Gakuen Hetalia: Uma Nova Aventura

14 O passado começa a ser revelado...


Notas iniciais
DESCULPA MEUS QUERIDOS (AS) LEITORES (AS) !!! Não tenho palavras para me redimir com vocês pelo mega atraso em atualizar a Gakuen Hetalia! Aconteceram tantas coisas e uma delas foi a Shakinha, minha beta, estar acumulada de provas na faculdade, o que atrasou na revisão dos capítulos. Eu também andei massacrada pelas provas, por isso não mexi quase nada na Gakuen Hetalia! Essas semanas que virão serão ainda mais difíceis por serem provas finais, mas a Shakinha conseguiu adiantar alguns capítulos e a fic não ficará sem atualização por muito tempo, até pq com o fim das aulas na faculdade terei tempo 100% para concluir a fic.

Por favor, espero que não tenham desistido dela! E desejo uma boa leitura :D

Semana que vem eu vou trazer o capítulo 15!

A busca de Inglaterra se mostrou satisfatória quando ele encontrou Estônia e Letônia estudando na biblioteca da Academia. O inglês se aproximou dos dois, que o receberam com um cumprimento, logo retribuído por ele.

- Veio estudar também, Inglaterra? – Pergunta Letônia.

- Se quiser se juntar a nós, estamos estudando Tratados Internacionais. – Comenta Estônia.

- Bom, na verdade eu quero mesmo é conversar com vocês.

- Aconteceu alguma coisa, Inglaterra? – Pergunta Estônia.

- Eu vou ser direto, rapazes. Preciso que me contem tudo que sabem da República Tcheca e das amigas dela, na época em que viviam com o Rússia.

A pergunta de Inglaterra deixou os dois bálticos surpresos. Era algo que eles nunca imaginariam acontecer. Os dois permanecem em silêncio por um tempo, se entreolhando e em seguida olhando para o inglês que demonstrava paciência em obter uma resposta.

- Puxa, Inglaterra... Você nós pegou de surpresa. – Letônia comenta.

- Sim, e para qual finalidade seria? Afinal, se trata da vida de outras pessoas... – Analisa Estônia.

- Eu estou com alguns problemas no meu relacionamento com a Tcheca, por isso pensei que poderiam me ajudar. Afinal, conviveram com ela, não é? – Inglaterra decide ir direto ao assunto.

- Sim, por exatos vinte e três anos [1]. O mesmo tempo também foi com a senhorita Eslováquia que chegou junto da irmã na casa do senhor Rússia. – Letônia responde um pouco receoso.

- É, isso me faz lembrar que cinco anos depois [2] que entramos na casa do Rússia, veio a senhorita Sérvia. – Lembra Estônia.

- Podem ir me contando mais? Sabe como era a vida delas antes de fazerem parte da casa antiga do Rússia, a União Soviética? – Inglaterra parecia satisfeito com o desenrolar da conversa e puxou uma cadeira para se sentar ao lado dos dois bálticos.

- Isso nós não sabemos, Inglaterra. – Lamenta Estônia – O senhor Rússia sempre manteve bem oculto o passado delas, o mesmo fez com os nossos.

- Foram tempos difíceis, longos cinquenta e um anos [3]... – Letônia agora tinha uma expressão triste.

- Ah... Me desculpem por isso. – Comenta Inglaterra sem graça.

- Não, tudo bem! Não podemos mais temer o senhor Rússia, Letônia, somos independentes agora! – Estônia bate com uma das mãos na mesa, convicto de suas palavras.

- Enfim, o que vocês podem me contar mais? – Pergunta Inglaterra.

- República Tcheca era a favorita do senhor Rússia, ele gostava muito do gênio forte dela. Ele comentava que ela era indomável e que isso aumentava muito mais seu interesse por ela. – Continua Letônia. – Ele quem treinou a senhorita Tcheca, nas mais variadas artes.

- Ah, mas eu me lembro que a Eslováquia também era muito querida pelo senhor Rússia. – Acrescenta Estônia. – Aliás, o senhor Rússia sempre gostou mais de garotas.

- É verdade Estônia, mas algo que nunca entendi foi o relacionamento do senhor Rússia com a Sérvia. Ela era bem apegada a ele, e continua mantendo um respeito incrível, mesmo depois de tudo que ele a fez fazer, até mesmo com as amigas dela. E ela era a única que não morava com a gente, acho que era a mais independente de todos nós.

