Gakuen Hetalia: Uma Nova Aventura
15 Amar é inconstante...
Notas iniciais
Boa leitura! ;D
Aquela era a última semana de suspensão de Eslováquia e Sérvia e as duas se empenhavam em seus últimos dias nos trabalhos temporários. República Tcheca continuava a visitá-las frequentemente e ainda estava brigada com Inglaterra. Desde a conversa que teve com Rússia, ela não mais falou com ninguém da Academia, causando estranheza, principalmente de China, seu companheiro nas aulas de Pintura.
- Está tudo bem, Tcheca? – Pergunta o chinês preocupado, os dois estavam fazendo uma pintura em conjunto.
- Sim. – Ela responde de forma educada, porém rápida. Estava bem concentrada na sua parte do quadro.
- Se tiver algo a incomodando, pode falar comigo aru. Não é bom guardar as coisas ruins, faz mal ao corpo. – China dizia simpático e a moça o olha de maneira indecifrável, deixando o rapaz um pouco surpreso por não haver nenhuma expressão nela.
- Obrigada, China. – É só o que ela diz. China então resolve não comentar mais nada, pelo menos havia conseguido fazê-la falar, mesmo que pouco.
Na sala de música, Áustria e os outros integrantes da Orquestra da Academia estavam terminando de acertar os detalhes da apresentação com o Maestro. Parecia que os encontros entre Eslováquia e Áustria para ensaiar estavam dando certo e a Orquestra não seria prejudicada, mas a moça notava nos encontros com Áustria que ele parecia diferente do normal. Ele estava mais distraído e quieto.
- Áustria, a Eslováquia já deve saber que a apresentação da nossa Orquestra será na próxima semana. – Comenta o Maestro com o pianista.
- Sim senhor. Ela já estará fora da suspensão, ainda haverá tempo de fazer um ensaio com todo mundo antes da apresentação. – Comenta o austríaco enquanto terminava de guardar suas partituras.
- Ótimo, conto com vocês dois. Ela é a minha primeiro violino e você é o solista nesta peça. Tudo precisa estar perfeito. – O Maestro era bem rigoroso, mas tudo bem para Áustria, um perfeccionista. – Irá se encontrar com a Eslováquia de novo?
- Sim Maestro, depois das aulas eu irei ao encontro dela. – Diz Áustria, um pouco incomodado, e o Maestro apoia uma das mãos no ombro do músico.
- As mulheres são como notas musicais, rapaz. Precisa ter atenção para não errar... – O comentário do Maestro chama a atenção do Áustria. O sentido era parecido com o que Prússia havia lhe falado, mas que raios era aquilo afinal? As coisas estavam tão óbvias que ele era o único a não perceber?
Alemanha corria apressado pela Academia atrás do irmão Prússia, até que finalmente o encontra acompanhado de Hungria. Os dois estavam no refeitório da Academia.
- West, você parece acabado, cara. – Comenta Prússia.
- É lógico, estou atrás de você desde de manhã. – Responde Alemanha, um pouco irritado. – Irei direto ao assunto, preciso que me empreste sua BMW R1200 C.
- Hã? O que você quer com o meu amorzinho? – Ao falar aquilo, Prússia recebe um olhar irritado de Hungria. Ela tinha horror daquela moto, parecia que Prússia gostava mais dela do que da moça.
- Eu preciso dela, para o feriado. Irei... Fazer umas coisas. – As maçãs do rosto do alemão começam a ficar rubras e Prússia começa a rir.
- Kesesesese! – Ria o rapaz. – Já entendi, eu vou te emprestar, mas tome cuidado. Acredito que vai precisar de um capacete extra, né?
- S-Sim... – Alemanha tentava conter o quão sem graça estava.
- Ah, vai sair com alguma garota, Alemanha? – Pergunta Hungria curiosa. – Você deve estar gostando mesmo dela, nunca o vi levar nenhuma menina para sair.
- É por que ele nunca levou mesmo, Hun... – Prússia parecia rir ainda mais da situação e Alemanha começa a ficar irritado. – Tudo bem West, mas terá que encher o tanque dela depois.
- Tudo bem, eu preciso dela para amanhã cedo. – Alemanha recompõe seu olhar sério. – De noite passo no seu quarto para pegar a chave e os capacetes.
- Não. – Fala Prússia. – Eu deixo para você no seu quarto, eu vou estar... Ocupado. – Ele pisca para Hungria que fica sem graça.
- ... – Alemanha parecia incomodado, mas não era pelo irmão ficar falando aquelas coisas na sua frente. O alemão loiro pensava na vez que dormiu com Sérvia, mas nada aconteceu.
- West! – Grita Prússia. – Tá viajando aí?
- Bom, conto com você Prússia. E até mais ver, Hungria. – Despede-se Alemanha apressado. Ainda faltava alguns detalhes para acertar sobre o grande dia que ele planejava ter.
França estava bem deprimido. Nunca mais teve notícias de Sérvia e as meninas de seu vasto fã clube começam a ficar preocupadas, principalmente Seychelles. A morena tentava conversar com ele, mas era evitada.
