Gamer

4 Capítulo 4 - Server Error.


Notas iniciais
Gente, eu sei que demorei, mas quase tive um surto com as provas, que comeram meu tempo e minha boa vontade.
Mil desculpas por isso, mas aqui está o capítulo, espero que vocês gostem.
Betado pela linda da Rebecca, sua linda, muito obrigada por tudo ♥

[ Aoi’s POV ]

Kazuki, com certo mau-humor, atendeu meu pedido assim que eu o fiz, mas não em sua própria casa, e sim na minha. Ele trouxe três notebooks e fios suficientes para dar a volta na Terra. Eu não entendia bulhufas sobre a engenharia dos computadores e essas coisas. Quem entendia era ele, eu só jogava por dinheiro.

Cada um ganhava como podia.

- Certo, repete pra mim o nome do char – Pediu o loiro, digitando freneticamente, provavelmente já dentro do sistema da Yamamoto novamente. Estava pensando quando eles iriam detectá-lo.

- Kaeb, com “K”, e “B” mudo – Respondi, sentado no chão ao lado dele.

E ele digitou o nome numa barra de um software, que começou a preencher a tela toda com mil números binários, parecendo estar atrás da informação, mas eu não tinha como ter certeza. Zuki parecia outra pessoa quando estava “trabalhando”. Sério, concentrado... Todas essas coisas que ele, naturalmente, não era.

Notebooks já estavam ultrapassados há anos, mas ele dizia que quanto mais ultrapassado a aparelhagem usada para invadir sistemas, mais difícil de detectar o crack pelos sistemas de segurança, que estavam a procura de novas tecnologias, não de antigas.

- Achei!! – Ele falou, elevando uns três tons de voz, com orgulho de si mesmo, virando a tela para mim em seguida. – Takamasa. Seu nome como player é “Meev’s”. Começou a jogar com o Kaeb, deve ser por isso que está tão ruim no ranking.

“Mora... Aqui, em Tóquio, só que do outro lado da cidade. Tudo bem, o mundo não ia ser tão justo. Ele poderia morar na África, estamos com sorte.

Quanto ao char, o nome dele é Suzuki Akira, tem 27 anos e costumava morar em Tóquio também. Seus pais moram em Mie, ele tem uma irmã que mora no exterior e... É isso, eu acho.”

Dei um beijo no rosto de Kazuki, com um sorriso de orelha a orelha. Agora que eu já tinha a informação que ele queria, iria descobrir o que eu precisava.

- Por que ele foi preso? Qual é a condenação? – Indaguei, começando a ficar realmente interessado naquilo tudo.

- Estupro – A expressão dele se fechou – Uma menina de cinco anos... Ela morreu no hospital com hemorragia interna por ter sido penetrada com materiais cortantes. Foi julgado com júri popular, já que o tribunal, sozinho, não conseguia chegar a uma conclusão. O pai da menina jurava de pé junto que tinha sido ele, mas ele... Foi preso gritando que era inocente. Eu não sei em quem acreditar... Quer dizer, eu não mentiria se tivesse visto o estuprador da minha filha de cinco anos.

“Que tipo de animal faz isso?”

Foi a primeira vez que eu parei para pensar, de verdade, que tipo de pessoa era Cain, o que ele tinha feito... Ninguém vai parar na cadeia porque estava na fila da hóstia. Pelo menos, ninguém que seja acusado com pena de morte.

Um calafrio correu a minha espinha, e pensei em me colocar no lugar do pai da menina e perder minha filha assim. De uma maneira tão bruta, tão... Suja.

- Tem certeza de que você não quer saber o que Cain fez? Eu localizei a ficha dele – Cheguei a pensar sobre o assunto, entretanto...

- Não, eu quero que ele me conte. Eu gosto de jogos, Zuki. E esse é um que eu farei questão de jogar – Ele deu de ombros, provavelmente antecipando minha resposta. Acho que eu era uma pessoa altamente previsível.

