Garota perdida.

1 Uma garotinha em perigo.


P.O.V. Dean.

Eu estava prestes a queimar a boneca quando uma rajada de vento me derruba. Vejo uma mão pegar a boneca.

—Uma garotinha perdeu sua boneca. Devemos devolvê-la.

Assim que eu chego na casa alguém grita:

—Melanie!

A menina fantasma olha para a moça e diz:

—Me dá a minha boneca.

—Só se você prometer parar de machucar as pessoas. Vim aqui pra te dar uma nova chance, uma chance de viver outra vez e ter todo o amor e carinho que você não teve. Topa?

—Como?

—Eu sou como você. Sou especial, faço coisas que as outras pessoas não fazem por isso pessoas como eles tentam nos matar. Pessoas ignorantes e sem coração como eles tentam nos destruir porque somos especiais.

—Porque?

—Porque eles tem medo. Olha o que eu trouxe.

—O que tem ai?

—Você. O seu corpo.

—Mas, eu não posso viver nas cinzas.

—Eu sei. Lembra que eu disse que era especial?

—Lembro.

—Então veja.

Ela colocou o rádio pra tocar e trouxe o caixão de mármore que estava na cripta.

—O que?

Ela encheu o caixão de água, jogou as cinzas da menina dentro com algumas ervas.

—O que ela tá fazendo Sam?

—Eu não sei. Nunca vi nada parecido.

As velas que ela espalhou pela sala de repente se acenderam.

—Phasmathos Incendea!

—Ela é uma bruxa?!

—Muito bom caçador.

A garota mexeu aquilo até formar uma pasta e começou a recitar um feitiço. As chamas das velas foram nas alturas.

—Estamos quase lá querida. Agora é só cantar a minha música especial.

A bruxa começou a cantar.

—Brilha linda flor, teu poder venceu... trás de volta já o que uma vez foi meu... o que uma vez foi meu.

O fantasma da menina sumiu e de repente algo se levantou daquela pasta.

—Calma, calma tá tudo bem.

A bruxa tirou a menina de lá. O seu corpo havia sido completamente restituído e a alma estava lá dentro de volta.

—Vamos tomar um banho e ir pra casa.

Ela deu banho na menina, arrumou seu cabelo e a vestiu.

—Pronto. Linda.

—E a Dolly?

—Dolly?

—A minha boneca.

—Podemos arrumar ela também.

A bruxa arrumou a boneca e colocou uma roupa nela exatamente igual a de Melanie.

—Quem é você?

—Sou Sarah Fray.

—E eu sou...

—Dean Winchester, eu sei.

—Senhorita Fray?

—Sim querida?

—Posso te chamar de mamãe?

—Claro.

—Você me pega no colo mamãe?

—Pego. Agora nós vamos pra casa.

—É uma casa grande?

—Enorme.

—Tem jardim?

—Tem e tem um jardim secreto.

—Oba!

—Adeus meninos. Segura bem firme tá?

—Porque?

—Porque vou te mostrar uma coisa super legal. Mas, tem que segurar bem firme.

—Tudo bem.

—Segurou?

—Segurei.

Elas sumiram.

—Vampira? E bruxa?

—Aparentemente.

—Espera, vampiros também existem?

—Bem vinda ao mundo real querida. Todas as criaturas que povoam os pesadelos estão por ai. Lobisomens, bruxas, vampiros, fantasmas.

—Caramba! Isso é... apavorante, mas demais.

—Demais?

—Já pensaram que os contos de fadas podem ser reais? Que o País das Maravilhas pode existir? Que Alice pode existir?

—Temos que encontrar essa Sarah Fray.

Ela morava longe. Mas, a casa era mesmo enorme.

—Olá. Sejam bem vindos.

—Obrigado.

—Você é vampira também?

—Não. Sou diferente, sou uma teleportadora. É um dom raro, muito raro, mas existe.

—Então você se teletransporta?

—Exato. E pare de fazer perguntas para as quais já sabe a resposta não é cortês.

—Cortês?

—Quer dizer educado Dean!

—Vocês tem plena certeza de que são irmãos?

—Sim.

—Entrem. Sintam-se em casa.

—Mamãe! Mamãe!

—Sim querida?

—Olha o que eu achei.

—O que é isso?

—É um bicho.

—É um bicho pau. Chamam ele assim porque ele parece uma varetinha. Tá vendo?

—Posso ficar com ele?

—Não. Vamos á cidade amanhã e compraremos um animal doméstico, um cachorrinho, um gatinho, um coelhinho. O que você quiser á menos que seja venenoso.

—Mesmo?!

—Mesmo. Mas, nada de animais venenosos. Agora, leve-o de volta.

—Posso dar um nome pra ele?

—Pode.

—Bill.

—Olá Bill, é um prazer conhecê-lo.

—Você sabe que esse bicho não te entende não é?

—Claro que entende. Deixe de ser ignorante caçador. Eles nos entendem e se escutarmos atentamente podemos entendê-los também.

—Verdade mamãe?

—Verdade.

—Mamãe, os bichinhos sabem que vão morrer?

—Não. Eles não sabem exatamente que vão morrer, mas quando a hora se aproxima eles sentem e se escondem.

—Porque?

—Eu não sei. Nunca descobri.

—Você acha que eu consigo descobrir?

—Acho. Você consegue fazer o que quiser, embora ás vezes devamos ser humildes e pedir ajuda.

—Um dia eu vou ser como você?

—Como eu?

—Ser bonita e ter peitos grandes?

—Você já é bonita querida. Você é linda, mas sim um dia você terá seios iguais aos meus.

—Mamãe?

—Sim meu bem?

—Porque os meninos não tem seios?

—Porque eles são diferentes. Eles são Yang, a energia que flui no corpo deles vem do sol por isso são maiores, mais fortes, por isso seus ombros são largos para permitir que a energia entre e os mantenha vivos.

—E as meninas? Porque elas tem seios?

—Porque elas dão de mamar aos bebês. Quando as mulheres ficam grávidas elas produzem leite que ficar armazenado lá dentro. Por isso eles são grandes.

—E de onde vem a energia das meninas?

—Da terra. Eles dão e nós recebemos, para que nasça uma árvore alguém tem que plantar uma semente e para que haja um bebê um homem tem que plantar uma semente dentro de uma mulher. Somos receptoras e eles são doadores. Entendeu?

—Os homens dão a semente pra mulher.

—Isso mesmo.

—Podemos comprar roupas bonitas?

—Claro. Você vai precisar de roupas bonitas para ir á escola.

—Escola?

—Claro. Para aprender coisas novas.

—Ela está viva?

—Mais ou menos. O corpo não existe mais, mas a alma está viva, cresce e se desenvolve. Por isso ela é como uma vampira, ela é uma fantasma vivo.

—Fantasma vivo?

—Olha, coloca a mãozinha no meu pescoço.

—Ele se mexe!

—É o meu pulso. Meu coração bate, agora coloca a mãozinha no seu pescoço.

—Não se mexe.

—É porque o seu coração não bate mais. O seu corpo morreu já não existe mais. Mas graças ao meu feitiço a sua alma existe em dois lugares ao mesmo tempo aqui e do outro lado, portanto você se move, fala, anda e cresce. Você ainda é um fantasma, mas pode ser vista e tocada pelos vivos. Se alguém te ferir você não sangra mais, você vai se curar.

—Se alguém me machucar, eu posso matar?

—Não. Mas, pode revidar. Dá uma surra no desgraçado. Isso você pode fazer.

—Oba!

—Agora banho. E cama, porque amanhã teremos um dia cheio.