Gamer

2 Capítulo 2 - Empty.


Notas iniciais
Eu nem demorei, viu?
Em compensação também não estudei ._____.
Bem esse capítulo vai aprofundar um pouco melhor a personalidade do Uruha... E... O resto eu falo lá embaixo.
Ah, eu comentei que estou sem beta e que amaria se alguém se voluntariasse?
E que o terceiro capítulo já está escrito, só esperando vocês comentarem para eu postá-lo?
Betado pela rebeccamllara, brigada por me aturar flor ♥

[ Aoi's POV ]



Fechei os olhos e lá estava ele de novo. Os traços delicados, os lábios impecavelmente bonitos, os olhos dourados que eu era acostumado a ver, a expressão cansada... Que quando eu deixava minha imaginação voar, poderia significar outra coisa além de ter saído de um jogo de vida ou morte.

Eu estava ficando maluco, sem sombra de dúvidas!

Respirei fundo, levantando do sofá da sala e indo na direção do meu quarto, cuja porta era um holograma, que eu atravessei direto, indo parar novamente em minha bolha de jogo. Com alguns movimentos de mão, abri novamente aquele print screen que eu tinha tirado de Cain sem máscara.

Meu Deus, ele ficava mais bonito cada vez que eu abria aquela merda.

Sempre tive aquela imagem fixa de que o homem por baixo da máscara era um daqueles tatuados musculosos que tem em qualquer presídio. E nunca que para mim ele parecia um modelo da Fashion Week. E eu não faço ideia de quão gay essa frase soaria se eu a externasse.

Coloquei as mãos na cabeça, quase puxando meus cabelos. Que inferno!

– Tem histórico de calvície na sua família, então eu não ficaria arrancando eles à toa — Ouvi a voz de Kazuki* atrás de mim. Virei-me, encarando um sorriso debochado nos lábios adornados por três piercings.

– Quer saber? Você não podia ter vindo em melhor hora — Porque Zuki era um “entrão”, ninguém o convidava, ninguém pedia por sua presença e ele chegava entrando. E sabe-se lá como, ele subia sem ser anunciado pelo porteiro e entrava sem bater na porta.

O sorriso desapareceu de seus lábios e os olhos já anormalmente grandes, arregalaram mais.

– Lá vem chuva de merda — Suspirou, fazendo cara de poucos amigos... E ainda assim continuando lindo — Fala criatura, o que você quer?

– Preciso que você crackeie o sistema da empresa Yamamoto e consiga acesso ao microfone do meu char durante a próxima rodada, que é... Depois de amanhã — O amigo entrão às vezes serve para alguma coisa. No caso do Kazuki, além de bonito, ele era um cracker.

– Você podia me pedir tanta coisa... Pra invadir um banco e conseguir dinheiro, pra invadir computadores alheios e conseguir acesso à webcam, mas não, você quer que eu invada um dos sistemas mais bem protegidos do mundo pra falar com o bonitinho! Por favor, eu sou muito mais bonito do que ele! — Olá, meu nome é egocêntrico, eu me amo.

Rodei os olhos.

– Sim Zuki, você é lindo, é um dos melhores amigos que eu tenho e com certeza consegue fazer o que eu estou te pedindo. Por favor...?

Quando levei um soco no braço direito, soube que ele iria fazer o que eu tinha pedido.

– Até o dia do jogo eu consigo o que você me pediu e te mando um sistema de instalação. Não sei quanto tempo pode demorar pra Yamamoto identificar o boot, então aproveite bem o tempo que tiver, ok? E... Yuu, não faça eu me arrepender de fazer isso pra você. Tenta não explodir o cara se desconcentrando com “sua bela voz” - O sarcasmo quase escorreu pelo canto de sua boca no final da frase.

[ Uruha's POV ]

Eu não era do tipo que gritava.

Nem do tipo que se contorcia e implorava. Sabia todos os meus limites, e sabia que podia lidar com aquilo. Ah, ou melhor, ficando quieto em vez de tentar brigar com oito policiais armados. Posso ser especialista em duas artes marciais, mas estava num lugar de tamanho extremamente limitado, com um braço dolorido por um tiro e em grande minoria.

Sei fazer contas.

E, honestamente, não era a primeira vez que eu sentia aquilo, então eu me recusava a ficar choramingando por leite derramado. Não estou dizendo que não dói, que não machuca, que eu não adoraria meter um tiro na cara de cada um deles e nem me sentiria culpado.

Mas eu sou realista.

Limitava-me a parecer uma boneca de pano, deixando com que eles fizessem o que bem entendessem desde que conseguisse me manter na posição que queriam.

Eu entrava num estado parecido com o de quando se toma relaxante muscular, naturalmente, sem precisar de nenhum esforço. Já vivi nas ruas. Um dia soube como me fingir de desmaiado, soube como desinteressar alguém, mas também soube como fazer o contrário. Não era uma vida fácil, mas eu não podia reclamar do dinheiro.

Porém, também não reclamei de conseguir sair de lá.

Até ficar preso aqui e pensar, sinceramente falando, eu estava melhor me prostituindo.

Eu me via como num filme. Eu estava apenas sentado numa sala de cinema, vendo alguém muito parecido comigo ser fodido por vários policiais enrustidos ao mesmo tempo, com um olhar apagado e sem emitir sons... por mais que doesse, por mais que eles gostassem de me machucar de vez em quando, pra ver se eu reagia como um ser humano normal.

