P.O.V. Melanie.

Primeiro dia de aula no ensino médio. Me lembra do meu primeiro dia de aula no ensino fundamental.

Flashback ON.

Eu estava apavorada. Não queria me separar da minha mãe.

—Eu não quero ir.

—Mas, você tem que ir. Vai ser legal, vai conhecer pessoas novas e fazer amigos!

—Mas, e se não gostarem de mim?

—É porque são uns bobos. E se alguém te fizer alguma coisa faça o que eu falei. Tá?

—Tudo bem.

—Agora vai.

E eu fui. Minha mãe estava certa quando disse que as pessoas iriam gostar de mim.

—Ei novata! Pensa rápido.

A bola veio e eu peguei sem pensar, sem nem olhar.

—Caraca!

Ao notar que ele tinha jogado pra me machucar, fiquei irada.

—Ei otário! Pensa rápido!

Joguei a bola com tanta força que quando ele pegou voou longe. Corri até ele e como eu sou fantasma não corro, eu levito.

—Faça isso outra vez e eu te mando pro hospital. Entendeu?

—Tá.

—Ótimo.

P.O.V. Nate.

Eu vi o que ela fez. Mas, ainda não acredito.

—O que?! Como ela fez aquilo?

—Sei lá. Mas, você viu as roupas dela?

—O que que tem?

—São esquisitas.

O sinal tocou e nós todos entramos para a aula, passei por ela na secretaria e ela sorriu pra mim.

Devo admitir ela tem cara de boneca de porcelana. A professora já havia começado a aula quando o diretor bate á porta.

—Com licença senhorita Claire.

—Toda.

—Essa é a sua nova colega de classe. A senhorita Melanie Fray.

Ela prestou uma reverência diante de nós.

—Senhores, senhoritas.

—Pode sentar-se ali senhorita Fray.

—Sim senhora. Com sua licença.

Ela se sentou ao meu lado. Sentou com uma postura impecável.

Quando ela entregou o trabalho a professora fez uma cara...

—Meu Deus! Essa é a letra mais linda e mais caprichada que eu já vi.

—Os meus pais eram muito duros para comigo. Principalmente meu pai, ele me forçava a ser a melhor em tudo e creio que velhos hábitos não se perdem.

—Uau! E a sua redação é ótima, apesar de algumas das palavras que você usou não serem mais usadas á séculos.

—Mesmo? Quais?

—Vós mesce, agora é você e ninguém mais chama as senhoras de vossa senhoria.

—Mesmo? Vou me lembrar disso.

—Sim.

—Aqui. Colhi no pomar da minha casa para a senhora. Eu lavei.

Ela deu uma maçã para a professora.

—Nossa! Obrigado.

—Disponha senhora.

Ela prestou uma reverencia e voltou para o seu lugar.

—O que foi Nate?

—Ela me lembra uma pessoa. Eu já vi ela em algum lugar, só não lembro onde.

—Atenção Classe! Semana que vem, vamos fazer uma viajem pedagógica ao museu de artes clássicas de São Francisco!

—Oba! Eu adoro arte!

—Bom, temos uma garota culta entre nós. Aqui está, é uma lista das coisas que vão precisar levar, junto no envelope tem uma autorização que deve ser assinada pelos seus pais e uma folha com as regras do museu. Se pensarem em violar alguma das regras vão ficar no ônibus até os seus pais virem pegar vocês. Certo?

—Certo.

—Sim senhora.

—Porque você é tão esquisita?

—Se ser educada, refinada e respeitosa é ser esquisita eu me orgulho de ser esquisita. Você não sabe ser uma dama, você não sabe nem sentar-se corretamente. Aprenda a sentar-se corretamente, a se portar diante de todos e depois dirija-me a palavra. Entendeu?

—Esquisita.

A garota nem ligou. Continuou prestando atenção na aula até o sinal tocar.

Ela descia as escadas quando o Connor a empurrou e ela rolou. Ouvi um estalo.

—O que você fez Connor?!

Verifiquei seu pulso e ela não tinha nenhum.

—Você a matou!

—Foi um acidente!

—O que está havendo?

—Connor empurrou Melanie da escada e ela morreu.

—Morreu?!

Outro estalo.

—Ai. Isso dói.

—Você não tinha pulso!

—Você jura? Bom, estou bem melhor agora. Se me empurrar outra vez, esqueço a regra da minha mãe e mato você. Entendeu?

—Ha han.

—Ótimo.

—Tem alguma coisa muito errada com aquela menina.

—Com certeza. Ela não tinha pulso cara!

P.O.V. Melanie.

Aquele idiota!

—O que houve minha filha? Alguém machucou você?

—Um garoto me empurrou escada á baixo e eu quebrei o pescoço.

—Meu Deus! Alguém viu?

—Só todo mundo. Nate colocou a mão no meu pescoço e constatou que estou morta.

—Jesus! Mantenha a calma e aja naturalmente se ele disser alguma coisa vão pensar que é maluco.

—Tem certeza?

—Tenho. Vai ficar tudo bem.