- Como assim, Letônia? – Pergunta Inglaterra intrigado.

- Inglaterra, eu não sei bem... Era algo como o senhor Rússia tem com as senhoritas Ucrânia e Bielorrússia. – Comenta o mais baixo dos bálticos.

- Bom, na época em que vivíamos na casa do senhor Rússia, cada um de nós tinha funções específicas. Sérvia não morava com a gente, mas sempre estava lá, para receber informações de suas missões através da senhorita Ucrânia ou até mesmo diretamente do senhor Rússia.

- Bem lembrado, Estônia. – Interrompe Letônia – O senhor Rússia tinha um jeito diferente de lidar com a Sérvia. Enfim, a senhorita Tcheca sempre foi muito séria e bem fechada, vivia para proteger a irmã. No começo, ela e a senhorita Sérvia não se davam bem, Tcheca não gostava nada do jeito de agir de Sérvia com o senhor Rússia.

- Entendo... – Agora Inglaterra compreendeu o que havia lido no caderno de anotações de República Tcheca. – E podem me dizer com mais profundidade o relacionamento da Tcheca e do Rússia?

- Bem... – Comenta Letônia sem graça. – Aconteceram algumas coisas...

- Na verdade, o senhor Rússia abusou muito da senhorita Tcheca, a verdade é essa. Acho que foi por isso que ela e Eslováquia começaram a ficar mais amigáveis da senhorita Sérvia, ela impediu os atos contínuos do Rússia contra a República Tcheca. – Diz Estônia um pouco sem graça, afinal, estava falando com o namorado da moça.

- “Então, não foi só uma vez... República Tcheca, era isso que estava escondendo de mim?” — Inglaterra fica pensativo por um tempo e depois se levanta da cadeira.

- Obrigado, me ajudaram muito.

- Não por isso. Desejo boa sorte com a senhorita Tcheca. – Estônia sorri.

- Sim, a personalidade dela é tsundere. – Letônia ri.

- T-Tsundere? – Por algum motivo, Japão também comentava que a personalidade do inglês era tsundere. – Bom, então até mais.

O inglês sai da biblioteca e, de repente, esbarra em Alemanha. Aproveitando a oportunidade, Inglaterra conta tudo ao alemão, que fica ainda mais interessado em saber mais sobre o passado de Sérvia. Já na sala de música, Áustria passava as informações da conversa com Eslováquia ao maestro que, muito satisfeito, permitiu que Áustria fosse até a cidade e continuasse a ensaiar a peça que apresentaria com a Orquestra da Academia.

- “Por que eu não consigo me concentrar.” — Pensava o austríaco que tentava praticar um pouco ao piano. — “Eu só fico me recordando da noite que eu tive com a Eslováquia. Será que foi certo? Afinal, aquilo foi com qual sentimento?”.

Áustria desiste de ensaiar ao piano e sai da sala de música. Seria bom tomar uma xícara de chá no refeitório agora, mas ao curvar o corredor que dava acesso ao refeitório ele se encontra com Prússia.

- E aí, aristocrata. Sentindo falta da Eslováquia? A essa altura você já deve saber que ela está no meu apartamento e é bom você não comentar nada com a Hungria. – Prússia dizia com ar debochado.

- Acho estranho você ajudá-la, afinal, ela machucou a Hungria. – Retruca Áustria.

- Ela apanhou por ser intrometida, eu já tinha dito a ela para não se meter em confusão dos outros. Sempre acaba sobrando para quem é abelhudo. – Prússia responde de volta. – E ela concordou que não deveria ter se aproximado tanto, que o mais sensato era pedir ajuda para que tirassem Eslováquia de cima da Seychelles.

- A Hungria só queria ajudar da melhor maneira. – Defende o músico e Prússia dá uma gargalhada.

- Você não pode passar a mão na cabeça de alguém que errou, mesmo que ame muito essa pessoa. Espero que você, como “namorado” da Eslováquia também tenha dito a ela que ela exagerou. Se bem que aquela chata da Seychelles fez por merecer aquela surra.

- Não gostei do seu tom em se referir a mim como “namorado” da Eslováquia. Eu sou o namorado dela.

- Não seja hipócrita, Áustria. Desde o primeiro momento eu sei dessa farsa de vocês e muito me admira você se aproveitar dos sentimentos de uma garota.

- Eu não estou me aproveitando. Ela ofereceu e, bem, eu aceitei.

