depressa.

Puxei a Melanie pela mão e fomos para o quarto da mãe dela.

—A estante de livros, atrás da escrivaninha. Encontre o livro Viagem ao Centro da Terra.

Começamos a procurar e ela diz:

—Achei Nate!

—Puxe-o delicadamente e uma passagem se abrirá. Não existem curvas não há como se perder, quando o caminho acabar vocês estarão no lago Okali.

Nós entramos e a passagem se fechou. Tudo ficou escuro.

—Eu não consigo ver nada.

—Mas eu consigo. Vem, segura na minha mão vou guiando você.

Nós andamos por horas até eu não aguentar mais.

—O que foi?

—Eu não aguento mais.

—Desculpe. Posso te carregar.

—Me carregar?

—Eu sou forte. E ando mais rápido que você.

Ela me pegou no colo e em segundos estávamos literalmente vendo a luz no fim do túnel.

—Vem. Acho que chegamos.

O lago era lindo. Haviam garças e diversos tipos de aves, mas uma em particular me chamou a atenção.

—Olha, é uma coruja das neves.

—Então é pra cá que ela vem.

Mel assoviou e a coruja veio pousar delicadamente no seu braço estendido.

—Nate essa é a minha coruja de estimação, a Branca de Neve.

—Ela não tem uma gaiola?

—Tem. Mas, eu deixo aberta.

—Mas, porque não cortar as asas dela?

—Porque Deus não deu asas aos pássaros para que elas fossem cortadas, ele lhes deu asas para eles voarem alto no céu.

—Poético. Quem disse isso?

—Minha mãe disse. Eu sugeri que ela cortasse as asas dela, mas daí ela disse isso.

—E ela volta?

—Sim. Ela sempre volta.

—Porque?

—Porque ela me ama. A minha mãe sempre diz que os animais não conhecem a mentira, a inveja, a ganancia tudo neles é puro, honesto e bom. Eles nunca fazem nada com a intensão de prejudicar o outro. Os carnívoros só matam quando estão com fome, se a barriguinha estiver cheia eles são inofensivos. E eles amam verdadeiramente, é mais fácil ter uma ligação com um animal do que com outro ser humano.

—Porque acha isso?

—O homem que me adotou, que disse que me amava cortou minha garganta. Matou toda sua família por causa da imagem diante da sociedade. Agora, vê se um animal selvagem deixa você chegar perto da cria dele? Não. Ele te mata para defender sua família.

—Sabe, você é diferente de todas as outras garotas que já conheci.

—Sou a única morta que você conhece.

—Não estou falando disso. Você me disse uma vez que eu era especial, mas você é... super especial. É tão comportada, doce, meiga. As outras meninas estão sempre tramando umas contra as outras, dando barras de proteína para a outra engordar e não caber no vestido, roubando o namorado das melhores amigas e coisas assim.

—Se ela lhe rouba o namorado, ela não é sua amiga.

—Exatamente.

Ela olhou para o lago.

—Viu aquilo?!

—O que?

—Eu vi algo se mover no lago. Fique aqui está bem?

—O que?

Ela tirou suas roupas e pulou dentro do lago.

—Melanie!

Ela ficou submersa por tanto tempo que comecei a ficar preocupado, mas então ela emergiu.

—É um garotinho.

—O que?

—Como eu tenho um pé de cada lado, eu consigo ver as pessoas do outro lado.

—As pessoas do outro lado?

—Os mortos. Fantasmas, como eu.

—E porque posso te ver e não a eles?

—É que a minha mãe fez um feitiço que me permite existir em dois lugares ao mesmo tempo aqui no mundo dos vivos e do outro lado. Então, além de conseguir vê-los eu sou capaz de fazer contato físico com eles.

—Contato físico?

—Eu posso tocar neles. Como posso tocar em você.

—Legal. Sabe, neste verão vou para um acampamento e...

—Você está me convidando?

—É.

—Mas, o que é um acampamento?

—Nunca saiu pra acampar?

—Na minha época as mulheres não podiam fazer muita coisa.

—Você se lembra da sua mãe?

—A verdadeira não, mas eu me lembro da Elizabeth e da Sarah. Elas são sem dúvidas as mulheres mais fortes, guerreiras e doces que eu já conheci. Foi uma honra morrer ao lado da Elizabeth, ela morreu primeiro. Morreu tentando nos proteger.

Vi as lágrimas escorrendo dos olhos dela.

—Você tá bem?

—To. Isso aconteceu a mais de trezentos anos e eu ainda choro.

—Ops, o sol já está se pondo. Tenho que te levar pra casa.

Nós passamos pelo Túnel que havia mudado, agora havia uma única curva.

—Vá reto até ver a luz do luar, não se preocupe não há obstáculos.

—Como o túnel mudou?

—Bem vindo ao mundo de Sarah. Agora pode ir. Vejo você amanhã.

Nos despedimos e eu fui embora.