Escolheram a pessoa errada pra procurar normalidade.

Não existia auto-piedade em mim. A vida era uma bosta, e de vez em quando eu reclamava dela, mas não me afetava de verdade. A única coisa que me afetava era saber que Akira também estava passando por isso. Aquilo que me afetava, mais do que tudo, mais do que todos. Ele me deu a mão quando o mundo todo me deu um coice. Nunca saberia como agradecê-lo... Porém, acabei puxando-o para o meu buraco junto comigo, mesmo sem pedir por nada disso.

Uma hora os policias cansam, comer uma boneca para de agradar o suficiente para mantê-los ocupados por mais tempo e eles me largam, sujo por fora. Só por fora, porque por dentro, não tem nada que possa ser realmente destruído, sujo ou maculado.

Levantei-me, sabendo que em poucas horas me chamariam para o check-up, antes da próxima partida. Era um agrado que eles faziam, como um daqueles “últimos desejos” que dão aos prisioneiros que irão ser executados no dia seguinte, além de tratamento especial para machucados, dores e todas essas burocracias físicas que se tem quando é obrigado a entrar em campo de guerra uma vez por semana.

Limpei-me como pude, sentindo um pouco de dor e com dificuldades para me sentar. “Só mais dez partidas”, era o que eu não cansava de repetir para mim mesmo.

Em dez partidas, tudo iria mudar, para o fim definitivo, ou para o começo da parte difícil, depois que eu fosse solto.

Assim, eu só podia esperar.

•••

E o jogo começou, com a sua rajada de tiros habitual, juntamente com a minha total perda de movimentos e vontades próprias. Acho que essa era a parte que mais me incomodava: ter consciência, mas não ter autocontrole... Seria mais fácil se eu ficasse em estado alfa, ou alguma coisa assim.

E então, vai me dizer seu nome? — Aquela voz me assustou mais do que qualquer coisa e se eu tivesse meu corpo pra mim, com certeza ia fazer alguma besteira. Nós tínhamos um ponto no ouvido, porém só recebíamos ordens e coisas assim depois do final do jogo.

– Quem é você? — Perguntei com a minha habitual voz de nada.

Sou seu player, meu nome é Yuu — É, tinha voz de adolescente mesmo, agora que eu estava parando pra pensar.

– Yuu... Certo, quantos anos você tem mesmo? — Pelo menos ele não se distraía enquanto falava comigo. Até aquele ponto, estava tudo correndo bem e a “minha” mira continuava perfeita.

Tenho dezenove. E você? — Dei uma risada sem humor.

– Que ótimo, minha vida está na mão de um menino mimado de dezenove anos. Tenho vinte e quatro, Yuu. Como conseguiu acesso ao meu ponto? — Como eu não tinha que me preocupar com nada de verdade, podia me dar ao luxo de prestar atenção à conversa.

Não sou mimado, sinto em lhe dizer. Só gosto de games e ganho dinheiro com isso. É justo o suficiente pra mim — Ele deu uma pausa, me fazendo pegar uma granada do bolso e lançá-la vários metros para direita, explodindo três atiradores — Meu amigo é um cracker e acessou seu ponto pra mim. E... Ainda não me respondeu, qual é seu nome?

– Não sei o que vai fazer com essa informação, então pode se contentar em me chamar de Kou — Respondi calmamente. Ele era cinco anos mais novo do que eu... Só cinco anos, e o único problema é que eu me sentia bem mais velho do que meus reles vinte e quatro. Eu já tinha vivido o suficiente para estar cansado de viver.

Ele me meteu numa briga corpo-a-corpo com um dos homens do jogo, que se aproximou demais. Levei dois socos na boca do estômago que quase me fizeram vomitar, mas o resultado foi ele com um pescoço quebrado, agonizando no chão.

– Então, Kou, tenho que admitir que você é muito mais bonito do que eu jamais imaginei que um presidiário pudesse ser — E meu sangue gelou.

Ele sabia quem eu era.


Notas finais
* Kazuki é da banda SCREW, eu acho ele lindo, me condenem por colocá-lo na história Q
Bem, o Uruha teve um passado meio pesado, então ele foi aprendendo a criar mil camadas em volta dele mesmo e ser altamente vazio de sentimentos, a não ser quando ele está com o Reita.
Ele é mais velho do que o Aoi nessa fanfic porque eu quis sair um pouco da idade real deles e da mania de sempre o Aoi ser o "maduro" do casal. Não sei se vocês gostaram disso, então quero a opinião de vocês.
O Yuu teve, finalmente o primeiro contato com o Kou, mas, não sei se vocês perceberam, ele ainda não tem muita noção de que está lidando com a vida de um ser humano e isso ainda vai me dar pano pra manga 8D
A relação deles nem tinha como começar bem, contanto pelo fato de que o Yuu tem a visão citada acima, mas tudo melhora mais tarde ok meninas? Não desanimem.
E muitas de vocês chutaram que o player do Reita é o Ruki... tãtãtãtã... Será que vocês acertaram?
Continuem comigo aqui e descubram Q
Muito obrigada pelos comentários lindos, me animaram muito a escrever essa história, mas quero continuar vendo vocês por aqui.
Mereço reviews?
Beijos :*