- Aceitou por egoísmo e não mediu as consequências disso. Cuidado, Áustria, as coisas estão muito claras e você que não quer enxergar. Enfim, não vou dizer mais nada. – Prússia parecia mais sério do que o comum em comentar aquilo com o músico, deixando-o sozinho no corredor em seguida. As palavras do prussiano fazem Áustria ficar pensativo. Agora nada era mais claro para ele. Nem Hungria, Nem Eslováquia.

- Obrigada e volte sempre! – Sérvia agradecia a um cliente que saia da loja.

- Foi bom eu ter deixado você fazer os biscoitos, senhorita Sérvia. A saída deles está alta. – Comenta o pâtissier.

- Eu que agradeço a oportunidade, mestre. – Responde ela com um sorriso.

- Sobrou um saquinho de biscoitos, leve-o para você. – Oferece o mestre doceiro e Sérvia agradece.

- Já pode ir agora, eu irei fechar a loja hoje.

- Obrigada mestre, até amanhã. – Sérvia ao se despedir do mestre segue para a parte de trás da loja, destinada aos funcionários. Lá, ela troca de roupa e guarda de forma bem arrumada seu uniforme, um lindo vestido estilo boneca. Ao sair da loja, a moça é surpreendida ao ver uma pessoa esperando-a.

- Boa noite, Sérvia. – Alemanha cumprimenta um pouco envergonhado. Ele ainda estava com o uniforme da Academia.

- A-Alemanha, que surpresa... – Sérvia fica tímida, mas se aproxima do alemão. – O que faz aqui na cidade?

- Eu... Ah... – Ele parecia nervoso e ao mesmo tempo tinha as maçãs do rosto rubras. – E-eu vim levá-la para casa...

Ao ouvir aquilo a moça fica ainda mais tímida e envergonhada. Imediatamente, a cena do beijo e do banheiro voltam em sua mente, deixando-a muito sem graça.

- N-Não precisa se preocupar, daqui até o apartamento não é longe...

- Eu incomodo, Sérvia? – Agora Alemanha estava preocupado e a moça balança a cabeça negativamente.

- Não é isso, eu só não quero te dar trabalho. – Ela comenta.

- Eu que dei trabalho aquele dia, se não fosse por você... Eu sou muito grato. – Alemanha se referia ao dia em que ele ficou bêbado e Sérvia cuidou dele.

- Alemanha... – Ela sorri amavelmente e o alemão desvia o olhar dela.

- V-Vamos? – Ele oferece o braço para a moça que aceita com um bonito sorriso.

- Você irá jantar comigo e com a Eslováquia. – Diz Sérvia e Alemanha concorda, não podia perder a oportunidade de comer da comida feita pela Sérvia.

Era por volta de oito horas da noite, a maioria dos alunos já estava se arrumando nos dormitórios para descansarem, mas República Tcheca parecia não se importar em seguir as normas da Academia. Ela estava reflexiva e pensativa. A moça de óculos estava próxima ao grande jardim da Academia e, não muito longe de lá, ficava a estufa de flores.

- “Droga, desde que o Inglaterra e eu brigamos, não consigo deixar de pensar nas coisas que aconteceram naquela época...” — Pensava a moça se referindo ao tempo que viveu sob domínio da casa do Rússia, conhecida como União Soviética. Ela estava tão imersa em seus pensamentos que não nota a aproximação de alguém, até a pessoa se dirigir a ela.

- Boa noite, Tcheca. – Era a voz do Rússia, fazendo a moça acordar de seus pensamentos em um susto. Ela se vira para encará-lo e ele a recebe com um sorriso.

- O que você quer? – Rosna ela, já mudando a postura de seu corpo. Parecia que ela estava na defensiva, pronta para qualquer ação do homem.

- Que agressiva, eu só quero conversar. Faz um tempo que não temos uma conversa a sós, né? – Ele se aproxima de República Tcheca e ela dá um passo para trás, o corpo dela se encontra com a cerca que rodeava uma área do jardim da Academia.

- Não me lembre daqueles dias... – Ela tinha a voz fria e ameaçadora.

- Ora, não seja tão hipócrita, Tcheca, eu sei que tinha dias que você gostava. Não dizia, mas claramente seus olhos pediam mais, o mesmo pedia seu corpo. – Ele se aproxima mais dela, as respirações ficam próximas.

