Garota perdida.
7 Trilha.
P.O.V. Mel.
Uma das campistas não gosta muito de mim e eu não sei porque. Seu nome é Emma.
—Atenção! Atenção campistas! Hoje nós vamos fazer trilha eh!
A instrutora me perguntou:
—Querida, você não gostaria de trocar de roupa?
—Porque?
—Porque o seu vestido vai atrasar a gente!
—Não vai. Acredite.
—Bom, se é assim vamos lá.
Eu andava calmamente, não estava com pressa.
—Viu? Vai nos atrasar!
—Podem ir! Eu gosto de ir devagar! Gosto de prestar atenção no caminho!
A minha raiva fez as folhas e pedras levitarem.
—Entendeu? Vai!
De repente vejo uma pessoa e corro atrás dela. Ela se encontra com um rapaz que diz:
—Assim como você é minha eu sou seu pra sempre. Porque quando eu olho pra você... Amara.
—Eu só vejo um anjo.
Era minha mãe. Sarah.
—Mamãe?
—Quem é você?
—Mamãe, quem é esse homem?
—Eu não sou sua mãe. Deve estar me confundindo.
—Menina, sua mãe é apenas uma cópia do rosto da minha esposa. Agora suma.
—O que? E ela sabe?
—Ela quem?
—Minha mãe.
—Sabe. Você é a filha de Sarah.
—Eles voltaram Silas. Os mortais tomaram a nossa ilha outra vez.
—Como assim?
—Vocês não deviam estar aqui. Essa é a nossa casa. Vivemos aqui, em paz durante séculos até vocês chegarem por aqui.
—E daí? Podemos dividir.
—Os mortais não sabem dividir. Eles matam os nativos, tocam fogo em suas casas e depois destroem a terra fértil lentamente.
—Não é verdade. Eu já morei aqui.
—Sabia que a conhecia. Ela estava fuçando na casa Silas, ela levou os mortais pra lá.
—Você é a filha mais nova. A filha adotiva dos Merchant.
—Como me conhece?
—Eu fiz o seu amado papai cortar suas gargantas e depois cometer suicídio!
—O que?! Como você pode Silas?! Eram crianças inocentes! E você sabia o quanto eu desejava um filho!
—Você nunca disse nada sobre desejar ter filhos?!
—E todas as noites em que conversava com você? Em alguma delas você estava realmente me ouvindo?
—Bom...
—Eu acho que eu já sabia. Tudo bem. Tudo bem, acho que depois de dois mil anos ouvindo minha voz todos os dias você se cansou não é? Cansou-se de mim.
—Não! Eu só tenho estado distraído. Estava pensando em outra coisa.
—Que coisa? Era em outra mulher?!
—Não! Estava pensando em uma surpresa que ei de te fazer essa noite. Passei meses e meses planejando tudo meu amor por isso não te ouvi. Você sabe o quanto eu te amo e o quanto adoro te ouvir, te ver, ter você nos meus braços.
Saí de fininho quando percebi que o clima entre os dois estava esquentando.
P.O.V. Emma.
Aquela zumbi retardada da Melanie estava falando sozinha.
—Todos esses anos, Isaiah sofreu por algo que foi forçado a fazer. Pobre Isaiah.
A barra do vestido dela estava toda suja de terra e folhas.
—Onde você estava?!
—Minha mãe é uma cópia.
—O que?
—Não entendi direito como funciona, mas ela é uma cópia de outra pessoa. Enfim, vou até o lago nadar. Quer vir?
—Claro. Mas, e o bikini?
—O que? O que é bikini?
—É um traje de banho.
—Mas, não vamos tomar banho. Vamos nadar.
Ela o puxou e ele foi. Que vaca!
P.O.V. Nate.
—Onde estamos indo?
—Espere e verá.
Ela me levou para um lago com uma cachoeira.
—Ta dá!
—Que lindo.
Mel tirou o vestido, as roupas de baixo e pulou no lago.
—Melanie!
—O que?
—Você não pode fazer isso!
—Nadar?
—Não pode nadar pelada!
—Porque não? Existe alguma regra, alguma lei ou alguma ordem que não se pode nadar sem roupas?
—Não, mas...
—Então eu posso. Vem! Vem nadar comigo!
—Eu não trouxe sunga!
Ela se aproximou da beirada rochosa do lago.
—O que é sunga?
—Traje de banho masculino.
—Mas, que frescura. Tira a roupa e pula.
Pensei, pensei e decidi fazer o que ela disse. Ela não tinha segundas intensões isso era óbvio.
Ela era criança ainda. Aposto que nunca se quer ouviu falar de sexo.
—Viu? Não é tão ruim.
