Gamer

1 Capítulo 1 - Savepoint.


Notas iniciais
OI pra vocês denovo.
Para quem já me conhece, eu sei que estou meio atrasada com Parfaite, mas prometo que termino assim que baixar o santo daquela história... Agora, indo ao que importa.
"Gamer" é o nome de um filme, com o mesmo tema, foi de lá que eu peguei a idéia base. É excelente, eu recomendo.
Capítulo betado pela linda da rebeccamllara. Brigada minha flor e desculpe por abusar da sua boa vontade.
Sim, a fanfic é AxU e RxR, eu até gosto de outros casais, mas alguns dos meus leitores não, então, eu sempre acabo usando eles dois. Isso não muda meus enredos e eu estou aqui para agradar - q
Espero que vocês gostem de mais uma fanfic minha, mais lá embaixo.

[ Without POV ]


Em 2028, a companhia Yamamoto criou uma nova proposta de interatividade ao videogame: o nanocontrole. Essa tecnologia baseava-se na implantação de nanocélulas no córtex cerebral de um voluntário, deixando-as se multiplicarem e se integrarem ao sistema nervoso central.


Esse voluntário, dentro de áreas específicas, perdia completamente o controle sobre o próprio corpo e quem passava a controlá-lo era um jogador, online, em qualquer parte do mundo.


Assim, um novo mercado, com movimentação de trilhões de dólares anuais foi criado: pessoas eram pagas para tornarem-se bonecos durante oito horas diárias, e outras pagavam para usarem humanos como “chars”, (personagens), de um jogo chamado Society — uma versão “melhorada” de The Sims -.


Com o sucesso do jogo, um ano depois a companhia lança uma nova proposta ao governo de usar presidiários condenados à morte para um game com a mesma tecnologia, chamado Battle Royal.


O novo empreendimento daria uma chance aos presidiários de saírem da cadeia vivos, isso caso sobrevivessem a 30 rodadas do jogo (que nada mais era do que um CS com seres humanos reais). Então, ele estaria livre, com a fixa limpa e muito dinheiro para recomeçar a própria vida. Claro, o que parecia muito bom, nunca foi tão difícil de tornar realidade. Nos dois anos após o lançamento da proposta, ninguém sobreviveu... O que não impediu os presidiários de continuarem tentando.


•••


[ Aoi's POV ]


“100 metros do savepoint


Alterei a câmera, deixando um ângulo mais aberto. Era sempre no savepoint que as grandes merdas aconteciam. Ninguém queria que eles sobrevivessem e apenas os melhores players sabiam mantê-los vivos.


Não pelos chars, obviamente, mas porque a cada partida que eles se mantinham, nós, os controladores, ficávamos mais famosos. Sem contar que comprar um char novo depois que o antigo morria, era extremamente caro.


E, atualmente, eu era o primeiro no ranking mundial.


Abaixei, vendo meu char fazer o mesmo, atrás de um carro. Pelo vidro quebrado da janela do automóvel, vi um idiota ir correndo para o savepoint e pisar numa mina terrestre. Pronto, e pedacinhos do cara voando por aí.


Atirei em dois homens que estavam em cima de um telhado de uma ruína de uma casa próxima e, antes de me levantar, alterei novamente o ângulo de visão. Ele não podia se mexer sozinho, mas em câmera aberta (quando não era em primeira pessoa), meu personagem podia me dar dicas, movimentando os olhos. Foi uma descoberta recente e sem querer, mas que quebrava um galho. Ele não queria morrer e eu queria ganhar.


Por entre os buracos da touca que ele usava como máscara, vi o seu olhar ir à direita desesperadamente com aquelas íris cor de mel.


Girei o corpo para o mesmo sentido que ele olhava, com a arma já em riste, atirando em um idiota que se preparava para lançar uma granada, na nossa direção. A bomba explodiu assim que o corpo bateu no chão após levar alguns tiros da minha semiautomática, causando um fuzuê há alguns metros de mim.


Segui em frente, vendo a metragem até o save na minha tela diminuindo a cada passo que eu dava. E com mais meia dúzia de tiros, nós chegamos. Um “mission complete” materializou-se na minha frente e eu perdi o controle sobre o char, que eu nomeei de Cain (o primeiro assassino da humanidade).


Joguei-me no chão acolchoado do meu quarto, que não tinha móveis e cujas paredes arredondadas tinham reproduções extremamente realistas de mídias, como janelas online e televisivas, as quais eu controlava por sensor de movimentos. Ou seja, um movimento de mão e tudo estava feito.


Tirei o fullscreen do jogo, limitando-a a uma tela entre outras muitas.


Com o canto dos olhos, via os outros sobreviventes chegando ao savepoint quando...


Pela primeira vez em vinte partidas e três meses... Eu vi Cain tirar a máscara.


[ Uruha's POV ]


Tirei a máscara, finalmente não sentindo mais o calor sufocante que estava dentro dela.


Meu coração tentava loucamente bombear sangue o suficiente para dispersar a adrenalina, mas não parecia funcionar ainda.