- Por favor, França, fala comigo. – Pedia a morena. – Fale comigo, não me ignore mais...
- ... – França continuava sentado, pensativo, na biblioteca. – Vá embora, você é a culpa de tudo que estou passando.
- Eu? Mas você também quis! – Reclama Seychelles.
- Você sabe que eu sou fraco, mon dieu! – França estava irritado.
- Não é desculpa! E pensa bem França, você ama mesmo aquela garota? – Pergunta ela se aproximando dele. – Você só gosta do corpo dela, ele lembra o da Ucrânia que nunca deu bola para você.
- Tais-toi! – Ele se levanta irritado e parte para cima de Seychelles, segurando-a com força.
- F-França... – A garota fica assustada.
- Venha aqui comigo... – Ele a arrasta para uma parte mais afastada da biblioteca e Seychelles sorri maldosamente.
Inglaterra continuava sua busca sobre o passado de República Tcheca e havia relatado tudo ao Alemanha, que fica bem surpreso com a história. Ele pede ao Inglaterra para, por enquanto, não comentar nada com o Áustria e também para parar a investigação por um tempo, assim não levantaria suspeitas do Rússia.
- Alemanha, eu estava pensando se amanhã podíamos sentar e analisar a situação melhor. Há aspectos que eu ainda não entendi. – Pede o inglês.
- Desculpe-me Inglaterra, amanhã eu tenho um compromisso. Talvez quando eu voltar.
- Mas, o que eu faço com a República Tcheca? A gente não está se falando e... – O inglês parecia querer desabafar com alguém, mas Alemanha era o menos indicado em ajudar.
- Desculpa de novo, Inglaterra. Eu nem sei lidar com os meus sentimentos, não saberei lidar com os seus.
- Hã? Como assim? Você está gostando de alguém? – Inglaterra fica surpreso e Alemanha tenta desconversar.
- Bom preciso encontrar com o Itália e o Japão, com licença. – Alemanha saiu rapidamente antes de Inglaterra lhe fazer mais perguntas.
República Tcheca havia chegado ao aparamento de Prússia e, logo que a moça é recebida por Eslováquia e Sérvia, elas percebem que a moça de óculos não estava com uma expressão boa, causando preocupação.
- Mana... O que houve? – Pergunta Eslováquia se sentando ao lado de República Tcheca no sofá da sala.
- Tcheca... – Sérvia se senta do outro lado do sofá, assim República Tcheca ficava entre as duas meninas.
- Eu e o Inglaterra brigamos, e o Rússia veio falar comigo. – Começa ela com a mesma expressão séria e entristecida com a qual chegou no apartamento. – Eu pensei, será que as coisas que o Rússia disse são verdadeiras mesmo, meninas? Neste mundo não há lugar para pessoas como nós...
- Tcheca! É claro que existe, lembra-se da promessa que fizemos depois que saímos da custódia do Rússia? – Começa Eslováquia. – A gente ia seguir caminhos diferentes, mas com a mesma intenção, de nós nos tornarmos melhores e expiarmos os erros do passado.
- É verdade, você sabe que fizemos tudo aquilo para sobreviver... – Sérvia também toma a iniciativa. – Eu... Eu acredito que ainda há lugar para a gente.
- Será? Eu nunca fiquei tão em dúvida... Será que não é melhor mesmo a gente voltar para o Rússia? – República Tcheca estava realmente perturbada com tudo, deixando a irmã e Sérvia bem surpresas. República Tcheca sempre foi a mais confiante das três em esquecer o que houve no passado.
- ... – Sérvia e Eslováquia se entreolham e pensam que talvez elas estavam apenas querendo se enganar. Pensou os acontecimentos que fizeram as duas ganharem suspensão da Academia.
- Eu... Eu vou fazer um chá para a gente. – Sérvia se levanta e saí da sala.
- Irmã, não quer deitar um pouco? Você parece que não está tendo boas noites de sono. – Pergunta Eslováquia.
- É verdade, desde que Inglaterra leu meu diário eu estou assim, meio sem chão. – Desabafa a moça.
- Te preocupa ele descobrir, você sabe... – Eslováquia diz um pouco receosa.
- Não sei mais nada, irmãzinha... – Suspira República Tcheca.
Inglaterra estava em seu quarto, ele parecia concentrado em encaixar as peças do quebra-cabeça que envolvia República Tcheca e seu passado. O inglês estava determinado a entender os motivos da moça em ficar tão arisca quanto ao seu passado.
- Bom, então quer dizer que ela ficou sobre custódia do Rússia, o mesmo aconteceu com a irmã dela e a Sérvia. – Inglaterra escrevia tudo em um pedaço de papel, parecia um quadro demonstrativo. – Cada uma tinha funções específicas para o Rússia, ah... Pergunto-me quais funções foram essas. Sérvia estava há mais tempo com Rússia e, por algum motivo, ela era muito apegada à ele e, no primeiro momento em que República Tcheca a conheceu, não se deram bem...
Inglaterra estava pensativo. Precisava de mais informações, mas sozinho não conseguiria. Precisava esperar alguma sugestão do Alemanha para continuar as investigações.