—Não. Não é nada ruim.
Nadamos juntos, jogamos água um no outro.
—Vamos apostar corrida?
—Por cima ou por baixo?
—O que?
—Da água!
—Por baixo.
—Então não. Não seria justo.
—Porque não?
—Você precisa respirar e eu não. Eu ganharia fácil, o meu corpo já não precisa de mais nada. Não preciso mais comer, não faço xixi nem cocô, não preciso mais respirar, nem tomar banho, não sinto dor, nem frio, nem calor. Não durmo mais nunca.
—Nunca?
—Jamais. No meu quarto não tem cama.
—Caramba! Isso é assustador, mas o que você faz se não dorme?
—Lição de casa, assisto TV e mexo na internet. Leio livros, escuto música no celular essas coisas. E a tarde quando não estou com você eu pratico violino e piano. As vezes eu bordo, pinto quadros e coisas assim.
—Eu não sabia que tocava piano.
—Eu era membro de uma família aristocrática se não tocasse piano não era uma boa moça diante da sociedade.
—Será que uma boa moça faria isso...
Disse beijando-a. Senti seus braços frios migrarem para o meu pescoço, seus dedos no meu cabelo.
—Eu te amo Mel.
—Também te amo Nate.
Chegou um momento em que ela se afastou.
—Melhor parar. Eu to me sentindo estranha.
—Estranha como?
—Ela parece que está queimando.
—Ela?
—A minha....
Daí eu entendi. Ela tinha ficado exitada.
—Ah! Isso é normal.
—É?
—É.
—Então tá.
Ela se deixou levar e eu também daí eu tinha feito uma coisa que nunca fiz na vida. Tinha tirado a pureza de uma garota.
—Tá doendo.
Ela nadou até a margem e pegou duas toalhas que estavam escondidas atrás de duas pedras.
Quando ela secou suas partes íntimas gritou.
—Eu to morrendo outra vez! Me ajuda! Eu não quero morrer de novo!
Daí que eu me lembrei que as garotas sangravam na sua primeira vez.
—Calma. Você não tá morrendo. Isso acontece quando as meninas perdem sua pureza, já já para.
E como eu disse o sangramento parou.
—Ufa! Fiquei com medo agora.
Ela já havia se vestido e eu também.
—Que bobagem.
—É mesmo?!
Disse rindo e me empurrando delicadamente.
—Mel! Mel querida?
—É a voz da minha mãe.
—Melanie? Sei que está ai.
—Cadê você mamãe?
—No lago.
A imagem da mãe dela estava refletida no lago embora ela não estivesse conosco.
—Caraca!
—Olá Nate. Querida, eu já estou em casa e como mês que vem é seu aniversário temos que dar uma festa.
—Como sabe quando é meu aniversário?
—Sou sua mãe. Agora me ouça o acampamento acabará amanhã, venha direto para casa e não se desvie do caminho. Quando você chegar vamos ás compras e começar a planejar sua festinha filha. Bom, adeus crianças divirtam-se! E tentem não fazer outra criança!
A imagem sumiu.
—O que ela quis dizer com tentem não fazer outra criança?
Ela não sabia?
—De onde vem os bebês Mel?
—Sua mãe nunca te contou?
Resolvi mentir para saber de onde ela achava que os bebês vem.
—Não.
—Que mãe mais descuidada. Eles são trazidos por uma cegonha mágica, cegonha é um pássaro pantanense.
—Eu sei o que é uma cegonha. Mas, isso não é verdade.
—Tá chamando a minha mãe de mentirosa?!
—Não. Mas, os bebês não vem da cegonha. Vem do sexo.
—O que? O que é isso de sexo?
—Não sabe o que é sexo?
—Não. Se soubesse não perguntaria.
—É o que fizemos hoje no lago.
—Aquela coisa maravilhosa?!
—É.
—Legal.
—Não conte a ninguém que fizemos isso tá?
—Porque?
—Porque é particular. Ninguém deve saber além de nós dois e no máximo nossos pais.
—Tá bem. Mas, eu vou ter um filho?
—Acho que não. A água do lago leva embora.
—A água leva o bebê embora?
Disse ela com uma voz chorosa.
—Não exatamente. Mas impede que a minha semente entre em você e que você engravide.
—Eu não sabia que gente tinha semente.
Como vou explicar isso pra ela? To perdido! Socorro!
—Olha, eu não como explicar. Talvez se você procurasse no Google ajudaria.
—Posso procurar isso no Google?!
—Você pode procurar qualquer coisa no Google.
—Oba!
—Mas, fala com a sua mãe primeiro. Ela é adulta mais ou menos, mas vai saber te explicar.
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