Finalmente a dor de um tiro de raspão que eu tinha levado começou a dar as caras e isso não me agradava muito. Assim que meu corpo esfriasse, eu estaria lascado.


Certas coisas são fáceis de ignorar quando você está processando o fato de que está vivo, indo contra todas as probabilidades... Pois eu era o primeiro jogador a completar vinte partidas sem morrer.


Joguei meu corpo no chão, esperando os últimos sobreviventes aparecerem no savepoint para que viessem nos buscar, para finalmente voltar à cadeia. Depois de ter aceitado a proposta de vir pra esse jogo, por cada dia que se passava, mais a minha cela parecia confortável e segura... Não que eu merecesse estar lá, não que eu merecesse estar preso, mas mesmo assim...


Certas futilidades, como... O barulho do silêncio, passam a ser extremamente importantes depois que se chega à conclusão de que amanhã pode ser seu último dia de vida. E, ao mínimo silêncio, na minha solitária, eu tinha de sobra.


O último char se aproximava do final do jogo quando o idiota do player teve a capacidade de levá-lo diretamente a uma mina terrestre, que levou a perna do pobre coitado e o deixou agonizando, desesperado. Três metros de onde eu e mais meia dúzia de condenados estávamos.


Um telão ao nosso lado indicou o final do jogo e nos mandou esperar pelo transporte. Não podíamos sair dali e ajudar o homem. Se saíssemos, nosso contrato seria quebrado e o que sobraria era a morte mais do que certa, que também fazia parte de nossa sentença inicial.


– Fiquei com medo de que você não sobrevivesse — Ouvi a voz de Akira, que tirava sua própria máscara, se sentando ao meu lado. Máscaras eram úteis, pois evitariam que fossemos reconhecidos caso um dia saíssemos de lá, para ter uma vida normal.


– Tive a sorte de pegar um bom jogador... Se quer um chute, ele deve ser um daqueles caras nerds com cara de Doritos e Coca-Cola... Mas me serve bem. E você, saiu inteiro? — Apoiei minha cabeça em seu ombro, respirando pesadamente conforme a adrenalina ia embora e a maldita dor no meu braço esquerdo aumentava. Reita deu um sorrisinho cansado.


– A sensação é péssima... De estar cada vez mais perto da liberdade e se ver criando esperanças. Meu controlador faz muitas cagadas, cada dia menos eu acho que vou sair vivo daqui, ou pelo menos é o que diz meu bom-senso. ...O outro lado da minha consciência fica criando planos pra quando eu estiver lá fora de novo.


Eu o entendia, completamente. Suzuki Akira, meu melhor amigo desde os tempos do fundamental, julgado e condenado pelo mesmo suposto crime que eu. Ao contrário de mim, ele tinha uma vida fora dessa cadeia, antes de toda a merda vir à tona. Ele tinha um namorado, família, amigos além de mim. Eu odiava mais vê-lo ali do queria estar ali, se é que isso é possível.


– Ruki ainda te escreve? — Perguntei, vendo o caminhão do exército se aproximar.


– Eu pedi para que ele não me escrevesse mais. Desde que entrei no jogo, não queria que ele soubesse que eu era um dos participantes. Ele deve estar achando que eu já fui morto, meu dia de execução foi semana passada... É melhor assim. Não vai ter que se despedir de mim duas vezes. Faz duas semanas que não sei nada sobre ele, também — Fechei os olhos, respirando fundo. Era só a segunda partida de Reita... Se o player dele não melhorasse... A ideia de perdê-lo ali quase me sufocava. Eu aceitei sem pensar porque não tinha nada lá fora me esperando, mas ele...


Às vezes fico pensando se não seria mais fácil para ele apenas aceitar... Eu só não queria que ele sentisse dor, ou mais do que outros já haviam imposto injustamente.


Levantei-me, ajudando-o a fazer o mesmo. Percebi que seus cabelos loiros já estavam desbotados, e a sua raiz negra estava saindo pelo topo de sua cabeça, mas mesmo assim continuava bonito, como sempre foi.


– Se eu pudesse mudar alguma coisa nessa vida de merda, queria que você estivesse fora dessa, com ele — Não podia encorajá-lo, dizer que tudo ficaria bem e que ele veria Ruki de novo. Seria desumano. Só queria que ele soubesse que eu estava ali.


Não com muita certeza de por quanto tempo, mas estava.


Porque nesse jogo doentio, era assim... O máximo que você podia fazer era viver um dia de cada vez.



Notas finais
Antes de mais nada: obrigada a todos que chegaram até aqui, vocês são uns lindos. Só serão mais lindos se me deixarem saber o que acharam desse primeiro capítulo nos reviews.
Eu tenho uma péssima mania de só continuar escrevendo se tenho um número x de reviews... Do contrário acabado deletando a fanfic, se houver algum leitor antigo meu aí, sabe que isso é verdade.
Não tenho muitos comentários a fazer sobre esse primeiro chappie, só que eu não sei quando saí o próximo, já que tenho prova de anatomia e bioquímica chegando e não sei bulhufas sobre a matéria.
Mas prometo que o chappie vai sair, com a ajuda de vocês, é claro.
Beijos, até a próxima.