- Então, vai pra lá que eu quero ler. Prometo que não te conto – Só me afastei, jogando-me no sofá mais próximo, pensando no que ele queria com essa informação. Cain andava povoando meus pensamentos mais do que eu acharia saudável.

Será que ele tinha feito algo tão ruim quanto Kaeb? Digo... Será mesmo que Kaeb fez aquilo? Júris populares nunca são muito justos, porque normalmente não há provas o suficiente para condenar uma pessoa, então, ele é jogado no meio de um mar de tubarões que representam a população, onde, a decisão da maioria vai decidir o destino do réu.

E ainda faltavam dois dias para a próxima partida.

- Quero que você consiga contato com esse tal de Kaeb, para a próxima partida – Falei, praticamente do nada.

- Pra quê? – Ele parecia indignado por eu querer conversar com alguém que aparentemente tinha matado e estuprado uma menina de cinco anos.

- Quero ouvir a versão dele.

•••

Faltavam cinco minutos para começar a partida a eu estava me aquecendo, alongando os braços e a pernas. Uma cãibra minha podia matar ele.

Hoje eu não iria me conectar ao seu microfone no começo da partida, então, ia ter que prestar atenção em dobro no jogo.

A tela do início se abriu, apertei “start”, mas...

Seu char estará fora de uso por essa partida devido a problemas físicos do mesmo. A data prevista de volta é na semana que vem. A empresa Yamamoto pede desculpas pelo incômodo e promete ressarcimento em dinheiro pela partida. Tenha uma boa tarde

Fiquei em choque, encarando a tela do computador...

Ele... Tinha mesmo se machucado na partida passada? Se machucado o suficiente para não poder participar desta? O que... Quer dizer... Ele...

É um ser humano tanto quanto você.”, gritou uma voz dentro da minha cabeça.

Um ser humano. Que pode morrer.

A realidade veio como um furacão... Era a primeira vez que eu pensava nele como uma pessoa de verdade, que, provavelmente, neste momento estava em um hospital. Era uma coisa... Meio difícil de digerir.

Na verdade, o peso de um mundo pareceu cair em cima de mim... Eu tinha, de verdade, a vida de alguém em minhas mãos. O quão errado era isso?

E o quanto era imprescindível que eu o fizesse, para tentar salvar a vida dele?

O som de tiros acabou com meus pensamentos. A tela do jogo se abriu, como se me dissesse que eu poderia assistir se quisesse, então, foquei no personagem que me interessava, tentando colocar o maldito assunto de lado.

- Pode me ouvir, Kaeb? – Perguntei, calmamente, controlando minha voz. Vi o personagem arregalar os olhos, que eu tinha ficado para ter certeza de que ele estaria me ouvindo.

- Quem diabos é você?

- Não importa, só importa que eu sou um player, e que sei o motivo pelo qual você foi preso... E quero saber o que aconteceu, de verdade, na sua versão – Não ia ficando rodeando o assunto. Queria respostas. E rápido.

- Tem certeza de que vai ponderar na minha versão da história, ou vai tentar me dar uma pena maior do que a de morte mesmo que eu jure de pé junto que sou o anjo Gabriel? – Ele indagou, sem resistência, como se estivesse desesperado para ter a chance de ser ouvido.

- Vou levar muito em consideração o que você disser.

- Então... A menina realmente foi estuprada, na minha cidade nat...

E a minha conexão com ele foi cortada, restando apenas os chiados.

Notas finais
Nota da beta:
Mandem reviews, trabalhadores da VASP. (´・ω・`) (OP) ducky is watching you. (´・ω・`)
tã-dã, aposto que agora vocês estão querendo me matar por não ter dito o que aconteceu com o Kou, mas não façam isso, se não eu não consigo terminar Gamer ~
Bem, não tenho muito o que comentar, só agradecer MUITO pelos reviews lindos que recebi, eu leio todos e conheço todos que estão sempre presentes por aqui.
E Sabrina, eu pretendo terminar a fic ok? Nada de me socar na UNICAMP A_A
Ignorem o aviso a cima.
Mereço reviews?
Beijos