- Nem ouse... – Ela ameaça e dá uma ombrada em Rússia, afastando-o de si. – Nunca mais irá encostar um dedo em mim, Rússia!

- Calma, vamos apenas conversar. – Pede Rússia paciente o que deixava Tcheca ainda mais nervosa.

- Conversar? Não temos nada para tratar um com o outro, Rússia. – A moça permanecia na defensiva.

- Sabe, Tcheca, eu fiquei pensativo quanto ao que se passou com Eslováquia e Sérvia. No fundo eu acho que vocês sabem muito bem que neste mundo atual, não existe lugar para pessoas com o passado como o de vocês. – Rússia dizia tranquilo e reflexivo, enquanto caminhava de um lado para o outro do jardim, percorrendo pouca distância de Tcheca.

- Não é verdade... – Argumenta a moça.

- Ora, vejamos se não: temos uma assassina especialista em armas de fogo, uma assassina especialista em combate corpo-a-corpo e uma arma de sedução invencível... – Enumera o russo, claramente se referindo à República Tcheca, Eslováquia e Sérvia. – Em casos extremos como foi o do França com a Seychelles, duas não conseguiram conter seus verdadeiros instintos e fizeram o que fizeram. Já você, continua tentado mascarar seu verdadeiro instinto, ou não me diga que perdeu aquele desejo em atirar com uma arma, República Tcheca? De ceifar a vida de uma pessoa? Aliás, não qualquer pessoa. Meus inimigos...

- N-Não... Você está errado, Rússia. – República Tcheca sente os fantasmas de seu passado acordando para assombrá-la. Ela tinha um olhar de culpa e começavam a se formar lágrimas em seu olhos. – Fizemos tudo aquilo para sobreviver...

- Eu gosto tanto de ouvir essa sua voz embargada... – Comenta o russo com um sorriso, abraçando ternamente a moça. – Vamos voltar ao que éramos, todos nós, quando vivíamos naquela grande casa...

- ... – A moça parecia petrificada, não reagia ao abraço de Rússia e muito menos balbuciava alguma palavra.

- Você, eu, as meninas, as minhas irmãs, os bálticos... Éramos felizes, tínhamos momentos felizes! – Rússia aperta mais o corpo de República Tcheca nos braços. – Se lembra de como era bom comemorarmos o Ano Novo? A comida feita pela Ucrânia e pela Sérvia, as brigas entre Lituânia e Bielorrússia, o jeito do Letônia de ficar bajulando a Ucrânia e a Sérvia por causa do tamanho dos seios delas, o modo como Estônia analisava as coisas de forma científica...

- Esses tempos acabaram, Rússia. – A voz de República Tcheca saia bem baixa e embargada. – Nunca mais as coisas serão como antes...

Com aquela resposta, Rússia larga República Tcheca, mas não antes de fitá-la nos olhos, de forma bem profunda.

- Não adianta esconder, vocês serão minhas novamente. É só questão de tempo até perceberem que neste mundo não há lugar para vocês, a existência de vocês só pode acontecer ao meu lado... Fique ciente disto, República Tcheca.

A voz de Rússia era extremamente fria e ameaçadora. Seu olhar era tão penetrante que República Tcheca ficou com o corpo trêmulo e suas pernas não aguentavam mais suportar o peso de seu corpo, pois tremiam muito. A moça é obrigada a se sentar na grama do jardim e a fitar um Rússia com os mesmos olhos daquele tempo negro que viveu na União Soviética.

Notas finais
Notas de rodapé:

[1] Vinte e três anos - A República Tcheca (na época Tchecoslováquia) foi invadida por tropas soviéticas em 1968, os Bálticos já estavam sobre influência soviética desde 1940, logo todos eles conviveram por vinte e três anos, de 1968 até 1991 que foi o fim da União Soviética;

[2] Cinco anos depois - A Sérvia (antes República Socialista Federativa da Iugoslávia) se tornou socialista em 1945, tendo forte influência da União Soviética;

[3] Cinquenta e um anos - De 1940 (quando os bálticos foram invadidos pelos soviéticos) até 1991 (fim da União Soviética);

Glossário:

Tsundere - É uma expressão japonesa para uma personalidade que é inicialmente agressiva, que alterna com uma outra mais amável;

Pâtissier - É um chefe de massas que tenha completado um longo processo de treinamento, normalmente um período de aprendizagem, e passou um exame escrito