- Certo... – Escreve mais uma vez o inglês. – Sei que o Rússia se aproveitou da República Tcheca também, aquele louco... – Só de pensar no que deve ter sido para República Tcheca, Inglaterra fica nervoso. Ainda eram tantas coisas encobertas pela sombra da antiga União Soviética, Inglaterra não aguentaria esperar muito mais e ir diretamente falar com o Rússia.
Áustria estava indo para a cidade encontrar com Eslováquia, o músico ainda estava incomodado com tudo que foi dito a ele. Que confusão era aquela em sua mente e em seu coração? É então que Áustria pensa na noite em que se deitou com Eslováquia e sua consciência fica um pouco pesada. Naquela hora era Eslováquia que ele via ou Hungria?
- Tcheca, estou indo ensaiar para o concerto, mas a Sérvia vai ficar aqui. Ela cuidará de você. – Comenta Eslováquia pegando sua bolsa e a caixa de seu violino.
- Por favor, Tcheca, beba um pouco de chá, você se sentirá melhor. – Sérvia estava sentada no sofá ao lado de República Tcheca que ainda estava um pouco abatida.
- Sim... – A moça pega a xícara de chá e bebe de uma vez, fazendo Sérvia e Eslováquia sorrirem.
- Bom, o Áustria deve estar chegando, já vou descer. Se cuidem e Sérvia, conte para a Tcheca sobre seu encontro de amanhã. – Dizia a moça rindo o que deixava as maçãs do rosto de Sérvia com ardor.
- Encontro? Não me vai dizer que foi atrás do França? – República Tcheca olha desconfiada para a amiga.
- Não é um encontro desses encontros que a Eslováquia falou! – Comenta Sérvia envergonhada e nervosa. – É que o Alemanha me chamou para fazermos um piquenique amanhã, em agradecimento por eu ter cuidado dele quando estava muito bêbado.
- Ah, entendo. – Comenta a moça de óculos. – Você deveria abrir uma clínica para bêbados, está ficando especialista em cuidar de gente assim.
- Enfim, vou contar como foi. – Comenta Sérvia.
- Desculpa a demora, você chegou faz tempo? – Enquanto isso, Eslováquia se encontrava com Áustria no portão do prédio.
- Não, acabei de chegar. Vamos para o teatro? – Comenta Áustria oferecendo o braço para a moça. O caminho até o teatro onde apresentaria com a orquestra da Academia havia sido estranhamente silencioso, o que incomodou bastante a moça.
- Áustria, você está diferente desde aquele dia que dormimos juntos, está tudo bem? – Ela arrisca perguntar.
- Ah... Está sim, creio eu. – Ele não conseguia disfarçar que algo não estava certo.
- Seja o que for, se quiser conversar... – Insiste Eslováquia preocupada. – Foi algo que a Hungria fez com você?
- Não... É o que eu fiz com você naquele dia. Acho que foi um erro. – Diz Áustria parando de caminhar e olhando para Eslováquia um pouco surpresa.
- N-Na verdade, não me importo muito, afinal, faz parte do nosso acordo, não é? – Comenta ela sem graça e a expressão do músico a assusta, ele estava sério.
- Claro que não! Eu não amo você, eu amo a Hungria! O que eu fiz foi muito errado, usando você como meio para alcançar ela.
As palavras de Áustria caíram como uma muralha em Eslováquia, que fica boquiaberta. Sem perceber, seus olhos ficam marejados e ela tenta forçar um sorriso. Finalmente aconteceu o que República Tcheca, Sérvia e Prússia previram, os sentimentos se misturaram e o que era para ser um fingimento se tornou algo bem verdadeiro, pelo menos por parte dela.
- Você... Você realmente não consegue esquecê-la, Áustria? – Comenta Eslováquia com a voz embargada.
- Não sei, eu realmente não sei. Eu meio que comecei a gostar de você, mas a Hungria... Eu tenho certeza que não tem como eu não deixar de amá-la. E por isso, não sei... Acho que percebo agora como fui egoísta e acabei fazendo nossos sentimentos se enroscarem. – Áustria tentava achar as melhores palavras possíveis, mas era difícil aquela situação. Parecia que tudo que Prússia e o maestro disseram para ele fazia sentido agora, como ele não percebeu que estava magoando Eslováquia?
- Eu amo você, Áustria! – Fala Eslováquia sem nenhuma medida, as lágrimas até então suspensas começam a escorrer de seus belos olhos azuis pelo rosto delicado dela. Aquilo realmente deixa o músico sem reação.
Notas finais
Aru - Em quase toda final de frase ou palavra, China usa essa expressão que seria como um sotaque;
West - É como Prússia chama o Alemanha. West significa Oeste, isso quer dizer que se o Reino da Prússia ainda existisse, a Alemanha ficaria à oeste dele;
BMW R1200 C - É uma moto estilo cruiser (estilo de motos americanas nos anos de 1930 à 1960) da BMW, a produção da R1200C começou em 1997 e encerrou em 2004, sendo produzidas cerca de 40.218 unidades;
Kesesesese - Onomatopeia para a risada do Prússia;
Mon dieu - Meu deus, em francês;
Tais-toi - Cale-se, em francês.
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