Garota milagrosa

6 Instinto da mãe ursa


P.O.V. Aro.

Estávamos todos reunidos na sala do trono quando começa uma gritaria na rua. Dava pra ouvir os gritos a quilômetros.

—O que está havendo lá fora?

Ouço alguém gritar:

—Aro! Eu quero o rastreador! E eu vou pegar o que eu quero com fogo e sangue!

Olhei pela janela e vi aquela garota montada num enorme dragão e com mais três na retaguarda.

—O que?

—Manda o Dimitre sair ou eu vou queimar o seu castelo até não sobrar mais nada! Você tem vinte segundos pra decidir.

Ela começou a contar.

—Mestre?

—Eu vou.

Saímos os três.

—Cadê o Dimitre?

—Quem é você?!

—Eu sou Renesmee Carlie Cullen. E quero o rastreador.

—A pequena Cullen.

—Vou perguntar só mais uma vez... cadê o Dimitre?

—Se vai levar o meu rastreador o que vai me dar em troca?

—Só a sua miserável vida. Tá bom pra você?

—Não.

—Então tá. Fez sua escolha. Dracares!

As gargantas dos dragões começaram a brilhar e logo eles cuspiram fogo e queimaram o meu castelo.

—Cadê o Dimitre? Me trás o rastreador agora!

—Água vai resolver o problema.

—É o que veremos.

Os dragões pousaram no patio do castelo e ela ficou assistindo tudo queimar.

—De novo. Dracares!

Eles cuspiram fogo outra vez.

—Mestres! Mestres! A água não consegue apagar o fogo. Todos os sprinqulers de emergência foram acionados, mas o fogo não cede.

Ela soltou uma gargalhada e disse:

—A água vai apagar.

Dai ela gargalhou outra vez.

—Como a água não apaga o fogo? Como isso possível?

Dimitre se pronunciou:

—Se eu for com você, vai apagar o fogo?

—Sim.

—Então eu vou.

—Não se preocupe, você só precisa encontrar uma pessoa pra mim. Eu vou te pagar e você vai poder voltar pra esse buraco.

O maior dos três dragões deitou-se e permitiu que ela escalasse seu corpo.

—Sobe ai garoto.

—Sério?

—Sério.

Dimitre subiu num dos dragões e a garota aconselhou:

—Segura firme. O corpo deles ondula quando eles voam, por isso segura firme.

—Tá bem.

—Segurou?

—Sim.

—Esvaia Draca!

Os bichos alçaram voo.

—O castelo!

—Claro. Shuta Incendea!

O fogo apagou, simplesmente apagou. Ouvi ela rir alto.

—O que foi isso?

—Magia. Isso foi magia.

—Magia, Jane?

—Eu ouvi falar de dragões e bruxas e uma criança milagrosa. Da última vez que estive em Nova Orleans só se falava nisso, as bruxas criaram os vampiros, mas a natureza revidou. Somos um crime contra a natureza. Nada vive pra sempre, nada deveria viver pra sempre. Nada pode ser realmente imortal.

—Do que está falando Jane?

—É a verdade. Conheci uma bruxa em Nova Orleans, uma bruxa de verdade. Ela me contou as histórias, as lendas do povo dela, o pecado de Ester Mikaelson e o de Silas e Amara. Somos fruto do pecado, somos abominações.

P.O.V. Dimitre.

Quando o bicho finalmente parou eu estava enjoado. E estávamos em Nova York.

—Toma. É uma blusa dela, o nome dela é Andrômeda. É a minha filha, ela vai reconhecer você de cara, tente não assustá-la e diga que eu te mandei. Se ela não acreditar, dê isso na mão dela e peça pra ela abrir.

—Certo.

—Traga-a de volta. Ilesa. Porque, se a minha filha não chegar em casa em segurança...

Ela tinha uma boneca de vodu na mão e colocou a cabeça dela sob a chama de uma vela e eu senti uma dor insuportável.

—Você, também não chega. Sacou?

A dor parou.

—Entendi.

—Ta esperando o que? Vai.

Eu sai correndo. Aquela garota dava mais medo do que a Jane.

Em alguns minutos eu achei a menina, ela estava sentada de costas pra mim. Dava pra ouvir ela chorar.

—Andrômeda?

Ela secou as lágrimas, se levantou e virou-se.

—Volturi.

Ela sacou uma adaga.

—Uma adaga?

—É aço valiriano. Isso mata qualquer coisa, inclusive você.

—A sua mãe me mandou.

—Duvido.

—Toma. Abre isso.

—A concha mágica da mamãe.

Ela colocou a concha perto da orelha. E então disse:

—Acredito em você. Consegue voltar pra minha casa?

—Consigo.

—Ótimo. Vamos de metrô.

—O que?

—Só por segurança. Assim você não pode me matar sem ser descoberto.

—Tá.

Eu nunca estive num metrô. Ela desceu as escadas rapidinho e andou pelo local com uma facilidade enorme.

—Aqui forasteiro.

Entramos no trem e ele começou a andar. Um trem que fica embaixo da terra, que curioso.

—Dimitri segura, o motorista vai frear.

—Você sabe o meu nome?

—Sei. E sinto muito por você.

—Porque?

—Porque você nunca viu o metrô. Esse lugar existe desde 1950.

—Não vamos descer?

—Não. Ele vai ter que andar mais três estações até chegar na nossa.

—Onde a sua mãe conseguiu aqueles dragões?

—Ela os ganhou ainda nos ovos. Ela fez magica de sangue e os chocou, os alimentou e os criou. São meus irmãos, são como eu.

—Como você?

—Olha.

Ela discretamente tirou um esqueiro do bolso e ateou fogo á mão de uma moça.

—Ai!

—Nossa! Desculpa, foi sem querer. Eu pensei que era chiclete.

—Idiota.

A mulher saiu do metrô revoltada.

—Ela não era um dragão. O fogo não pode matar um dragão. Não pode causar nenhum tipo de dano a ele, dragões são fogo em carne e osso.

—E o que isso tem a ver com você?

Ela olhou em volta discretamente e sussurrou:

—Saca só.

Ela ligou o esqueiro e manteve a mão sob a chama por vinte minutos contados no relógio.

—Caramba!

Ela guardou o esqueiro e disse:

—Segura que ele vai frear. A gente desce aqui.

Depois de alguns minutos de caminhada estávamos no subúrbio. Na casa dela.

—Eles chegaram!

O homem veio correndo em velocidade vampiresca assim como ela.

—Híbrido?

—Original.

—Original?

—Ele é um dos primeiros vampiros do mundo. Minha garotinha! Eu tava tão preocupada!

A Cullen abraçou a filha.

—Ai a minha coluna.

—Desculpe.

—Tudo bem. Olha, eu sei que a minha mãe provavelmente te pagou pra me achar, mas obrigado.

—Disponha.

—Toma. Posso pedir pra Safira te levar de volta.

—Eu prefiro ir correndo, mas obrigado.

—Sabe que estamos em outro continente certo? Vai ter que atravessar o oceano.

—Querido, ele não precisa respirar.

—Interessante.