Garota perdida.
6 Acampamento de verão.
P.O.V. Sarah.
Fico preocupada com ela nesse tal acampamento. Fiz o garoto prometer que tomaria conta dela.
—Você jura que vai cuidar dela?
—Eu juro Dona Sarah.
—Ela é muito inocente e como está meio morta tem dificuldade de controlar os impulsos se alguém a ofender ou atacar essa pessoa pode acabar morta rapaz.
—Tudo bem.
P.O.V. Mel.
O Nate está dormindo assim como todos os outros dentro do ônibus. Menos eu, estou ouvindo música e vendo a paisagem.
Depois de dois dias de viagem nós finalmente chegamos.
—Bem vindos ao Camp Sale.
—Eu já estive aqui. Aqui é Silent Hill.
—O que?
—Estamos em Silent Hill!
Eu tinha que ter certeza. Por isso me embrenhei naquela mata densa e cheguei ao casarão.
—Meu Deus! Tá acontecendo de novo.
—Mel... Caramba! Que lugar é esse?
—É a minha casa.
P.O.V. Nate.
Eu só ouvi ela dizer:
—Estamos em Silent Hill!
Vi a minha namorada se embrenhar naquela mata e fui atrás. De repente estávamos em frente a uma mansão enorme.
—Que lugar é esse?
—É a minha casa.
Ela entrou e demos de cara com um cômodo luxuoso. A sala de estar. Haviam malas na porta da casa.
—As nossas malas.
Ela abriu cada uma das malas e quando acabou subiu as escadas.
—Onde estamos?
—No quarto da minha mãe. Tá tudo exatamente como ela deixou.
Melanie abriu o baú. E colocou um dos vestidos que estava lá dentro.
—Era o que ela mais gostava.
Ela colocou todos os acessórios e escovou os cabelos com a escova que estava sob a penteadeira. Apesar de tudo estar empoeirado as coisas não se decompuseram. Era como se o tempo não tivesse passado.
Mel começou a limpar as coisas, ela lavou as roupas e as secou com cuidado. Tirou a poeira dos moveis e do chão, ela lavou a mansão toda.
—Pronto. Agora parece a minha casa.
—Esse lugar é demais. Você não disse que seu pai era barbeiro?
—Ele era. Mas, também era nobre. E nobreza era tudo na minha época.
—Temos que ir. A moça do acampamento deve estar procurando a gente.
Dito e feito.
—Onde estavam? De onde tirou esse vestido menina?
—Do quarto da minha mãe. Era o que ela mais gostava.
—A sua mãe tem um vestido velho desse?! Que coisa ridícula!
—Retire o que disse! A minha mãe Elizabeth era a dama mais bela e mais bem vestida da região! Nenhuma outra se comparava a ela!
—Talvez na idade média.
—Esse vestido é da era vitoriana!
—Pessoal! Esse não é o espírito do acampamento.
—Não há espíritos aqui. Acredite.
—Não há nenhum espírito aqui além de você. Aberração!
—O que? Me chamou de que?
—Calma.
—Você é uma abominação da natureza. Está morta.
—Posso estar morta, mas minha alma é mais pura do que a sua. Só porque meu coração não bate mais, não quer dizer que não possa se partir.
—O que?
—Você é a garota da televisão. A fantasma.
—Eu apareci na televisão?
—E no jornal. Posso tirar uma foto?
—Claro.
—Sorria.
Ela sorriu e qual a nossa surpresa quando ela apareceu como uma criança na tela da câmera.
—Olha! Eu já vi essa garotinha, num quadro no museu de São Francisco.
—Essa garotinha, sou eu. Aparentemente essa sua geringonça mostra a alma das pessoas. É assim que eu sou, por dentro. Sou eu a garotinha do quadro. Eu morri aqui, nesse lugar... em Silent Hill.
—Morreu?
—Morri. A minha casa ainda está lá, intacta. Nada mudou.
—Pode nos mostrar?
—Posso. Mas, não toquem em nada! Certo?
—Certo.
—Por favor, sigam-me.
Ela levou todos para um tour pelo casarão e descreveu as situações com riqueza de detalhes. Cada objeto era uma memória para ela. Cada um tinha uma história diferente.
Um dos campistas mais novos perguntou:
—Você consegue atravessar paredes?
—Consigo.
—Então faz.
—Tudo bem.
Ela atravessou a parede para a sala de jantar e voltou.
—Viu?
—Irado! Você é demais!
—De novo! De novo!
—Tenho outros truques.
A maioria dos poderes dela eram desconhecidos por mim. Mas, ela fazia as coisas levitarem, janelas e portas baterem, luzes piscarem e tudo o que um fantasma faz.
—Demais!
—Espere até ouvir o meu...
Ela fez um uuuu de fantasma que me gelou os ossos.
—Bu!
As crianças gritaram e depois riram.
—Podemos te atravessar?
—Não. Isso não.
—Porque não?
—Porque eu estou no mundo dos vivos também e se alguém tirar a minha concentração um de vocês pode ficar preso dentro de mim e não seria legal.
—Nada legal mesmo.
—Mas, se ficássemos presos dentro de você você ia morrer.
—Não. Mas vocês sim.
—Porque?
—Não se pode morrer duas vezes. Eu morri uma vez e agora vou viver pra sempre.

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